terça-feira, 19 de maio de 2026

COMO SER UM CRISTÃO ESPIRITUAL

 


 

 

C. J. Jacinto

 

 

A passagem de Lucas, capítulo 10, versículos 38 a 42, sempre foi objeto de minha profunda reflexão. Nela, encontramos a narrativa sobre Marta e Maria. Podemos ler o trecho relevante nestas palavras: "E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se importa que minha irmã me deixe servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas; porém, uma só coisa é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." 

 Extraímos valiosas lições desta passagem, que nos apresenta duas mulheres na presença de Jesus: Marta e Maria. Suas condutas, embora distintas, oferecem um rico panorama de aprendizado. Através do comportamento e das reações de ambas, diante da presença gloriosa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, podemos discernir princípios importantes para nossa vida. Creio que este trecho nos proporciona inúmeras oportunidades de crescimento espiritual. Marta e Maria eram irmãs. Ambas eram irmãs de Lázaro, a quem o Senhor ressuscitou. A aldeia mencionada no texto é Betânia, situada nas encostas do Monte das Oliveiras, a aproximadamente três quilômetros de Jerusalém. Observamos, nessas duas mulheres, um exemplo do qual podemos extrair ensinamentos sobre a vida espiritual. Maria estava aos pés do Senhor, enquanto Marta estava a serviço. Contudo, algo digno de nota se manifesta: embora ambas seguissem Jesus, havia uma distância entre elas, tanto em comportamento quanto em situação. Marta estava preocupada com as tarefas materiais, enquanto Maria se dedicava às questões espirituais. Maria estava próxima de Jesus, ao passo que Marta permanecia distante, não apenas fisicamente, mas também em espírito. Essa distinção nos oferece importantes lições. O primeiro ponto de contraste evidente entre Marta e Maria reside no fato de que Marta se ocupava com atividades alheias à presença de Jesus. Marta, distraída por suas tarefas, demonstrou uma falta de percepção sobre o que realmente importava, priorizando questões secundárias em detrimento dos fundamentos da vida espiritual, da presença de Deus e de Cristo. Para ela, a companhia de Jesus e seus ensinamentos não eram prioridade, mas sim o afã da preparação. Em contrapartida, Maria escolheu estar aos pés do Senhor, absorvendo seus ensinamentos. Essa distinção nos remete à contemporaneidade, onde, em muitas igrejas, especialmente aquelas influenciadas por tradições pós-modernas e filosofias humanistas, observa-se um afastamento dos ensinamentos de Jesus, talvez até em uma condição pior do que a da igreja de Laodiceia. Nesses casos, o entretenimento, os assuntos mundanos e as preocupações materiais frequentemente se sobrepõem à busca pela presença do Senhor e pela compreensão de seus ensinamentos. A busca pelo que edifica é substituída pelo que emocionam, as atividades religiosas estão no movimento e não na contemplação, tudo se move em torno de ações que evidenciam um verdadeiro show business, a pregação bíblica fiel, temática, textual ou expositiva são substituídas por sermões curtos psicologizados e antropocêntricos, uma injeção de otimismo emocional, psicodélico espiritual para anestesiar a alma ao êxtase religioso. Longe das Palavras de Cristo.

 Com efeito, impõe-se a necessidade de sermos francos conosco, pois reconhecemos que um dos maiores obstáculos a serem superados, um desafio persistente em nossas vidas, reside na capacidade de concentração. Em outras palavras, a habilidade de direcionar o foco para o que realmente importa. Na vida cristã, observa-se frequentemente uma dinâmica semelhante. Notamos o comportamento, a atenção e a concentração dos presentes durante um culto, em especial diante da mensagem que lhes é apresentada. Percebemos que manter o foco e a atenção integralmente voltados para o propósito principal do culto – a adoração, a escuta da Palavra de Deus – é um desafio constante. Isso exige disciplina, não admirável que Paulo em suas cartas compare o cristão como um soldado ou um atleta, funções que no contexto paulino, exigiam extrema disciplina.  Em alguns casos, a experiência do canto pode parecer mais atraente do que a escuta atenta.
 Em certos contextos, a popularidade de igrejas que enfatizam o canto, a dança e o entretenimento tem se destacado. As multidões parecem buscar essa experiência. Essa forma de espiritualidade, similar à atitude de Marta na narrativa bíblica, pode desviar a atenção da essência e do fundamento da fé. O ensino e a escuta da voz do Espírito Santo podem perder sua importância, sendo substituídos, em alguns casos, pelo entretenimento religioso, que caracteriza o culto moderno.  Portanto, depreende-se que a tendência inerente ao ser humano, em sua condição natural, é a de desviar o foco do essencial e do fundamental. Se nossos cultos exigirem atenção e concentração plenas para uma compreensão aprofundada, visando à formação de adoradores genuínos e à absorção completa dos ensinamentos, corremos o risco de cair numa monotonia póstuma ou ficar sob efeito de dependência do show antropocêntrico. A satisfação humana em lugar da obediência a Deus. A rejeição ao culto bíblico, ordenado, a posição de Maria, quieta aos pés do Senhor, ouvindo Cristo e tendo comunhão com Ele, é substituída por essa abordagem motivada pelo anseio por um ambiente que proporcione alegria, entretenimento e muito prazer emocional. No entanto, essa busca por satisfação imediata e emocional se assemelha à perspectiva de Marta, que prioriza a atividade em detrimento da edificação espiritual, da iluminação e do crescimento interior. Em vez de buscar o benefício espiritual, essa abordagem prioriza a satisfação do ego.

 É possível, com efeito, desenvolver uma teologia sólida e uma doutrina saudável, fundamentada em crenças profundas, como a doutrina da onipresença divina. Cremos, de fato, na presença constante do Senhor, atributo inerente à divindade. Deus, em sua natureza trina, manifesta-se no culto. Sua presença é uma realidade inquestionável. Contudo, essa compreensão teológica pode se tornar estéril se negligenciarmos a importância da presença divina no culto. É nesse ambiente sagrado que Deus se manifesta de maneira singular, especialmente quando a adoração é autêntica, o louvor sincero e a pregação fiel, com a exposição dos ensinamentos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Onde o Evangelho é proclamado, Cristo também está presente. Para Maria, a presença de Cristo estava associada a ouvir tudo o que Ele tinha a dizer, nos cultos modernos, os participantes não conseguem ficar sentados aos pés de Cristo para ouvir, espiritualidade nesse contexto é sinônimo de movimento e não de atenção e reverencia! Um culto que prioriza a exigência de escutar com toda a atenção a pregação expositiva, torna-se extremamente tedioso e monótono para todas “martas” viciadas no movimento do ego que flutua distante da presença de Cristo e da Sua Palavra.

 Assim, compete a nós reconhecer a relevância dessa realidade, não apenas em termos teóricos, mas também por meio de nosso comportamento e convicção. As Escrituras Sagradas nos ensinam que nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Comunhão implica intimidade, como a de Maria, que se encontrava aos pés do Senhor. A distância observada entre Marta e Jesus, por exemplo, não refletia essa intimidade.
 Diante desta conjuntura, torna-se evidente que a intimidade com o Senhor se estabelece a partir do contato com a comunhão com Ele e com Sua Palavra. É fundamental ressaltar que a associação de Maria com a proximidade de Jesus, conforme narrado nos Evangelhos, exemplifica a importância de receber e internalizar Seus ensinamentos.
É evidente, e desejo enfatizar de forma clara e precisa, que a relação de Maria com Jesus transcende a emoção. Maria não experimenta êxtase ou comoção; sua interação com Ele não se baseia em sentimentos. Ela se entrega a essa intimidade por meio da razão, do intelecto, pela consciência da palavra e dos ensinamentos de Jesus, e não através de uma experiência subjetiva. Trata-se de algo prático, objetivo: a presença real de Deus em nossas vidas por meio da palavra. Maria, atenta à palavra, contrastava com Marta, que se preocupava com atividades externas, desviando sua atenção dos ensinamentos de Cristo. A presença de Deus, portanto, não reside na emoção e nos sentimentos subjetivos, mas em ouvir e nutrir-se espiritualmente através da proclamação fiel da Palavra, que se constitui o caminho para a vivência autêntica da presença divina e que se constituem os alicerces da vida cristã (Mateus 7:24)


Lamentavelmente, observa-se uma considerável confusão acerca da experiência da presença de Deus. Conseqüentemente, muitos buscam percursos espirituais que divergem dos ensinamentos bíblicos, como a busca da presença divina através da música. É inegável que a música possui a capacidade de evocar emoções profundas. Inclusive, mesmo indivíduos céticos podem experimentar emoções intensas ao ouvirem música, seja de amor, seja de natureza melancólica.  Em alguns casos, um descrente, ao ouvir uma canção de outrora, pode rememorar muitas experiências passadas, especialmente todas aquelas relacionadas as paixões da mocidade.  Ao escutar músicas românticas, um indivíduo de idade avançada pode reviver lembranças da juventude e de suas paixões, comover-se e sentir-se profundamente tocado por essas recordações. Isso ocorre porque a música tem o poder de proporcionar tais experiências emocionais profundas e causar alegrias, êxtases ou sentimentos nostalgicos. Grupos carismáticos pós-modernos fazem uso disso para promover uma espiritualidade falsificada, muitas pessoas se emocionam com musica cristã contemporânea e confundem isso com “presença de Deus”.

 Em contraste, Maria não estava cantando, nem dançando, nem se entregando a celebrações. Ela permanecia em silêncio aos pés do Senhor, atenta à Palavra de Cristo, aos Seus ensinamentos, escutando-O. Essa era a essência da intimidade de Maria com Cristo. Aqui temos os fundamentos da verdadeira espiritualidade e o caminho para a experiencia da verdadeira presença de Deus. Quanto mais temos da Sua Palavra, mais aprendemos acerca da Sua Pessoa e de Seus Atributos.

 A Escritura Sagrada nos convida à intimidade com Deus. Essa relação, contudo, possui um propósito definido. Como podemos compreender essa dinâmica? Em Tiago, capítulo 4, versículo 8, o apóstolo declara: "Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós". Mas qual é a finalidade dessa proximidade? Tomemos Maria como exemplo. Ela se encontra aos pés do Senhor. Qual é a sua motivação? Qual o objetivo de sua quietude e presença na intimidade com Ele? Simplesmente ouvir. Ela anseia por aprender. O ensinamento é o alimento da alma, a fonte da percepção espiritual, a luz que ilumina, a edificação que fortalece, a graça que sustenta e a base de um relacionamento correto com Deus. Portanto, a intimidade com o Senhor visa, acima de tudo, o recebimento de Seus ensinamentos. Não se trata de uma experiência mística, mas, conforme o cristianismo ensina, a comunhão com Deus tem como propósito principal a instrução divina.

 Há um Salmo específico que aborda esta questão, o Salmo 119, mas há outro que também é muito especial e que se revela crucial para compreendermos nossa relação com Deus por meio de Sua Palavra. No Salmo 139, somos informados que Deus possui um conhecimento profundo de cada um de nós. De modo análogo, devemos buscar um conhecimento profundo de Deus. A intimidade é construída através do conhecimento; quanto mais nos aproximamos do Senhor, mais compreendemos a respeito de Sua natureza. E isso quando nós somos santificados pela Sua Palavra (João 17:17) um culto não pode ser santificado de forma bíblica se a Palavra de Deus é destituída da sua importância para ser substituída por muitas atividades religiosas e ritualísticas.

  Aprofunde-se nesta análise para alcançar uma compreensão mais rica do relacionamento com Deus e um conhecimento adequado e profundo de Sua pessoa. Onde encontramos a revelação dos atributos, qualidades e atribuições de Deus? Somente na Bíblia, fonte de todas as informações sobre o Deus revelado nas Escrituras. Assim, quanto mais aprendemos sobre Deus e Sua vontade, mais nos assemelhamos a Maria, que se sentou aos pés do Senhor para ouvir, isso é quietude, reverencia e prontidão para ouvir, sem pressa e com toda a atenção ao que Deus deseja falar, concentração e coração aberto para aprender.

 Aqueles que buscam entretenimento, que se dedicam a um interesse meramente religioso, que procuram êxtases ou outros tipos de experiências místicas, almejam uma presença subjetiva, distante e sem o devido entendimento do Senhor. A distância não permite que se compreenda a essência e a natureza de Deus. Marta exemplifica essa postura, com seu foco desviado de Jesus, de Seus ensinamentos e Seus atributos. Maria, por outro lado, adquiriu conhecimento através da intimidade, ao ouvir a Palavra do Senhor porque estava próxima do Senhor da Palavra.
 Atualmente, muitos que professam buscar a presença de Deus se encontram na mesma posição de Marta: distantes, buscando a presença divina através de emoções, entretenimento e atividades humanas, esforçando-se por seus próprios méritos para alcançar a proximidade com Deus. Contudo, a verdadeira proximidade com Deus surge da entrega completa a Ele, o acesso a presença de Deus não um mérito do suor humano, mas pelo sangue de Cristo. “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuario, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus 10:19 e 20) Maria entregou-se totalmente a Cristo, com um único objetivo: ouvi-lo, estar atenta à vontade de Deus, aos Seus ensinamentos.

 A questão central é: em um culto, na leitura da Bíblia ou na oração, qual é a motivação principal? A satisfação emocional ou a busca pela vontade de Deus em sua vida?
Compreendemos, em alguma medida, que o próprio Cristo nos instrui acerca desses princípios espirituais que ora menciono, especialmente no que concerne à intimidade. No capítulo 6, versículo 6, do Evangelho de Mateus, Jesus ensina aos discípulos a recolherem-se ao aposento, fecharem a porta e ali orarem ao Pai, evidenciando a intimidade com Deus. Observamos que o ambiente proposto é simples, representando uma entrega, longe dos olhares alheios, uma busca pela solidão com Deus, com o coração inteiramente direcionado a Ele. O principio espiritual é evidente, a intimidade com o Senhor é algo muito pessoal, num culto, a maioria pode se comportar como Marta, mas você é chamado a ser como Maria.

 No livro de Jeremias, capítulo 29, versículo 13, encontramos a promessa de que aqueles que buscam a Deus de coração O encontrarão. Jesus, em confronto com os fariseus no capítulo 15, adverte que eles honram o Senhor com os lábios, mas seus corações estão distantes. Essa é a questão central: onde está o foco do nosso coração? Pois Jesus ensina que onde estiver o nosso coração, ali estará o nosso tesouro. (Lucas 12:34) Onde estava o coração de Marta? O coração de Marta estava em suas atividades. Ela queria chamar a atenção para si mesma, queria ser o centro das atenções. Onde estava o coração de Maria? O coração de Maria estava em Cristo, contemplando-O e ouvindo-O. Essa é a questão fundamental. Enquanto nosso coração não estiver concentrado em Cristo, enquanto nossa atenção não estiver voltada para Ele, enquanto não nos dispusermos a ouvi-lo, por meio da escuta atenta aos seus ensinamentos, não compreenderemos verdadeiramente o que é a verdadeira espiritualidade e o que significa ser verdadeiramente espiritual.

 Na atualidade, a espiritualidade é frequentemente associada à intensidade emocional, contudo, ao observarmos Maria aos pés de Jesus, percebemos que a espiritualidade autêntica reside em ouvir atentamente, em vez de priorizar as emoções. A maioria daqueles que se autodenominam cristãos atualmente demonstra uma intimidade superficial e artificial com a fé. Em vez de uma conexão genuína, observa-se uma intensa atividade em atividades religiosas: cantam hinos, cumprem agendas eclesiásticas e participam de múltiplos cultos. Essa intensa atividade, muitas vezes, serve a interesses pessoais e à busca de satisfação própria. Na verdade aqueles que se distanciam da verdade tendem a não suportar a as doutrina.

Contrastando com essa realidade, a atitude de Maria, registrada nos evangelhos, revela uma profunda conexão espiritual. Maria, aos pés de Jesus, demonstrava um genuíno interesse em ouvir e aprender com Ele, buscando compreender a essência do Evangelho e os ensinamentos da Palavra de Deus. Como Paulo enfatizou, a essência do ministério cristão reside em ensinar todos os conselhos de Deus. A atenção de Maria se concentrava em absorver os ensinamentos de Cristo, demonstrando a verdadeira espiritualidade.
Por outro lado, as ações de Marta representam a religiosidade superficial e emocional, caracterizada por uma intimidade frágil e distante da verdadeira fé, apesar da aparente dedicação às atividades religiosas. Embora suas ações fossem visíveis, a profundidade da relação com Cristo não era evidente. A Escritura Sagrada apresenta um diagnóstico, um indicativo da experiência humana em relação a Deus. Maria, ao contrário de Marta, parecia possuir essa sensibilidade. A postura de ambas, portanto, revelava diferenças significativas. Em Salmos, capítulo 42, versículos 1 e 2, encontramos: "Assim como a corça anseia pelas correntes de água, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo."

 Essa passagem revela um anseio profundo, uma sede quase desesperada. No contexto do Oriente Médio, onde a narrativa de Lucas se situa e onde as personagens de Marta e Maria viviam, a sede era uma experiência física intensa, especialmente em um ambiente desértico e árido. A expressão do salmista, portanto, transmite a profundidade desse sentimento, um desejo fervoroso.

 Em Salmos, capítulo 63, versículo 1, o salmista novamente expressa: "Ó Deus, tu és o meu Deus; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja em terra seca e fatigada, onde não há água." Observamos, mais uma vez, a manifestação de um desespero interior, um desejo veemente pela comunhão e conhecimento de Deus. Era essa busca que Maria demonstrava ao estar aos pés do Senhor, pois ela havia encontrado a fonte, a fonte da vida eterna, saciando sua sede ao ouvir os ensinamentos de Jesus. Consideremos a vida de Cristo como exemplo. Ele representa o ápice da espiritualidade humana. Nenhum outro ser, em toda a história, demonstrou maior profundidade espiritual. Jesus Cristo vivia a palavra; ao enfrentar as tentações e as investidas do diabo na tentação no deserto, recorreu às Escrituras para refutar e combater as estratégias do adversário. A espiritualidade de Jesus derivava de sua profunda intimidade com a palavra de Deus.

 Um livro notável, escrito por Adolf Saphir, um judeu convertido ao cristianismo, aprofunda essa temática. Intitulado "Cristo e as Escrituras", a obra demonstra a profunda conexão de Jesus com a palavra de Deus e como as Escrituras moldaram seu ministério e sua vida. Ele não apenas personificou a palavra, mas a viveu plenamente. Essa vivência da palavra constitui a essência da vida espiritual, conforme ensina o Novo Testamento, e Cristo personifica esse ideal. Dessa forma, Maria, ao contemplar Jesus, estava diante daquele que poderia ensinar tudo sobre a verdadeira vida espiritual.


Ao longo da história da Igreja Cristã, é possível identificar um período em que a espiritualidade era definida por duas características principais. Inicialmente, o homem espiritual era aquele que possuía profundo conhecimento das Escrituras, o que resultava em uma teologia consistente, embasada na doutrina sólida, na erudição e na piedade. Essas qualidades, em conjunto, delineavam a figura do homem espiritual. Contudo, nas últimas décadas, uma distorção do conceito de espiritualidade emergiu no movimento pentecostal. Semelhante ao misticismo medieval e neoplatônico, a espiritualidade passou a ser associada à vivência de experiências místicas, êxtases e à manifestação de dons sobrenaturais. Assim, essa nova perspectiva passou a definir quem seria considerado espiritual. Contudo, biblicamente, o homem espiritual é aquele que vive de acordo com os ensinamentos da Palavra de Deus, demonstrando profundo conhecimento das Escrituras e uma teologia coerente. Essa compreensão se reflete em sua vida prática, influenciando sua conduta piedosa e o conduzindo a uma imersão nas Escrituras, com as Escrituras, por sua vez, habitando nele. O verdadeiro homem espiritual é exemplificado em Maria, que, aos pés de Jesus, absorvia seus ensinamentos, direcionando toda sua atenção ao Mestre. Jesus, por sua vez, personificava essa espiritualidade, sendo o homem da Palavra, vivendo em consonância com ela, o que o constituía um verdadeiro homem espiritual. Você tem essas qualificações?

 

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

A Virtude da Abnegação

 A ABNEGAÇÃO





por C. J. Jacinto

“Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.”

— 1 Pedro 2:21

O Modelo Perfeito

Há uma virtude tão rara nos dias em que vivemos, tão distante dos valores que o mundo celebra, que sua simples menção já provoca estranheza nos corações formados pela cultura do ego. Essa virtude chama-se abnegação. Não é fraqueza disfarçada de humildade. Não é resignação covarde diante das circunstâncias. É, antes, a expressão mais elevada da liberdade humana: a capacidade de renunciar a si mesmo por amor a algo maior.

Jesus Cristo, o Senhor eterno, é o modelo insuperável dessa virtude. Nele não havia sombra de orgú Lho, nem vestígio de avarêza. Sua alma era um campo sem ervas daninhas, um espírito não contaminado pelo veneno do egocentrismo que corrompeu a humanidade desde a queda. O que mais impressiona na vida do Mestre não é apenas o poder dos seus milagres ou a sabedoria das suas parábolas — é a abnegação que sustentava cada passo que Ele dava, cada palavra que pronunciava, cada silêncio que guardava.

O Senhor Jesus vivia com um propósito duplo e absoluto: fazer a vontade do Pai e servir ao próximo. Essas duas coisas eram o centro de gravidade de toda a sua existência terrena. Em torno delas, Ele organizava cada dia, cada escolha, cada sacrifício. Por mais de três décadas, caminhou por este mundo sem nunca perder de vista esse norte, sem jamais ceder à sutil tentativa de colocar a si mesmo no centro da cena.

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo... humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.”

— Filipenses 2:5-8

A Glória Abandonada

Quando João declara que “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14), ele não está apenas enunciando um dogma teológico — está descrevendo o maior ato de abnegação já realizado no universo. Medite nisso com a seriedade que o mistério exige: o Criador, descendo ao criação. A Luz eterna, escolhendo as trevas de um mundo poluído pelo pecado. O Perfeito, habitando entre os imperfeitos. O Santo dos Santos, respirando o mesmo ar dos que O rejeitariam.

Abandonar uma glória que nenhuma mente finita pode sequer imaginar, para entrar num mundo manchado pelas ações infâmes da humanidade rebelde — isso só se faz por amor puro, ou seja, por abnegação perfeita. O profeta Isaías já havia entrevisto esse mistério séculos antes: “Desapreciado e rejeitado pelos homens; varão de dores e que sabe o que é sofrimento” (Isaías 53:3). Não houve acidente nessa trajetória. Cada passo de Cristo em direção à cruz foi um ato consciente e soberano de abnegação, um “sim” dito ao Pai e um “eu te amo” sussurrado à humanidade perdida.

Jesus veio plantar uma semente de esperança no solo árido das abominações dos homens caídos. Veio acender uma luz onde a escuridão havia feito sua morada. Veio oferecer vida, onde a morte parecia ter dito a última palavra. E tudo isso, repita-se, nasceu de uma abnegação sem paralelo na história, humana ou cósmica.

O Que É Abnegação?

Antes de prosseguirmos, é preciso definir com precisão o que é a abnegação, pois pouquíssimo se fala sobre ela nos púLpitos contemporâneos, e quando se fala, frequentemente se confunde com uma religiosidade superficial que nada tem a ver com a virtude que Cristo viveu e ensinou.

A abnegação é a ação caracterizada pelo desprendimento deliberado e consciente de tudo aquilo que alimenta o egoísmo. É o abandono das coisas pasageiras e supérfluas para a dedicação plena a uma causa que transcende o interesse pessoal. É o sacrifício da vontade própria em favor da vontade de Deus. É, em sua essência mais profunda, a morte do “eu” que quer reinar, para que Cristo reine em seu lugar.

“Já estou crucificado com Cristo; e eu já não vivo, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim.”

— Gálatas 2:20

A abnegação não é, portanto, uma postura passiva ou melancólica diante da vida. É, ao contrário, a expressão mais ativa e vigorosa da fé: a decisão cotidiana, renovada a cada amanhecer, de cultivar as coisas mais elevadas pelo caminho da morte das paixões carnais. É o estreito caminho que o próprio Jesus descreveu, exigente não para poucos eleitos por mérito, mas acessível a todos os que, de coração sincero, optam por segui-Lo.

A Loucura que o Mundo Despreza

Louvamos ao Senhor por tão digno exemplo. Seus passos podem e devem ser seguidos. Mas é preciso reconhecer: isso é loucura para os homens desta era. A sociedade pecadora não enxerga vantagem alguma na abnegação. Somos condicionados, desde a infância, a amar a nós mesmos acima de tudo, a defender nossos direitos, a garantir nosso espaço, a promover nossa imagem. O mercado nos diz: "Você merece". A cultura nos lisonjeia: "Cuide-se primeiro". E a religiosidade superficial, infelizmente, nem sempre discorda.

Cristo, porém, convida a outro caminho. Não o da autoflagelação ou do desprezo pela vida, mas o da morte do ego que usurpou o trono que pertence a Deus. "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, este a salvará" (Lucas 9:23-24). Palavras duras, incomodas, absolutamente contracorrente — e, exatamente por isso, absolutamente verdadeiras.

Observe também o que acontece mesmo entre aqueles que o mundo chama de filantrópicos: a motivação muitas vezes é o reconhecimento, a exaltação de si mesmo, o eco do próprio nome sendo repetido com admiração. Buscam o elogio. Esperam os aplausos da multidão que recebe sua ajuda. Exibem sua generosidade como troféu. Isso não é abnegação — é egoísmo disfarçado de virtude, vaidade coberta com o manto da benevolência. A verdadeira abnegação faz o bem em silêncio, como o sal que não aparece, mas transforma tudo que toca.

"Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti... para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."

— Mateus 6:2-4

O Exame de Consciência

Então, aqui está a pergunta que não pode ser esquivada: Você experimenta essa virtude em sua vida espiritual? Não a abnegação performática, exibida para aprovação dos irmãos na fé — mas a abnegação real, que acontece no silêncio do seu quarto, na gestão das suas finanças, nas suas ambições profissionais, nas suas relações mais íntimas. A abnegação que ninguém vê, mas que Deus conhece.

Precisamos rever nossa vida com honestidade brutal. Precisamos examinar nosso estilo de vida espiritual com o rigor de quem sabe que estará diante de Deus. Jamais devemos caminhar pela vereda de Cristo pensando em nossas vantagens pessoais. Não podemos encontrar na senda dos justos oportunidades para nos promovermos, para construirmos nossa reputação, para acumularmos prestígio religioso — pois isso vai contra os princípios fundamentais do Reino de Deus. Cristo, nosso exemplo supremo, nunca agiu assim!

A abnegação que o Senhor viveu e nos ensinou só pode brotar de um coração que foi genuinamente tocado pela graça, de uma alma que compreendeu o peso da Cruz e o valor infinito daquele que morreu nela. Ela não é fruto de esforço humano isolado — é o resultado natural de uma vida rendida, transformada, encharcada da presença do Espírito Santo. Não é conquista; é consequência.

"Maior amor do que este ninguém tem: que alguém dê a sua vida pelos seus amigos."

— João 15:13

Os que Seguem o Cordeiro

O apóstolo Paulo escreveu aos Romanos que o propósito eterno de Deus para cada crente é que sejamos "conformados à imagem de seu Filho" (Romanos 8:29). Conformados — palavra que implica processo, escultura, dor da transformação. Ser conformado à imagem de Cristo é, necessariamente, ser conformado à sua abnegação, ao seu desapego, ao seu serviço, ao seu amor que não pede nada em troca.

O Apocalipse nos revela uma visão extraordinária: uma multidão diante do trono do Cordeiro, descritos com uma frase que deveria arrepiar a alma de qualquer crente: "Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá" (Apocalipse 14:4). Para onde quer que vá. Não apenas quando o caminho é cômodo, não apenas quando o destino é aplaudido, não apenas quando os seguidores são muitos. Para onde quer que vá — inclusive ao deserto, inclusive à incompreensão dos homens, inclusive à cruz.

Esses são os verdadeiros abnegados. São aqueles que descobriram, na escola silenciosa da graça, que perder a própria vida por Cristo é a única forma de verdadeiramente encontrá-la. São aqueles que aprenderam que o grão de trigo precisa morrer para que nasça muito fruto (João 12:24). São aqueles que entenderam, com uma clareza que não vem da razão humana, mas do Espírito que ilumina, que a maior grandeza do Reino não se mede pelo que se acumula, mas pelo que se entrega.

O Convite que Permanece

Só pode caminhar pelo caminho estreito que Jesus propôs nos Evangelhos aquele que se desprendeu totalmente das vaidades e das coisas que satisfazem o ego corrompido. Não existe atalho. Não existe versão light da abnegação cristã. Ou ela é total, ou não é abnegação — é apenas conforto disfarçado de consagração.

O convite de Cristo permanece tão fresco quanto na manhã em que foi pronunciado pela primeira vez à beira do mar da Galileia. Ele não seduz com promessas fáceis, não engana com prosperidade imediata, não lisonjeia o ego com teologias de autoafirmação. Ele simplesmente diz: "Negue-se a si mesmo. Tome a sua cruz. E siga-me." Três imperativos que resumem toda uma filosofia de vida — ou melhor, toda uma teologia da existência.

A abnegação, portanto, não é um ideal inatingível reservado a monges medievais ou a mártires de outras eras. É a vocação de todo aquele que decidiu, de forma séria e irrevogável, seguir o Cordeiro — onde quer que Ele vá. É o chamado que ressoa em cada coração que foi tocado pela graça. E para aqueles que respondem a esse chamado, há uma promessa que o próprio Cristo garantiu: a vida plena, a vida verdadeira, a vida que nenhum mundo pode dar — e nenhuma morte pode tirar.

"Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá."

— Apocalipse 14:4


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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Maria e o Modelo de Piedade Bíblica.

 


 

 

C. J. Jacinto

 

 

O primeiro capítulo do Evangelho de Lucas retrata Maria, mãe de Jesus, como um modelo exemplar de piedade cristã. A análise do perfil de Maria, conforme delineado por ela mesma e pelo evangelista Lucas, revela-se de suma importância para o desenvolvimento espiritual, o discernimento e a compreensão da fé. Ao examinarmos sua vida, somos convidados a refletir sobre a essência da piedade, compreendendo o que significa ser um homem ou mulher marcados por uma piedade que manifesta poder espiritual. Maria, portanto, apresenta-se como um modelo significativo a ser seguido, um exemplo perfeito de quem vive em obediência e submissão à vontade de Deus, o Santo e Todo-Poderoso.
Analisando o perfil de Maria, apresentado no primeiro capítulo de Lucas, podemos observar uma representação fiel do cristão segundo os ensinamentos bíblicos. Ao longo deste estudo, aprofundaremos a análise da figura de Maria, mãe de Jesus, e de seu exemplo de piedade, buscando compreender suas virtudes espirituais e a forma como podemos aplicá-los em nossas vidas. Desejo enfatizar, com convicção, que Maria personifica o perfil de um genuíno cristão bíblico, conforme as normas estabelecidas pelas Escrituras. Ela se destaca como as que estão entre as “santas mulheres que esperavam e Deus” (I Pedro 3:5), prossigamos em esperar em Deus somente, pois aquele que está sentado no Trono deve ser o centro da nossa bendita esperança

 A presente análise visa aprofundar a compreensão da espiritualidade de Maria, tendo como fonte primária o texto conhecido como "O Cântico de Maria". A partir do primeiro capítulo de Lucas 1, versículo 46, encontramos a declaração dela: "A minha alma engrandece ao Senhor". Na análise do termo original grego, o verbo "megaluno" revela um significado de exaltação ao Criador, transcendendo qualquer criatura. Não ela sendo exaltada por homens, mas ela exaltando ao Deus Todo-Poderoso. Isso implica em colocar Deus acima de todas as coisas, reconhecendo a existência de um trono no universo, além do próprio universo, do qual Deus é o soberano sobre todas as criaturas e sobre toda a criação. Maria colocou Deus Santo e Trino além de todas as coisas, exaltando ele acima de tudo, ninguém jamais pode desviar-se desse tão bendito caminho que ela trilhou!

 Em suma, "megaluno" expressa a elevação de Deus à sublimidade e à plenitude, ou seja, acima de tudo. Significa reconhecer a completa submissão ao Senhorio de Deus Pai Todo-Poderoso, colocando-O em seu devido lugar. Ao proferir "A minha alma engrandece ao Senhor", Maria direciona sua contemplação exclusivamente a Deus. Ponto fixo da verdadeira devoção que não pode ser removido por ninguém. (Leia Hebreus 2:18 Salmos 22:19, 46:11, 60:11, 121:1 e 2, 124:8) Que possamos dar o mesmo grito apostólico: “Mas alcançando o socorro de Deus ainda até os dias de hoje, permaneço dando testemunho” (Atos 26:22)


 Para aqueles que buscam seguir esse modelo de espiritualidade, a orientação é semelhante: voltar o olhar para o Senhor em sua soberania, para o Deus Todo-Poderoso. Após a consumação da obra redentora de Jesus Cristo na Cruz do Calvário, em consonância com a epístola aos Hebreus (12:2), somos chamados a contemplar a Cristo, autor e consumador da nossa fé. A contemplação da soberania de Deus e de Seu trono inevitavelmente nos conduz à contemplação de Cristo, que está à direita de Deus. Essa é a direção integral de nossa contemplação. Esse é o caminho da verdadeira espiritualidade bíblica. “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça” (Salmo 17:15)

 Compreendemos aqui a essência da verdadeira espiritualidade cristã, conforme descrita nas Escrituras. O cristão genuíno, aquele que experimentou a regeneração, volta seus olhos para Deus, com um único propósito: glorificá-lo. Este é o cerne da vida cristã, que Deus seja exaltado em cada aspecto de nossa existência - em nossos pensamentos, sentimentos, ações, obras, momentos de reflexão e testemunho. O cristão bíblico busca glorificar a Deus em tudo. Seu lema de vida é: "Deus seja glorificado em nossa vida e em nosso viver".

 Consideramos, portanto, as palavras de Maria no versículo 47, onde se manifesta uma expressão de louvor cuja profundidade transcende a capacidade de quantificação. Ali reside a essência da espiritualidade e da qualidade de vida profunda que Maria possuía, ao declarar: "O meu espírito exulta em Deus, meu Salvador." A palavra "exulta", neste versículo, traduz a palavra grega "agaliao", enquanto "Salvador" provém de "soter". Percebemos, assim, a combinação do substantivo masculino "soter" com o verbo "agaliao", expressando uma profunda espiritualidade que, como mencionado, não pode ser totalmente apreendida em poucas palavras.

 Consideremos a palavra "alegrou-se". Que profunda expressão de gratidão emanava de Maria! Ela tinha um motivo para se alegrar. Qual era sua alegria? A alegria da salvação. A alegria de ter em Deus seu Salvador. Ela necessitava da salvação, assim como cada ser humano necessita. Embora tenha sido um instrumento escolhido por Deus, Maria precisava da misericórdia e da graça divina, como todos nós. Ela reconheceu essa verdade, e essa percepção foi fonte de alegria. A misericórdia de Deus a alcançou, assim como alcança cada um de nós. Essa alegria preencheu sua existência, a consciência de ter sido agraciada pela graça e misericórdia de Deus. Deus a alcançou através da salvação, e a salvação reside na alma que experimentou o perdão divino. Maria recebeu o perdão, a graça e a misericórdia de Deus. Crendo e aceitando essa realidade, Maria declarou que sua alegria residia em Deus, seu Salvador. Regozijamo-nos diariamente pela misericórdia de Deus que nos alcançou. Alegremo-nos pela grandiosa salvação que Deus nos concedeu por meio de Cristo. Estas questões devem permear nossos corações, guiando-nos a uma vida de constante gratidão a Deus. A emoção de Maria ao compreender ser agraciada pela salvação de Nosso Senhor e Salvador era sublime. Uma alegria plena, transbordante, emanava de seu coração, expressando palavras profundas. Seu exemplo de fé e emoções serve como modelo, demonstrando os sinais evidentes de nossa eleição e da promessa de vida eterna que Cristo nos oferece. Ele próprio declarou: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância", e também: "Eu lhes dou a vida eterna". A vivência espiritual e o bem-estar só podem ser alcançados através de Deus, o Deus Trino, e Maria tinha plena consciência disso. Ao chegarmos ao versículo 48, Maria declara que Deus considerou a humildade de sua serva. Que momento singular! Ela se identifica com esse papel, estabelecendo um contraste notável. Enquanto reis ocupavam tronos em diversas monarquias ao redor de Israel, Maria se autodenomina serva. Este é o título que encontramos para Maria no livro de Lucas e em todos os evangelhos. Deus contempla a servidão de Maria. A palavra "servidão" é um substantivo feminino, remetendo à palavra grega "doulos", da qual Paulo também se identifica, em Romanos 1:1. Aqui reside a grande maravilha: Maria se considera uma serva, alguém completamente submissa à vontade divina. Não seria este um modelo de espiritualidade autêntica? Não deveríamos buscar imitá-la? Certamente. Pois aqui temos uma mulher que se declara serva, o testemunho dessa submissão pode ser parafraseada nestas palavras: "Senhor, faça de mim o que queres, sou teu instrumento". Assim como o poeta cria a maior poesia através de um simples instrumento, a caneta e o papel, Deus toma Maria em suas mãos e a transforma em um exemplo sublime de servidão, digno de nossa admiração e imitação, um modelo de verdadeira e genuína espiritualidade a ser considerado por todo cristão. É fundamental ponderar a posição de Maria, que, em sua humildade, se apresenta diante do mundo. Maria, a Maria do cristianismo bíblico, a Maria do Novo Testamento, a Maria dos Evangelhos, uma serva do Senhor. Ela não é a senhora de seu destino e missão, Deus é Senhor sobre ela, e o senhorio soberano de Deus é o centro da sua devoção e da sua vida.

 A partir das declarações de Maria, podemos discernir uma verdade fundamental: ela se sentiu contemplada por Deus. Essa experiência me remete ao livro de Jó, capítulo 1, versículo 8, onde Deus atesta a retidão, a piedade e a integridade de Jó. Assim como Jó era objeto da atenção divina, Maria também o era. Deus observava a postura de Maria, mulher de grande piedade, modelo a ser seguido, pois ela irradiava as virtudes que os cristãos devem cultivar. Deus contemplava aquela que seria a mãe do Senhor, em virtude de sua servidão, sua submissão e sua completa dedicação, tornando-se instrumento nas mãos do Senhor para que o Messias viesse ao mundo. Assim Maria é a serva do Deus Bendito, uma vida de disponibilidade em fazer a vontade do Criador.

 Da mesma forma, nós, cristãos, podemos proclamar o Evangelho e levar Cristo ao mundo, sendo testemunhas de sua ressurreição. Podemos apresentar Cristo ao mundo, demonstrando que Ele está vivo e reina no trono celestial. Assim como Maria trouxe Jesus ao mundo, podemos trazer Jesus ao coração dos outros através da proclamação do Evangelho e do testemunho de nossa própria vida. E Deus, certamente, contempla aqueles que trilham esse caminho, o caminho do testemunho. A dignidade humana reside na contemplação divina, independentemente da opinião alheia. O olhar de Deus sobre nós, e não a avaliação de outros, é o que verdadeiramente importa. A mais alta honra é ser objeto da atenção do Senhor, e em nossos dias, a escassez de homens piedosos e virtuosos é evidente. Para merecer a contemplação divina, é preciso servir com humildade, submetendo-se à vontade de Deus, mesmo que isso implique em riscos e sacrifícios. É a entrega absoluta, o instrumento da vontade divina que nos eleva. Ainda mais notável é a afirmação de Maria de que todas as gerações a proclamariam bem-aventurada. A razão para essa bem-aventurança reside em sua condição de serva. A humildade e a disposição para servir ao Senhor são qualidades de grande valor aos olhos divinos. Os anjos testemunham a importância da humildade na vida de uma pessoa. Quanto maior a nossa dependência do Senhor, mais Ele nos utiliza. A própria resposta divina a Paulo, de que o poder de Deus se manifesta na fraqueza, ilustra essa verdade. Ao reconhecer em Maria um exemplo de humildade, submissão e serviço, Deus a elegeu como instrumento apropriado para a vinda do Messias.

A escolha divina é seletiva: Ele escolhe os simples, os humildes, os servos e aqueles que se submetem à Sua vontade. Ele escolhe aqueles que cultivam a virtude da humildade em seus corações e a manifestam em suas vidas. Deus não busca aqueles que se exibem em público, mas sim aqueles que buscam a Sua presença em particular. Ele não procura aqueles que dependem da fama religiosa para se autopromoverem, mas sim aqueles que, em submissão e serviço, buscam realizar a vontade divina, desconsiderando a própria reputação. O que realmente importa é agradar a Deus por meio de uma vida dedicada à concretização de Seus propósitos.

 Ser um instrumento de Deus é não ter vontade própria, não ser autossuficiente. Maria personificou essa condição. Ela não era autossuficiente nem onipotente. Por isso, o Deus Todo-Poderoso utilizou sua humildade e fraqueza para realizar obras extraordinárias. Deus opera dessa maneira, realizando feitos notáveis por meio daqueles que se mostram simples e disponíveis.
 Todos os cristãos, aqueles que genuinamente abraçam a fé, reconhecem sua própria humildade diante da grandeza divina. Sabem que, embora suas palavras possam parecer limitadas, a mensagem do Evangelho que carregam e proclamam é de uma grandiosidade incomensurável. Compreendem que, por si sós, são incapazes de realizar qualquer obra de valor duradouro.
 Jesus, no Evangelho de João, capítulo 15, ao falar sobre a videira verdadeira, afirmou: "Sem mim, nada podeis fazer". Essa verdade se estende a todos. Sem Deus, nada podemos alcançar. Sem Deus, Maria, Paulo e Pedro não teriam cumprido seus propósitos.

Reconhecemos, portanto, nossa total dependência do Criador, em quem respiramos, nos movemos e existimos. (Atos 17:28) É por meio Dele e da dependência de Sua misericórdia que podemos atingir a plenitude espiritual e viver uma vida piedosa. A vida piedosa, em sua essência, é a consequência natural de uma vida guiada, controlada e repleta do Espírito Santo. Observamos, igualmente, a humildade e a sinceridade de Maria. Notemos sua declaração: "Todas as gerações me considerarão bem-aventurada". Qual a razão para essa ênfase numa atenção universal? Ela mesma responde: "Porque o Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas". A iniciativa não partiu dela, mas da vontade divina. Deus agiu por intermédio de Maria, que se tornou o instrumento para a realização de seus grandiosos desígnios. Ela colocou em Deus o ponto nevrálgico central de todo o milagre, não foi Maria quem fez o milagre, mas Deus quem fez grandes milagres através de Maria. O grande Senhor trabalhando através de uma humilde serva

 Maria não atribuiu a si mesma a capacidade de realizar grandes feitos para Deus. Ao contrário, ela reconheceu não possuir forças próprias para tal. As grandes obras foram realizadas por Deus através de Maria, pois, em sua humildade e entrega absoluta, ela se tornou o instrumento escolhido por Ele. Assim, é fundamental compreendermos essa verdade, mantendo a perspectiva correta, conforme revelada no texto em análise. A exegese cuidadosa das declarações contidas no texto nos revela essa realidade. A minha alegria e o regozijo do meu coração provêm da certeza de que Deus opera de maneira extraordinária quando nos entregamos completamente a Ele, permitindo que sejamos instrumentos de Sua graça para abençoar outras pessoas.

 A manifestação da grandeza divina se revela através da humildade, pois esta é o terreno fértil onde as sementes do poder divino florescem. É na humildade que o amor resplandece com maior intensidade, razão pela qual Cristo, o Redentor, veio como o Cordeiro de Deus que expia os pecados do mundo. Na ocasião em que o homem buscou eleger um rei para Israel, a escolha recaiu sobre Saul, homem de porte físico imponente e de grande atrativo. Contudo, quando Deus selecionou um rei , a escolha foi recair sobre um jovem desprezado aos olhos dos homens, um homem humilde que, na solidão dos campos, pastoreava ovelhas. Seu nome era Davi. Aquele que se humilha para que Deus seja exaltado experimentará as maiores e mais sublimes expectativas. Todo instrumento que se entrega à ação divina tem a oportunidade de deixar um legado espiritual significativo para o mundo.
Toda geração espiritualmente equilibrada terá como foco central a devoção a Deus e a vivência diária da fé. A compreensão de que Deus é a fonte de tudo em todos é fundamental. O sentimento mais nobre surge, desenvolve-se e prospera no coração que acolhe essas verdades essenciais, pois este coração adentrou o caminho da mais sincera devoção espiritual. Isso significa, acima de tudo, amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.

“Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, e toda a língua confessará a Deus” (Romanos 14:11  veja também Isaias 45:23 e Filipenses 2:9 a 11)


 É evidente, e qualquer pessoa atenta perceberá, que Maria não busca protagonismo. Ela não almeja, nem exige, nem procura desviar o foco para si mesma; antes, direciona toda a atenção ao Senhor. Ele, Deus, é o centro de sua vida. Diante disso, podemos considerar esta, sobre a pessoa de Maria, uma das declarações mais teocêntricas das Escrituras Sagradas. Isso me remete a Colossenses, capítulo 1, versículo 18, onde se afirma que em tudo Ele, Cristo, deve ter a preeminência. Maria, de fato, conferiu a Deus a primazia em todas as suas ações. Ela abriu mão de qualquer destaque pessoal, dedicando a Deus toda a sua vida, atenção e devoção. Esse é, portanto, o caminho seguro para a prática da piedade cristã. É dessa maneira que o cristão bíblico deve ser e permanecer.


 É imprescindível que compreendamos essa questão de forma definitiva. Maria, reconhecendo sua posição como criatura, coloca-se humildemente perante Deus, o Criador. Ela é, portanto, o instrumento, e Deus, Aquele que a utiliza. Essa reflexão evoca o Salmo 100, versículo 3, onde o salmista declara: "Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio". Assim, podemos entender Maria como instrumento de Deus, por ser sua criatura, sua serva. Diante dessa realidade, Maria reconhece que a devoção não lhe é direcionada, mas sim a Deus. Consequentemente, a vida de Maria é integralmente teocêntrica. Do versículo 48 ao 54 do capítulo 1 de Lucas, fica evidente, de maneira clara e concisa, a centralidade de Deus na vida de Maria. As evidências que se seguirão demonstrarão que Maria dirige seu olhar inteiramente  a Deus, ao Senhor, Suprema e Bendita Majestade, de modo que a primazia e a preeminência pertencem única e exclusivamente ao Deus Triúno.

 Portanto, podemos discernir que Maria busca orientar-nos a uma vida centrada em Deus. Ela o apresenta como a fonte primordial, o agente principal e o soberano absoluto de todas as coisas. Seu desejo é que adotemos essa centralidade divina, vivendo uma vida teocêntrica. Observamos, assim, de maneira clara, que sua conduta visa direcionar nosso olhar ao Senhor, reconhecendo-O como a fonte de tudo. Maria atribui a Ele toda a honra e, em sua humildade, se coloca a serviço. Ela exalta a Deus como a causa, o supremo, o onipotente, o administrador e o responsável por todas as ações. Refletindo o versículo 48, ela declara que Deus contemplou sua humildade. No versículo 49, atribui ao Poderoso as grandes coisas realizadas em sua vida. No versículo 50, proclama a misericórdia divina que se estende por gerações. No versículo 51, testemunha a ação de Deus com o braço forte. Ainda no versículo 51, descreve Deus agindo na dispersão dos soberbos. No versículo 52, relata a queda dos poderosos de seus tronos. No versículo 53, narra a exaltação dos humildes e a partida dos ricos de mãos vazias. E, no versículo 54, declara o amparo de Deus a Israel, seu servo. Evidencia-se, de forma concisa, que Maria é totalmente teocêntrica, reconhecendo a constante atuação, o amparo e a escolha de Deus. Maria é um exemplo de vida teocêntrica, e todo cristão bíblico deve ter a Trindade Divina como o centro de sua vida, sua atenção e sua teologia. Essa é a doutrina, a essência do ser um homem espiritualmente piedoso e estritamente bíblico, tal como Maria foi.  Antecipadamente, faço a suma, apresento Maria como exemplo autêntico de piedade. O Novo Testamento oferece um retrato detalhado de sua vida, revelando uma espiritualidade profunda. A verdadeira espiritualidade cristã, aquela que emana da fé bíblica e da regeneração espiritual, se manifesta em uma vida dedicada a Deus, como foi a vida de Maria. Ela demonstrou submissão e serviço a Deus, qualidades que nos oferecem ricas e valiosas lições. Essas características refletem a essência de uma espiritualidade genuinamente bíblica e guiada pelo Espírito Santo, que inspirou Lucas a registrar ensinamentos preciosos sobre a mãe de Jesus. Podemos aplicar essas lições em nossas vidas, aprendendo que devemos direcionar nossa existência completamente a Deus, que, em sua graça e misericórdia, nos utiliza como instrumentos para a realização de seus propósitos, a fim de que a causa do Evangelho seja promovida e a vontade divina se cumpra através de nós. 

“Deus sempre e totalmente engrandecido através de vasos frágeis que não desejam glórias ou grandeza para si mesmas, mas desejam que todos olhem para as grandezas, majestade e poder de Deus, que sejam todos os olhos fixos na soberania eterna e infinita do Deus Triúno”

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Ansiedade e Preocupações

 Ansiedade e Preocupações

 

Você já observou que a preocupação pode ser definida como um ato de estar mentalmente ocupado de maneira prévia com algum problema? Entendemos que a ansiedade é uma ocupação antecipada do coração que  a mente traz do futuro para o agora? Trata-se de uma ocupação emocionalmente desgastante que impõe um sofrimento desnecessário sobre a alma. Milhares de pessoas vivem no cativeiro do medo e da ansiedade por causa disso.  O coração ansioso deve experimentar uma metanóia, uma conversão, ou seja, uma mudança de perspectivas e atitudes para poder se libertar desse cativeiro espiritual. Nós precisamos de um alvo onde os olhos do nosso coração devem permanecer fixos, e este alvo é Jesus Cristo, autor e consumador da fé.

Em I Pedro 5:7 está ordenado que devemos lançar sobre o Senhor, toda a nossa ansiedade pois Ele tem cuidado de nós.  Lançar significa entregar, não um mero ato informal, mas um ato de fé, tal como quando você vai ao medico apresenta teus sintomas e espera que ele resolva o seu problema de acordo com o conhecimento e competência que ele tem. O Senhor é poderoso para ir lá ao futuro e resolver o problema antes que o problema chegue até você. Deus tem essa competência, tem esse conhecimento e tem poder para agir. Além disso, precisamos repousar nosso coração na soberana providencia divina, será que deveríamos nos preocupara quando Deus pela Sua graça e suprema sabedoria não permite que algo possa ocorrer em nosso beneficio enquanto os problemas se processam em nossa vida? Não diz as Escrituras em Romanos 8:28 que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus? Então devemos ocupar a nossa mente em meditar seriamente sobre a sabedoria e a providencia de Deus e orar a Ele pedindo discernimento para aprender todas as lições que germinam das dificuldades, aquelas lições que trazem maturidade e crescimento espiritual.

Ao lançarmos sobre o Senhor toda a nossa ansiedade, estamos entregando tudo o que nos inquieta para Aquele que tem cuidado dos redimidos. Essa é uma escolha que liberta e estabelece uma vida de paz e tranqüilidade, pois o Espírito Santo deu a ordem de lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade, justamente pelo fato de que Ele deseje que você confie, adore e ame a Deus ao invés de perder seu tempo se ocupando com preocupações e ansiedades. Ao invés disso, use o momento presente para adorar, orar, ler as Escrituras e descansar nas potentes mãos do Senhor, pense mais em Cristo e nos seus ensinos e promessas.

Vivemos em um mundo cheio de preocupações e ansiedades, mas um cristão verdadeiro deve ser a exceção, cristãos que crêem em Cristo confiam na providencia divina. 

Temer Muito a Deus

 Obadias e a Importância de Temer Muito a Deus

I Reis 18

 

Muitos conhecem a historia do profeta Elias, mas poucos conhecem a de Obadias. Obadias era um servo de Acabe, homem muito temente a Deus (I Reis 18:3) então aqui está algo com que devemos lidar; ele era muito temente! há uma diferença entre temer e temer muito, e Obadias vai fazer a diferença quando está inserido numa crise espiritual muito grande. Jezabel, esposa de Acabe, vai introduzir a idolatria em Israel e induzir o povo a venerar ídolos. Para alcançar seus propósitos malignos, ela precisa destruir a oposição, então o que surge a seguir é uma perseguição contra os profetas de Deus. Pelo fato de Obadias temer muito a Deus, ele vai esconder cem profetas verdadeiros em uma caverna e vai sustentá-los com pão e água.  Mais a frente vimos que Elias vai enfrentar 400 profetas de Baal e 450 de Aserá.  Veja que os 850 profetas falsos contrastam com 101 verdadeiros, somando os protegidos por Obadias e o Profeta Elias.  Havia muito mais falsos profetas do que verdadeiros em Israel.  Junto com a idolatria vinha também a apostasia moral, Aserá era uma divindade cananita, era conhecida como a ”senhora da serpente” ou “mãe dos deuses”  erguiam-se postes-idolos nas florestas para venerá-la e estava associada ao culto da fertilidade. Baal era considerado o “deus das tempestades e relâmpagos” seus adoradores acreditavam que ele era responsável pelas chuvas e tinha poder de fazer fogo descer do céu. Obadias estava colocando em risco a sua vida, Jezabel era uma assassina, e esconder profetas que eram considerados “inimigos de estado” era uma escolha perigosa. Mas Obadias não teme por sua vida, pois temia muito ao Senhor.

 Hoje vivemos uma crise de identidade, homens que temam muito a Deus, de modo que defendam e protejam os poucos verdadeiros profetas. Homens tementes a Deus que não temam viver ao lado dos que pregam e defendem o Evangelho sem cair na armadilha das conveniências pessoais. Mas somente quem teme muito á deus terá a coragem de não temer os que defendem e protegem os falsos profetas. É necessário que o temor não seja uma partícula mais uma pedra onde se assenta a coluna do caráter de um homem espiritual. Quando chega a crise espiritual, a maioria estará do lado daqueles que lhes corresponda com as conveniências e interesses egoístas. Ninguém pode seguir o caminho do martírio projetando sonhos materialistas no coração. Temer a Deus é o segredo para ter a coragem de seguir sozinho em piedosa ousadia, nos últimos dias, homens espirituais continuam seguindo adiante, mesmo com o risco de perdas, para sustentar e proteger a reputação dos que pregam a verdade e não se inclinaram ao erro e a idolatria. Mas veja bem, havia muita gente em Israel, pelo menos sete mil que não se dobraram perante os ídolos, mas havia apenas um só Obadias, que foi mais adiante, pois além de não adorar a Baal e Aserá, ele também temia muito á Deus, de modo que prosseguiu um pouco mais e protegeu aqueles que estavam alinhados as mesmas convicções que ele defendia. Não se engane esse nível de coragem tem somente aqueles que possuem um nível mais alto de espiritualidade: muito temor a Deus, e são poucos os que alcançam essa santa ousadia de arriscar a própria vida para proteger os santos do altíssimo.  O que determina nossa coragem em épocas de crises profundas é nossa relação com Deus e com a verdade. Se não estivermos enraizados na vida cristã, se nosso temor á Deus não é grande, se nossa devoção não é verdadeira e contínua, não seremos um Obadias, iremos ser covardes, retrocederemos, olharemos para os poucos verdadeiros profetas a nossa volta,  assistiremos indiferentes a perseguição que eles sofrerão, nada faremos, pois iramos temer os homens, iremos temer pela nossa própria segurança e conforto, e colocaremos nossos interesses pessoais acima do temor á Deus. Essa é uma crise circunstancial que pode nos pegar de surpresa se não estivermos preparados, e temo que, nessa situação, com pouco temor a Deus, um passo adiante, se o sistema anticristão ameaçar com braço de ferro, a vontade de dobrar-se involuntariamente para amar o presente século seja maior do que nosso temor a Deus, então ao invés de um grande temor ao Senhor, teremos que nos prostrar para uma grande vergonha.

 

C. J. Jacinto

Sede Sinceros e Inculpáveis.


 

Paulo inspirado pelo Espírito Santo ensina que sejamos irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo, retendo a palavra da vida para que no dia de Cristo não tenhamos corrido em vão (Leia Filipenses 2:15 e 16). Somos chamados a viver a verdade, na sua essência, pois o cristão verdadeiro é diferente de todos os demais incrédulos. Haverá sempre o realce da gloria do evangelho nos que são verdadeiros homens transformados pelo evangelho são diferentes dos homens caídos que pertence a raça adâmica. Isso é um assunto pertinente ao nosso tempo, pois cada vez mais a diferença diminui, pois um falso evangelho vai produz sempre falsos cristãos. Notamos a questão em si, pois Paulo diz :“sejam sinceros” sejam verdadeiros e não falsos. A conduta, o comportamento, as aspirações e o estilo de vida de um cristão regenerado não diferentes. Somos peregrinos e a marca de um peregrino é  abstinência das concupiscências carnais (I Pedro 2:11). A nossa sociedade é culpada, a geração atual é maligna, jaz no maligno, o espirito do engano ilude e cega os homens do presente século mau, mas o cristão não segue essa tendência, ele é o homem que faz a diferença pois está em Cristo, é nova criatura, não segue o curso do mundo e não se adapta a justiça dos filhos de Adão, mas a justiça do reino de Deus. Quando Paulo fala sobre ser inculpável, devo salientar com muita precisão que não deve haver motivos verdadeiros para um não cristão acusar um cristão. Não deve existir acusações verdadeiras, mesmo que haja perseguição, Cristo foi enfático ao declarar que os anticristãos podem mentir e injuriar os discípulos de Cristo, dizendo todo mal contra os santos, mas as acusações são sempre falsas e nunca são fatos. O que ocorre hoje em dia é que um mundo se levanta contra falsos cristãos com sinceridade pois os homens do presente século olham para os escândalos do comportamento e da vida da maioria dos cristãos, eles podem apresentar uma lista enorme de fatos e então podem fazem seus julgamentos com base nos fatos, a imoralidade, a mentira, o materialismo, o comportamento louco, a sensualidade e os inúmeros escândalos são artilharias que os falsos cristãos montam dentro da cristandade para que o mundo possa tomar posse e atacar os verdadeiros, é nessa perspectiva que devemos entender as declarações de Jesus em Mateus 5:11. Os que estão de fora não podem distinguir entre falso e verdadeiro, na visão de um não cristão, tudo faz parte de um mesmo sistema, mas não é assim. Precisamos entender que um estudo cuidados do Novo testamento, segue com precisão o mesmo fenômeno que ocorreu no Êxodo na liderança de Moisés, um vulgo se infiltrou entre o povo de Deus para corromper o comportamento, esse vulgo é citado nas Escrituras como uma infiltração maligna, o “vulgo que estava no meio deles” (Números 11:4) tinham uma vida vulgar, um comportamento vulgar, gente de qualidade baixa, materialista, mas carregavam um fermento diabólico, e eles estavam ali no meio da “massa”  que eram os hebreus que receberam a libertação seguindo as instruções divinas na liderança de Moisés, Paulo, pela autoridade do Espirito Santo, na harmonia total das Escrituras, ensina que “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5:9) foi isso que ocorreu no Antigo testamento, quando o povo de Deus estava marchando para a terra prometida, o vulgo trazia consigo uma espécie de fermento que tina um poder enorme de levedação, é nosso dever cultivar a vida de piedade e santidade é as exortações no Novo Testamento é que devemos sempre vigiar orar e sermos sóbrios, pois o mundo não sabe distinguir o jugo, que também se infiltrou, o falso misturado com o verdadeiro para confundir aqueles que não tem discernimento, assim Cristo ensina que ocorre também na nova aliança que o joio é semeado pelo inimigo no meio do trigo, o joio é uma planta vulgar, que não dá frutos, mas que se parece muito com o trigo e que cresce para que os que estão de fora e que não possuem a capacidade de discernir , sejam confundidos e trate o trigo como o joio e o joio como se fosse trigo. Somos chamados para dar frutos,  então nossa identificação é com trigo.

 Nossa missão é termos uma essência, é uma santa convocação divina que sejamos verdadeiros por dentro e por fora, a diferença no meio da confusão. Não importa se o mundo esteja abastecido de coisas falsas, de religiões falsas, não importa se a mentira é um problema crônico no coração humano, não importa se muitos falsos profetas tem se levantado pelo mundo, não importa se há tantos falsos evangelhos sendo pregado, não importa se mundo jaz no maligno que é o pai da mentira, não importa se o mundo passa por uma intensa crise moral e espiritual, o que importa é que sejamos verdadeiros, essa é uma exigência , mais do que isso é uma conseqüência por causa da nossa posição em Cristo, seguimos o Espírito de Cristo, a vida de Cristo e o poder da ressurreição são colocados pelo Senhor dentro do nosso coração. Assim, a virtude de sermos irrepreensíveis nunca dará ao mundo uma justificativa de acusação verdadeira, ele pode nos atacar perseguir e nos acusar, mas com base em mentiras e não em fatos.   Aqueles que professa um falso cristianismo, servem de pedra de tropeço aos outros, a nossa conduta nunca pode desmotivar o próximo a se converter, servir e seguir a Cristo.  Nosso comportamento não pode servir de justificativa para quem faz apologia contra a fé cristã, nossa vida não pode servir de argumento contra o Evangelho. Se isso ocorrer, nossa vida vai de encontro a uma expectativa de terrível juízo, pois o falso cristianismo é gravíssima afronta contra Cristo. Seguimos os passos do Senhor ele era “Santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores” (Hebreus 7:26) mesmo vinculado ao mundo pela encarnação, por principio, sua vida era separada pelo modo que vivia, dava um contraste enorme, a luz da glória ainda brilhava por trás da carne, o esplendor da divindade ainda brilhava por trás da Sua humanidade, ainda que vivesse lado a lado com homens, Ele era um contraste, um modelo de vida e um exemplo de verdadeira piedade.

 

 

 

A SUPREMA NECESSIDADE DO CRISTÃO

                      

 

                              A SUPREMA NECESSIDADE DO CRISTÃO

 

 


                                 

 

 

 

No Livro “O Desaparecimento de Deus” A. Mohler adverte sobre uma das causas da decadência espiritual e do secularismo seguido do racionalismo que avança na sociedade pós-moderna: “Uma falta de coragem teológica, uma perda devastadora de convicções bíblicas e doutrinarias”.  Embora concorde com Mohler, a falta de coragem e de convicções realmente estejam presentes na igreja moderna, a negligencia de muitos pregadores causam isso, o medo do desprezo impulsiona os pregadores para mensagens dosadas com humanismo e utilitarismo materialista, fogem da regra áurea estabelecia pelo grande teólogo C. Hodge: “temos que interpretar as Palavras das Escrituras em seu verdadeiro sentido estabelecido” então a crise se estabelece por causa de outro fator: a disposição cuidadosa e paciente de estudar as escrituras, que exige esforço, disponibilidade e sacrifício.  Pregadores não podem apresentar esclarecimentos enquanto promovem obscuridade teológica, nem mesmo podem oferecer remédio para as almas alheias enquanto sofrem de enfermidade espiritual crônica. Leonard Ravenhill certa vez escreveu: “Se Jesus viesse hoje ele não limparia o templo, ele limparia o púlpito”. A W Tozer estabelece outra causa, a vida piedosa, o relacionamento com Deus em oração é outra causa, Tozer escreveu: “Qualquer sermão que não nasce da oração, não é uma mensagem de Deus, não importa como aprendeu o pregador. A ortodoxia cristã é sustentada por essas colunas. Um pregador nunca deve seguir o caminho do sucesso, mas do sofrimento, não da aprovação e aplausos dos homens, mas ser selado pela aprovação divina, não importa o custo, o preço é alto para quem quer receber poder do alto. Vou citar novamente Mohler, ele teve uma percepção aguçada ao declarar: “Uma mudança sutil, visível no inicio do século 20, tornou-se um grande divisor no final desse século. A mudança da pregação expositiva para abordagens centradas no ser humano tem transformado um debate sobre o lugar da Bíblia na pregação e na natureza da pregação em si” Essa mudança tem vários fatores, foi um lance muito esperto do diabo, diluir a pregação, multiplicar as palavras, misturando com ela, erros, fantasias, dribles vocais, truques psicológicos, e jogando as Escrituras para um segundo plano, colocando a ênfase da pregação nas opiniões e flutuações verbais sem sentido, para que no fim da pregação não se entenda nada porque não pregou nada sobre o texto, contexto, imediato e distante das Escrituras. Leonard Ravenhill disse: “O livro santo de Deus, a Bíblia Sagrada, sofre agora mais de seus expositores do que de seus opositores” Ravenhill disse mais: “Homens superficiais em oração são superficiais em pregação, ou seja, somente a pura oratória” e ainda: “De fato, os homens que se exaltam nos púlpitos, geralmente se perdem em sua própria eloqüência”

 As palavras soltas conectadas uma com a outra sem contudo ter um fim justo e puramente espiritual, pregar de modo expositivo ou temático. Não se alcançou o fim ultimo de um sermão, nas palavras de Gene Edward Veith Jr. : “Que o sermão do pregador seja utilizado pelo Espirito Santo para criar fé em nossos corações” ou melhor, o sermão do pregador é a ferramenta que o Espírito Santo vai usar para produzir conhecimento espiritual puro, discernimento bíblico, convicções profundas e fé em nossos corações.  O desastre é iminente onde pregadores bíblicos estão ausentes, ali haverá um púlpito que não prega a verdade, mas sacrifica ela. Charles Ryrie afirmou: “Confusão sobre salvação significa desastre, pois a mensagem do Evangelho é uma questão de vida eterna”.  Ravenhill adverte: “Essa geração de pregadores responderá por essa geração de pecadores” Tozer também admoesta: “Os púlpitos modernos precisam de mais profetas e menos palhaços”.  Onde estão os pregadores bíblicos? Pregar é trabalhar com as Palavras santas no tempo, e o alvo desse trabalho são resultados eternos. Como disse Gene Edward Veith Jr: “O Cristão fala com Deus em oração e Deus fala com o cristão pela Palavra”  C. Mackintosh escreveu: “Pregar o Evangelho é realmente desdobrar o coração a Deus a Pessoa e obra de Cristo e tudo isso pela energia do Espírito Santo”  Richard Sibbes também escreveu: “A pregação é a carruagem que carrega o Evangelho de Cristo pelo mundo afora”. Aqui está um grande fato, o diabo quer cegar o entendimento dos incrédulos para que o evangelho glorioso não seja ouvido (II Corintios 4:4 I Timoteo 1:11) e assim como o instrumento do Espirito Santo é o verdadeiro profeta, o instrumento do diabo é o falso profeta.

Precisamos estar cientes do fato de que as grandezas de Deus não podem ser proclamadas com poder se o coração não estiver totalmente consagrado ao estudo das Escrituras. Em tempos de apostasia, é um desafio escolher o caminho correto, pois isso implica sacrifício e impopularidade, John Stott alertou: “A popularidade está para os falsos profetas assim como a perseguição está para os verdadeiros”

A necessidade urgente é um avivamento que venha pela fome espiritual pelas Escrituras e uma satisfação que venha por alimento solido, puramente bíblico, pois Cristo ensinou que a santificação verdadeira vem pela verdade da Palavra (João 17:17) a igreja que permanece fiel ao Senhor é imaculada, purificada pelo processo de lavagem bíblica “Para a santificar purificando-a com a lavagem da água pela Palavra” (Efésios 5:26).  Sermões bíblicos e pregadores bíblicos! eles promovem iluminação espiritual, Charles bridges disse a respeito do poder do estudo  das Escrituras: “Todo texto bíblico a respeito do qual se ora, abre uma mina de riquezas insondáveis com uma luz lá do alto, mais brilhante e plena” Thomas Cartwright também afirmou: “como um fogo que quando agitado dá mais luz, a Palavra quando soprada pela pregação, inflama mais o ouvinte do que quando lida”

A Suprema necessidade do cristão nesses dias difíceis é um retorno para as veredas antigas, onde se restaure a visão séria de um Deus Soberano que pune o pecado e estará presente no juízo final para julgar todos os homens e a proclamação do Evangelho, as boas novas de que Cristo e a sua obra consumada e perfeita oferece a salvação dessa condenação eterna mediante a expiação pelo sangue, na cruz. Deve ser buscado um clamor por arrependimento e conversão, seguida de uma vida transformada pela regeneração e a disposição de viver o custo do discipulado. Você amado leitor deve procurar uma igreja com pregadores que estejam dispostos a pregar sempre sobre essas verdades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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