sábado, 31 de outubro de 2026

O JUIZO DIVINO CONRA OS APOSTATAS


 C. J. Jacinto

 

 

 

 

“Agora também eu pronunciarei juízo contra eles” (Jeremias 4:12)

 

Há uma passagem controversa e misteriosa no Antigo Testamento, mais precisamente em 1 Reis, no capítulo 22, aonde Acabe faz um acordo com Josafá. Ali lemos a partir do versículo 19 do capítulo 22: "Então ele disse: Ouvi, pois, a palavra do Senhor: Vi ao Senhor assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda. E disse o Senhor: Quem induzirá a Acabe, para que suba e caia em Ramote de Gileade?' E um dizia desta maneira, e outro de outra. Então saiu um espírito e se apresentou diante do Senhor, e disse: 'Eu o induzirei.' E o Senhor lhe disse: 'Com quê?' E disse ele: 'Eu serei, eu sairei e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas.' E ele disse: 'Tu o induzirás e ainda prevalecerás; sai e faze assim. Agora, pois, eis que o Senhor pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e o Senhor falou o mal contra ti'." Qualquer estudante familiarizado com o contexto dessa passagem entende perfeitamente que Acabe e Jezabel são símbolos de apostasia dentro da antiga aliança. Assim, podemos observar a figura de Acabe como um rebelde, pelo qual está contra a vontade de Deus, de maneira que está completamente rebeliado e em franca apostasia — ou seja, ele não quer obedecer à palavra de Deus, se envolveu, juntamente com a sua esposa Jezabel, no sincretismo, levando e induzindo o povo de Deus para uma idolatria e prostituição espiritual, de modo que estava financiando uma boa quantidade de falsos profetas, além de promover, junto com a sua esposa, todo culto idolátrico do paganismo das nações vizinhas. Assim, envolvendo-se em rebelião aberta contra a palavra do Senhor e contra a vontade do Senhor, de maneira que o seu coração vai se endurecer de tal forma que é próprio do coração humano que seja assim. E agora temos uma situação em que Deus, ele vai trazer um juízo para Acabe, e esse juízo é o que devemos meditar aqui nesse pequeno artigo, pois, de certa forma, eu percebi ainda alguns dias atrás, fazendo uma leitura da palavra de Deus e a meditando, como o juízo de Deus pode ser duro e assustador no que diz respeito a pessoas que endurecem seu coração e se rebelam contra a verdade. Deus condena a idolatria e a apostasia com uma profunda cegueira espiritual, de modo que isso implica uma pessoa nessa situação, tornar-se irremediável por causa desse trágico juízo enviado por Deus. “Por isso Deus os abandonou às paixões infames” (Romanos 1:26) “Deus os entregou a  um sentimento perverso” (Romanos 1:28) Não desejo com isso, e muito menos a Bíblia apresenta Deus como autor do pecado ou do engano. Pois Ele não é, porém envia o juízo de profundo engano contra quem insiste em rebelar-se contra a verdade é ensossa o caminho da apostasia.  Aqui nós temos uma questão em particular, do qual podemos entender, pelo seu contexto, de que, uma vez que um homem esteja endurecendo o seu coração contra Deus e prevaleça teimosamente em errar os caminhos do Senhor e se envolver com algo que na Bíblia Sagrada aponta como apostasia, principalmente com relação a idolatria, seja culto a deuses estranhos, a avareza o culto a ideologias e personalidades, isso é algo catastrófico, um anátema,  ao ponto do apóstolo Paulo falar acerca da idolatria como associação e culto aos demónios. (I Coríntios 10:21) Portanto, Deus está usando simplesmente da sua soberania para levar a Acabe a um estado ainda pior, para que seja imposto um juízo e uma condenação para alguém que não apresenta nenhuma inclinação para o arrependimento e a restauração a sã doutrina.

 Nesse estado de não amar a verdade, Deus vai, então, alcançar o seu propósito e vai permitir que um espírito de engano seja enviado para os 400 profetas financiados por Acabe e Jezabel, para induzi-los definitivamente a um erro e mergulhá-los em uma escuridão ainda mais intensa, para acelerar, então, este juízo sobre o rei rebelde e a sua esposa ímpia. Amar a verdade é uma condição espiritual para recebermos constante iluminação e proteção do Espirito Santo.

 Não desejo aqui entrar em controvérsias, pois devemos entender de forma bem clara que, ao convocar uma assembleia celeste com anjos, estava presente um espírito de mentira, suponho, convocado para isso. Ora, esse ser, essa criatura espiritual não pode ser considerada como uma criatura espiritual santa.  Então, trata-se possivelmente de um espírito enganador. Duas coisas precisamos entender aqui: todas as criaturas estão debaixo da autoridade do Senhor, até mesmo os anjos caídos, agem sob a permissão de Deus.  Estando essas criaturas debaixo da autoridade, do domínio e da soberania de Deus, creio eu que Deus convocou esses espíritos para que pudessem cumprir os Seus propósitos, através deles, nesse caso, enviar a operação do erro para que Acabe receba o juízo por tornar-se um apostata teimoso. Temos assim, uma convocação de Deus e uma ordem permissiva para que o espírito enganador pudesse ir até os profetas de Acabe e inspirá-los a profetizar falsamente. Esse é o juízo divino. O juízo divino a um homem rebelde que endurece o seu coração e persiste em cometer atos abomináveis, induzindo os filhos de Deus à prostituição espiritual. Portanto, Deus está usando do seu juízo, enviando o espírito enganador para que pudesse, então, induzir e acelerar esse juízo trágico e catastrófico que Acabe irá enfrentar. Deus estabelece um princípio: pessoas que acabam, tendo conhecimento da verdade, insistem em permanecer na mentira e em induzir outros à prática de prostituição espiritual, cairão sobre o juízo de Deus. Isso deve nos assustar.
Agora vamos para o Novo Testamento. Em 2 Tessalonicenses, capítulo 2, versículo 11, está escrito algo que é muito parecido com aquilo que lemos em 1 Reis, capítulo 22, versículo 22.
​Ali, nós estamos dentro de um contexto de apostasia, o aparecimento do homem do engano, do filho da perdição. E então, no versículo 11 de 2 Tessalonicenses, nós lemos que Deus enviará a operação do erro para todos aqueles que não amaram a verdade, mas tiveram prazer na iniquidade. Ora, quando o apóstolo Paulo dá uma declaração dessa ele está dizendo que aqueles que não amaram a verdade significa que conheciam ela, ou seja, não deram o crédito que era devido, nem o amor e nem a paixão que deveriam dar pela verdade do Evangelho; todavia, a ignoraram e persistiram no seu erro. Quiseram justificar a sua apostasia e as suas heresias, e seus desvios morais, e a quebra de princípios bíblicos para justificar os seus caprichos. Quiseram viver uma vida cristã relaxada, de modo que abraçaram a apostasia e permaneceram nela, nesse progresso de decadência espiritual, sem, contudo, ouvir os profetas verdadeiros, sem, contudo, ouvir as exortações dos santos homens de Deus. Pelo contrário, combatendo a verdade, porque amaram o erro, mesmo dissimulando que seriam fiéis ao Evangelho, estavam lutando contra o Evangelho. E agora, o Deus Todo-Poderoso, soberano, mais uma vez, Ele vai trazer justiça e juízo sobre esses impenitentes, esses que têm piedade sem poder, que se dizem cristãos, mas quebram os princípios bíblicos de modo que se associam com a ilegalidade e a impiedade, que é característica da apostasia dos últimos tempos. Deus enviará a operação do erro sobre essas pessoas. Se amam os falsos profetas que profetizam falsamente então estão fazendo um pacto com os espíritos enganadores que usam eles. “Andam segundo o proposito do próprio coração” (Jeremias 10:14) Lembremos das palavras de Paulo lá em Gálatas: de Deus não se zomba. Tudo o que o homem semear, isso também ele vai ceifar. Se o homem, ele está semeando impiedade, se ele está semeando desobediência, se ele não ama a verdade tal qual deveria amar, e nós temos um grau e um princípio pelo qual devemos amar a verdade. Amamos a verdade quando amamos o Deus da verdade. Jesus, ele disse: "Eu sou o caminho, eu sou a verdade e eu sou a vida". (João 14:6) Mas, no entanto, nós descobrimos também que Jesus fala: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma e de todo o teu pensamento", e ao teu próximo como a ti mesmo. De modo que o amor que Deus exige pela verdade é um amor intenso, que, que seja de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de todas as nossas forças.  Se um falso cristão teima em permanecer no seu estado de apostasia, se associando e defendendo princípios que não são cristãos, e que estão completamente opostos às verdades do Evangelho, se ele se associa e apoia tudo e todo movimento espiritual que possui de maneira implícita ou explicita elementos anticristãos e todo e qualquer tipo de ideologia que vai contra a Palavra de Deus e os valores judeus cristãos, então Deus enviará a operação do erro sobre ele; ficará como que irremediavelmente num processo cada vez mais acelerado de apostasia.

Temos que temer a Deus, temer a sua palavra. Se brincarmos com o Evangelho, e se lidarmos com as coisas santas para satisfazer apenas os nossos caprichos, e por causa disso, termos, formos, e termos ficarmos teimando com relação a permanecer nesse progresso de apostasia deliberada, Deus nos julgará e enviará a operação do erro, e os e essas pessoas ficarão cegas, completamente cegas à beira do abismo. “E por isso Deus lhe enviará a operação do erro, para que creiam na mentira, para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniquidade” (II Tessalonicenses 2:11 e 12) Olhe para o comportamento de muitos que se confessam cristãos nestes últimos dias. Como eles estão? Muitos deles estão em decadência, em verdadeira decadência espiritual. Mas nós temos que olhar por dois lados. Primeiro, nós temos que ver: muitos deles são quase que irremediáveis. Como ocorreu com Acabe e Jezabel, não adianta você repreender, não adianta você falar. Deus envia a operação do erro. E, a partir do momento que a operação do erro, essa energia de engano, começa a cauterizar a consciência e implantar uma obscuridade no coração, a compreensão dessas pessoas estará praticamente destruída e elas não terão mais como se recuperar da sua apostasia decadente. Que coisa terrível! O julgamento divino sobrevirá sobre homens que caíram do estado da graça para outro Evangelho e fazem do próprio coração uma fortaleza contra a verdade pois “Mudaram a verdade de Deus em mentira e serviram mais a criatura do o Criador” (Romanos 1:25)

 Mas, todavia, para nós, isso serve de advertência. Vamos abraçar a sã doutrina, a fé que uma vez foi dada aos santos (Judas 3) vamos permanecer nos caminhos do Senhor, vamos a qualquer custo nos colocar frente aos princípios bíblicos e evangélicos e se posicionar contra todas as tendências modernas, do pós-modernismo e do relativismo moral, e de todas essas ideologias militantes que abordam e defendem doutrinas e ensinos anticristãos e costumes pecaminosos, imorais, que atacam os valores judaico cristãos. Que nós possamos nos colocar frente a eles, tomando uma oposição, porque de outra forma, nós também poderemos sofrer com essa cegueira espiritual deliberada que sobrevirá contra os mornos e nominais, como o juízo divino, sobre todos aqueles que não amaram a verdade como deveriam amar. Deus prova os fieis quando envia os falsos profetas e Deus julga os apostatas quando envia profetas falsos que irão induzi-los mais profundamente ao erro.

 

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

AS INFLUENCIAS MALIGNAS POR TRÁS DE IDEOLOGIAS ANTICRISTÃS

  AS INFLUENCIAS MALIGNAS POR TRÁS DE IDEOLOGIAS ANTICRISTÃS



C. J. Jacinto

 

Dois livros distópicos do qual eu tive conhecimento e li há muitos anos atrás, me fizeram refletir acerca de tudo o que nós vivenciamos nesses últimos tempos. O primeiro livro é "Admirável Mundo Novo" (Brave New World), de Aldous Huxley, do qual narra toda a humanidade numa sociedade distópica, ela praticamente perde o seu sentido original e as pessoas são condicionadas em castas sociais, e sofrem um condicionamento psicológico e também social, de modo que toda a vida ganha o sentido através de estados alterados de consciência, de um tipo de uma droga entorpecente chamada Soma. É um cenário sombrio, onde a humanidade se torna menos humana.

 Na verdade, neste mundo distópico do qual Huxley falou no seu "Admirável Mundo Novo", a maior parte das pessoas, senão quase todas, são criadas em laboratório. De modo que tudo indica que nesse romance, o mundo imaginado pelo autor, não admita abertamente, na verdade, apresenta a abolição da família tradicional e do casamento monogâmico. Fato esse que vai se repetir em um outro livro com o título "A Ilha", no qual é o inverso do "Admirável Mundo Novo": enquanto que neste primeiro, todo o romance é de caráter distópico, no romance "A Ilha", o autor inverte e faz desse romance uma utopia. O outro livro é do escritor russo Yevgeny Zamyatin, com o seu livro Nós, publicado em 1924. Desse livro, que foi uma das principais influências e inspiração para que Aldous Huxley pudesse escrever Admirável Mundo Novo, o escritor russo fala acerca de um mundo em que os humanos não têm mais nomes, apenas números. E, de certa forma, a obra também segue a mesma linha em relação ao tema da abolição dos valores judaico cristãos. A tecnologia deu a possibilidade de que os seres humanos possam ser reproduzidos em série. Isso, sem dúvida nenhuma, nos remete a uma questão muito atual para os nossos dias. Mesmo há tanto tempo atrás, quando o escritor russo Zamyatin escreveu o romance Nós — em 1924 , mais de 100 anos se passaram —, parece que ele estava prevendo algo a respeito do futuro. E é isso que nós estamos vivendo hoje. Aliás, quem lê Admirável Mundo Novo percebe que o autor Aldous Huxley parece ser contemporâneo da nossa sociedade. É como se ele tivesse um conhecimento claro sobre tudo o que envolve relativismo moral, pós-modernidade e tecnologia, principalmente a biotecnologia. A  abolição do casamento monogâmico não é apenas uma idéia ideológica, qualquer pesquisador serio, encontra em psicanalistas clínicos de segmento freudiano como William Reich, a ideai primaria da revolução social pela desconstrução, outros como Jacques Derrida também contribuiu para o processo da desconstrução, mas Reich em particular, começou a desenvolver suas idéias desconstrucionistas, inclusive minando as bases do casamento monogâmico, o que seria correto subentender; um ataque direto aos valores judaicos cristãos e a isso ele chamou de processo “Freudo-Marxista”. Há uma influencia demoníaca por trás dessa tendência, é a ssustador que, escritos místicos de renome em nossos dias como Donald Neale Walsh tenha recebdio mensagens da “divindade” que ele comunga e recebe revelações espirituais, de que em sociedade altamente “desenvolvidas” não existe o casamento ou outras construções artificiais para manter a sociedade unida (1).  Walsh segue na mesma direção de Reich, e das tendências revolucionarias de nossa era secular, cuja inclinação diabólica tende a inverter os valores para romper com os fundamentos da civilização. O que envolve nos dois romances aqui citados no inicio deste artigo é, primeiramente, o seu cenário, onde tudo ocorre: um Estado unificado e globalizado. E, por fim, o fim do nascimento natural do ser humano. Agora, o que se leva em conta é a técnica de fertilização in vitro em larga escala, a indústria genética de seres humanos. Isso parece ser um tanto assombroso. Portanto, os próprios romances em si mesmos trazem esse cenário sombrio. Mas, o que falar na vida real? Pois parece que existem muitos paralelos entre aquilo em que Zamyatin e Huxley escreveram e o que ocorre em nossos dias, pois estamos vivendo coisas muito parecidas, de modo que, como cristãos, precisamos fazer uma reflexão a respeito deste assunto.


É necessário ser sensato com relação a este assunto: a tecnologia, a biologia (e, principalmente, a biologia) e a medicina têm trazido grande progresso para o mundo e para a civilização, de modo que, hoje, sabemos que muitas doenças são combatidas e que há uma eficiência muito grande no sistema de saude, justamente por causa desse avanço tecnológico. Esse é o lado bom: tudo aquilo que vai trazer benefício, que não vai violar a sacralidade da vida, que não vai colocar o homem no lugar do Criador, e tudo aquilo que possa trazer benefício social, isso sim deve ser declarado como bom. É próprio da natureza humana o desenvolvimento e o progresso. Lemos isso e entendemos nas primeiras páginas, nos primeiros capítulos do livro de Gênesis, que o desenvolvimento industrial, tecnológico e musical já começa mesmo dentro de uma sociedade de seres caídos, que já estão sob a condenação do pecado. Mesmo assim, o progresso continua, mas devemos estar cientes: a história nos ensina que, muitas vezes, uma tecnologia avançada pode também sustentar uma ideologia sinistra, os acordes da sinfonia da evolução tecnologia e filosófica não levaram a humanidade ao Paraiso, mas ao dilúvio, e algo sinistro está lá: “casaram e deram-se em casamento” (Mateus 24:39) ou melhor, banalizaram e começaram a destruir os fundamentos da civilização. Acredito que qualquer pessoa que faça uma análise histórica e faça uma pesquisa detalhada a respeito da Alemanha na época da Segunda Guerra Mundial, dentro da era nazista, vê que há ali uma característica distinta, um avanço tecnológico, mas é dali que também nasce um processo macabro, assim como também, posteriormente, nos Estados Unidos, quando começam a desenvolver a primeira bomba atômica que é jogada na cidade de Hiroshima e Nagasaki. Então, tanto na Alemanha nazista — que desenvolveu uma máquina de guerra, tinha os melhores equipamentos de guerra e desenvolveram aparelhos tecnológicos e até mesmo na biologia —, todavia, podemos notar que, ao lado disso, também estava paralelo a uma ideologia sinistra, que era o nazismo, caracterizado por ser uma indústria de morte. A grande questão não é a ciência em si mesma. Quando tratamos de bioética e coisas relacionadas a esse assunto, muitas vezes nós temos que notar, ou simplesmente perceber, que elas não são neutras. Há sempre ideologias que estão por trás desse desses progressos do qual, ou, é, fazem parte da história da civilização. De modo que muitas vezes uma ideologia associada ao desenvolvimento do progresso ou de uma tecnologia pode trazer consequências sérias. E, de certa forma, nós podemos notar que essas implicações podem ser notadas, por exemplo, quando a tecnologia ou a biologia está associado ao evolucionismo darwiniano. Isso pode trazer conceitos errôneos e equivocados, de modo que, quando uma ideologia associada ao progresso e à tecnologia, tende sempre a trazer, é, benefícios ou malefícios, mas geralmente o último tem sido, é, no percurso da história, o que se tornou mais evidente. Voltando a dar o exemplo da Alemanha nazista, e não somente isso, porque a ideia da eugenia não se desenvolveu somente no período da Segunda Guerra Mundial, na Europa, mas também nos Estados Unidos, ou seja, em um ambiente completamente fora do nazismo, e não é somente nesses contextos políticos, mas religiosos também, a idéia da eugenia já germinava em “O Fenômeno Humano” de Teilhard de Chardin, portanto nos círculos místicos e religiosos assim como Blavatski vai desenvolver muitas idéias que tecem a teia eugênica. Mais uma vez temos a ideologia e a política expondo algo que o mundo espiritual proclama através de seus canais. Quando Darwin começou a desenvolver a teoria da evolução das espécies, seu amigo Alfred Russel Wallace converteu-se ao espiritualismo, e evolução começou a ser proclamada dentro dos circulos espiritualistas bem como se popularizou entre as variadas escolas esotéricas. Veja bem a repetição do principio, por mais cética que seja a natureza da teoria da evolução e tenha sido o corolário estrutural onde se apóia todo o ateu militante, a mesma ideia é defendia numa performance mais mística e espiritual entre as mais variadas tradições do esoterismo e do espiritualismo.  O mundo espiritual caído não se coloca contra o que é antibiblico, e as filosofias seculares anticristãos tem apoio aberto do mundo espiritual caído. Isso é um fato pouco observável entre nós, mas é de fato uma verdade absoluta! Podemos agora apresentar um exemplo, um exemplo para os nossos dias. Ocorre que há um movimento chamado transumanismo e outro chamado extropianismo, do qual seus cientistas, filósofos e pensadores acreditam piamente que a ciência e a tecnologia darão a possibilidade do homem alcançar a imortalidade e tornar-se uma espécie de divindade. Tudo isso acreditando no potencial humano e no desenvolvimento tecnológico ultravançado pelo qual nós estamos vivendo hoje, inclusive agora com a ajuda da inteligência artificial. De modo que os transumanistas crêem piamente e de forma muito convicta de que o homem superará suas próprias limitações, vencerá a morte, a doença e se transcenderá em um ser superior onde alcançará a imortalidade. Ou seja, o homem salva-se a si mesmo através da tecnologia. Então, podemos perceber que, de uma maneira ou de outra, é inevitável que a tecnologia acabe cedendo aos caprichos de ideologias, quer sejam políticas, esotéricas ou humanistas.

Não há uma neutralidade em movimentos filosóficos e científicos, e muito menos políticos, o mundo espiritual está atuando e inspirando seus profetas blasfemos. Não desejo demonizar todas as esferas e instituições da sociedade, mas é necessário que se creia que a bíblia tem toda a razão quando diz que o mundo todo jaz no maligno (I João 5:19) e que Paulo fala a cerca de uma oposição feita pela falsa ciência (I Timóteo 6:20) o Espírito Santo fala e adverte acerca da aquela antiga serpente que enganou Eva em Genesis 3 e continua enganando todo o mundo em Apocalipse 12:9. Ideologias, filosofias, idéias, doutrinas, dogmas, nada disso tem caráter de neutralidade, há um mundo espiritual caído que atua, apóia, faz seu jogo logístico por trás das cortinas do materialismo, apresentei exemplos desse paralelo neste artigo e creio que cada cristão que tomou conhecimento deste estudo compreenderá minhas palavras e advertências.

 

(1) Citado em Falsa Aurora – Lee Penn – Pagina 562

Eu recomendo muito a aquisição desse livro e a leitura bem como a sua leitura como essencial para entender os processos de desconstrução que ocorre em nossos dias.

 

 


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terça-feira, 20 de outubro de 2026

O espírito do anticristo, Política, Globalismo e o Fim dos Tempos.

 O espírito do anticristo, Política, Globalismo e o Fim dos Tempos.

 


C. J. Jacinto

 

Todo o cristão precisa entender as novas tendências da pós-modernidade. Estamos vivendo em um mundo que está em processo de transformação contínua, em multiplicação de iniqüidade, todo o homem espiritual percebe essa tendência maligna de nossa época. A decadência moral segue um principio: “Por ser multiplicar a iniqüidade” (Mateus 24:12 com I Tessalonicenses 5:4) O que pode ser pronunciado como ecumenismo, por exemplo, hoje em dia, não deve mais ser considerado como ecumenismo clássico, mas deveria ser chamado de neo-ecumenismos. Trata-se de um esquema de coisas na comunidade internacional que exige um processo de nivelamento de todas as religiões sob a pauta do relativismo pós-moderno.  Esse tipo de unidade, adotado nesse novo ecumenismo, não se baseia mais no modelo familiar do ecumenismo do século passado. Naquela época, religiosos protestantes de destaque juntaram-se no espírito de cooperação interdenominacional, baseado em interpretações liberais da teologia. 
​Tudo o que podia criar divisão ou ser ofensivo foi posto de lado em favor de um programa de ação social. Obviamente, os principais elementos ofensivos foram jogados na lata de lixo, em essência, as doutrinas e práticas históricas da fé cristã, ou seja, os fundamentos da fé cristã foram jogados fora ou abandonados como irrelevantes, a tese progressista que sustentou o antigo ecumenismo, transformou a necessidade espiritual do homem em necessidade puramente física e biológica. A verdade é que o modelo antigo do ecumenismo simplesmente foi um fracasso. 

 Ele serviu de fundamento apenas para esvaziar as igrejas tradicionais, espantando os fiéis dos bancos, e provou ser, na verdade, um enorme fracasso por diluir as verdades fundamentais do evangelho para seguir uma agenda puramente ideológica. Para todos os propósitos práticos, ele está fora de moda. 
​O novo ecumenismo é um produto completamente diferente, um exemplo dessa nova modalidade de unidade com base num relativismo é a Iniciativa das Religiões Unidas. Precisamos entender isso para que possamos também compreender os riscos que esse neo-ecumenismos apresenta.

No novo ecumenismo, todas as religiões, seitas e doutrinas são dignas de crédito, aceitáveis e igualmente virtuosas, assim como os deuses e práticas a elas associados.  O oposto deve ser combatido, não há espaço para dialogo com verdades absolutos ou exclusivismo, não aderir a uma religião globalista é cometer um crime grave, essa é a direção inevitável que o mundo pós-moderno segue, e a maioria dos cristãos não estão preparados para isso! O processo que envolve esse sistema de religiões unificadas tem como um objetivo claro a estigmatização das religiões esclusivistas e consideradas fundamentalistas (Veja Falsa Aurora – Lee Penn – Pagina 292)

No sentido real, o processo de nivelamento da unidade global secular é reproduzido no mundo religioso. A razão disso é simples: ambos os sistemas se baseiam em filosofias que não há verdades espirituais absolutas, nem valores morais significativos e nem respeito devido pelas crenças e princípios judaico-cristãos. Portanto, os que não concordam caem em descrédito, são ridicularizados e estigmatizados como entraves ao progresso. 
​Se você se mantém fiel à inerrância da palavra de Deus e acredita que a comissão de Jesus para evangelizar ainda é uma ordenança, uma obrigação, então você está se habilitando a receber esse estigma, ou seja, para o novo ecumenismo, o que vale simplesmente é o relativismo ou você adere ao novo sistema plural ou será classificado como intolerante e inimigo de estado. Deve concordar que, não há verdade absoluta ou poderá sofrer duras conseqüências. Portanto, cada um tem a sua verdade particular. As religiões têm as suas verdades; cada uma delas tem sua própria verdade e deve ser respeitada, de modo que, através do conceito de relativismo, os absolutos caem completamente por terra. Portanto, é irrelevante que Jesus Cristo seja o caminho, a verdade e a vida, nessa nova visão de unidade de todas as religiões. O que há no globalismo é deformação da verdade do Evangelho para que possa se encaixar aos moldes da filosofia globalista. Nesse caso, Jesus seria apenas um outro salvador no meio de tantos outros salvadores apresentado por falsas religiões, aliás o conceito de falso será o  invertido, será aplicado a todos os movimentos que não aderirem ao sistema globalista. A teia tecida por esse sistema de religiões globais unificadas, é usar as ideias antigas da Teosofia e no pensamento evocado pela Nova Era acerca dos grandes iniciados, homens e mestres semi-divinos que trouxeram as verdades mais profundas aos homens na antiguidade, trata-se de uma inclusão por processo de miscigenação dinâmica, uma espécie de sincretismo que nivela os supostos grandes iniciados, popularizados pelo autor Frances Edouard Schuré e publicado em 1889, colocando todos os fundadores e lideres religiosos do passado num mesmo patamar, assim instrutores místicos como Krishna, lideres espirituais como Moisés, Orfeu dos mistérios dionisíacos, Pitagoras da escola de Crotona, Platão associado a filosofia mística antiga e os mistérios de Eleusis, Jesus o Messias e Salvador dos cristãos e Rama associado aos tempos mais antigos da raça ariana, são nivelados como tipos de instrutores do mundo e lideres espirituais que entregaram verdades aos homens. G. H. Pember, no segundo volume de “As Eras Mais Primitivas da Terra” já advertia acerca da aliança entre os grandes sistemas religiosos do mundo será o caminho para a manifestação do anticristo. (Pesquise Pagina 413 de “As Eras Mia Primitivas da Terra” – TOMO II – G. H. Pember – Editora dos Classicos)


​O que vale nesse novo sistema é que toda religião tem a sua divindade e tem o seu processo salvífico, e todos eles devem ter a credibilidade como verdade. Assim, enquanto que no Novo Testamento uma pessoa que não crê em Cristo está condenada ao inferno, (Leia João 3:18) na verdade, nesse novo ecumenismo não há inferno. Todas as religiões, não importa a sua doutrina, não importam as suas divindades, conduzem o homem para o céu.

"Este é o novo progresso. É o paraíso para o qual o humanismo, os governos e a Nova Ordem Mundial querem implantar sobre o nosso planeta. À medida que este suposto código de processo for sendo cada vez mais aceito, a coerção dos dissidentes se tornará uma questão de fundamental importância. Afinal de contas, seu mundo está sendo transformado numa sociedade global, realmente unificada, numa aldeia global, se você preferir.
​Então, não há lugar para significativas divergências de opinião. Se a maioria acredita que todo ser humano é divino, por exemplo, os que tentam convencer as pessoas do contrário são criadores de caso que estão perturbando a dignidade dos deuses e violando as regras do jogo. Então, o problema é o que fazer com eles? Não há escape. Como Elias, o profeta, você poderá ser acusado de perturbador de um sistema que se harmonizou pelo sincretismo e trouxe uma segurança, vantagens e conveniencias para os que concordam, caso seja um discordante, também será criminalizado como um rebelde.

 Trata-se de que o relativismo, mais cedo ou mais tarde, ele causará irreversivelmente a perseguição sobre aqueles que acreditam em absolutos. Esse processo é gradual, pode ser lento, mas é inevitável, e seria bom que entendêssemos isso, que fosse discutido em escolas dominicais, fosse tema de pregações constantes. No sistema global unificado pautado pelo relativismo, no que concerne às religiões — sendo todas elas válidas e todas elas como caminhos alternativos para o céu e para a salvação do homem — Uma filosofia fundamentada no relativismo de que não existem absolutos, mas que todas as religiões possuem as suas formas de validade, que são válidas todos aqueles que se dispuserem a se opor a esse sistema serão considerados como inimigos da Nova Ordem que precisa se estabelecer para dar fim ao velho mundo que está com os alicerces corroídos, e é necessário que se entenda, os seus profetas e promotores foram os principais causadores de diversas rupturas do sistema. Uma jogada de mestre, caotizar, para apresentar uma resposta ao caos, ou seja, a antiga e dinâmica dialética hegeliana.

 Hoje em dia, podemos perceber que há uma intolerância com relação a absolutos que são pautados pelas pelos valores morais judaico-cristãos que emergem a partir de um estudo sistemático das escrituras. Ainda, alguns poucos anos atrás, vimos como um palestrante evangélico, ele foi assassinado, pois, de certa forma, essa é a reação, essa é a forma reacionária daqueles que se mantêm do lado do desse progresso, do relativismo, desse mundo pós-moderno. O Processo de “eliminação” é a reação sistemática e hipócrita de militantes ideológicos que seguem cegamente a pauta progressista pós-moderna, a intolerância dos que desejam tolerância, nada mais é do que um jogo de palavras para enganar trouxas, a tolerância que eles exigem para as ideias que defendem e não para os que discordam. Eles querem uma transformação da humanidade e trabalham pela implantação de uma nova ordem global com base em pautas anticristãs. Todavia,  todos aqueles que pensarem diferente, todos aqueles que não aceitarem as suas pautas progressistas, são considerados como inimigos e até mesmo de traidores de uma “boa causa”. Embora poucos casos de violência e assassinato tenham sido registrados em nosso dias, todavia, é necessário dizer que o gérmen dessa imposição arbitrária contra todo aquele que não concorda com as regras progressistas é a morte. O que temos em vista e ouvido acerca dos discursos de justiça e igualdade parece ser muito lindo, pelo menos a proposta supostamente é. Mas, por trás do que há, senão espectros sombrios da ideologia de intolerância e doutrinas de demônios. Veja bem, na pauta progressista da Nova Ordem Mundial, o que existe é tolerância. Essa pregação de uma tolerância nada mais é do que uma intolerância com relação a todos os que discordam.   Há um ódio que pode ser manifestado naquelas pessoas que defendem essas pautas, as pautas globais, do qual várias ideologias apontam para um progressismo, do qual querem implantar de qualquer maneira esse novo globalismo relativista em que tudo deve ser considerado como aceito e verdadeiro, menos o cristianismo bíblico. 

 Há um ódio mortal que vai crescendo, mais e mais, até chegar a um nível de intolerância. Quanto mais a igreja permanecer aqui neste mundo, nesse processo em que se está acelerando a implantação desse globalismo, dessa Nova Ordem Mundial, isso inevitavelmente, repito eu, levará a igreja a sofrer uma nova onda de perseguição e morte, como ocorreu nos primeiros séculos da era cristã.  Na verdade, é o espírito do Anticristo mantendo sua forma e demonstrando o seu ódio contra a igreja do Senhor. Existe uma proposta de ódio contra o cristianismo bíblico, isso é muito claro. De modo que precisamos entender isso e, de fato, viver essa realidade, confrontá-la. É um fato: está crescendo dia após dia, de modo que chegará um tempo em que o sistema não tolerará uma fé evangélica autêntica e bíblica. 
​De modo que seremos novamente alvos de perseguições, pois seremos considerados os inimigos da classe globalista. A elite que se aproxima e o sistema global unificado que está em processo não suportará qualquer tipo de oposição. De modo que haverá, sim, uma abertura para que todos aqueles que entrem no sistema relativista possam viver em paz uns com os outros. 
​Mas, no entanto, todos esses supostos pacifistas do sistema serão sempre inclinados e serão treinados a não tolerar qualquer oposição pela pauta progressista que será estabelecida pelo relativismo pós-moderno. De outra forma, podemos entender que se trata de uma força anticristã que está ganhando cada vez mais espaço no mundo moderno.   

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Frases para Refletir e Viver

 







Com o microscópio e o telescópio: dois olhares para estudar a Bíblia


 

Imagine um cientista debruçado sobre um microscópio. Ele observa uma gota d’água e descobre um universo inteiro: partículas, movimentos, estruturas invisíveis aos olhos comuns. Agora imagine um astrônomo apontando seu telescópio para o céu. Ele contempla estrelas, galáxias e distâncias que nossa mente não consegue medir. Dois instrumentos, dois mundos: o infinitamente pequeno e o infinitamente grande.

A Bíblia é assim. Ela possui detalhes tão minuciosos que parecem escondidos, e ao mesmo tempo apresenta horizontes tão vastos que nos deixam sem fôlego. Para conhecê-la melhor, precisamos aprender a usar as duas lentes: o microscópio e o telescópio.

Duas janelas para o infinito

O ser humano vive entre duas grandezas: o micro e o macro. O microscópio nos ajuda a enxergar o que está perto, pequeno, quase imperceptível. O telescópio nos ajuda a contemplar o que é distante, amplo, majestoso. No estudo da Bíblia, acontece algo semelhante.

Há momentos em que precisamos nos debruçar sobre uma palavra, uma expressão, um versículo, uma repetição. Há outros em que precisamos recuar, enxergar o conjunto, compreender o plano de um livro inteiro ou um tema que atravessa toda a Escritura. Os dois movimentos são necessários. Um sem o outro empobrece nossa leitura.

A lente do microscópio: quando os detalhes falam

O estudo microscópico da Bíblia é a arte de observar os pequenos sinais. Às vezes, uma palavra repetida, um nome divino, uma expressão recorrente ou um simples “logo” pode abrir uma janela para verdades profundas.

Um exemplo clássico é o Evangelho de Marcos. Um leitor atento percebe que a palavra “logo” ou “imediatamente” aparece muitas vezes. Só no primeiro capítulo, ela surge onze vezes. Por quê? Porque Marcos nos apresenta Jesus como o Servo perfeito, que age sem demora, em completa dependência do Pai. E há um detalhe comovente: o próprio Marcos, segundo Atos 15, havia falhado em seguir o chamado de imediato. Mais tarde, restaurado pela graça, foi escolhido pelo Espírito Santo para escrever sobre Aquele que sempre agiu “logo”. O detalhe não é curiosidade: é revelação da graça.

Outro exemplo são os nomes de Deus. Em Provérbios, predomina o nome “SENHOR” (Javé), pois o livro trata de Deus em relação com o ser humano. Em Eclesiastes, onde tudo é visto “debaixo do sol”, aparece “Elohim”, o Deus Criador. Em Daniel, Esdras e Neemias, o nome característico é “o Deus dos céus”, pois o povo estava longe do templo e da terra. Em Isaías, cerca de trinta vezes encontramos “o Santo de Israel”. Por quê? Porque Isaías teve uma visão transformadora no capítulo 6: viu a santidade de Deus, reconheceu sua própria impureza e ouviu os serafins clamando: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos”. Essa visão marcou sua vida e seu ministério.

O microscópio também nos ajuda a notar padrões. Quantas vezes o Senhor é chamado “Filho de Davi” em Mateus? Quantas orações de Jesus aparecem em Lucas? Quantos sinais Cristo realiza em João? Quantas vezes a palavra “bem-aventurado” surge no Apocalipse? Quantas pessoas são encontradas aos pés do Senhor? Quem disse “pequei” com sinceridade e quem apenas se desesperou? São perguntas simples, mas que produzem descobertas espirituais.

Esse tipo de estudo exige paciência. É como o trabalho do cientista diante do microscópio: repetitivo, silencioso, aparentemente árido. Mas o que descobrimos por nós mesmos tem um sabor especial. Ferramentas e comentários podem ajudar, mas nunca substituem o contato direto com o texto.

A lente do telescópio: quando o todo toma forma

Se o microscópio revela detalhes, o telescópio revela panorama. Há momentos em que precisamos deixar de lado as minúcias e contemplar as grandes linhas do propósito de Deus.

O estudo macroscópico da Bíblia busca o plano de um livro, a sequência de um argumento, o desenvolvimento de um tema. Podemos, por exemplo, esboçar capítulo por capítulo o Evangelho de João, os Atos dos Apóstolos ou a carta aos Romanos. Podemos acompanhar um tema que atravessa toda a Escritura: lei e graça, Israel e Igreja, a pessoa e a obra do Espírito Santo, as dispensações, as alianças, os títulos de Cristo, os tipos do Antigo Testamento, as profecias, o remanescente, a vinda do Senhor, as ressurreições, as coroas, os juízos.

O telescópio nos convida a enxergar o conjunto. É como subir uma montanha e contemplar a paisagem inteira. De perto, uma árvore pode esconder a floresta; de longe, percebemos o desenho dos vales e rios. Assim também, ao olharmos o todo da Escritura, entendemos melhor cada parte.

Mas isso não significa ignorar os detalhes. Significa ordená-los dentro de uma grande história. O microscópio sem o telescópio pode nos tornar especialistas em folhas e esquecer a floresta. O telescópio sem o microscópio pode nos dar grandes ideias, mas perder a riqueza do texto inspirado.

Como usar as duas lentes na prática

Ore antes de abrir a Bíblia. O mesmo Espírito que inspirou a Escritura precisa iluminar nossa mente. Estudo bíblico sem dependência de Deus vira mera informação.

Escolha uma lente por vez. Em um dia, estude um versículo, uma palavra, uma repetição. Em outro, leia um livro inteiro, faça um esboço, siga um tema.

Faça perguntas. Quem escreveu? Para quem? Por quê? O que este texto revela sobre Deus, sobre Cristo, sobre o ser humano, sobre mim?

Anote suas descobertas. O que é registrado fixa-se melhor. Compare passagens, observe conexões, volte depois.

Use ferramentas com sabedoria. Concordâncias, dicionários e comentários são mapas úteis. Mas o mapa não substitui a viagem. Leia a Bíblia.

Termine em adoração. O objetivo não é apenas entender, mas amar. Conhecimento que não aquece o coração pode inflar. A verdadeira erudição bíblica nos humilha e nos leva aos pés de Cristo.

O alvo de todo estudo: adoração

O estudo da Bíblia não existe para alimentar vaidade intelectual. Ele existe para nos conduzir ao Deus vivo. Quanto mais conhecemos as Escrituras, mais percebemos nossa pequenez e a grandeza do Senhor. Como diz o salmista: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem para que te lembres dele?” (Salmo 8.3-4).

A Palavra é infinita em seus detalhes e em seus grandes temas. Nunca esgotaremos suas riquezas. Se começarmos cedo, enquanto temos saúde, memória e tempo, colheremos frutos por toda a vida. E mesmo na velhice, quando “vierem os dias difíceis”, ainda encontraremos néctar nas páginas sagradas.

Que nunca busquemos conhecimento por conhecimento. Que nossas afeições sejam despertadas e aquecidas. Que a verdade nos humilhe, nos separe do mundo e nos una mais a Cristo. Afinal, como diz Paulo, “o conhecimento incha, mas o amor edifica” (1 Coríntios 8.1).

Conclusão: nunca será tempo perdido

Se você abrir a Bíblia hoje, leve as duas lentes. Use o microscópio da atenção: observe cada palavra, cada nome, cada detalhe. Use o telescópio da fé: contemple o plano grandioso de Deus, do Gênesis ao Apocalipse. Em ambas as direções, o fim é o mesmo: adoração.

Nunca nos arrependeremos do tempo gasto aos pés do Senhor, estudando Sua Palavra com humildade, oração e perseverança. Ela é viva, eficaz e mais doce que o mel. E quanto mais a examinamos, mais descobrimos que seu Autor é infinitamente digno de todo louvor.


Inspirado no artigo “Mit dem Mikroskop und dem Fernrohr”, publicado por bibelkommentare.de.

 

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