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Escritos Espirituais de um Profeta Solitário
Por que a explosão cósmica e a revelação de Gênesis não se
reconciliam
Por C. J. Jacinto
Poucas
ideias científicas conquistaram tanto espaço no imaginário moderno quanto a
teoria do Big Bang. Ensinada nas escolas, repetida em documentários e aceita
sem maiores questionamentos até mesmo por muitos cristãos, ela se tornou a
explicação oficial para o começo de tudo. Neste artigo, quero examinar de onde
essa teoria veio, o que ela de fato propõe e, principalmente, por que ela não
se harmoniza com o que as Escrituras revelam sobre a criação.
A
história começa com Georges Lemaître, que sugeriu que o universo teria surgido
a partir de um único ponto denso e quente, a que chamou de “átomo primordial”
ou “ovo cósmico”. Para sustentar a proposta, ele recorreu às equações da Teoria
da Relatividade Geral, de Albert Einstein, e procurou mostrar que o universo
não é estático, mas se encontra em constante expansão.
A
confirmação prática veio em 1929, quando o astrônomo norte-americano Edwin
Hubble comprovou a expansão do universo ao observar que as galáxias estavam se
afastando umas das outras. Já o nome pelo qual a teoria ficou conhecida surgiu
em 1949, criado pelo astrônomo britânico Fred Hoyle. Curiosamente, ele o
empregou de forma irônica, durante um programa de rádio, justamente porque
defendia outra ideia sobre a origem do universo.
Confesso
que considero a proposta de Lemaître muito próxima da ideia de emanação,
defendida pela cabala mística judaica. Segundo essa doutrina, todo o universo
seria uma emanação do próprio Deus, e essa concepção recebe o nome de monismo.
Em ambos os casos, tudo procede de uma única fonte concentrada, e não de um ato
criador deliberado de um Deus pessoal que existe à parte da sua criação.
Há
ainda outro ponto relevante. Assim como Teilhard de Chardin, Lemaître tentou
reconciliar a teologia católica com o cientificismo que avançava em sua época,
causando impacto sobre a leitura literal do livro de Gênesis.
De
acordo com o Big Bang, há cerca de 13,8 bilhões de anos o universo, concentrado
em um minúsculo ponto que continha toda a matéria, explodiu e depois resfriou
enquanto se expandia. Em seguida, reações foram desencadeadas e interligadas,
criando as primeiras estrelas, as galáxias e tudo o que vemos hoje.
Mas
há uma pergunta que a teoria deixa em aberto: de onde veio esse minúsculo
ponto? Ninguém parece saber. Alguns dizem que ele sempre existiu. Outros
afirmam que ele seria o resultado do colapso de um universo anterior, o que
implicaria que a matéria é eterna. Essa saída, porém, esbarra no nosso
conhecimento da física, especificamente na segunda lei da termodinâmica.
Simplificando, o universo não é eterno no passado, nem será eterno no futuro.
Diante desse impasse, alguns, com considerável audácia, chegaram ao ponto de
declarar que a matéria surgiu do nada.
Uma
coisa é certa: é preciso abandonar o bom senso para aceitar especulações tão
incompreensíveis. Na minha avaliação, nenhuma delas tem credibilidade
científica ou bíblica. O Big Bang é ficção científica.
Enquanto
isso, o primeiro versículo da Bíblia traz uma declaração surpreendentemente
avançada sobre a origem do cosmos. Qualquer pessoa inteligente entende que o
universo é composto de espaço, matéria, energia e tempo. Pois bem: Moisés,
inspirado pelo Espírito Santo, nos revela quem deu início a esse começo. Deus é
o agente da criação.
“No princípio (tempo) criou (energia) Deus (o agente) os céus (espaço) e
a terra (matéria)”.
Lemaître
e, depois dele, os profetas do cientificismo apenas substituíram o agente da
criação. Excluíram Deus e, no lugar dele, colocaram uma espécie de potência
molecular que concentrava todas as coisas num único ponto e que, por um suposto
princípio de ignição, “explodiu”, expandindo o universo e organizando todas as
coisas.
O
cenário do Big Bang especula que um universo maravilhosamente ordenado surgiu
de forma aleatória a partir de uma explosão gigantesca, um verdadeiro
holocausto cósmico. No entanto, nunca se observou uma explosão caótica
produzindo uma ordem complexa que funcione com um propósito. Em outras
palavras, a explosão de uma impressora não produz uma enciclopédia. Um tornado
que atinge um ferro-velho não monta um Boeing 747. Nenhuma construtora reúne
materiais em um ponto e os explode esperando que o resultado seja um prédio. A
ideia é absurda, não é? Além disso, os evolucionistas não conseguem apontar
nenhum mecanismo que permita ao universo começar em um estado arbitrário e
depois evoluir para o seu atual estado altamente ordenado.
Há
também a questão do movimento. Se o Big Bang fosse real, seria de esperar que
toda a energia tivesse sido expelida radialmente para fora do centro da
explosão, de acordo com o princípio do momento angular. Não esperaríamos que o
universo fosse caracterizado pelos movimentos orbitais curvos que observamos
por toda parte, como a revolução da Terra em torno do Sol.
O
mesmo vale para a radiação de micro-ondas, que se acredita ser o calor residual
do Big Bang. Ao tentar medi-la, os cientistas encontraram uma uniformidade
surpreendente, que não condiz com os vazios e as galáxias presentes num
universo tão irregular. Deveria haver uma correlação entre a composição
material do universo, que emite calor, e a temperatura da radiação
correspondente, mas não é isso que acontece. A diferença de temperatura
detectada foi de cerca de 30 milionésimos de grau, o que levou mais de um
cientista a questionar se os instrumentos usados são sensíveis o bastante.
Se
as teorias naturalistas lutam para sobreviver e, na minha visão, não há
evidências do Big Bang, por que tantas pessoas religiosas aderiram às teorias
da evolução em vez de crer na palavra sagrada de Deus?
Existe
alguma concordância entre a revelação de Deus em Gênesis e o modelo do Big
Bang? Não, não há. E pessoas informadas de ambos os lados da questão estão
cientes desse fato. A Bíblia não apoia a teoria do Big Bang, e o modelo do Big
Bang contradiz a revelação de Deus em sua Palavra.
A
Bíblia afirma que todo o universo, incluindo a Terra com seus diversos
organismos biológicos, surgiu durante os seis dias literais da semana da
criação (cf. Gênesis 1; Êxodo 20:11). A teoria do Big Bang, em contraste,
postula eras de tempo. Além disso, a Escritura afirma repetidamente que a
humanidade existe desde o início da criação (cf. Isaías 40:21; Marcos 10:6;
Lucas 11:50; Romanos 1:20).
A
Bíblia registra uma antiguidade humana que remonta a alguns milhares de anos
antes de Cristo, como evidenciam os registros genealógicos da ancestralidade do
Senhor desde Adão, o primeiro homem (1 Coríntios 15:45).
Pense
bem nisso. São cerca de dois mil anos desde o presente até Jesus Cristo, outros
dois mil anos até Abraão e vinte gerações entre Abraão e Adão (cf. Lucas
3:23-38). Mesmo que admitamos algumas pequenas lacunas na narrativa do Antigo
Testamento (cf. Gênesis 11:12; Lucas 3:35-36), nenhum estudante reverente e
responsável da Bíblia tentaria encaixar 20 bilhões de anos nessas 20 gerações.
Em resumo, de acordo com o testemunho de Deus na Bíblia, o universo não pode
ter bilhões de anos.
Em
minha convicção, a teoria do Big Bang carece de validade científica e bíblica.
Ela não encontra respaldo na ciência genuína (cf. 1 Timóteo 6:20) nem na
exegese bíblica responsável (cf. 2 Timóteo 2:15). Não foi uma partícula de
potências concentradas num ponto ínfimo que deu origem a tudo. Foi a palavra de
ordem de Deus que criou todas as coisas: “E disse Deus: haja…”. Toda a
Escritura atesta isso (cf. Isaías 44:24; Salmos 33:6; Neemias 9:6; João 1:3;
Colossenses 1:16-17; Apocalipse 4:11, entre outros textos).
Concordamos,
pela primeira vez, com vários evolucionistas quando afirmam que o modelo do Big
Bang e a Bíblia são irreconciliáveis. Embora saibamos que “pela fé entendemos
que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê
não foi feito do que é visível” (Hebreus 11:3), também sabemos que a
evolução cósmica, tal como expressa no modelo do Big Bang, é uma fraude.
Autor: C. J. Jacinto
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Lewis Bayly
Assim que acordar pela manhã,
mantenha a porta do seu coração bem fechada, para que nenhum pensamento
terreno entre antes de Deus; e deixe que Ele, acima de todos os outros, tenha
o primeiro lugar ali. Dessa forma, todos os pensamentos malignos ou não ousarão
entrar, ou serão mais facilmente mantidos do lado de fora; e o coração
exalará mais piedade e retidão durante todo o dia seguinte. Mas se o seu
coração não estiver, ao despertar, repleto de meditações sobre Deus e a sua
palavra, e vestido, como a lâmpada no tabernáculo (Êxodo 27:20-21), todas as
manhãs e noites, com o azeite da palavra de Deus e perfumado com o doce
incenso da oração (Êxodo 30:6-7), Satanás tentará enchê-lo com preocupações
mundanas ou desejos carnais, de modo que ele se tornará inadequado para o
serviço de Deus durante todo o dia seguinte, exalando apenas o fedor de
palavras corruptas e mentirosas, e de pensamentos precipitados e blasfemos. Comece, portanto, o trabalho de
cada dia com a palavra de Deus e a oração; e ofereça a Deus, sobre o altar de
um coração contrito, os gemidos do seu espírito e os bezerros dos seus
lábios, como seu sacrifício matinal e as primícias do dia (Salmo 51:17;
Romanos 8:22; Oséias 13:2; Salmo 130:6); e assim que acordar, diga-lhe isto: Minha alma anseia por ti, ó
Senhor, mais do que os vigias pela manhã! Ó Deus, portanto, tem misericórdia
de mim, abençoa-me e faze resplandecer o teu rosto sobre mim! Enche-me com a
tua misericórdia nesta manhã, e assim me alegrarei e exultarei todos os meus
dias. Meditações para a manhã. 1. O Deus Todo-Poderoso pode, na
ressurreição, levantar o seu corpo da sepultura, do sono da morte, com a
mesma facilidade com que o despertou esta manhã em sua cama, do sono natural.
Ao amanhecer desse dia da ressurreição, Cristo virá para ser glorificado em
seus santos; e cada um dos corpos dos milhares de seus santos, sendo moldados
à semelhança do seu corpo glorioso, brilhará como o sol (2 Tessalonicenses
1:10; Judas 14; Filipenses 3:21; Lucas 9:31); todos os anjos brilhando
igualmente em sua glória; o corpo de Cristo superando todos eles em esplendor
e glória; e a Divindade excedendo-o. Se o nascer de um sol torna o céu da
manhã tão glorioso, que manhã brilhante e gloriosa será aquela quando tantos
milhares de corpos, muito mais brilhantes que o sol, aparecerem e
acompanharem Cristo como sua comitiva gloriosa, vindo para realizar sua
assembleia geral de justiça e julgar os anjos maus e todos os homens ímpios
(Atos 17:31; 1 Coríntios 6:3; Judas 15); e que nenhum lucro passageiro,
prazer ou vã glória deste dia faça com que você perca sua parte e porção da
bem-aventurança e glória eterna daquele dia, que é propriamente chamado de
ressurreição dos justos (Lucas 14:14). Os animais têm olhos corporais para
ver a luz comum do dia; mas você se esforça, com os olhos da fé, para
vislumbrar a luz gloriosa daquele dia. 2. Você não sabe quão perto
esteve de você, enquanto você dormia e não podia se defender, o espírito
maligno que, noite e dia, como um leão que ruge, procura devorá-lo (1 Pedro
5:8; Jó 1:7); e você não sabe que mal ele teria lhe feito, se Deus não o
tivesse protegido, a você e aos seus, com a Sua Providência sempre vigilante,
e o tivesse guardado com os Seus santos e benditos anjos (Jó 1:10; Salmo
121:4; Salmo 34:7; Gênesis 32:1-2; 2 Reis 6:16). 3. Se ouvires o galo cantar,
lembra-te de Pedro, para o imitares (Lucas 22:61-62); e recorda o som do
canto do galo, o som da última trombeta, que te despertará dentre os mortos.
E considera em que situação estarias, se ela soasse agora, e torna-te como
desejarias ser então; para que naquele dia não desejes nunca ter visto isto;
sim, amaldiçoa o dia do teu nascimento natural, por não teres nascido pela
graça espiritual (Jeremias 20:14; Jó 3:1; Tito 3:5). Quando o galo canta, o
ladrão desespera da sua esperança e abandona o seu plano noturno; assim
também o diabo cessa de tentar, ou de tentar mais, quando ouve a alma devota
a despertar com a oração da manhã. 4. Lembre-se de que o Deus
Todo-Poderoso está ao redor da sua cama e vê quando você se deita e quando se
levanta; entende os seus pensamentos e conhece todos os seus caminhos (Salmo
139:2-3). Lembre-se também de que os seus santos anjos, que o guardaram e
vigiaram durante toda a noite, também observam como você acorda e se levanta
(Gênesis 31:55; Gênesis 32:1-2). Portanto, faça tudo como na presença solene
de Deus e à vista dos seus santos anjos (Salmo 91:5,11; Atos 12:11). 5. Ao vestirem suas roupas,
lembrem-se de que elas foram dadas primeiramente como coberturas da vergonha,
sendo o resultado do pecado; e que são feitas apenas de vísceras de animais
mortos. Portanto, quer vocês respeitem as roupas, têm tão pouco motivo para
se orgulharem delas, quanto maior motivo para se sentirem humilhados ao
vê-las e usá-las, pois as vestes mais ricas não passam de belas coberturas da
vergonha. Meditem, antes, que assim como suas vestes servem para cobrir sua
vergonha e proteger seu corpo do frio, assim também vocês devem ter o cuidado
de cobrir sua alma com a veste nupcial que é a justiça de Cristo (porque
apreendida pela nossa fé), chamada justiça dos santos (Mateus 22:11; Romanos
13:14; 1 Coríntios 1:30; Filipenses 3:9; Apocalipse 19:8; Efésios 4:24), para
que, embora estejamos ricamente vestidos aos olhos dos homens, não sejamos
encontrados andando nus (de modo que toda a nossa impureza seja vista) aos
olhos de Deus (Apocalipse 16:15). Mas que com a sua justiça, como com uma
veste, possamos nos cobrir da vergonha perpétua e proteger nossas almas
daquele frio ardente que trará choro eterno e ranger de dentes (Mateus
22:13). E, além disso, considerem quão abençoado seria o nosso povo, se cada
veste de seda cobrisse uma alma santificada. E, no entanto, um homem poderia
pensar que, àquele a quem Deus concedeu a maioria dessas bênçãos exteriores,
deveria receber a maior gratidão interior (Lucas 12:48). Mas, se for o
contrário, o seu julgamento será mais pesado no dia da prestação de contas. 6. Considere como a misericórdia
de Deus se renova para você a cada manhã, dando-lhe, por assim dizer, uma
nova vida (Lm 3:23; Sal 19:5) e fazendo com que o sol, após sua incessante
jornada, nasça novamente para lhe dar luz. Não deixe, então, que esta luz
gloriosa se queime em vão; mas antecipe-se (sempre que puder) ao nascer do
sol para dar graças a Deus (Lc 12:48) e, ajoelhando-se ao lado da sua cama,
saúda-o ao amanhecer com um devoto solilóquio matinal: contendo uma humilde
confissão de seus pecados, buscando o perdão de todas as suas faltas, um
agradecimento por todos os seus benefícios e um anseio por sua graciosa
proteção para a sua igreja, para você mesmo e para tudo o que lhe pertence. |
COMO CRESCER NA GRAÇA E NO CONHECIMENTO
C. J. Jacinto
As Escrituras, inspiradas pelo
Espírito Santo, determinam de maneira imperativa que cresçamos em graça e
conhecimento, conforme lemos em 2 Pedro 3:18. Entretanto, há outra passagem de
igual relevância para a compreensão deste tema. Em Hebreus 5:14, ao abordar o
ensino teologicamente sólido e doutrinariamente sadio, o autor sagrado descreve
a doutrina bíblica como alimento sólido, destinado aos que, pela prática, têm
as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem quanto o mal. Esse texto
estabelece claramente que o pleno desenvolvimento de nossas faculdades
intelectuais e espirituais é fundamental para a busca por um entendimento
bíblico aprofundado. Deus nos dotou de intelecto e capacidade cognitiva para a
percepção da realidade. Sob a orientação do Espírito Santo e mediante a
Palavra, devemos buscar o discernimento necessário para adentrar o campo da sã
doutrina e da teologia sólida, a fim de alcançarmos uma compreensão límpida do
Evangelho, do caráter divino e das verdades fundamentais das Escrituras. Com
esse propósito, apresento princípios norteadores para o desenvolvimento da
nossa capacidade intelectual, assegurando que o nosso entendimento e
conhecimento sejam plenamente consagrados à glória de Deus e à expansão do Seu
Reino. Ao adentrarmos o âmbito sagrado do estudo das realidades espirituais,
devemos compreender que tal empreendimento é digno de nossa mais profunda
reverência e piedade. É o desejo do Senhor que nossos corações estejam
preparados em oração, a fim de que possamos apreender com clareza os
ensinamentos das Escrituras. A busca pelo conhecimento espiritual se concretiza
de duas maneiras distintas: primeiramente, por meio de uma comunhão íntima e
contínua com o texto bíblico, cultivando familiaridade com seus preceitos; em
segundo lugar, pelo acesso às obras de autores piedosos, que se dedicaram ao
rigor teológico com igual nível de consagração. Dentre os estudiosos, os mais
proveitosos são aqueles que lograram unir a erudição acadêmica à santa piedade.
A preparação espiritual é um exercício de natureza estritamente pessoal; por
isso, o incentivo à vida de oração e à consagração é fundamental antes de
trilharmos o precioso caminho do conhecimento espiritual. O verdadeiro saber
teológico é, em sua essência, espiritual, sendo inadmissível qualquer distinção
entre ambas as esferas. Toda teologia autêntica, alicerçada na Bíblia e
alinhada à sã doutrina, possui caráter espiritual, uma vez que suas raízes
estão fundamentadas na pessoa do Espírito Santo. Consequentemente, para que
qualquer doutrina ou teologia seja considerada verdadeira, ela deve ser,
obrigatoriamente, fundamentada nas Escrituras.
A abordagem racional para determinar a veracidade de uma afirmação consiste em
avaliar criteriosamente as evidências e os argumentos, tanto favoráveis quanto
contrários, estabelecendo o nível de confiança com base no peso dessas
considerações. De fato, não há outro método logicamente sólido para aferir a
validade de uma proposição. Embora a inspiração espiritual e o testemunho de
fontes confiáveis exerçam um papel relevante na formação de nossas convicções,
tais fatores devem complementar, e não substituir, a análise racional das
afirmações. À luz da doutrina bíblica e teológica, a verdade encontra seu
fundamento na correta exegese das Escrituras, a qual exige um rigor analítico
criterioso. Este é o parâmetro estabelecido para alcançarmos um padrão elevado
de discernimento. Somos biblicamente instruídos a buscar a sabedoria e a
verdade, examinando os assuntos sob uma perspectiva racional e fundamentada.
Conforme nos ensina o capítulo 8 do livro de Provérbios, tal prática constitui
um padrão determinado pelo próprio Espírito Santo desde a antiguidade. Um dos
desafios mais significativos ao estudarmos as Sagradas Escrituras é a
dificuldade de manter a concentração. Disciplinar a mente para que se mantenha
focada durante a análise e a pesquisa do texto sagrado exige um esforço
considerável. Para extrair as riquezas espirituais e absorver profundamente o
conhecimento contido na Palavra, é indispensável cultivar um amor genuíno e uma
paixão profunda pelo objeto de estudo. Portanto, o desenvolvimento da
concentração é o ponto de partida essencial; somente por meio de um apreço
verdadeiro pelo saber é que alcançaremos a disciplina necessária para que o
estudo se torne uma experiência transformadora. Isso remete ao ensinamento de
nosso Mestre, Senhor e Salvador, Jesus Cristo, que, em Lucas 12:34, afirma que
onde estiver o nosso tesouro, ali estará também o nosso coração. Portanto,
quando a Bíblia Sagrada for, de fato, o nosso maior tesouro, o nosso coração
estará profunda e atentamente voltado às suas páginas. Após o exercício de
imersão no estudo das Escrituras e de obras teológicas de referência, é imperativo
adotar uma postura introspectiva, realizando uma análise íntima e reflexiva que
examine, com profundidade e rigor, como as verdades apreendidas ressoam em
nossa própria experiência pessoal.
Alguns denominam essa prática como meditação; contudo, prefiro o termo
"meditação introspectiva". Tal qual um animal que rumina seu
alimento, o cristão, para desenvolver suas faculdades espirituais e
intelectuais e consagrar o seu entendimento ao Senhor e à Sua Palavra, deve
adotar uma postura introspectiva e meditativa. Nessa prática, ele preserva o
ensino recebido em seu coração, tornando-o o objeto constante de sua atenção em
momentos oportunos. Dessa forma, em vez de nos dispersarmos devido à falta de
foco, devemos cultivar a contemplação, mantendo nossa mente plenamente
concentrada no objeto de nosso estudo e análise.
Apresentaremos dois exemplos de indivíduos
que, embora possuam conhecimento direto da Palavra de Deus, negligenciam sua
aplicação na prática cotidiana. O primeiro caso é o de Eva, registrado em
Gênesis 3. No capítulo anterior, versículo 17, o Senhor instruiu Adão sobre
quais frutos lhe eram permitidos consumir no jardim, proibindo-o expressamente
de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob a advertência de que a
desobediência acarretaria a morte. Contudo, em Gênesis 3, observamos a serpente
lançar um ataque direto à autoridade divina, ao negar as consequências
anunciadas por Deus. Ao induzir Eva a acreditar que o consumo do fruto não
resultaria em punição, o tentador sugeriu que Deus teria mentido, colocando em
dúvida a veracidade da Palavra. Além disso, a serpente instigou outro erro ao
prometer que, mediante a desobediência, eles seriam como Deus. Nesse episódio,
percebemos uma clara distorção da verdade por parte de alguém que detinha o
conhecimento da ordem estabelecida. Portanto, tanto Adão — que recebeu a
instrução diretamente de Deus — quanto Eva — que foi informada por Adão —,
possuíam o conhecimento de fatos teológicos verídicos, mas, ainda assim,
optaram pelo erro e pela desobediência à Palavra do Senhor. Outro exemplo que
podemos citar é o de Saul. Embora tenha recebido instruções explícitas, ele não
as observou como deveria. Presumiu ser adequado poupar o melhor dos animais
para o sacrifício, conforme relatado em 1 Samuel 15:15. Contudo, o Senhor
desaprovou tal atitude. Em 1 Samuel 15:10-11, lemos: Então veio a palavra do
Senhor a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver constituído a Saul rei,
porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Saul ouviu
claramente a vontade de Deus, compreendeu-a perfeitamente, mas optou por
ignorá-la. Essa escolha o conduziu ao erro e à apostasia, mesmo possuindo o
conhecimento da verdade. A verdade deve ser amada e abraçada, independentemente
do custo, pois esse é o preço da fidelidade. Ter conhecimento do Senhor e de
Sua Palavra exige de nós a disposição para a obediência e a submissão. Caso
contrário, o conhecimento que adquirimos torna-se desprovido de valor.
Por fim, buscar verdades teológicas requer um coração consagrado e disposto a
aprofundar-se e mergulhar na Palavra de Deus, tratando-a com respeito e grande
temor ao manusear as coisas sagradas. De modo que devemos estar atentos a estes
princípios que apresentei aqui. Este não é um manual exaustivo para o
aprendizado da teologia sólida e da boa doutrina; todavia, os princípios aqui
apresentados são fundamentais para que possamos crescer na graça e no
conhecimento. Este é um caminho muitas vezes árido, que requer tempo,
disciplina e disposição, e não é para todos. Todavia, se dentro do seu coração
existe um amor ardente pela Palavra de Deus e uma sede de adquirir mais
conhecimento espiritual, ter uma vida cristã mais profunda e alcançar um
conhecimento teológico mais avançado, estes princípios são de valor
incalculável para que possa mergulhar na Palavra de Deus com segurança e obter
os seus mais preciosos tesouros.
C. J. Jacinto
Conforme registrado no Evangelho de João,
Jesus afirmou que o conhecimento da verdade conduz à libertação. Os cristãos
podem experimentar a liberdade frente ao tormento mental, à ansiedade, ao
temor, ao ódio, à lascívia, ao orgulho, à soberba, à procrastinação, à
glutonaria e a todas as demais formas de escravidão, opressão ou corrupção,
seja ela mental, moral ou espiritual. Existem causas fundamentais para os conflitos
interiores do ser humano. A primeira delas é o que o apóstolo Paulo denomina
"a carne" ou o "velho homem": a natureza carnal, não
regenerada e rebelde, suscetível às influências adversas. A segunda causa
consiste na ação de espíritos malignos — os agentes de Satanás — que atuam
reforçando inclinações à corrupção e ao pecado. Sob essa influência, o
indivíduo pode tornar-se prisioneiro, sendo dominado ou controlado, interna ou
externamente, por potestades espirituais.
Atualmente,
grande parte dos cristãos demonstra desconhecimento acerca da natureza e da
atuação de espíritos malignos, negligenciando a influência que estes exercem.
Muitos hesitam em reconhecer essa realidade ou em aprofundar-se nas Escrituras
para compreendê-la. O resultado é a escolha deliberada de ignorar uma parcela
significativa da obra de Deus, condenando multidões a um tormento
desnecessário. É importante notar que uma parte expressiva do ministério de
Jesus dedicava-se à libertação de pessoas oprimidas; além disso, em Marcos
16:17, o Senhor afirmou que os verdadeiros cristãos possuem autoridade sobre os
espíritos enganadores.
Iniciaremos
nossa reflexão abordando a vida cristã, com ênfase especial na influência de
espíritos malignos sobre o crente. Inicialmente, faz-se necessário analisar a
perspectiva bíblica sobre esse tema. Em Romanos 6:6 e 11, o apóstolo Paulo
descreve o conflito contra a natureza carnal; na sequência, o capítulo 8 revela
como a vida no Espírito permite ao cristão triunfar nessa batalha espiritual,
que é uma realidade constante. Portanto, compreender que o fortalecimento do
homem interior e a mortificação da velha natureza constituem o único caminho
para vencer concupiscências, vícios e pecados — temas centrais deste estudo — é
indispensável para alcançarmos a vitória por meio de Cristo.
A questão central reside, portanto, na
capacidade de diagnosticar cada situação com o devido discernimento. É
imperativo identificar se o problema decorre da fragilidade da condição humana
ou da resistência à vontade de Deus. Diante desse diagnóstico, faz-se necessária
a entrega integral a Cristo, compreendendo que o nosso "velho homem"
deve ser crucificado com Ele, para que nos consideremos mortos para o pecado.
Conforme lemos em Gálatas 5:24, aqueles que pertencem a Cristo crucificaram a
carne, com suas paixões e desejos. Conclui-se, assim, que tratar desses dilemas
espirituais e morais é de fundamental importância para todo cristão que almeja
exercer a piedade e crescer em graça e conhecimento.
Atualmente, muitos se equivocam ao adotar a
perigosa crença de que todos os dilemas morais e espirituais derivam
exclusivamente da ação de espíritos malignos, ignorando a complexidade da
condição humana. É fundamental compreender que, embora tais influências possam
se aproveitar dos apetites e inclinações da natureza carnal para induzir ao
erro, a própria natureza humana é, por si só, uma fonte de complicações.
Portanto, qualquer declínio espiritual pode ser atribuído, em grande medida, às
inclinações intrínsecas da velha natureza, e não apenas a forças externas.
Portanto,
permitamos que a luz do Espírito Santo, por meio das Escrituras, ilumine nossa
mente, a fim de que alcancemos o discernimento necessário para lidar com esta
questão. Devemos agir com firmeza caso identifiquemos a persistência da
natureza carnal em atuação, visto que ela visa unicamente corromper o nosso
testemunho e destruir a nossa vida espiritual.
A questão central reside na entrega plena ao
Senhor Jesus Cristo, permitindo-nos crer e confiar, com convicção e prontidão,
em Seu poder libertador para que possamos desfrutar da verdadeira liberdade dos
filhos de Deus.
Para além de nossa natureza decaída e suas
inclinações, observamos, a partir da tentação de Eva, que o adversário se valeu
de elementos naturais para induzi-la ao erro. Ainda que Eva se encontrasse em
estado de perfeição, Satanás utilizou impulsos que, em sua essência, eram puros
para levá-la à transgressão; este é o ponto fundamental. Devemos compreender a
necessidade de discernir quando estamos sob a influência de nossa própria
natureza — regida pela concupiscência da carne, pela cobiça dos olhos e pela
soberba da vida — e quando estamos sendo alvos de opressão ou influência de
espíritos malignos. É imperativo que o cristão caminhe plenamente cheio e
guiado pelo Espírito Santo, evitando, assim, qualquer sujeição a influências
malignas.
O adversário
exerce influência sobre diversas esferas da personalidade humana, com o intuito
de comprometer o bem-estar e a integridade espiritual do indivíduo. Uma das
áreas centrais abrange a atividade, as atitudes e as emoções; nesse âmbito, a
opressão pode conduzir a uma vasta gama de distúrbios psicológicos. Outro campo
vulnerável é a sexualidade, na qual a influência maléfica pode resultar em
desvios obsessivos e perversões. Da mesma forma, o apetite e os desejos
pessoais, sob a ação de forças espirituais contrárias à vontade divina,
frequentemente degeneram em dependências químicas ou compulsões por substâncias
como álcool, tabaco e entorpecentes.
Além
disso, a esfera das convicções e experiências religiosas é frequentemente alvo
de investidas. Isso inclui o contato com o mundo espiritual por intermédio de
práticas proibidas pelas Escrituras. Nesse contexto, muitos que se declaram
cristãos negligenciam as advertências bíblicas contra a feitiçaria, permitindo que
conceitos ocultistas e ideologias da Nova Era se infiltrem no ambiente
eclesiástico. É imperativo manter a
vigilância contra manifestações espirituais ambíguas. Embora reconheçamos a
atuação autêntica do Espírito Santo — que ilumina o entendimento, convence o
homem do erro e revela as verdades contidas na Palavra de Deus —, devemos
atentar para o alerta do apóstolo Paulo acerca dos tempos difíceis. O apóstolo
profetizou que muitos se afastariam da fé, cedendo a espíritos enganadores e a
doutrinas demoníacas. Portanto, toda e qualquer atividade espiritual, inclusive
de caráter religioso, deve ser rigorosamente submetida ao crivo do
discernimento cristão.
As Escrituras
demonstram claramente que Satanás pode seduzir um filho de Deus a abandonar a
posição de proteção sob o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. Compreendemos
essa realidade ao analisar o episódio de Ananias e Safira, que, impulsionados
pela avareza e pela inclinação à mentira, cederam ao espírito de erro,
induzindo-os a pecar contra o Espírito Santo. Devemos, portanto, considerar
este e outros exemplos como alertas de que a influência maligna pode se
manifestar em nossas próprias vidas, tal como ocorreu com Ananias, Safira e,
inclusive, com o apóstolo Pedro.
Qual é a
orientação do Espírito Santo? Ao lermos a Carta aos Efésios, capítulo 6,
versículos 11 e 12, a Palavra de Deus nos exorta a revestirmo-nos de toda a
armadura de Deus, para que possamos permanecer firmes contra as ciladas do
diabo. O texto esclarece que a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas
contra principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso e
as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Essa passagem, corroborada
por outros textos, como a Segunda Carta aos Coríntios 2:11 e Efésios 4:27,
enfatiza a necessidade de resistirmos ao adversário. Devemos estar plenamente
conscientes da existência dessas influências e opressões, buscando o
discernimento e a capacitação necessários para empregar as nossas armas espirituais
e combater o bom combate da fé.
Consideramos
também o papel fundamental da oração, que é um instrumento essencial para a
libertação de qualquer opressão, podendo conferir-nos a libertação definitiva
de toda escravidão e influência espiritual contrária. Para alcançá-la, são
necessários requisitos indispensáveis: a humildade, a honra, a disposição
sincera de confessar todos os pecados conhecidos, o rompimento absoluto com
quaisquer vínculos negativos e a decisão firme de não mais alimentar a nossa natureza
carnal.
Torna-se,
portanto, imperativo cultivar uma vida espiritual pautada pela oração, pelo
jejum, pela frequência assídua à igreja e pela comunhão constante com nosso
Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Somado a isso, deve haver uma vigilância ininterrupta
e o bom combate contra as inclinações mundanas que se apresentam. Embora o
processo possa ser peculiar a cada indivíduo, essa deve ser a nossa postura
constante: o enfrentamento diário da nossa natureza decaída. Afinal, a partir
do momento em que o "velho homem", com suas inclinações malignas, é
crucificado e mortificado, o inimigo perde seu lugar.
Devemos,
portanto, conforme a circunstância, professar a nossa fé em nosso Senhor Jesus
Cristo, invocando o Seu nome e buscando a Sua presença. É igualmente imperativo
confessar os nossos pecados, inclinações e desejos indevidos — sejam eles
concebidos na mente, manifestados pelo corpo ou concretizados através de
práticas inadequadas. Tal confissão é necessária, visto que qualquer
transgressão pode conferir brechas para que influências adversas operem sobre a
nossa vida.
A questão
central reside, portanto, na necessidade de romper qualquer pretensão de
legalidade que Satanás possa reivindicar sobre nossas vidas. É imperativo
renunciar a todo pecado, reconhecendo-o como uma insídia satânica que nos induz
ao erro de acreditar na impunidade. O inimigo utilizou essa mesma estratégia
com Eva, ao afirmar que não haveria consequências fatais para a desobediência;
uma falácia que teve início no Jardim do Éden e que, até hoje, seduz multidões.
Muitos se prostram diante de imagens, incorrendo em idolatria por estarem sob o
domínio desse engano. Contudo, é fundamental não nutrir ilusões: o engodo não
se restringe aos idólatras formais. Aqueles que professam sinceridade podem ser
igualmente enganados quando priorizam o materialismo, praticando, na essência,
a mesma idolatria. A avareza e o amor ao dinheiro constituem pecados tão graves
quanto a adoração a imagens esculpidas. Devemos, pois, exercitar o
discernimento espiritual para não conceder a Satanás qualquer direito legal
sobre nossa existência por meio de nossas transgressões.
O ponto a seguir deve ser considerado um
princípio espiritual de suma importância: o dever constante de cultivarmos a
presença de Deus, mantendo-nos próximos ao Senhor, à Sua Palavra e à comunhão
com os santos, especialmente com aqueles que demonstram maior maturidade e
piedade. Essa proximidade com o sagrado, somada a uma vida pautada pelo temor,
pelo zelo e pela plena integração com a Igreja, atua como um escudo contra as
influências malignas.
Inversamente,
é um grave equívoco acreditar que é possível servir a Cristo em isolamento,
negligenciando a vida congregacional, a oração e a leitura das Escrituras. Tal
pensamento constitui uma das mais eficazes estratégias do adversário, que busca
privar o cristão da piedade e do zelo espiritual. Ao abdicar do fortalecimento
da fé e do compromisso com o corpo de Cristo, o indivíduo torna-se vulnerável,
permitindo que as investidas espirituais tenham acesso facilitado para
influenciar sua mente e seu coração.
É
imprescindível cultivarmos uma vida de devoção, louvando ao Senhor e invocando
constantemente o Seu nome. Essa prática é o alicerce de uma vida espiritual
ativa, servindo como um escudo contra as influências malignas externas. Vivemos
nos últimos tempos, período em que a atividade demoníaca se intensificou
sobremaneira, fato perceptível a todo aquele que mantém a sensibilidade
espiritual. É inegável que nossa sociedade atravessa um processo de degradação
moral e iniquidade sem precedentes. Comportamentos e eventos que, há poucas
décadas, seriam inimagináveis, tornaram-se parte do cotidiano, evidenciando uma
realidade irrefutável. A erosão dos valores judaico-cristãos e o declínio ético
refletem, em essência, uma forte influência espiritual negativa. Ao enfraquecer
os fundamentos morais e espirituais autênticos, abre-se espaço para uma atuação
cada vez mais incisiva das trevas, o que explica a rápida multiplicação da
iniquidade em nossos dias.
Discordo da
possibilidade de um verdadeiro cristão, nascido de novo e selado pelo Espírito
Santo, ser possuído por entidades demoníacas, visto que ele é propriedade
exclusiva de Deus. Todavia, à luz das Escrituras, reconheço que a influência
externa de tais espíritos é real. Portanto, embora crentes sinceros não possam
ser possuídos, eles estão sujeitos a serem controlados ou influenciados
exteriormente ao longo de sua caminhada. Tenho observado diversos casos de
pessoas iludidas por experiências espirituais falsas. Tais artifícios,
promovidos por espíritos enganadores, induzem o indivíduo a vivenciar sensações
intensas, levando-o à crença equivocada de possuir uma espiritualidade
superior. Nesse contexto, nota-se que, quando um fiel passa a manifestar um
sentimento de superioridade em relação aos demais após um período de oração, o
orgulho assume o controle. Esse orgulho, uma vez instalado, concede a
legalidade necessária para que o adversário atue, provendo experiências
místicas espúrias que, longe de serem divinas, servem apenas para alimentar a
soberba de quem se julga superespiritual.
Demônios são seres com inteligência maligna,
porém é uma inteligência avançada, muito maior do que a nossa. Eles têm
milhares de anos de experiências, atravessaram os séculos e foram testemunha da
cultura em suas diversas modalidades e transformações sociais. Eles
atravessaram os séculos e conhecem muito a respeito do comportamento e da
natureza humana e todo esse conhecimento é usado contra nós. De outra forma
devemos entender que para o homem se proteger contra essas influências
demoníacas de conhecimento tão avançado é irmos para as escrituras e nós
chegarmos a uma vida de oração e comunhão com Deus e estudar muito as
escrituras. Aqui deixa eu dizer algo relevante. Importância de um cristão
frequentar uma igreja ou um grupo de cristãos cuja a bíblia sagrada seja
ensinada com toda a intensidade de maneira séria e de maneira cuidadosa porque
a proteção contra a proteção contra as influências demoníacas é aquilo que
Paulo fala lá em Efésios no capítulo 6 a espada do espírito pois ali nós temos
daquela passagem de Efésios capítulo 6 versículo 1 até o versículo 10 até o
versículo 18 toda a arma a armadura para que nós possamos ter uma proteção
contra essas influências Paulo está falando de algo que ele conhecia e algo que
deve ser levado a as igrejas e os pastores deveriam usar e pregar muito sobre
essa passagem de Efésios capítulo 6. 6, versículo 10 ou 18, porque estamos
vivendo uma época em que a armadura de Deus mais do que nunca deve ser usada e
os cristãos devem aprender sobre isso.
Embora
estejamos conscientes da nossa responsabilidade de manter uma comunhão
constante com o Senhor, de aprofundar o conhecimento nas Escrituras, de
cultivar uma vida de oração e de desfrutar da comunhão com os santos, é
fundamental compreender que tais práticas não impedem a atuação de Satanás.
Ainda que ele possa ser contido em nossa própria caminhada, sua influência
persiste sobre os demais; portanto, a intercessão torna-se indispensável. Como
Paulo exortou a Timóteo, devemos ter cuidado tanto com a nossa vida quanto com
a doutrina, perseverando nelas. Ademais, é nosso dever interceder pela vida do
próximo, visto que o "deus deste século" cega o entendimento dos
descrentes para que não contemplem a luz da glória do Evangelho. Precisamos,
pois, orar para que essas pessoas alcancem a visão espiritual, sejam libertas e
convertidas a Cristo.
Portanto,
devemos nos empenhar em neutralizar toda sorte de influências nocivas. É
imperativo que conduzamos nossas vidas com prudência, a fim de permanecermos em
plena comunhão com o Senhor, resguardados das investidas externas, uma vez que
estamos inseridos em uma cultura predominantemente avessa aos preceitos
divinos. Embora sejamos peregrinos, as adversidades e as forças contrárias à fé
são manifestas. Diante disso, é fundamental discernir tal realidade e
perseverar no bom combate, mantendo Cristo como nosso escudo. Que sua presença
permeie nossa existência, conferindo-nos a firmeza necessária para resistir aos
desafios contemporâneos do mundo.
Meu conselho é
que rompa o silêncio, louvando ao Senhor em todo tempo e em qualquer lugar.
Recomendo a constante recitação das Escrituras Sagradas e a meditação profunda
nos ensinamentos de Cristo. É fundamental entoarmos hinos e citarmos os
versículos bíblicos, mantendo-nos vigilantes contra influências contrárias à
nossa fé. Devemos exercer essa disciplina várias vezes ao dia: iniciando com a
oração ao despertar, encerrando com o clamor por proteção ao nos recolhermos, e
mantendo um espírito de súplica incessante pela presença de Deus.
Desejo que
vivamos uma vida envolta em devoção intensa, independentemente da opinião
alheia. Não devemos nos envergonhar da santidade; afinal, os ímpios não hesitam
em praticar suas abominações de forma pública e descarada. Se aqueles que se
opõem à verdade não sentem constrangimento em expor seus pecados, por que
haveria o cristão de se envergonhar ao dar testemunho e orar publicamente? É um
contrassenso que o crente se intimide. Satanás regozija-se diante daqueles que,
professando a fé, sentem vergonha de manifestá-la. Portanto, que o nosso
comportamento como santos seja pautado pela coragem e pela firmeza em declarar
a nossa devoção.
De fato,
travamos uma batalha espiritual, cuja realidade se torna cada vez mais
evidente. Relembremos o que nos é dito em Apocalipse 12:11: "E eles o
venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho".
Compreendemos, portanto, de maneira clara, que o caminho para a vitória nos é
concedido por meio de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
Não devemos nos
sentir oprimidos, pois Deus nos prometeu a libertação. Ele afirmou:
"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". Isso consiste em
desfrutar de uma vida não escravizada pelo pecado, mas pautada pelo prazer na
santidade. Aquele que nasceu de novo não encontra satisfação na prática
pecaminosa; seu prazer reside na lei do Senhor, na qual medita dia e noite. Seu
contentamento é manter comunhão com Deus, ciente de que, ao escolher uma vida
de devoção e santidade, ingressou em um combate. Contudo, nesta batalha, Deus
nos assegura a vitória.
Reconhecer
nossas falhas, defeitos e inclinações pecaminosas, confessando-os diante do
Senhor, é o primeiro passo para buscarmos Sua direção e o auxílio do Espírito
Santo. É por meio dessa comunhão que alcançamos o discernimento necessário para
tomar decisões e fazer escolhas alinhadas à vontade de Deus. Priorizar a vida
espiritual exige a mortificação da carne, o que frequentemente implica
renunciar a prazeres imediatos em favor da oração. Práticas como o jejum e o
sacrifício do descanso em prol da vigilância espiritual são formas deliberadas
de subjugar os desejos biológicos, fortalecendo, assim, o espírito. Esse
exercício de autocontrole — o domínio próprio, um dos frutos do Espírito —
permite que sejamos verdadeiramente guiados por Ele, vivendo, conforme as
Escrituras, como mais do que vencedores.