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Escritos Espirituais de um Profeta Solitário
Cristo Não Está Associado a Mitra
Por
que a comparação entre Jesus e o deus romano Mitra não resiste a uma análise
séria da história
Se você navega há algum
tempo por debates sobre religião na internet, provavelmente já esbarrou em
alguma versão desta afirmação: "Jesus é apenas uma cópia de deuses pagãos
mais antigos, como Mitra". A ideia costuma vir acompanhada de uma lista
impressionante de coincidências — nascimento virginal, doze discípulos, morte e
ressurreição, uma refeição sagrada com pão e vinho — como se o cristianismo
tivesse simplesmente copiado e colado a biografia de um deus persa e trocado o
nome para Jesus.
O argumento soa poderoso
à primeira vista, justamente porque poucas pessoas têm tempo ou acesso às
fontes primárias para verificá-lo. E é exatamente aí que mora o problema:
quando alguém efetivamente vai aos documentos históricos e à arqueologia, a tal
semelhança entre Cristo e Mitra desmorona peça por peça.
Este texto foi escrito
para isso: apresentar, de forma clara e acessível, por que a tese de que
"Cristo é uma versão remodelada de Mitra" não se sustenta
historicamente — e por que, quando existe alguma influência entre as duas
tradições, ela provavelmente correu no sentido inverso ao que os críticos do
cristianismo costumam sugerir.
Antes de entrarmos no
mitraísmo propriamente dito, vale entender o contexto maior em que essa comparação
costuma aparecer. Há um esforço antigo e persistente para desacreditar a pessoa
de Cristo e a mensagem do evangelho, que geralmente segue duas frentes.
A primeira tenta atacar
diretamente as evidências históricas de Jesus e a confiabilidade do Novo
Testamento. Quando essa linha de ataque não convence — e ela raramente
convence, dado o volume de evidências históricas, arqueológicas e documentais a
favor da existência de Jesus —, os críticos partem para teorias mais criativas,
algumas chegando a níveis bastante exóticos. Livros que exploram essas teses
vendem bem, o que só reforça o quanto esse tipo de conteúdo sensacionalista
encontra público disposto a comprar afirmações extraordinárias sem exigir
evidências à altura.
Dentro dessa segunda
frente, a tentativa mais radical não é apenas questionar detalhes da vida de
Jesus, mas negar que ele tenha existido como pessoa histórica. Segundo essa
visão, os autores do Novo Testamento teriam pegado elementos de religiões de
mistério da época e costurado uma história fictícia em torno de um
"messias mítico". E, entre todas as religiões citadas nesse tipo de
argumento, o mitraísmo romano é, de longe, a favorita dos críticos.
Aqui já começa o primeiro
grande problema para quem defende a tese da cópia: não sobrou nenhum texto
sagrado escrito pelos próprios mitraístas. Tudo o que sabemos vem de duas
fontes indiretas — relatos de autores de fora do culto (muitas vezes
tendenciosos ou mal informados) e os vestígios arqueológicos deixados pelos
templos mitraicos, espalhados por boa parte do antigo Império Romano.
Esses templos costumam
ter formato de caverna e trazem, quase sempre, a mesma cena central: o deus
Mitra matando um touro. O culto era exclusivamente masculino, e seus membros
compartilhavam refeições rituais que simbolizavam, de alguma forma, o sangue e
o corpo do animal sacrificado.
É a partir desses
vestígios arqueológicos — interpretados, às vezes, de maneira bastante livre —
que surgem as afirmações de que Mitra teria nascido de uma virgem em 25 de
dezembro dentro de uma caverna, teria tido doze discípulos e teria ressuscitado
três dias após ser sepultado. A lista de "coincidências" é longa e,
confessemos, impressionante à primeira leitura. O problema é que quase nada dela
resiste a uma checagem cuidadosa das fontes.
Todo o argumento de que o
cristianismo copiou o mitraísmo depende de uma premissa simples: a de que o
mitraísmo é mais antigo que o cristianismo. Se essa premissa cair, o argumento
inteiro cai junto — e é exatamente isso que acontece quando olhamos para a
pesquisa acadêmica mais recente sobre o tema.
Durante décadas,
praticamente tudo o que se sabia sobre o mitraísmo vinha de um único estudioso,
o belga Franz Cumont, que dominou o campo do fim do século XIX até meados do
século XX. Cumont defendia que existia um único culto a Mitra, contínuo e
praticamente inalterado, desde sua origem no Irã antigo até a versão praticada
em Roma séculos depois.
O problema é que essa
visão está ultrapassada há mais de cem anos. É verdade que existia um deus
iraniano chamado Mitra, com registros que remontam a cerca de 1400 a.C. Mas
esse Mitra persa tinha pouquíssimo em comum com o deus romano do mesmo nome,
além do nome parecido e de alguma ligação com o sol — algo, aliás, comum a
muitos deuses da Antiguidade. E há um detalhe decisivo: não existe nenhuma
evidência de que o Mitra iraniano tenha matado um touro, justamente a cena que
define e identifica o Mitra romano em toda a sua iconografia.
Quando os principais
especialistas mundiais em mitraísmo se reuniram no início da década de 1970, no
Primeiro Congresso Internacional de Estudos Mitraicos, o consenso que emergiu
foi outro: os romanos simplesmente pegaram emprestado o nome de um antigo deus
iraniano e alguns detalhes periféricos, e construíram, a partir disso, uma
religião essencialmente nova, com características próprias.
Na prática, isso
significa que existem duas religiões distintas que compartilham apenas o nome
"Mitra": uma antiga e persa, outra tardia e romana. E essa distinção
resolve boa parte do debate.
Uma vez que separamos
essas duas tradições, duas conclusões ficam evidentes. A primeira é que não
existem semelhanças relevantes entre o mitraísmo iraniano antigo e o
cristianismo — a fonte mais antiga simplesmente não tem o que se compararia à
história de Jesus.
A segunda conclusão é
ainda mais decisiva: mesmo as semelhanças que existem entre o mitraísmo romano
e o cristianismo perdem toda a força como argumento, porque essa versão romana
do culto só se consolidou bem depois do surgimento do cristianismo.
O caminho histórico do
mitraísmo ajuda a entender isso. O culto a Mitra foi se espalhando gradualmente
da Pérsia em direção ao Ocidente após as conquistas de Alexandre, o Grande,
absorvendo pelo caminho elementos de outras tradições — como práticas do culto
frígio a Átis e Cibele, na Ásia Menor, e simbolismo astrológico originado na
Grécia. A primeira representação conhecida de Mitra como "matador de
touro" surge em Pérgamo, já no século II a.C., época em que o culto pode
ter chegado aos romanos por meio dos piratas da Cilícia.
Mas a primeira referência
concreta ao culto romano de Mitra só aparece nos escritos do poeta Estácio, por
volta do ano 80 d.C. — ou seja, décadas depois do surgimento do cristianismo. E
não existe nenhum vestígio arqueológico do mitraísmo romano anterior a esse
período. Em outras palavras: a forma de mitraísmo que apresenta semelhanças com
o cristianismo é justamente a que não tem registro algum antes do próprio
cristianismo já existir. Se houve cópia de um lado para o outro, a direção mais
plausível é o contrário do que costuma ser afirmado.
Mesmo deixando de lado a
questão cronológica por um instante, vale examinar os próprios paralelos
citados com tanta frequência — porque, quando observados de perto, eles se
revelam bem menos impressionantes do que parecem em memes e vídeos rápidos da
internet.
Comece pelo nascimento.
Diz-se que Mitra "nasceu de uma virgem", muitas vezes na presença de
pastores, como se fosse um espelho da narrativa do Natal. Mas as evidências
arqueológicas — que datam de cerca de um século depois do período do Novo Testamento
— mostram algo bem diferente: Mitra teria surgido já adulto, brotando de uma
rocha sólida, e os pastores apenas o ajudaram a se libertar quando ele ficou
preso na pedra. Isso está a anos-luz do relato do nascimento de Jesus como
bebê, de uma mulher, em Belém.
Quanto à data de 25 de
dezembro, mesmo que Mitra tivesse alguma associação com esse dia, isso não
abalaria em nada a historicidade de Jesus — porque a Bíblia nunca afirma que
Jesus nasceu em 25 de dezembro. Essa data foi escolhida séculos depois pelos
cristãos, como parte de uma estratégia mais ampla de substituir festividades
pagãs por celebrações cristãs, não como uma tentativa de imitar Mitra.
E a famosa "morte e
ressurreição" de Mitra? Aqui a base é ainda mais frágil: a única fonte que
menciona algo nesse sentido é o escritor cristão Tertuliano, já no final do
século II, que comenta vagamente uma "imagem de ressurreição"
associada ao culto. Mas o próprio Mitra, segundo os registros, não é quem
ressuscita dos mortos. É difícil construir um paralelo sólido sobre uma menção
tão vaga e tardia.
Por fim, a refeição
ritual dos mitraístas, com elementos que lembram o "sangue e o corpo"
de um sacrifício, costuma ser apontada como precursora da Eucaristia cristã.
Mas refeições rituais compartilhadas são um elemento comum a inúmeras religiões
ao redor do mundo, em épocas e culturas completamente diferentes. A simples
existência de uma refeição simbólica não é evidência de que uma tradição copiou
a outra — é apenas evidência de que seres humanos, em contextos religiosos
diversos, tendem a criar rituais parecidos de forma independente.
Há ainda uma diferença
fundamental, quase sempre esquecida nesse debate: o tipo de texto que sustenta
cada tradição. A história de Mitra pertence à categoria de mito de criação —
uma narrativa simbólica, sem pretensão de registrar acontecimentos
verificáveis. Os Evangelhos, por outro lado, se encaixam no gênero da biografia
histórica antiga, com referências a lugares, datas, autoridades políticas e
testemunhas que poderiam, em tese, ser verificadas por seus contemporâneos.
Essa diferença de gênero
literário não é um detalhe técnico sem importância: ela mostra que os primeiros
cristãos não estavam compondo uma lenda simbólica ao estilo dos mitos de
criação greco-romanos, mas registrando o relato de uma vida concreta, apoiado
em testemunhas oculares que continuaram vivas — e continuaram contando o que
viram — por décadas depois dos eventos.
Mitra nunca existiu como
figura histórica; é, por definição, uma personagem mítica. Jesus, ao contrário,
teve seguidores reais que se tornaram fontes primárias da tradição registrada
no Novo Testamento. E o sentido teológico de cada narrativa também diverge por
completo: Mitra "salva" o mundo matando um touro em um mito cósmico;
Jesus, segundo o evangelho, oferece a própria vida em sacrifício para expiar o
pecado humano. São categorias de história e de significado que simplesmente não
se equivalem.
Quando se examina com
cuidado cada ponto da comparação — cronologia, fontes, conteúdo dos relatos e
gênero literário —, a tese de que o cristianismo copiou o mitraísmo perde toda
a sustentação. Os paralelos genuínos são poucos e genéricos demais para indicar
cópia; os paralelos mais chamativos, como o nascimento virgem ou a
ressurreição, simplesmente não existem nas fontes da forma como costumam ser
apresentados nas redes sociais.
No fim das contas, a
ideia de que "Cristo é uma versão remodelada de Mitra" se apoia numa
base acadêmica já superada há mais de um século — a obra de Cumont — somada a
uma leitura seletiva e, muitas vezes, distorcida da arqueologia mitraica. É uma
teoria que soa sofisticada à primeira vista, mas que não sobrevive a um
encontro honesto com as fontes históricas.
Cristo não está associado
a Mitra. E quanto mais se investiga a fundo essa comparação, mais evidente fica
que os verdadeiros paralelos, quando existem, apontam na direção oposta à que
os críticos do cristianismo gostariam.
Texto
elaborado com base em conteúdo apologético sobre mitraísmo e cristianismo
primitivo, com anotações pessoais feitas por C. J. Jacinto e com referências ao
artigo original disponível em
truthaccordingtoscripture.com.
O encontro de Jesus com a mulher
samaritana junto ao Poço de Jacó, em Sicar, possui um significado espiritual
profundo e transformador. Historicamente, este poço representava o legado de
Jacó e sua família, ancestrais das doze tribos de Israel; para eles, aquela
fonte não era apenas um símbolo de sustento e prosperidade, mas um elemento
essencial para a sobrevivência.
Conforme narrado no Evangelho de João,
capítulo 4, versículos 19 a 23, a mulher samaritana, ao reconhecer a natureza
profética de Jesus, questionou-o sobre a divergência entre os locais de
adoração: o Monte Gerizim, onde seus antepassados adoravam, e Jerusalém,
indicado pelos judeus. Jesus respondeu-lhe: "Mulher, acredita-me, a hora
vem em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que
não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em
espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem."
Ao analisarmos o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, identificamos que o
tema central é a adoração. Trata-se de uma adoração fundamentada no
conhecimento, pautada pela sobriedade e pelo discernimento, conforme nos
orienta o Novo Testamento. As Escrituras, ao narrarem a prática dos apóstolos e
a reunião da igreja primitiva desde o livro de Atos, estabelecem o Senhor Jesus
Cristo como o centro absoluto da adoração.
Não há, em todo o Novo Testamento,
qualquer registro de culto ou veneração dirigido a outros personagens, sejam
discípulos ou figuras como Maria. Tal prática é inexistente na igreja
estabelecida e liderada pelos apóstolos, os quais nem a praticaram, nem a
ensinaram.
À luz dessas evidências, compreendemos que a verdadeira adoração, em espírito e
em verdade, consiste em adorar ao Pai, por meio de Jesus Cristo e sob a ação do
Espírito Santo. Ao lermos o Novo Testamento com abertura e reconhecendo-o como
a autoridade máxima para definir nossa vida e devoção, identificamos a essência
do cristianismo: a verdade absoluta de que todo o texto neotestamentário é
profundamente cristocêntrico. Ao examinarmos o Evangelho de João, capítulo 14,
versículo 6, observamos a declaração de Jesus: “Ninguém vem ao Pai, a não ser
por mim”. Este versículo estabelece o papel de Cristo como o único Mediador — o
pontífice que restaura a conexão entre a humanidade e Deus. Portanto, não se deve
atribuir a outrem a função de ponte ou intercessor para alcançar o Criador de
forma concreta. Ao proferir tais palavras, Jesus manifesta um caráter de
exclusividade. Ele afirma, de maneira explícita e direta, a impossibilidade de
acesso ao Pai por qualquer outro meio. Sendo Cristo o único caminho capaz de
reconciliar o homem pecador à presença divina, compreendemos que a totalidade
da vida espiritual depende deste relacionamento: Jesus não apenas nos conduz ao
Pai, mas é Ele próprio o caminho que viabiliza essa comunhão.
A nossa compreensão fundamenta-se no ensinamento bíblico de que Cristo é o
nosso único mediador. Sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Ele possui a
prerrogativa de assentar-se à destra do Pai e interceder por cada um de nós,
verdade esta que é ratificada em cada página do Novo Testamento.
Consequentemente, rejeitar o testemunho do Espírito Santo a esse respeito
equivale a atribuir-Lhe falsidade. Ademais, ao negar a autoridade do Espírito
Santo, manifesta nas Sagradas Escrituras — especialmente no que tange à
exclusividade de Cristo como nosso único e divino mediador —, incorre-se em um
grave erro. Somente Ele possui tal capacidade, por ser, simultaneamente,
verdadeiro Deus e verdadeiro homem, conforme atestam diversos trechos bíblicos,
com destaque para o Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6. Aqueles que
renegam essa verdade e não pautam sua vida por ela acabam por atribuir ao
Espírito Santo a pecha de mentiroso; tal postura, portanto, configura uma
blasfêmia equiparável à obra do próprio pai da mentira. Ao erigir imagens e
santuários em veneração a Maria, os católicos adotam práticas que, sob uma
perspectiva bíblica, carecem de respaldo nas Escrituras. Não há, no Novo
Testamento, mandamentos de Cristo ou orientações apostólicas que legitimem tal
conduta. Essa prática conduz o fiel não apenas à prostração diante de imagens
de escultura, mas à reverência excessiva a uma criatura, que as Escrituras
definem estritamente como serva. Existe, portanto, uma distinção entre a Maria
bíblica, reconhecida por sua humildade, e a figura consolidada pela tradição
católica, à qual são atribuídos títulos como "Rainha dos Céus",
"Mediadora" e "Corredentora". Tais designações induzem os
fiéis a atos de invocação, súplica e prostração, gestos que se assemelham ao
culto prestado a divindades pagãs.
A própria Bíblia de Jerusalém, ao descrever a
veneração à deusa Diana pelos efésios, evidencia que, no contexto litúrgico e
ritualístico, os termos "venerar" e "adorar" convergem para
o mesmo propósito. Conclui-se, por essa análise, que a veneração a entidades ou
imagens, quando inserida em um rito de culto, configura-se como prática de
idolatria.
Ao analisar a história do paganismo e das religiões idólatras — como o
hinduísmo, as antigas práticas egípcias e as tradições que circundavam o antigo
Israel —, observamos a utilização recorrente de estatuetas. Tais objetos eram
reverenciados como divindades, protetores e patronos, servindo como
intermediários entre os vivos e os mortos, aos quais se dirigiam súplicas e
diálogos. É possível notar a reintrodução e a adaptação desses conceitos dentro
do catolicismo romano, manifestando semelhanças que não podem ser ignoradas por
um observador atento. A Bíblia, de forma abrangente, posiciona-se frontalmente
contra tais práticas, caracterizando-as como uma falsa espiritualidade; o
apóstolo Paulo, inclusive, equipara o culto aos ídolos à adoração de demônios. Um
grande pensador católico e grande escritor francês, Jean-Claude Bourreau, em um
livro cujo título é Quem é Deus, publicado pela editora Vozes, na página 15,
afirmou, o cristianismo herdeiro do judaísmo dos profetas que derrubavam os
ídolos lutou durante muito tempo contra Baal, mas recuperou em grande dose esta
fé pagã. Podemos dizer que o próprio cristianismo foi repaganizado
Observa-se, com clareza, que muitos sacerdotes, líderes e apologistas católicos
têm omitido de seus fiéis a natureza real das práticas devocionais direcionadas
a Maria. Sustenta-se que o culto, as procissões e as orações prestadas a ela
seriam meramente uma forma de veneração, classificada pelo neologismo
"hiperdulia". Contudo, tal termo parece servir apenas como um
artifício para encobrir a verdadeira natureza desses atos: a adoração. Não se
trata, portanto, apenas de uma homenagem à figura da Mãe de Deus ou de um culto
de honra.
No livro “A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas”, de Joseph Tissot (Editora
Quadrante), lemos na página 125 a seguinte declaração: "Por mais doentes
que estejamos, por mais desesperador que pareça o estado da nossa alma, se
quisermos curar-nos, Maria adotar-nos-á como seus doentes; e como não existe
doença espiritual que seja incurável nesta vida, e nenhuma pode resistir ao
tratamento da Todo-Poderosa Mãe de Deus, ela nos curará". Neste trecho, o
autor atribui a Maria o título de "Todo-Poderosa". Se tal qualidade lhe
é conferida, então também deve ser considerada uma divindade, incorre-se em uma
contradição lógica, pois ela é apenas uma criatura e serva. Ser “todo-poderosa”
incorre em ter onipotência, por definição, pressupõe também a onisciência e a
onipresença; portanto, ao conferir a Maria os atributos divinos, o catolicismo
confunde as fronteiras entre a criatura e o Criador. Se tal prática não for
caracterizada como idolatria, perde-se a própria definição de verdade.
Conclui-se, assim, que a doutrina católica propaga um equívoco, ao quais muitos
fiéis, por inocência, acabam por se submeter. A verdade é que a bíblia e os apóstolos
nunca atribuíram á Maria essas virtudes de onipotência, onipresença e onipotência,
pois sem esses atributos, ela nunca poder “Todo-poderosa” e isso nada mais é do
que uma blasfêmia. Qualquer pesquisador sério encontrará esses erros grotescos
na mariologia romanista.
Embora a figura de Maria seja digna de ser imitada por sua santidade e
plenitude, a super ênfase conferida à sua pessoa pelo romanismo carece de
fundamentação bíblica. Em nenhum momento as Escrituras — seja pelo ensino de
Jesus Cristo, da própria Maria ou dos apóstolos — determinaram a confecção de
imagens representativas, tampouco a prática de cultos, venerações ou preces
direcionadas a ela. Maria foi uma serva submissa, escolhida por Deus como
instrumento para a manifestação de Sua graça, poder e misericórdia, mas jamais
foi apresentada como o centro da devoção cristã. A centralidade deve pertencer
unicamente a Deus. Como nos recorda a passagem de Romanos 11:34-36: "Quem,
pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem deu
primeiro a ele para que lhe seja recompensado? Porque dele, por ele e para ele
são todas as coisas. A ele seja a glória eternamente. Amém." A glória
pertence exclusivamente a Deus, e não a Maria.
-- Revisado por Blip ViraTexto
[9/9 18:16] Clavio Jacinto: A Supremacia de Cristo em Filipenses
Muitos católicos desconhecem o que o apóstolo Paulo ensina em Filipenses
2:9-11 sobre a supremacia de Cristo — algo que é amplamente evidente em todo o
Novo Testamento. Nesses escritos, cada doutrina referente à devoção, à
esperança de salvação, à redenção e à via de intercessão é direcionada única e
exclusivamente a Cristo e ao seu senhorio:
"Por isso também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que é
sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão
nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus
Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai."
Nas Escrituras, esse papel é atribuído tão somente a Cristo. Não há uma única
passagem bíblica que oriente os fiéis a buscarem, implorarem, rezarem, se
prostrarem ou clamarem por Maria, tampouco a pedirem sua intercessão, a fazerem
esculturas para se prostrarem diante delas ou a realizarem cultos e procissões
em sua homenagem.
A Bíblia Sagrada é clara: todo joelho se dobrará e toda língua confessará que
Jesus Cristo é o Senhor. Ele, e somente Ele — e não a sua mãe.
Toda mensagem de cunho religioso ou
espiritual, e mesmo aquelas que não o são, possui duas dimensões distintas: ou
provém do Espírito Santo, que conduz o homem a toda a verdade, ou origina-se do
espírito do anticristo — o espírito do "eu", que atua desde a época
do apóstolo João até os nossos dias e perdurará até o fim dos tempos. Sendo a
missão desse espírito o engano universal, dispomos da luz do Espírito Santo,
manifesta pela Palavra de Deus. A Bíblia Sagrada, portanto, estabelece-se como
o baluarte de nossa segurança e como o critério absoluto para discernir entre a
verdade e a mentira, desde que as Escrituras sejam manejadas com a devida
retidão. A verdade é que todas as doutrinas, sermões, publicações e debates —
sejam conduzidos em ambientes informais, seminários, conferências bíblicas ou a
partir de púlpitos — devem ser submetidos ao crivo de todos os cristãos, a fim
de verificar se estão em conformidade com a verdade bíblica.
É imperativo que procedamos ao discernimento
dos espíritos, conforme nos orienta a Primeira Epístola de João (4:1):
"Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos procedem
de Deus, pois muitos falsos profetas têm surgido no mundo". Questiono-lhe,
portanto: tem você exercido o devido zelo diante das constantes advertências
que o Espírito Santo nos apresenta ao longo de todo o Novo Testamento? Não nos
é permitido adotar uma postura de indiferença quanto a este tema. Existe uma
proliferação de falsos profetas e o espírito do erro atua, de forma alarmante,
no próprio seio do cristianismo. Eles ocupam púlpitos, conduzem seminários e
utilizam a autoridade das Escrituras como pretexto para discursar. Sob a
pretensa égide do Espírito Santo, muitos desses homens propagam, na realidade,
a influência do espírito do erro.
Ao analisar a advertência do apóstolo Pedro em 2 Pedro 2:1-2, observamos a
declaração de que, assim como houve falsos profetas no meio do povo de Israel,
haverá igualmente falsos mestres no seio da igreja. Eles introduzirão, de
maneira sub-reptícia, heresias destruidoras, chegando a negar o próprio
Soberano que os resgatou, atraindo sobre si repentina destruição. Pedro
enfatiza que a presença desses falsos mestres entre os fiéis é análoga à
atuação dos falsos profetas na antiga aliança. A falta de discernimento
espiritual e de um conhecimento aprofundado das Escrituras pode tornar
imperceptível a presença desses indivíduos. É fundamental compreender que, ao
absorver ensinamentos de falsos profetas, o indivíduo ingere um
"veneno" espiritual; o contexto bíblico esclarece que tais doutrinas
são heresias de perdição. Como Paulo pontua ao mencionar Himeneu e Fileto,
ensinos dessa natureza corroem a fé como uma gangrena. Portanto, é imperativo
manter a máxima vigilância, pois tais heresias possuem um caráter destrutivo
que pode comprometer a integridade da sua vida espiritual. Conforme tenho
reiterado, a Bíblia serve ao cristão zeloso como um critério de discernimento
para provar a procedência dos espíritos e a veracidade de profecias. Como
realizar tal exame? Por meio da comparação das realidades espirituais com os
preceitos das Escrituras. É necessário analisar minuciosamente cada mensagem,
cotejando-a com a Palavra de Deus para aferir sua autenticidade, fundamentação
bíblica e saúde espiritual. A ausência de um exame rigoroso acerca do que
ouvimos ou lemos sobre questões religiosas facilita a infiltração de falsos
ensinamentos em nosso pensamento e em nosso coração. Infelizmente, muitas vezes
negligenciamos a responsabilidade de aplicar o conhecimento bíblico como o
filtro indispensável para a nossa fé.
Afirmo que devemos depositar nossa plena confiança na Palavra de Deus, e não em
novas revelações ou fenômenos espirituais. Não nos cabe confiar senão nas
Escrituras, visto que elas constituem a única fonte autêntica e segura de
revelação divina. Contudo, observamos hoje uma tendência generalizada de
abertura a diversas experiências espirituais, muitas vezes sem o devido
discernimento à luz dos critérios bíblicos. O exemplo dos bereianos, descritos
como nobres, é exemplar nesse sentido: eles não se limitaram a aceitar o ensino
de Paulo, mas diligenciaram em confrontar suas palavras com as Escrituras para
verificar a sua veracidade. Eles utilizaram a Bíblia como o único padrão de
validação, e creio que este deve ser, igualmente, o nosso critério fundamental
nos dias atuais.
Ao escrever aos coríntios, o apóstolo Paulo expressou profunda preocupação,
temendo que, assim como a serpente enganou Eva, a simplicidade da fé em Cristo
fosse corrompida entre eles. Se o apóstolo estivesse presente em nossos dias,
ele certamente reiteraria esse alerta. É evidente que o mundo espiritual caído
tem se utilizado de falsos profetas que, infiltrando-se na igreja, buscam
desviar os fiéis da verdade, propagando doutrinas destrutivas sob a fachada de
um evangelho distorcido. Esteja ciente, prezado leitor: você é alvo desse
ataque. Portanto, é imperativo que se apegue firmemente às Escrituras Sagradas,
mantendo-se sempre vigilante e cauteloso. Todo cristão que vive os últimos
tempos necessita de discernimento para compreender corretamente os
acontecimentos que nos cercam. A Bíblia, como Palavra de Deus, tem se cumprido
integralmente. Conforme registrado pelo apóstolo Paulo em 1 Timóteo 4:1, nos
últimos dias haveria uma grande apostasia e a infiltração de doutrinas
demoníacas. Observamos, na atualidade, uma profunda confusão espiritual:
elementos do misticismo e do ocultismo, bem como preceitos da Nova Era, têm
sido endossados por muitos líderes eclesiásticos. As Escrituras têm sido
distorcidas para fundamentar teologias espúrias, ao passo que o humanismo, o
modernismo e o liberalismo teológico se infiltraram nas instituições. Nota-se,
inclusive, a negação da historicidade do livro de Gênesis e a influência de
ideologias seculares em diversas traduções bíblicas modernas. Diante desse
cenário de apostasia, é imperativo que o cristão se firme integralmente na
Bíblia Sagrada. Somente nela encontraremos a luz necessária para identificar
erros doutrinários, discernir a atuação do espírito do erro e rejeitar, com
convicção, toda influência contrária à sã doutrina.
Em Efésios 4:14, o apóstolo Paulo adverte os cristãos de Éfeso para que não
sejam como infantes, agitados e levados de um lado para outro por qualquer
vento de doutrina, seduzidos pela astúcia de homens que, por meio de
artimanhas, disseminam heresias com o intuito de manipular aqueles que ainda
não estão firmados na fé. À luz dessa exortação, devemos compreender a
instrução registrada em 1 Pedro 2:2, que nos convoca a superar a imaturidade
espiritual. Não devemos ser como recém-nascidos, que, por sua ingenuidade,
aceitam indiscriminadamente todo tipo de ensinamento ou literatura. Pelo
contrário, somos chamados a alcançar a maturidade no entendimento, crescendo
continuamente na graça e no conhecimento de Cristo. Somente assim seremos
capazes de discernir entre o que provém do Espírito de Deus e o que procede do
espírito do erro, acolhendo o primeiro e rejeitando terminantemente o segundo.
Desde o princípio, conforme relatado no terceiro capítulo do Gênesis,
observa-se que o adversário corrompeu a humanidade ao distorcer a Palavra de
Deus. Ao negar a veracidade das Escrituras e induzir Eva ao erro, Satanás
inaugurou uma estratégia deliberada. Sua agenda consiste em corromper o mundo,
a igreja e o próprio indivíduo, centrando seus esforços na adulteração da
mensagem divina.
Para executar esse plano, ele se
vale de falsos profetas que, utilizando-se da terminologia cristã, deturpam as
Escrituras com o intuito de confundir e desviar os fiéis. Tais agentes, ao
agirem sob a alcunha de cristãos, geram escândalos que desacreditam o Evangelho
perante os incrédulos.
Diante desse cenário, torna-se
imperativo que o cristão esteja apto a manejar corretamente a palavra da
verdade. Isso requer um compromisso rigoroso com a interpretação bíblica sadia,
fundamentada em padrões doutrinários sólidos. É essencial que o fiel seja
criterioso ao selecionar fontes de edificação, utilizando traduções fiéis,
estudando literatura teológica de qualidade e atentando-se a pregadores
comprometidos com a exposição bíblica e a transmissão da sã doutrina. Conclui-se
que, em uma era marcada pela disseminação de falsidades e por uma apostasia
crescente, as verdades bíblicas fundamentais enfrentam ataques constantes.
Diante desse cenário, torna-se imperativo assumir um posicionamento inabalável
em defesa da sã doutrina e dos fundamentos da fé. Tal postura pode acarretar o
rompimento de relacionamentos, bem como suscitar sofrimento, perseguição,
críticas e desprezo por parte daqueles que corroboram o desvio doutrinário.
Todavia, como peregrinos, devemos permanecer firmes em nossa fidelidade ao
Senhor, tratando nossos absolutos como inegociáveis. É preferível caminhar na
integridade e na fidelidade a Deus do que seguir a multidão rumo à apostasia
que conduz ao abismo
A PROVIDENCIA SANTA DE DEUS SOBRE OS REDIMIDOS
C. J. Jacinto
Uma reflexão acerca de Romanos
8:28: "E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam
a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Este oráculo,
contido no oitavo capítulo da grandiosa epístola de Paulo aos Romanos,
constitui um profundo consolo. O versículo tem servido como uma fonte de
consolo do mártir em seus momentos de angústia, como cajado para sustentar as
mãos debilitadas do peregrino e como escudo para proteger o peito daqueles que,
na peleja espiritual, enfrentam o intenso calor da batalha.
O apóstolo Paulo inicia sua profunda consolação com uma nota de absoluta
certeza, a partir da qual podemos contemplar e compreender a sua declaração.
Ele não recorre a suposições, conjecturas ou ambiguidades; não há espaço para
possibilidades incertas ou meras expectativas. A gramática da fé, ao tratar do
caráter de Deus, não admite o modo subjuntivo, preferindo o indicativo: a
linguagem do conhecimento. Trata-se de uma convicção fundamentada em uma
percepção intuitiva e absoluta, uma verdade que transcende a nossa experiência
e os nossos sentimentos, alicerçada em uma fé inabalável. Paulo afirma:
"Sabemos".
Todavia, é imperativo que façamos uma pausa para um exame interior. Acaso
possuímos, de fato, tal certeza? Será esta uma verdade autoevidente à natureza
humana? Se consultarmos os registros da experiência humana, se indagarmos à
carne e ao sangue, a resposta será um inequívoco não. Quando a tempestade
investe contra o lar, quando o raio fere o cedro, quando a embarcação é naufragada
pelas ondas e o mundo parece ruir, pode o coração natural proclamar que tudo
isso contribui para o seu bem? Longe disso; o coração terreno, tal como Jacó
outrora, exclama: "Todas estas coisas são contra mim". O olhar do
sentido humano percebe apenas a perda, a dor, a tragédia, o sofrimento e a
desventura. Contudo, o cristão que deposita sua confiança no Senhor transcende
essa visão limitada.
O conhecimento de Paulo repousa sobre um fundamento inabalável: o caráter de
Deus. Como aqueles que amam ao Senhor, compreendemos a Sua natureza e as Suas
promessas. Reconhecemos que Ele é o Pai Todo-Poderoso e onipotente, cuja
sabedoria é infinita e cujo amor é imutável. Pela Sua onisciência, Deus detém o
pleno conhecimento do que é melhor para nós; Ele é o soberano regente de nossa
existência e de nosso destino. Confiantes no Seu amor incondicional e no Seu
controle absoluto sobre todas as coisas, compreendemos que a Sua onipotência
atua em nosso favor. Sendo Ele capaz de efetuar o que é mais excelente para
cada um de nós, temos a convicção de que os resultados de Sua providência
conduzem, inevitavelmente, ao supremo bem. A expressão "aqueles que são
chamados segundo o seu propósito" refere-se aos redimidos, adquiridos pelo
sangue do Redentor. A arquitetura deste versículo nos oferece a garantia de uma
perspectiva divina que transcende o tempo presente, estendendo-se à eternidade.
Trata-se de uma visão celestial, de plenitude e convergência. Deus estabeleceu
um desígnio soberano para cada um dos que chamou, propósito este que a própria
redenção ratifica. Conforme o capítulo 1, versículo 10, da Epístola aos
Efésios, caminhamos em direção à plenitude dos tempos, rumo à visão beatífica
na qual todas as promessas do Senhor serão consumadas, alcançando o ápice de
nossa existência. O coração de Deus e o exercício de Sua vontade repousam sobre
aqueles a quem Ele ama; por conseguinte, aquele que ama a Deus deve manter o
seu coração inteiramente voltado às Suas promessas. O texto em análise funciona
como uma janela que se abre, permitindo-nos contemplar a soberania de Deus e a
magnitude de Seu propósito sobre as nossas vidas.
A identificação daqueles que amam a Deus, conforme apresentada em Romanos 8:28,
refere-se aos redimidos, aos que atenderam ao chamado do Evangelho. Este
versículo estabelece uma doutrina fundamental: a responsabilidade humana. Somos
instruídos a amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma e de todo o
entendimento. Amar a Deus é uma escolha que nos cabe; é um exercício da nossa
livre vontade. Devemos, portanto, tomar uma decisão radical que esteja em
consonância com o propósito estabelecido pela soberania divina. Embora Deus
inicie, planeje e chame, cabe a nós responder. Essa resposta deve ser profunda
e deliberada, para que possamos experimentar o processo dinâmico da atuação de
Deus conforme o propósito que Ele determinou para nossas vidas desde a
eternidade. É imperativo que caminhemos continuamente nessa direção.
Todavia, um aspecto do versículo merece
atenção especial: a afirmação de que todas as coisas cooperam para o bem. Este
é um tema central e sublime, que deve ser objeto de profunda reflexão,
inclusive para o homem impiedoso. A providência divina, operando de maneira
invisível, faz com que todos os eventos concorram para o benefício daqueles que
são chamados. Trata-se de uma verdade magnífica, que requer nossa constante
meditação, visto que diz respeito à nossa própria existência. Em última
análise, a soberania de Deus assegura que todas as circunstâncias cooperem para
o nosso bem, não apenas nesta vida, mas também por toda a eternidade.
Podemos observar essa realidade na trajetória de José do Egito, que, após ser
vendido por seus irmãos e submetido à condição de escravo, enfrentou uma falsa
acusação que o levou ao cárcere. Mesmo cumprindo pena por um crime que não
cometeu, José manteve-se alicerçado nas promessas divinas. Sua fé inabalável
sustentava a convicção de que Deus permanecia no controle e de que todas as
circunstâncias cooperavam para um propósito maior. Essa confiança permitiu que
ele se mantivesse firme, mesmo diante de evidências contrárias. O mesmo se
aplica à experiência de Daniel. Ao ser retirado de sua pátria e levado à
Babilônia, ainda que a situação parecesse desoladora, o agir soberano de Deus
estava presente. Tanto a vida de José quanto a de Daniel revelam que o Senhor
utiliza as aflições como instrumentos para realizar Seus desígnios. Esses
relatos do Antigo Testamento, que transcendem o caráter histórico, evidenciam a
soberania divina sobre todas as circunstâncias. Consequentemente, a promessa
contida em Romanos 8:28 torna-se extraordinária ao analisarmos como grandes
homens de Deus superaram adversidades por meio da presença constante do
Criador. Dessa forma, todas as coisas revestem-se de um significado profundo e
absoluto, carregando um peso significativo de propósito, soberania e domínio
sobre cada fração de segundo, momento e circunstância. O apóstolo não exclui
aspecto algum, incluindo, antes, aflições, provações, adversidades,
perseguições, calamidades, enfermidades, obstáculos e tensões, entre outros
desafios. Na história dos santos, observamos como o Senhor intervém com sua
providência; embora seu processo possa parecer incompreensível em um primeiro
momento, o decorrer do tempo revela como Deus mantinha o controle, cumprindo
seu propósito e glorificando seu nome. Consideremos, agora, a trajetória de
Jonas. Teriam a tempestade e o seu subsequente lançamento ao mar ocorrido por
mero acaso? De modo algum; foi o Senhor quem enviou um forte vento sobre o
oceano, evidenciando Sua soberania. A aparição do grande peixe não foi um
evento fortuito, mas uma providência divina preparada para aquele momento. A
tempestade, o sorteio realizado pelos marinheiros, o grande peixe, a planta, o
verme e o vento oriental — todos esses elementos cooperaram para o bem de
Jonas. A tempestade serviu para despertar o profeta; o sorteio, para
identificá-lo; o peixe, para resgatá-lo; a planta, para confortá-lo; e o verme,
para humilhá-lo. Embora, sob a perspectiva de Jonas, a tempestade representasse
a destruição e o grande peixe, a morte iminente, Deus utilizou tais meios para
cumprir o Seu propósito. Esse desígnio não se restringiu à vida do profeta, mas
estendeu-se aos habitantes de Nínive, alcançando-os com a salvação e
afastando-os de sua profunda rebeldia.
Romanos 8:28 constitui, portanto, nossa
carta magna de esperança, preenchendo o vazio de nossos anseios diante da
glória futura. É imperativo compreender que não somos joguetes do destino nem
vítimas do acaso; repousamos sob a soberana e misericordiosa sabedoria de Deus.
Nesse sentido, entendemos que as aflições, perseguições, privações e as duras
lutas da vida — fatos que, por vezes, parecem contrariar nossas convicções —
nada mais são do que o justo governo divino sobre nossa existência. Devemos
aguardar com confiança, pois, no tempo oportuno, revelado será que os
propósitos de Deus sempre foram pautados pela sabedoria e justiça. Assim,
regozijar-nos-emos ao rememorar as tribulações enfrentadas durante nossa
peregrinação terrena. Tal qual a trajetória de José, desde a casa de Jacó até o
Egito, compreendemos que nenhuma dificuldade esteve fora do controle divino.
Deus tece, minuciosamente, a tapeçaria de seus desígnios, da qual somos fios
condutores; estamos inseridos neste grandioso monumento celestial que culminará
na consumação de todas as coisas.
Um Discurso
Proferido na Convenção para o Aprofundamento da Vida Espiritual, realizada em
Ontário, Canadá, na noite de quarta-feira, 26 de outubro de 1898.
A maioria das vidas cristãs
fracassa em bênçãos e poder por falta de um trato definitivo com Deus em três
pontos: (1) Consagração; (2) Purificação do pecado; (3) Fé apropriadora. Quando
a consagração é defeituosa, tentativa, irreal, então a negligência com os
pecados menores é habitual; não há mais a resposta de uma boa consciência, o
coração não é mantido limpo, a comunhão é impedida, o Espírito de Deus é
entristecido, o pulso espiritual bate fraco, a vitalidade espiritual é
diminuída. E enquanto a Palavra de Deus, e o testemunho de cristãos que vivem
na luz de Deus, trazem constantemente diante da fé as coisas mais preciosas
para serem tomadas, e enquanto há um desejo vago de ter essas coisas, não há um
ato definitivo de fé que se estenda para dizer: "Eu tomo agora", e
então dizer: "Eu Te agradeço que eu tenha." Há uma confiança real em
Deus para a salvação, mas não há adição instantânea feita pela fé apropriadora
aos tesouros de nossa riqueza espiritual. A vida cristã não é nutrida de dentro
de si mesma, mas de cima para baixo. As graças da vida espiritual nascem acima
e são enviadas para baixo. São exóticas a este mundo. Não crescem
espontaneamente neste clima. Não são indígenas nesta natureza. O crescimento
cristão, portanto, é um processo de recebimento incessante pela fé. As almas
mais receptivas são as melhor nutridas.
Quero falar-lhes sobre aquilo que é
fundamental em toda esta questão de bênção — sobre a Consagração. Isso pode
parecer um assunto batido, mas eu, pelo menos, estou fazendo a descoberta de
que é precisamente em terreno familiar que encontro o inesperado. Nossa própria
familiaridade com a letra das grandes passagens fecha nossos ouvidos para os
significados mais profundos delas.
Vamos voltar a Romanos 12:1-2:
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os
vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto
racional. E não vos conformeis com este mundo" — literalmente, não sejais
pressionados no molde deste mundo. Há um certo caminho do mundo e um certo
caminho do reino, e os sinais de mundanidade são facilmente discernidos, e os
sinais da vida do reino são facilmente discernidos. "Mas sede
transformados pela renovação da vossa mente", por aquele novo princípio de
vida dado por Deus, "para que experimenteis qual seja a boa, agradável e
perfeita vontade de Deus." Creio que o pensamento de Deus sobre a
consagração é expresso nos dois versículos, e não apenas no primeiro. Não vêem
como inevitavelmente, se devemos extrair a doutrina da consagração daquele
versículo, devemos chegar à vontade de Deus? Pois a consagração não é uma
cerimônia religiosa, não um mero ato passageiro para satisfazer alguma
inquietude de consciência. A consagração é a aceitação cordial e irrestrita da
vontade de Deus, e não podemos fazer isso até crermos que essa vontade é
"boa" e "perfeita" e, portanto, "agradável".
Agora olhem por um momento para aquele primeiro versículo. Eu o li por anos
como se fosse "Sacrifiquem os vossos corpos." Eu recuava da dor. Eu
sabia que sacrifício significava, no fundo do coração, morte. Eu queria viver,
não morrer. Ainda não tinha compreendido o princípio elementar da vida
vitoriosa, de que é necessário morrer antes de viver. Mas eu concebia a
exigência como sendo que eu sacrificasse meu corpo, e eu não sentia capacidade
para fazê-lo. Fiquei muito aliviado quando vi que a exortação não era para
sacrificar meu corpo, mas para "apresentá-lo" para o sacrifício.
A imagem é tirada da antiga
dispensação, onde todas estas coisas eram externas e cerimoniais; significando
coisas interiores, mas representando-as por sinais visíveis. O que fazia um
ofertante sob o sistema levítico? Ele trazia sua oferta ao sacerdote e o
sacerdote fazia o sacrifício. O ofertante dava a oferta ao sacerdote, como
representante de Deus. Isso coloca a questão em novo terreno. Certamente, não
pedimos nada melhor do que cair nas mãos do Cristo vivo; nada melhor do que Ele
tomar nossos corpos e fazer com eles o que Ele quiser. Sabemos que Ele fará a
vida sacrificial, mas alegremente entregamos toda a vida a Ele.
Agora, eu paro sobre isso por um
momento, pois aqui está uma distinção vital. Se eu devo sacrificar meu corpo,
certamente o farei de alguma maneira fanática e mórbida. Tornar-me-ei eremita,
ou monge, ou flagelante, ou santo do pilar, como São Simão Estilita. Encontrarei
a prova de que realmente estou sacrificando meu corpo ao contemplar sua
emaciação, ao abjurar os doces relacionamentos naturais, ao negar aos desejos
implantados por Deus seus meios de gratificação designados por Deus. Milhões de
almas sérias fizeram essas coisas. Mas se Cristo, como sacerdote, torna minha
vida sacrificial, será segundo o doce e salutar padrão dEle — isto é, será
sacrifício vicário; será por outros, não por mim mesmo.
O crescimento cristão é por uma
série de atos definitivos. Como, de fato, começa a vida cristã? Por um ato
definitivo — a apropriação de Cristo. Há mil coisas atraindo um pecador para
Cristo. Começou em casa e continuou na escola dominical e na Igreja; o pecado
entrou e a consciência despertou e começou a ferir; houve as persuasões da
prudência, e o jogo de todos os motivos que trazem os homens a Cristo. Mas
houve, finalmente, um passo a ser dado. Tivemos que receber Cristo como
Salvador nos termos oferecidos no Evangelho, e quando fizemos isso, estava
feito, e passamos para a salvação. Essa é a crise do pecador. Agora, assim como
há uma crise do pecador que o traz a Cristo para a salvação, assim há uma crise
do santo que o traz a Cristo para uma vida consagrada. Nós estragamos e
degradamos o pensamento com nossas intermináveis re-consagrações. A Bíblia não
sabe nada sobre re-consagração. A consagração não é algo que se trabalha pouco
a pouco. Pouco a pouco podemos chegar ao momento decisivo, mas então é um ato.
Nós a tornamos amplamente
cerimonial. Os queridos jovens por todo o mundo estão se
"consagrando" a cada mês. Eu frequentemente lhes pergunto se já está
feito. Você não corre atrás de um bonde depois que o pegou. Você não está sendo
regenerado novamente a cada mês. Alguém está consagrado ou não está; e todos esses
exercícios preliminares do coração e da consciência são valiosos apenas na
medida em que levam alguém ao ponto onde a apresentação definitiva do corpo é
feita. Pensem por um momento nos dois grandes tipos de consagração nas
Escrituras. A consagração do Templo para a posse de Deus e a consagração dos
sacerdotes para o serviço de Deus. Nesse aspecto, eram semelhantes, que, uma
vez feita, não era feita novamente.
Um sacerdote era sacerdote por
nascimento, mas não podia servir em suas funções sacerdotais até que o ato de
consagração fosse realizado. Assim, todos os que nascem na família de Deus são
sacerdotes por título, mas nem todos estão fazendo obra sacerdotal. A
consagração do sacerdote era um ato. Uma vez consagrado, ele podia ministrar.
Não raramente, após a consagração, ele se tornava contaminado, e suas funções
sacerdotais eram suspensas até que a contaminação fosse removida. O remédio não
era re-consagração, mas purificação.
Da mesma forma, o Templo, uma vez
dado à posse de Deus, era o Templo de Deus. Voltem comigo a 1 Reis, capítulo 8,
o relato da consagração do templo de Salomão. Marquem qual é o ato essencial.
Os sacerdotes tomam a arca. A arca é o tipo mais abrangente de Cristo no Antigo
Testamento; em seus materiais, conteúdo e usos, fala de maneira maravilhosa de
Cristo. Quando o tabernáculo foi feito, a arca foi construída primeiro, e tudo
o mais era acessório. Tipicamente, os sacerdotes tomaram Cristo. E como vão
consagrar o Templo? Levando Cristo para dentro dele. No sexto capítulo de 1
Coríntios, versículo 19, lemos que nossos corpos são templos. O que há de
significativo nisso? O Templo de Salomão era dividido em três partes: o pátio,
o lugar santo, o mais interior de todos — o Santo dos Santos. Segundo as
Escrituras, o homem é igualmente triplo: espírito, alma e corpo. O espírito do
homem é aquela parte dele que conhece; sua inteligência, "a candeia do
Senhor", é o santo dos santos. A alma — a sede da vontade, dos afetos, dos
apetites naturais, da vida do eu, é o lugar santo. O corpo, aquilo que é exterior,
é o pátio. O Templo foi modelado segundo Deus; o próprio homem é modelado
segundo Deus. O Templo era uma trindade; o homem é uma trindade; Deus é uma
trindade.
A consagração do Templo foi
realizada levando a arca para dentro dele. Os sacerdotes carregando a arca,
passaram pelo pátio; o pátio tornou-se de Deus; era o troná-Lo ali. Passaram
para o lugar santo, e significava a mesma coisa. Então para o santo dos santos,
e então o ato mais significante de todos, eles "tiraram as varas"
pelas quais a arca era carregada durante suas peregrinações. As varas nunca
deveriam ser tiradas enquanto Israel estava peregrinando. Tirar as varas,
portanto, era uma ação de finalidade. Eles não podiam fazer nada mais para
dizer que não iam movê-la mais. A arca ficaria ali. Eles não iam ter uma
reunião de "re-consagração". Salomão poderia ter dito: "Esta é
uma ocasião gloriosa; vamos repeti-la uma vez por ano, ou uma vez por
mês." Se isso tivesse sido feito, toda a glória e o significado teriam se
ido. Teria significado que o Templo ainda era deles; que eles tinham algo para
re-consagrar.
Se eu me entreguei verdadeiramente
a Deus, não tenho mais nada para dar. Não há nada mais paralisante para a vida
espiritual do que uma cerimônia da qual todo o significado se foi. Agora marquem
o que se seguiu. "E aconteceu que, quando os sacerdotes saíram do lugar
santo, a nuvem encheu a casa do Senhor; de tal maneira que os sacerdotes não
podiam permanecer ali para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do
Senhor tinha enchido a casa do Senhor." Quando eles "saíram", a
glória do Senhor entrou. Quando o corpo e a alma foram dados ao Senhor, quando
o espírito foi entregue à autoridade do Senhor, não mais para ser desregrado ou
centrado no eu; quando isso foi realmente feito, quando as varas foram tiradas,
então nós mesmos devemos sair, e quando o fazemos, o Espírito do Senhor enche a
casa. Nunca esquecerei uma palavra que ouvi aqui no Canadá uma vez de J. Hudson
Taylor. Foi esta: "Sabe, se Ele não é Senhor de tudo, Ele não é Senhor de nada."
Lembro-me de uma jovem dando um
testemunho em Portland, Maine, e ela ficava repetindo estas palavras: "É
Jesus e eu; é Jesus e eu", e seu pastor se inclinou e me disse: "Se
ela pudesse apenas conseguir 'só Jesus', ela poderia fazer tanto pelo Senhor,
mas é sempre 'Jesus e eu'."
A consagração é um ato definitivo,
e quando realmente realizada, significa isto: "Eu não tenho mais nenhum
título em mim mesmo; eu me entreguei ao Senhor, corpo, alma e espírito. Eu sou
do Senhor." Isso significa que seu corpo se move sempre em obediência ao
Senhor, que não há levantamento da vontade, que não há reafirmação da vida do
eu? Não, ainda não. Mas o Senhor está subjugando o território entregue a Si
mesmo. Eu o entreguei a Ele para que Ele o subjugue a Si mesmo. Não é de uma
vez que o corpo realiza qualquer ato bem. Meu filho [Noel Paul, 9 anos] está
aprendendo a escrever, e eu o faço copiar palavras de um título em caligrafia.
Ele está na fase da imitação. Ele tenta fazer o "a" igual ao modelo,
mas não é igual. Qual é o problema? Há alguma resistência ou relutância nele?
Não. Qual é, então, o problema? A mão ainda não aprendeu a obedecer ao que o
olho vê e a vontade manda. Quão irrazoável seria de minha parte esperar que ele
reproduzisse exatamente o modelo de uma vez! Agora o Senhor está disposto a ter
paciência inexaurível conosco, e devemos ter paciência com Ele enquanto Ele nos
está subjugando a Si mesmo. Certifiquem-se apenas de uma coisa, de que
realmente entregaram o templo a Ele, de que este é um ato sincero e final de
sua parte. Mantenham o olho no modelo, vejam o que Ele está tentando fazer e
deem-Lhe tempo. Rendam-se, essa é a coisa definitiva para nós fazermos. Vocês
estão dispostos a fazê-lo? Não é nosso "culto racional"? Paulo diz:
"Rogo-vos, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos
corpos, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional."
Vocês notaram que os capítulos 9,
10 e 11 de Romanos são um parêntese? No final do capítulo 8, Paulo suspende o
argumento para considerar um ponto, a saber, se tudo isso, até o final do
capítulo 8 é verdade, o que se deve dizer sobre Israel, e as promessas
distintivas de Deus a Israel? Ele responde a tudo isso nos capítulos 9-11.
Então, no início do capítulo 12, ele volta. Notem como o capítulo 8 termina, e
então passem para o início do 12. Por essas misericórdias maravilhosas, que
tomaram um miserável sob a sentença da lei, e o colocaram ao lado de Cristo em
uma união pessoal nunca a ser dissolvida, embora você esteja agora por pouco
tempo em um corpo mortal, eu rogo-vos, entreguem esse corpo a Cristo. Não é
razoável? Vocês o farão?
Deixem-me dar-lhes alguns testes.
Voltem a Lucas 14:25: "E iam com ele grandes multidões; e, voltando-se,
disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e
filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu
discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode
ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta
primeiro e calcula os gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não
aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos
os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a
edificar e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo à guerra contra outro
rei, não se assenta primeiro e consulta se com dez mil pode sair ao encontro do
que vem contra ele com vinte mil? E, se não puder, quando aquele ainda está
longe, lhe manda uma embaixada e pede condições de paz. Assim, pois, qualquer
de vós que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo."
Não temos aqui as condições da salvação de modo algum. A salvação é gratuita.
Custou a Cristo uma soma incalculável, mas não nos custa nada. Não custa nada
ser cristão. Mas custa tudo ser discípulo, isto é, um seguidor de Cristo em
conformidade com Sua vida e caráter. Vejam o que o discipulado envolve.
O reajuste de todos os
relacionamentos humanos com base na nova vida. Cristo não amava sua mãe? Ele
lhe deu um lar da Cruz. Mas quando sua mãe e seus irmãos estavam do lado de
fora e desejavam falar com Ele, para que o desviassem de Seu propósito de fazer
toda a vontade de Deus, Ele disse: "Quem é minha mãe, e quem são meus
irmãos?" e estendeu Suas mãos para Seus discípulos e disse: "Eis
minha mãe e meus irmãos." Cristo deve estar acima de tudo.
"Renunciar a tudo quanto
tem." Deve ele se desfazer de sua propriedade? Ele seria um mordomo infiel
se o fizesse. Como deve ele renunciar a ela? Transformá-la em um fundo de
confiança. "Eu não possuo mais esse dinheiro; eu sou um mordomo. Senhor,
quanto devo gastar com minha família e comigo mesmo? O que devo fazer com o
resto? O reajuste da propriedade, os relacionamentos com Cristo acima de tudo.
O que é tomar a cruz e segui-Lo? Há
apenas uma Cruz, a de Cristo. Levar a cruz significa que você vai pela Via
Dolorosa, até o lugar da caveira, e que estende suas mãos e deixa os cravos
atravessá-las. Significa ir à crucificação com Ele. Cristo não se crucificou a
Si mesmo, mas sofreu isso. Você Lhe dará seu corpo, sabendo que significa que
você não vive mais para si mesmo, mas para Aquele que morreu e ressurgiu? Não
passem por exercícios dolorosos. Eles são inúteis. Feliz e alegremente
"apresentem" os vossos corpos a Ele. Deixem que Ele torne a cruz real
em cada parte de sua vida.
Fonte: Scofield, C.I. The New Life
in Christ Jesus (Capítulo VIII — True Consecration), extraído do arquivo
digitalizado disponível em archive.org
e do Plymouth Brethren Archive.