ANÁTEMA: QUANDO A PERVERSÃO DO EVANGELHO ENGANA MULTIDÕES.
Em Gálatas, capítulo 1, versículos 8 e 9, o apóstolo Paulo adverte sobre a possibilidade da pregação e existência de um evangelho diferente daquele que ele pregou. No texto bíblico, observa-se que Paulo expressa sua advertência com vigor e veemência, utilizando um tom solene de alerta máximo. Ele declara: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregue outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema". No versículo seguinte, Paulo reitera essa declaração com igual intensidade, enfatizando a seriedade da advertência sobre a pregação de um evangelho falso.
Considerando a crise enfrentada pelas igrejas da
Galácia, notadamente um forte desvio de caráter doutrinário de grande
magnitude, o apóstolo Paulo expõe a gravidade da situação, considerando a
pregação de outro evangelho como algo a ser rejeitado e combatido. Qual era a
natureza dessa apostasia? Indivíduos procuravam integrar a lei mosaica ao
evangelho. Estes, conhecidos como judaizantes, cristãos de origem judaica,
infiltraram-se nas comunidades cristas da Galácia, disseminando a idéia
de que a fé em Cristo, embora necessária, não era suficiente.
A problemática residia na negação da obra consumada e perfeita de Cristo na
cruz, assim como da salvação unicamente pela graça, em detrimento das obras.
Este desafio, a ser enfrentado pelo apóstolo Paulo ao escrever às igrejas da
Galácia, não se restringiu à época da Reforma Protestante, como alguns poderiam
supor. O contexto da epístola aos Gálatas demonstra que essa realidade já se
manifestava, demandando a correção por meio da carta escrita às igrejas da
Galácia. A negação da justificação pela fé através da obra
consumada e perfeita e perfeita de Cristo na cruz estava sendo negada.
Eles caíram da graça!
Alguns indivíduos, adeptos de práticas judaicas, infiltraram-se nas comunidades cristãs, defendendo a necessidade de observar elementos da antiga aliança para alcançar a salvação. Eles disseminavam a idéia de que a circuncisão era obrigatória para os gentios convertidos, além de exigir a rigorosa observância da Torá e o cumprimento dos rituais cerimoniais prescritos no Antigo Testamento. Em essência, negavam a suficiência da obra redentora de Jesus Cristo na cruz.
Estes indivíduos demonstravam uma compreensão deficiente da distinção fundamental entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a antiga e a nova aliança. Contudo, o Evangelho estabelece essa clara diferenciação. Conforme registrado em João 1:17, "A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." Essa passagem demarca uma linha divisória. Aqueles que não discernem adequadamente essa divisão, confundindo lei e graça, correm o risco de incorrer em um sincretismo religioso e de repetir os erros da Igreja da Galácia.
Observe a precisão das palavras de Paulo. Em Gálatas, capítulo 1, versículo 7, Paulo acusa, ou seja, denuncia, a perversão desses judaizantes legalistas. Ele identifica essa mistura, esse desvio, como uma deturpação. No original, o termo significa distorcer, inverter o sentido de algo que é verdadeiro, isto é, do Evangelho genuíno. Não se trata de uma mensagem completamente diferente, mas de uma adulteração sutil, cujas consequências Paulo, no contexto da epístola, apresenta como graves, pois considera o resultado final dessa adulteração do Evangelho como uma condenação, um anátema.
Em outras epístolas, como em Romanos e Efésios,
Paulo enfatiza a salvação pela graça. Em Efésios, capítulo 2, versículo 8, ele
declara que a salvação é graça é concedida por meio da fé. O outro
evangelho que Paulo ataca e denuncia em Gálatas, contudo, inclui as obras
humanas como condição para a justificação e a salvação, adicionando algo ao
Evangelho da Graça. Em Gálatas, Paulo combate contra a ideia de que somos
justificados pela fé e, adicionalmente, pelas obras. Paulo denuncia essa
doutrina como um "outro evangelho", praticada pelos judaizantes e que
contaminou os galatas. Estes ensinavam que a fé em Cristo é necessária, mas a
salvação também depende das obras como complemento à obra de Jesus Cristo na
cruz. Essa era a mensagem dos judaizantes, e os gálatas estavam sucumbindo a
essa doutrina. Essa queda, semelhante à queda no Jardim do Éden, que foi uma
queda para a desobediência, é, em Gálatas, uma queda para um evangelho
diferente. Ambas as quedas acarretam consequências trágicas para os homens. Ao
defender que os cristãos convertidos deveriam ser circuncidados e observar as
leis e cerimônias do Antigo Testamento, esses falsos mestres ensinavam que a
obra de Cristo era incompleta e que a graça de Deus não era suficiente para a
justificação. Argumentavam que a redenção proporcionada pelo sacrifício de
Jesus Cristo na cruz do Calvário não era plena, tornando necessária a
contribuição humana através da observância da lei. Essa postura negava o
princípio da justificação pela fé, conforme revelado nas Escrituras,
especialmente no livro de Romanos Assim, promoviam uma doutrina que exigia a
combinação da fé em Cristo com as obras da lei, com o objetivo de anular a
separação entre a antiga e a nova aliança, conforme estabelecido em João 1:17.
Consequentemente, defendiam que a salvação dependia da circuncisão e da
observância das leis e cerimônias do Antigo Testamento, além da fé em Jesus
Cristo.
Ao analisar os capítulos 3 e 4 da Epístola aos Gálatas, percebemos que o
apóstolo critica severamente os legalistas, acusando-os de retornar às
ordenanças mosaicas. Essa postura representa um retrocesso, uma renúncia à
liberdade espiritual proporcionada por Cristo através do Evangelho, em favor de
uma nova forma de escravidão. A leitura atenta desses capítulos revela a
profunda preocupação de Paulo com a gravidade de se acrescentar obras como
requisitos para a salvação, como se a salvação dependesse da observância da lei.
Somos salvos pelo que Cristo fez na cruz e nao pelas obras feitas por homens
Essa ênfase nas obras, naquilo que o indivíduo deve fazer, implica em
considerar a obra de Cristo incompleta, tornando a salvação um mérito
compartilhado entre Cristo e os pecadores. Trata-se de um erro grave que
devemos evitar.
A compreensão do Evangelho revela que, em Cristo, há uma nova criação. É crucial, portanto, examinar como Paulo, em suas epístolas, aborda a questão central da regeneração. A palavra "regeneração" está intrinsecamente ligada aos ensinamentos de Cristo sobre o novo nascimento. Em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 17, Paulo declara que, se alguém está em Cristo, é nova criatura. A graça, assim, conduz à experiência da regeneração. Como resultado da justificação pela fé, aquele que crê em Cristo renasce pelo poder do Espírito Santo. Essa é a regeneração.
A compreensão do Evangelho revela que, em Cristo, há uma
nova criação. É crucial, portanto, examinar como Paulo, em suas epístolas,
aborda a questão central da regeneração. A palavra "regeneração" está
intrinsecamente ligada aos ensinamentos de Cristo sobre o novo nascimento. Em 2
Coríntios, capítulo 5, versículo 17, Paulo declara que, se alguém está em
Cristo, é nova criatura. A graça, assim, conduz à experiência da regeneração.
Como resultado da justificação pela fé, aquele que crê em Cristo renasce pelo
poder do Espírito Santo. Essa é a regeneração.
Em Efésios, capítulo 4, versículo 24, Paulo descreve as características
dessa nova criatura: ela é criada em verdadeira justiça e santidade. Surge,
então, a confusão gerada por certos judaizantes que argumentam que a graça sem
a lei conduz à libertinagem, enquanto a lei com a graça leva à obediência. Essa
perspectiva é totalmente equivocada, pois Paulo enfatiza que a nova criatura,
aquela que está em Cristo e que é regenerada, é uma criação divina, moldada em
verdadeira justiça e santidade debaixo da graça somente. A função da lei é
revelar o quanto o homem precisa da graça, a condenação da lei revela o quanto precisamos
de Cristo e do Evangelho. A natureza renovada do homem, santo e regenerado, é
inerentemente inclinada a cumprir a vontade de Deus e ter comunhão com Ele. A
dinâmica da salvação não reside na capacidade de cumprir a lei ou pratica de
boas obras e observação de cerimônias, mas de crer em Cristo como único e
suficiente Salvador (Atos 4:24). Crendo no Evangelho o homem pecador é
regenerado e a inclinação do novo homem, criado em verdadeira justiça e
santidade, é de realizar a vontade de Deus, guiado e orientado pelo Espírito
Santo. Pois aquele que não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo.
Romanos, capítulo 8 proclama a profundidade dessa realidade espiritual do homem regenerado, que é conduzido pelo Espírito Santo e possui o Espírito de Cristo. Assim, não são os preceitos da lei, mas a presença e o testemunho do Espírito Santo na vida do homem regenerado que o direcionam pelos caminhos da santidade. E assim chegamos numa plenitude de abundancia espiritual: o Fruto do Espírito (Gálatas 5:24).
Portanto, a análise revela que os princípios teológicos ensinados e defendidos por Paulo estão sendo transgredidos e ignorados pelos gálatas. O apóstolo Paulo fundamenta a rejeição, com a adoção a outro evangelho, e faz a denuncia com vigor, demonstrando zelo e compromisso com a mensagem da cruz e a centralidade da salvação pela graça e a justificação pela fé como base do verdadeiro Evangelho. A salvação não depende de obras humanas, conforme ele enfatiza em Gálatas 2:16. Igualmente crucial é a compreensão da cruz como evento escatológico decisivo, através do qual Cristo inaugurou a nova criação. Tentar mistura o suor fedorento do homem adâmico ao sangue precioso e divino de Cristo como complemento necessário para a conquista da salvação é um anátema! O retorno à lei, portanto, implica em negar esse fato. A unidade do evangelho em Cristo, conforme exposto em Gálatas 3:28, pode ser quebrada com a adição de elementos de religião que caducou adicionados ao Evangelho revelado no Novo Testamento, essas adições são perigosas, corrompem o Evangelho, pervertem a mensagem, as adições e o sincretismo fazem isso. Observações de dias, a crença na regeneração batismal, imposições legalistas, a superstição de que dar o dizimo, pregar que essas coisas são necessárias para a salvação é corromper o Evangelho. Os que pregam e defendem isso comprometem a integridade do Evangelho. Desse modo, extraímos uma aplicação espiritual que nos instrui e nos põe em estado de alerta: Qualquer sistema que promova a salvação por fé e obras, fé e rituais sacramentais obrigatórios, observações de dias e outras observâncias legalistas, supersticiosas incorre em grave erro, sendo veementemente condenado por Paulo. (Por favor leia atentamente todo o Capitulo 3 da Segunda Carta de Paulo ao Corintios, capitulo 3 para discernir espiritualmente a superioridade da Nova Aliança sobre a Antiga, sugiro também que o leitor faça uma leitura cuidadosa e profunda do livro de Hebreus) Em suma, entendo que a lei não contém em si, a provisão divina para o perdão dos pecados, nem a lei, nem ordenanças religiosas, nem cerimônias, nem sacramentos, essa é uma providencia absolutamente divina e é oferecida aos homens por intermédio de Cristo somente. Fora de Cristo não há salvação e Cristo através de Sua Obra Redentora na cruz oferece tudo o que o homem precisa para se salvar.
É essencial, portanto, compreender que o Evangelho nos conduz à liberdade espiritual e a uma experiência singular na revelação progressiva das Escrituras. Devemos distinguir entre o jugo pesado da lei e o jugo suave de Cristo, entre o ministério da morte da lei e a vida abundante de Cristo. Mas contudo jamais devemos perder a direção que nos aponta a graça salvadora de Deus, pois ela nos ensina, e não obriga, que o cristão bíblico deve renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas para viver no presente século com discernimento espiritual (Leia Tito 2:11 a 15)
O Evangelho autêntico, central na fé cristã bíblica, apresenta Jesus Cristo
como o único e suficiente meio para a salvação. Sua obra foi perfeita e
completa, totalmente suficiente e eficiente. O cristão que se guia pelas
Escrituras deposita sua fé na obra consumada e perfeita de Jesus Cristo na cruz
do Calvário, realizada de uma vez por todas. A salvação não depende de
acréscimos, obras, cerimônias ou leis, mas exclusivamente da obra redentora de
Cristo. A justificação pela fé somente é, portanto, uma doutrina fundamental e
amplamente presente no pensamento teológico de Paulo e em todo o Novo
Testamento.
É imprescindível compreender essa verdade de forma clara, pois qualquer
acréscimo ao Evangelho constitui um erro grave. Em Gálatas 5:1, Paulo exorta os
crentes a permanecerem firmes na liberdade que Cristo lhes concedeu. Esse é o
apelo pastoral que ressoa nas severas advertências de Paulo aos crentes da
Igreja da Galácia que caíram na armadilha de abraçar outro evangelho.
Infelizmente, muitas igrejas, pregadores, pastores e até mesmo religiões que se
autodenominam cristãs incorrem no erro que Paulo condenou em Gálatas: a adição
de obras, leis ou práticas cerimoniais judaicas à salvação, como condições
necessárias.
Este é um erro gravíssimo, exposto por Paulo em sua epístola aos Gálatas.
Dada a sua seriedade, devemos estar atentos e evitar a propagação, defesa ou
vivência de um "outro evangelho", pois tal prática conduzirá à
frustração e a decepção espiritual. Firmemo-nos, portanto, no Evangelho da
graça de Deus.
Pr C. J. Jacinto

