terça-feira, 20 de outubro de 2026

O espírito do anticristo, Política, Globalismo e o Fim dos Tempos.

 O espírito do anticristo, Política, Globalismo e o Fim dos Tempos.

 

C. J. Jacinto

 

Todo o cristão precisa entender as novas tendências da pós-modernidade. Estamos vivendo em um mundo que está em processo de transformação contínua, em multiplicação de iniqüidade, todo o homem espiritual percebe essa tendência maligna de nossa época. A decadência moral segue um principio: “Por ser multiplicar a iniqüidade” (Mateus 24:12 com I Tessalonicenses 5:4) O que pode ser pronunciado como ecumenismo, por exemplo, hoje em dia, não deve mais ser considerado como ecumenismo clássico, mas deveria ser chamado de neo-ecumenismos. Trata-se de um esquema de coisas na comunidade internacional que exige um processo de nivelamento de todas as religiões sob a pauta do relativismo pós-moderno.  Esse tipo de unidade, adotado nesse novo ecumenismo, não se baseia mais no modelo familiar do ecumenismo do século passado. Naquela época, religiosos protestantes de destaque juntaram-se no espírito de cooperação interdenominacional, baseado em interpretações liberais da teologia. 
​Tudo o que podia criar divisão ou ser ofensivo foi posto de lado em favor de um programa de ação social. Obviamente, os principais elementos ofensivos foram jogados na lata de lixo, em essência, as doutrinas e práticas históricas da fé cristã, ou seja, os fundamentos da fé cristã foram jogados fora ou abandonados como irrelevantes, a tese progressista que sustentou o antigo ecumenismo, transformou a necessidade espiritual do homem em necessidade puramente física e biológica. A verdade é que o modelo antigo do ecumenismo simplesmente foi um fracasso. 

 Ele serviu de fundamento apenas para esvaziar as igrejas tradicionais, espantando os fiéis dos bancos, e provou ser, na verdade, um enorme fracasso por diluir as verdades fundamentais do evangelho para seguir uma agenda puramente ideológica. Para todos os propósitos práticos, ele está fora de moda. 
​O novo ecumenismo é um produto completamente diferente, um exemplo dessa nova modalidade de unidade com base num relativismo é a Iniciativa das Religiões Unidas. Precisamos entender isso para que possamos também compreender os riscos que esse neo-ecumenismos apresenta.

No novo ecumenismo, todas as religiões, seitas e doutrinas são dignas de crédito, aceitáveis e igualmente virtuosas, assim como os deuses e práticas a elas associados.  O oposto deve ser combatido, não há espaço para dialogo com verdades absolutos ou exclusivismo, não aderir a uma religião globalista é cometer um crime grave, essa é a direção inevitável que o mundo pós-moderno segue, e a maioria dos cristãos não estão preparados para isso! O processo que envolve esse sistema de religiões unificadas tem como um objetivo claro a estigmatização das religiões esclusivistas e consideradas fundamentalistas (Veja Falsa Aurora – Lee Penn – Pagina 292)

No sentido real, o processo de nivelamento da unidade global secular é reproduzido no mundo religioso. A razão disso é simples: ambos os sistemas se baseiam em filosofias que não há verdades espirituais absolutas, nem valores morais significativos e nem respeito devido pelas crenças e princípios judaico-cristãos. Portanto, os que não concordam caem em descrédito, são ridicularizados e estigmatizados como entraves ao progresso. 
​Se você se mantém fiel à inerrância da palavra de Deus e acredita que a comissão de Jesus para evangelizar ainda é uma ordenança, uma obrigação, então você está se habilitando a receber esse estigma, ou seja, para o novo ecumenismo, o que vale simplesmente é o relativismo ou você adere ao novo sistema plural ou será classificado como intolerante e inimigo de estado. Deve concordar que, não há verdade absoluta ou poderá sofrer duras conseqüências. Portanto, cada um tem a sua verdade particular. As religiões têm as suas verdades; cada uma delas tem sua própria verdade e deve ser respeitada, de modo que, através do conceito de relativismo, os absolutos caem completamente por terra. Portanto, é irrelevante que Jesus Cristo seja o caminho, a verdade e a vida, nessa nova visão de unidade de todas as religiões. O que há no globalismo é deformação da verdade do Evangelho para que possa se encaixar aos moldes da filosofia globalista. Nesse caso, Jesus seria apenas um outro salvador no meio de tantos outros salvadores apresentado por falsas religiões, aliás o conceito de falso será o  invertido, será aplicado a todos os movimentos que não aderirem ao sistema globalista. A teia tecida por esse sistema de religiões globais unificadas, é usar as ideias antigas da Teosofia e no pensamento evocado pela Nova Era acerca dos grandes iniciados, homens e mestres semi-divinos que trouxeram as verdades mais profundas aos homens na antiguidade, trata-se de uma inclusão por processo de miscigenação dinâmica, uma espécie de sincretismo que nivela os supostos grandes iniciados, popularizados pelo autor Frances Edouard Schuré e publicado em 1889, colocando todos os fundadores e lideres religiosos do passado num mesmo patamar, assim instrutores místicos como Krishna, lideres espirituais como Moisés, Orfeu dos mistérios dionisíacos, Pitagoras da escola de Crotona, Platão associado a filosofia mística antiga e os mistérios de Eleusis, Jesus o Messias e Salvador dos cristãos e Rama associado aos tempos mais antigos da raça ariana, são nivelados como tipos de instrutores do mundo e lideres espirituais que entregaram verdades aos homens. G. H. Pember, no segundo volume de “As Eras Mais Primitivas da Terra” já advertia acerca da aliança entre os grandes sistemas religiosos do mundo será o caminho para a manifestação do anticristo. (Pesquise Pagina 413 de “As Eras Mia Primitivas da Terra” – TOMO II – G. H. Pember – Editora dos Classicos)


​O que vale nesse novo sistema é que toda religião tem a sua divindade e tem o seu processo salvífico, e todos eles devem ter a credibilidade como verdade. Assim, enquanto que no Novo Testamento uma pessoa que não crê em Cristo está condenada ao inferno, (Leia João 3:18) na verdade, nesse novo ecumenismo não há inferno. Todas as religiões, não importa a sua doutrina, não importam as suas divindades, conduzem o homem para o céu.

"Este é o novo progresso. É o paraíso para o qual o humanismo, os governos e a Nova Ordem Mundial querem implantar sobre o nosso planeta. À medida que este suposto código de processo for sendo cada vez mais aceito, a coerção dos dissidentes se tornará uma questão de fundamental importância. Afinal de contas, seu mundo está sendo transformado numa sociedade global, realmente unificada, numa aldeia global, se você preferir.
​Então, não há lugar para significativas divergências de opinião. Se a maioria acredita que todo ser humano é divino, por exemplo, os que tentam convencer as pessoas do contrário são criadores de caso que estão perturbando a dignidade dos deuses e violando as regras do jogo. Então, o problema é o que fazer com eles? Não há escape. Como Elias, o profeta, você poderá ser acusado de perturbador de um sistema que se harmonizou pelo sincretismo e trouxe uma segurança, vantagens e conveniencias para os que concordam, caso seja um discordante, também será criminalizado como um rebelde.

 Trata-se de que o relativismo, mais cedo ou mais tarde, ele causará irreversivelmente a perseguição sobre aqueles que acreditam em absolutos. Esse processo é gradual, pode ser lento, mas é inevitável, e seria bom que entendêssemos isso, que fosse discutido em escolas dominicais, fosse tema de pregações constantes. No sistema global unificado pautado pelo relativismo, no que concerne às religiões — sendo todas elas válidas e todas elas como caminhos alternativos para o céu e para a salvação do homem — Uma filosofia fundamentada no relativismo de que não existem absolutos, mas que todas as religiões possuem as suas formas de validade, que são válidas todos aqueles que se dispuserem a se opor a esse sistema serão considerados como inimigos da Nova Ordem que precisa se estabelecer para dar fim ao velho mundo que está com os alicerces corroídos, e é necessário que se entenda, os seus profetas e promotores foram os principais causadores de diversas rupturas do sistema. Uma jogada de mestre, caotizar, para apresentar uma resposta ao caos, ou seja, a antiga e dinâmica dialética hegeliana.

 Hoje em dia, podemos perceber que há uma intolerância com relação a absolutos que são pautados pelas pelos valores morais judaico-cristãos que emergem a partir de um estudo sistemático das escrituras. Ainda, alguns poucos anos atrás, vimos como um palestrante evangélico, ele foi assassinado, pois, de certa forma, essa é a reação, essa é a forma reacionária daqueles que se mantêm do lado do desse progresso, do relativismo, desse mundo pós-moderno. O Processo de “eliminação” é a reação sistemática e hipócrita de militantes ideológicos que seguem cegamente a pauta progressista pós-moderna, a intolerância dos que desejam tolerância, nada mais é do que um jogo de palavras para enganar trouxas, a tolerância que eles exigem para as ideias que defendem e não para os que discordam. Eles querem uma transformação da humanidade e trabalham pela implantação de uma nova ordem global com base em pautas anticristãs. Todavia,  todos aqueles que pensarem diferente, todos aqueles que não aceitarem as suas pautas progressistas, são considerados como inimigos e até mesmo de traidores de uma “boa causa”. Embora poucos casos de violência e assassinato tenham sido registrados em nosso dias, todavia, é necessário dizer que o gérmen dessa imposição arbitrária contra todo aquele que não concorda com as regras progressistas é a morte. O que temos em vista e ouvido acerca dos discursos de justiça e igualdade parece ser muito lindo, pelo menos a proposta supostamente é. Mas, por trás do que há, senão espectros sombrios da ideologia de intolerância e doutrinas de demônios. Veja bem, na pauta progressista da Nova Ordem Mundial, o que existe é tolerância. Essa pregação de uma tolerância nada mais é do que uma intolerância com relação a todos os que discordam.   Há um ódio que pode ser manifestado naquelas pessoas que defendem essas pautas, as pautas globais, do qual várias ideologias apontam para um progressismo, do qual querem implantar de qualquer maneira esse novo globalismo relativista em que tudo deve ser considerado como aceito e verdadeiro, menos o cristianismo bíblico. 

 Há um ódio mortal que vai crescendo, mais e mais, até chegar a um nível de intolerância. Quanto mais a igreja permanecer aqui neste mundo, nesse processo em que se está acelerando a implantação desse globalismo, dessa Nova Ordem Mundial, isso inevitavelmente, repito eu, levará a igreja a sofrer uma nova onda de perseguição e morte, como ocorreu nos primeiros séculos da era cristã.  Na verdade, é o espírito do Anticristo mantendo sua forma e demonstrando o seu ódio contra a igreja do Senhor. Existe uma proposta de ódio contra o cristianismo bíblico, isso é muito claro. De modo que precisamos entender isso e, de fato, viver essa realidade, confrontá-la. É um fato: está crescendo dia após dia, de modo que chegará um tempo em que o sistema não tolerará uma fé evangélica autêntica e bíblica. 
​De modo que seremos novamente alvos de perseguições, pois seremos considerados os inimigos da classe globalista. A elite que se aproxima e o sistema global unificado que está em processo não suportará qualquer tipo de oposição. De modo que haverá, sim, uma abertura para que todos aqueles que entrem no sistema relativista possam viver em paz uns com os outros. 
​Mas, no entanto, todos esses supostos pacifistas do sistema serão sempre inclinados e serão treinados a não tolerar qualquer oposição pela pauta progressista que será estabelecida pelo relativismo pós-moderno. De outra forma, podemos entender que se trata de uma força anticristã que está ganhando cada vez mais espaço no mundo moderno.   

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Frases para Refletir e Viver

 







Com o microscópio e o telescópio: dois olhares para estudar a Bíblia


 

Imagine um cientista debruçado sobre um microscópio. Ele observa uma gota d’água e descobre um universo inteiro: partículas, movimentos, estruturas invisíveis aos olhos comuns. Agora imagine um astrônomo apontando seu telescópio para o céu. Ele contempla estrelas, galáxias e distâncias que nossa mente não consegue medir. Dois instrumentos, dois mundos: o infinitamente pequeno e o infinitamente grande.

A Bíblia é assim. Ela possui detalhes tão minuciosos que parecem escondidos, e ao mesmo tempo apresenta horizontes tão vastos que nos deixam sem fôlego. Para conhecê-la melhor, precisamos aprender a usar as duas lentes: o microscópio e o telescópio.

Duas janelas para o infinito

O ser humano vive entre duas grandezas: o micro e o macro. O microscópio nos ajuda a enxergar o que está perto, pequeno, quase imperceptível. O telescópio nos ajuda a contemplar o que é distante, amplo, majestoso. No estudo da Bíblia, acontece algo semelhante.

Há momentos em que precisamos nos debruçar sobre uma palavra, uma expressão, um versículo, uma repetição. Há outros em que precisamos recuar, enxergar o conjunto, compreender o plano de um livro inteiro ou um tema que atravessa toda a Escritura. Os dois movimentos são necessários. Um sem o outro empobrece nossa leitura.

A lente do microscópio: quando os detalhes falam

O estudo microscópico da Bíblia é a arte de observar os pequenos sinais. Às vezes, uma palavra repetida, um nome divino, uma expressão recorrente ou um simples “logo” pode abrir uma janela para verdades profundas.

Um exemplo clássico é o Evangelho de Marcos. Um leitor atento percebe que a palavra “logo” ou “imediatamente” aparece muitas vezes. Só no primeiro capítulo, ela surge onze vezes. Por quê? Porque Marcos nos apresenta Jesus como o Servo perfeito, que age sem demora, em completa dependência do Pai. E há um detalhe comovente: o próprio Marcos, segundo Atos 15, havia falhado em seguir o chamado de imediato. Mais tarde, restaurado pela graça, foi escolhido pelo Espírito Santo para escrever sobre Aquele que sempre agiu “logo”. O detalhe não é curiosidade: é revelação da graça.

Outro exemplo são os nomes de Deus. Em Provérbios, predomina o nome “SENHOR” (Javé), pois o livro trata de Deus em relação com o ser humano. Em Eclesiastes, onde tudo é visto “debaixo do sol”, aparece “Elohim”, o Deus Criador. Em Daniel, Esdras e Neemias, o nome característico é “o Deus dos céus”, pois o povo estava longe do templo e da terra. Em Isaías, cerca de trinta vezes encontramos “o Santo de Israel”. Por quê? Porque Isaías teve uma visão transformadora no capítulo 6: viu a santidade de Deus, reconheceu sua própria impureza e ouviu os serafins clamando: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos”. Essa visão marcou sua vida e seu ministério.

O microscópio também nos ajuda a notar padrões. Quantas vezes o Senhor é chamado “Filho de Davi” em Mateus? Quantas orações de Jesus aparecem em Lucas? Quantos sinais Cristo realiza em João? Quantas vezes a palavra “bem-aventurado” surge no Apocalipse? Quantas pessoas são encontradas aos pés do Senhor? Quem disse “pequei” com sinceridade e quem apenas se desesperou? São perguntas simples, mas que produzem descobertas espirituais.

Esse tipo de estudo exige paciência. É como o trabalho do cientista diante do microscópio: repetitivo, silencioso, aparentemente árido. Mas o que descobrimos por nós mesmos tem um sabor especial. Ferramentas e comentários podem ajudar, mas nunca substituem o contato direto com o texto.

A lente do telescópio: quando o todo toma forma

Se o microscópio revela detalhes, o telescópio revela panorama. Há momentos em que precisamos deixar de lado as minúcias e contemplar as grandes linhas do propósito de Deus.

O estudo macroscópico da Bíblia busca o plano de um livro, a sequência de um argumento, o desenvolvimento de um tema. Podemos, por exemplo, esboçar capítulo por capítulo o Evangelho de João, os Atos dos Apóstolos ou a carta aos Romanos. Podemos acompanhar um tema que atravessa toda a Escritura: lei e graça, Israel e Igreja, a pessoa e a obra do Espírito Santo, as dispensações, as alianças, os títulos de Cristo, os tipos do Antigo Testamento, as profecias, o remanescente, a vinda do Senhor, as ressurreições, as coroas, os juízos.

O telescópio nos convida a enxergar o conjunto. É como subir uma montanha e contemplar a paisagem inteira. De perto, uma árvore pode esconder a floresta; de longe, percebemos o desenho dos vales e rios. Assim também, ao olharmos o todo da Escritura, entendemos melhor cada parte.

Mas isso não significa ignorar os detalhes. Significa ordená-los dentro de uma grande história. O microscópio sem o telescópio pode nos tornar especialistas em folhas e esquecer a floresta. O telescópio sem o microscópio pode nos dar grandes ideias, mas perder a riqueza do texto inspirado.

Como usar as duas lentes na prática

Ore antes de abrir a Bíblia. O mesmo Espírito que inspirou a Escritura precisa iluminar nossa mente. Estudo bíblico sem dependência de Deus vira mera informação.

Escolha uma lente por vez. Em um dia, estude um versículo, uma palavra, uma repetição. Em outro, leia um livro inteiro, faça um esboço, siga um tema.

Faça perguntas. Quem escreveu? Para quem? Por quê? O que este texto revela sobre Deus, sobre Cristo, sobre o ser humano, sobre mim?

Anote suas descobertas. O que é registrado fixa-se melhor. Compare passagens, observe conexões, volte depois.

Use ferramentas com sabedoria. Concordâncias, dicionários e comentários são mapas úteis. Mas o mapa não substitui a viagem. Leia a Bíblia.

Termine em adoração. O objetivo não é apenas entender, mas amar. Conhecimento que não aquece o coração pode inflar. A verdadeira erudição bíblica nos humilha e nos leva aos pés de Cristo.

O alvo de todo estudo: adoração

O estudo da Bíblia não existe para alimentar vaidade intelectual. Ele existe para nos conduzir ao Deus vivo. Quanto mais conhecemos as Escrituras, mais percebemos nossa pequenez e a grandeza do Senhor. Como diz o salmista: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem para que te lembres dele?” (Salmo 8.3-4).

A Palavra é infinita em seus detalhes e em seus grandes temas. Nunca esgotaremos suas riquezas. Se começarmos cedo, enquanto temos saúde, memória e tempo, colheremos frutos por toda a vida. E mesmo na velhice, quando “vierem os dias difíceis”, ainda encontraremos néctar nas páginas sagradas.

Que nunca busquemos conhecimento por conhecimento. Que nossas afeições sejam despertadas e aquecidas. Que a verdade nos humilhe, nos separe do mundo e nos una mais a Cristo. Afinal, como diz Paulo, “o conhecimento incha, mas o amor edifica” (1 Coríntios 8.1).

Conclusão: nunca será tempo perdido

Se você abrir a Bíblia hoje, leve as duas lentes. Use o microscópio da atenção: observe cada palavra, cada nome, cada detalhe. Use o telescópio da fé: contemple o plano grandioso de Deus, do Gênesis ao Apocalipse. Em ambas as direções, o fim é o mesmo: adoração.

Nunca nos arrependeremos do tempo gasto aos pés do Senhor, estudando Sua Palavra com humildade, oração e perseverança. Ela é viva, eficaz e mais doce que o mel. E quanto mais a examinamos, mais descobrimos que seu Autor é infinitamente digno de todo louvor.


Inspirado no artigo “Mit dem Mikroskop und dem Fernrohr”, publicado por bibelkommentare.de.

 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

O CRISTÃO E O COMBATE CONTRA A MENTIRA



 


 

C. J. Jacinto

 

 

 

"Quando uma pessoa não sabe mais o que é certo ou errado, você pode fazê-la acreditar em qualquer coisa, e em um mundo onde o bem e o mal, a verdade e a falsidade se tornaram dependentes da escolha pessoal de cada um (o que é cada vez mais comum), influenciar as pessoas é mais fácil do que nunca, e isso é um desenvolvimento perigoso" Hannah Arendt

 

Desde a Queda, a mentira tem sido um pecado universal — não apenas por afetar toda a humanidade, mas também por atravessar todos os tempos. A Bíblia afirma em João 8:44 que o diabo é o pai da mentira; em 1 João 5:19, que o mundo jaz no maligno; e em Apocalipse 12:9, que ele engana o mundo todo. Além disso, está escrito que ele cega o entendimento dos incrédulos. (II Coríntios 4:4)

 Assim, vemos que o mal não está enraizado apenas na natureza humana, mas é o próprio sistema operacional do diabo e de todas as hostes de espíritos caídos sob seu comando.

 O próprio Satanás desmente o que Deus falou, dizendo: “Certamente não morrerás”. Isso foi uma mentira. O diabo mentiu, Eva creu na mentira e desobedeceu e Adão seguiu os passos dela; as consequências foram catastróficas. Nunca tente olhar para a tentação no Jardim do Éden simplesmente como a descrição de uma mulher que vai comer um fruto proibido. Por trás de todo o processo da tentação há uma mentira — e essa é a questão principal. Tudo começa com uma mentira: uma mentira que o diabo proferiu e em que Eva e Adão acreditaram. Nunca olhe para a queda sob uma ótica superficial. Não foi apenas a questão do consumo de uma fruta proibida; isso envolve muito mais do que isso. Reitero: envolve a mentira e a negação da autoridade da palavra de Deus. Assim, o diabo mentiu. Sob o aspecto de suas mentiras, podemos encontrar duas principais consequências comportamentais: vemos que ninguém assumiu a responsabilidade: Adão culpou Eva pela transgressão, e Eva culpou a serpente. Foi assim que a mentira começou a enraizar-se no coração humano. Portanto, mentir significa proclamar inverdades, distorcer os fatos ou suprimir a verdade. Mentira é tudo aquilo que não corresponde à realidade.

 Assim, podemos observar que a natureza da mentira é extremamente maligna e suas consequências são catastróficas. O diabo, o pai da mentira, a tem usado de forma muito eficaz para levar muitos à perdição eterna. Ele aprova e está disposto a apoiar todos os mentirosos. Todos os mentirosos são seus filhos e possuem a mesma natureza. Como foi dito, as consequências da mentira são catastróficas. Alexander Pope disse certa vez: 'Quem conta uma mentira não percebe a pesada carga que assume, pois terá de inventar outras 20 mentiras para poder manter a primeira.

 A mentira está associada à falta de caráter e à desonestidade. Muitas vezes, ela é explorada através da desinformação. Vivemos numa época de desinformação extrema e de manipulação de dados. Muitas destas mentiras são fantasiadas de modo a esconderem a sua verdadeira intenção. Lembre-se que embora o que caracteriza o diabo são as trevas (Efesios 6:12) ele se transfigura em anjo de luz (II Corintios 11:14)

 Hoje, vivemos numa época de mentira universal, o que me faz lembrar uma frase de George Orwell, autor do livro 1984, no qual, já em sua época, disse: “Em uma época de mentira universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.” Na verdade, está cada vez mais difícil encontrarmos pessoas que estejam aptas e tenham coragem de permanecer ao lado da verdade. Pelo fato de a mentira ser de natureza diabólica, hoje enfrentamos o problema da disseminação de meias-verdades, da supressão de fantasias que alteram o resultado de uma conclusão, da ambiguidade, do relativismo e também do uso de neologismos para tentar enganar a população. Assim, aquele que é criminoso já não é mais chamado de criminoso, e o homem já não é chamado de homem — é chamado de mulher, mesmo sendo homem, não importando o que a ciência diga. Pois a ideologia baseada em mentiras simplesmente nega o fato, a verdade e a realidade. Trata-se da mentira ganhando força no meio de uma sociedade cada vez mais tolerante com meias-verdades e com ideias puramente ideológicas, que nada têm a ver com os fatos, mas que os manipulam para proveito próprio e para fortalecer a mentira.
Hoje vivemos, de fato, nesses tempos. Pessoas dizem que abortar uma criança não é assassinato — embora achem que uma bactéria encontrada em outro planeta seja vida, quando se trata de um ser humano se desenvolvendo no útero de uma mulher e se comete um aborto, alegam não ser assassinato. Eles tiram a força do senso de verdade apenas para defender suas próprias ideologias e, para isso, usam a mentira. O uso de neologismos e de clichês também pode ser um exemplo claro de que a mentira não tem limites para atuar — inclusive dentro do sistema eclesiástico. Agora, não se diz mais que uma transgressão contra as leis de Deus é considerada pecado; ao contrário, substituíram a palavra. Com isso, temos um problema: não chamamos mais as coisas por seus nomes verdadeiros, mas por uma mentira. A mentira pode produzir engano e autoengano. Pode ser devastadora dentro de uma sociedade e trazer consequências terríveis para uma pessoa, para a comunidade ou para toda uma nação. Frequentemente, as mentiras geram delírios e formas de engano profundos. A médio e longo prazo, essas consequências revelam-se profundamente devastadoras e impactantes para a sociedade. Num mundo obcecado pela mentira, e dominado e controlado pelo pai da mentira, devemos entender que verdades podem trazer perturbação. A mentira muitas vezes oferece um conforto — é um conforto que serve como uma armadilha, mas oferece, sim, conforto. Mentiras podem até atenuar situações; verdades podem causar perseguições. 


​Todavia, o homem sincero deve estar com a verdade, porque Deus é o Deus d verdade. Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". No grego, a palavra "verdade" pronunciada por Jesus aqui em João, capítulo 14, versículo 6, a tradução de verdade é a palavra grega aletheia: a verdadeira realidade. Cristo está com a realidade; Ele é verdadeiro e a verdade em todos os sentidos. Assim é todo aquele que pertence a Deus: é verdadeiro, e não está ao lado da mentira. Hoje em dia, muitos consideram como amor aquilo que a Bíblia chama de abominação. Muitos chamam de relacionamento o que a Bíblia chama de adultério. Transformaram virtudes em vício, inverteram os valores. Vivemos dias em que o certo parece ser errado e o errado parece ser certo. 
​Em Isaías, no capítulo 5 e versículo 20, o profeta advertiu: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem das trevas luz e da luz, trevas; e fazem do doce amargo e do amargo, doce". O mesmo profeta, no capítulo 59, versículos 14 e 15, fala que a justiça retrocedeu e a verdade anda tropeçando pelas ruas. 
​ Nada pode ser considerado tão atual quanto essas palavras quando elas são aplicadas à nossa geração perversa e corrompida, que está a inverter os valores e tem feito grande progresso na multiplicação da iniquidade. O relativismo contamina a nossa sociedade, hoje em dia, tentam minimizar a gravidade de um crime, fazendo de delinquentes “vítimas da sociedade” porquanto a verdade é que o homem inclinado ao crime é pecador e a sua natureza adâmica o impulsiona isso, ele deve pagar pelos seus crimes, transferir a culpa pessoal aos outros é agir como Adão, colocou a culpa em Eva, e ela na serpente, Adão agiu consciente do erro (I Timóteo 2:14) ele é culpado, cada transgressor e cada criminoso é culpado. Outra mentira popular é que a sociedade corrompe o indivíduo, esse jogo de palavras mentirosas é uma das ideias mais satânicas que existem. Uma sociedade é feita de indivíduos, dos filhos de Adão e Eva começou a primeira sociedade de homens caídos, foram eles que corromperam a sociedade humana, não o oposto. Quando chegamos em Genesis 6 no contexto do diluvio, a sociedade está corrompida porque os homens se tornaram extremamente malignos e a impunidade era generalizada, uma sociedade que deixa de acreditar em absolutos e na verdade, torna-se brutal, tão brutal e insensível que não enxerga o terror da agonia de um feto sendo dilacerado no útero de uma criança no processo do aborto, assim como na época do rei Manassés (rei de Judá) eram os homens insensíveis quando faziam as crianças passarem pelo fogo em sacrifício a Moloque (II Reis 21:6 II Crônicas 33:6).  A mentira brutaliza o homem!

 Sendo a mentira um problema universal, enraizado no coração e no comportamento humano, devemos sempre verificar se aquilo que chega aos nossos ouvidos ou aquilo que pronunciamos são simples repetições de boatos e de informações não verificáveis, ou se realmente são factos. Temos que tomar cuidado com relação a isso. Mentiras são mais fáceis de aceitar do que verdades. Portanto, o homem de Deus sabe o custo da verdade se tiver que a defender e pronunciar diante de pessoas que, na sua maioria, não gostam de ouvir verdades. Que o martírio de Estevão e as perseguições de dos profetas Elias e Jeremias, ao chamar um relacionamento conjugal de ilícito João Batista foi decapitado, a verdade tem um preço alto a nível do caráter de Cristo e a mentira tem um nível baixo ao abismo do inferno, em tempos de relativismo que se sustenta por mentiras multiplicadas, devemos escolher ficar do lado da verdade, custe o que custar.


​Mas quero lembrar-lhe que a mentira é o cardápio dos golpistas; a mentira é a manobra que os criminosos usam. É a tática de bandidos e manipuladores que visam enganar por meios ilícitos e buscam pessoas vulneráveis e ignorantes para atacar.
​E cada vez que se você está diante de uma mentira e não tem a capacidade de detectar que se trata de uma mentira, você pode ser colocado ao nível de um ignorante e de uma pessoa que pode ser manipulada. Outra coisa: a avareza é uma excelente isca num mundo extremamente materialista. Portanto, usa-se muito a mentira para despertar o pecado da avareza no coração humano. Pois, a partir do momento em que uma pessoa tende a ser avarenta, ela torna-se mais aberta para todo o tipo de engano.
​Então, concluímos: a mentira é a base da sustentação de todo o erro e de todo o engano. A mentira ganhará proporções enormes nos últimos tempos. Isso é necessário para preparar o ambiente para o Anticristo, pois ele será o mestre por excelência de todas as mentiras. Paulo escreve em 2 Tessalonicenses 2:10 acerca dele: "com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem". 

 Sendo assim, a mentira precisa de ter uma influência muito forte nos últimos tempos para preparar os homens para receberem o Anticristo. Todos aqueles que não exercem o seu discernimento e a sua sobriedade, e que não assumem a responsabilidade de verificar os fatos, podem ser facilmente enganados pelo espírito do Anticristo.  Eis algo para o qual precisamos de estar alertas. Caso contrário, a influência do engano demoníaco do Anticristo tomará proporções gigantescas, arrastando consigo até mesmo aqueles que nunca deram ouvidos nem amaram a verdade da maneira como a Bíblia ensina.  Não é admirável que hoje nos meios eclesiásticos temos tantos hipócritas? Uma das mentiras mais devastadora é a imitação, apenas um disfarce, uma máscara mentirosa para esconder a essência, e como satanás fez, consegue levar após si a terça parte dos anjos. A técnica funciona muito bem, mas é demoníaca ao extremo!

A linguagem, o discurso cheio de clichês, a retórica cheia de termos subjetivos, ambíguos e relativistas... Tudo isso faz com que muitos mentirosos manipulem a opinião pública através de linguagem sugestiva, técnicas de retórica, supressão e ocultamento e manipulação de fatos, eufemismos, repetições e, em formas mais radicais, até mesmo mediunidade por possessão.
​A disseminação do erro depende da mentira; a base que o apoia mantém a sua cumplicidade. Portanto, quando eu falo sobre uma eficiência do erro, não estou dizendo que um erro produz algum tipo de verdade. Simplesmente falo como uma expressão de dizer que o assentamento e a aceitação da mentira se dão por agentes que a promovem e pessoas sem discernimento que as aceitam.
​Nem todas as mentiras são egoístas. Sifrá e Puá, por exemplo, lá em Êxodo 1, e Raabe, em Josué 2, podem ser exemplos. Mas aqui nas Escrituras são descrições, e não prescrições. Em nenhuma outra parte da Bíblia Sagrada diz que todos devem agir assim. Mentira continua sendo mentira, de modo que, em todas as Escrituras, ela é condenada. 

Para finalizar, desejo então salientar aqui que o anticristo será o grande mestre do engano. Por outro lado, também devemos entender: toda a religião que não conduz alguém a confiar absolutamente em Cristo — pois ele é a verdade por excelência — toda a religião que não induz as pessoas a confiarem completamente nele, na sua obra consumada e perfeita, é uma religião falsa que está a pregar e a anunciar mentiras.
​Pois certamente, quando lemos o alerta de Paulo em Gálatas, capítulo 1, versículo 8 e versículo 9, acerca de nós ou de um anjo que anuncia outro Evangelho, isso significa um Evangelho mentiroso, uma mensagem baseada em mentiras e não na verdade. Tal mensagem deve ser considerada como um anátema ou como uma maldição. Ou seja, Paulo está a dizer: um Evangelho mentiroso é uma maldição e não uma bênção.

 Pois também o Evangelho falso traz consequências devastadoras a longo prazo, além de fraudes, enganos, danos espirituais e, por fim, a perdição eterna. De maneira que devemos, então, testar como os bereanos. Como disse ao princípio, as Escrituras devem ser consideradas como um detector de mentiras. De modo que, como os bereanos em Atos 17:11, as palavras de Paulo foram testadas na congregação de Bereia. Os judeus estavam ali a ouvir a Paulo e foram verificar nas Escrituras para saber se Paulo estava a pregar verdades ou mentiras, se a sua mensagem era verdadeira ou era um engano. A quem eles foram, os bereanos? Foram à tradição ou procuraram uma revelação mística, confiaram em seus próprios sentimentos e sabedoria? Não, eles foram às Escrituras. Eles não foram a nenhuma outra fonte para verificar e testar a mensagem de Paulo, a não ser nas Escrituras. Portanto, nós temos ali a verdade. Como disse Jesus: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17)

 

Precisamos entender, uma vez por todas: quanto mais egoísta é um coração, mais ele se inclina para o engano e para a mentira. Mentiras podem ser usadas para benefício próprio ou podem ser mantidas por pura cegueira espiritual.

domingo, 4 de outubro de 2026

As Lições Espirituais das Ofertas de Levitico - C. J. Jacinto

 




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A TEORIA DO BIG BANG E AS ESCRITURAS


 

Por que a explosão cósmica e a revelação de Gênesis não se reconciliam

Por C. J. Jacinto

 

Poucas ideias científicas conquistaram tanto espaço no imaginário moderno quanto a teoria do Big Bang. Ensinada nas escolas, repetida em documentários e aceita sem maiores questionamentos até mesmo por muitos cristãos, ela se tornou a explicação oficial para o começo de tudo. Neste artigo, quero examinar de onde essa teoria veio, o que ela de fato propõe e, principalmente, por que ela não se harmoniza com o que as Escrituras revelam sobre a criação.

Como nasceu a teoria

A história começa com Georges Lemaître, que sugeriu que o universo teria surgido a partir de um único ponto denso e quente, a que chamou de “átomo primordial” ou “ovo cósmico”. Para sustentar a proposta, ele recorreu às equações da Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, e procurou mostrar que o universo não é estático, mas se encontra em constante expansão.

A confirmação prática veio em 1929, quando o astrônomo norte-americano Edwin Hubble comprovou a expansão do universo ao observar que as galáxias estavam se afastando umas das outras. Já o nome pelo qual a teoria ficou conhecida surgiu em 1949, criado pelo astrônomo britânico Fred Hoyle. Curiosamente, ele o empregou de forma irônica, durante um programa de rádio, justamente porque defendia outra ideia sobre a origem do universo.

Uma ideia parente da emanação

Confesso que considero a proposta de Lemaître muito próxima da ideia de emanação, defendida pela cabala mística judaica. Segundo essa doutrina, todo o universo seria uma emanação do próprio Deus, e essa concepção recebe o nome de monismo. Em ambos os casos, tudo procede de uma única fonte concentrada, e não de um ato criador deliberado de um Deus pessoal que existe à parte da sua criação.

Há ainda outro ponto relevante. Assim como Teilhard de Chardin, Lemaître tentou reconciliar a teologia católica com o cientificismo que avançava em sua época, causando impacto sobre a leitura literal do livro de Gênesis.

O que diz a teoria e o que ela não consegue explicar

De acordo com o Big Bang, há cerca de 13,8 bilhões de anos o universo, concentrado em um minúsculo ponto que continha toda a matéria, explodiu e depois resfriou enquanto se expandia. Em seguida, reações foram desencadeadas e interligadas, criando as primeiras estrelas, as galáxias e tudo o que vemos hoje.

Mas há uma pergunta que a teoria deixa em aberto: de onde veio esse minúsculo ponto? Ninguém parece saber. Alguns dizem que ele sempre existiu. Outros afirmam que ele seria o resultado do colapso de um universo anterior, o que implicaria que a matéria é eterna. Essa saída, porém, esbarra no nosso conhecimento da física, especificamente na segunda lei da termodinâmica. Simplificando, o universo não é eterno no passado, nem será eterno no futuro. Diante desse impasse, alguns, com considerável audácia, chegaram ao ponto de declarar que a matéria surgiu do nada.

Uma coisa é certa: é preciso abandonar o bom senso para aceitar especulações tão incompreensíveis. Na minha avaliação, nenhuma delas tem credibilidade científica ou bíblica. O Big Bang é ficção científica.

Gênesis 1:1 e o verdadeiro agente da criação

Enquanto isso, o primeiro versículo da Bíblia traz uma declaração surpreendentemente avançada sobre a origem do cosmos. Qualquer pessoa inteligente entende que o universo é composto de espaço, matéria, energia e tempo. Pois bem: Moisés, inspirado pelo Espírito Santo, nos revela quem deu início a esse começo. Deus é o agente da criação.

“No princípio (tempo) criou (energia) Deus (o agente) os céus (espaço) e a terra (matéria)”.

Lemaître e, depois dele, os profetas do cientificismo apenas substituíram o agente da criação. Excluíram Deus e, no lugar dele, colocaram uma espécie de potência molecular que concentrava todas as coisas num único ponto e que, por um suposto princípio de ignição, “explodiu”, expandindo o universo e organizando todas as coisas.

A ordem não nasce do caos

O cenário do Big Bang especula que um universo maravilhosamente ordenado surgiu de forma aleatória a partir de uma explosão gigantesca, um verdadeiro holocausto cósmico. No entanto, nunca se observou uma explosão caótica produzindo uma ordem complexa que funcione com um propósito. Em outras palavras, a explosão de uma impressora não produz uma enciclopédia. Um tornado que atinge um ferro-velho não monta um Boeing 747. Nenhuma construtora reúne materiais em um ponto e os explode esperando que o resultado seja um prédio. A ideia é absurda, não é? Além disso, os evolucionistas não conseguem apontar nenhum mecanismo que permita ao universo começar em um estado arbitrário e depois evoluir para o seu atual estado altamente ordenado.

Há também a questão do movimento. Se o Big Bang fosse real, seria de esperar que toda a energia tivesse sido expelida radialmente para fora do centro da explosão, de acordo com o princípio do momento angular. Não esperaríamos que o universo fosse caracterizado pelos movimentos orbitais curvos que observamos por toda parte, como a revolução da Terra em torno do Sol.

O mesmo vale para a radiação de micro-ondas, que se acredita ser o calor residual do Big Bang. Ao tentar medi-la, os cientistas encontraram uma uniformidade surpreendente, que não condiz com os vazios e as galáxias presentes num universo tão irregular. Deveria haver uma correlação entre a composição material do universo, que emite calor, e a temperatura da radiação correspondente, mas não é isso que acontece. A diferença de temperatura detectada foi de cerca de 30 milionésimos de grau, o que levou mais de um cientista a questionar se os instrumentos usados são sensíveis o bastante.

Se as teorias naturalistas lutam para sobreviver e, na minha visão, não há evidências do Big Bang, por que tantas pessoas religiosas aderiram às teorias da evolução em vez de crer na palavra sagrada de Deus?

A Bíblia e o Big Bang: existe concordância?

Existe alguma concordância entre a revelação de Deus em Gênesis e o modelo do Big Bang? Não, não há. E pessoas informadas de ambos os lados da questão estão cientes desse fato. A Bíblia não apoia a teoria do Big Bang, e o modelo do Big Bang contradiz a revelação de Deus em sua Palavra.

A Bíblia afirma que todo o universo, incluindo a Terra com seus diversos organismos biológicos, surgiu durante os seis dias literais da semana da criação (cf. Gênesis 1; Êxodo 20:11). A teoria do Big Bang, em contraste, postula eras de tempo. Além disso, a Escritura afirma repetidamente que a humanidade existe desde o início da criação (cf. Isaías 40:21; Marcos 10:6; Lucas 11:50; Romanos 1:20).

A Bíblia registra uma antiguidade humana que remonta a alguns milhares de anos antes de Cristo, como evidenciam os registros genealógicos da ancestralidade do Senhor desde Adão, o primeiro homem (1 Coríntios 15:45).

Pense bem nisso. São cerca de dois mil anos desde o presente até Jesus Cristo, outros dois mil anos até Abraão e vinte gerações entre Abraão e Adão (cf. Lucas 3:23-38). Mesmo que admitamos algumas pequenas lacunas na narrativa do Antigo Testamento (cf. Gênesis 11:12; Lucas 3:35-36), nenhum estudante reverente e responsável da Bíblia tentaria encaixar 20 bilhões de anos nessas 20 gerações. Em resumo, de acordo com o testemunho de Deus na Bíblia, o universo não pode ter bilhões de anos.

Conclusão

Em minha convicção, a teoria do Big Bang carece de validade científica e bíblica. Ela não encontra respaldo na ciência genuína (cf. 1 Timóteo 6:20) nem na exegese bíblica responsável (cf. 2 Timóteo 2:15). Não foi uma partícula de potências concentradas num ponto ínfimo que deu origem a tudo. Foi a palavra de ordem de Deus que criou todas as coisas: “E disse Deus: haja…”. Toda a Escritura atesta isso (cf. Isaías 44:24; Salmos 33:6; Neemias 9:6; João 1:3; Colossenses 1:16-17; Apocalipse 4:11, entre outros textos).

Concordamos, pela primeira vez, com vários evolucionistas quando afirmam que o modelo do Big Bang e a Bíblia são irreconciliáveis. Embora saibamos que “pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê não foi feito do que é visível” (Hebreus 11:3), também sabemos que a evolução cósmica, tal como expressa no modelo do Big Bang, é uma fraude.

Autor: C. J. Jacinto

Blog: heresiolandia.blogspot.com

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