quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Satanás e a Invenção de uma divindade utilitarista



 

 

 

O livro de Jó é uma obra notável, que aborda a reflexão perene sobre a condição humana, a natureza do homem decaído e a atuação de Satanás. Nele, podemos encontrar valiosas perspectivas e discernimentos sobre o mundo e sobre a situação atual da cristandade.

No primeiro capítulo, versículo primeiro, é apresentada a figura de Jó. Habitava na terra de Uz um homem chamado Jó, íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Essa descrição inicial ressalta a integridade de Jó. Ele era um homem de fé, que acreditava na justiça e na pessoa de Deus. Sua vida e caráter refletiam essa crença, manifestando-se em uma conduta íntegra e piedosa, que permeava sua experiência cotidiana.

No capítulo um, versículo 6, está escrito: "Em um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles."  A seguir, no versículo 7: "Então o Senhor disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela. E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Então respondeu Satanás ao Senhor e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde? Porventura tu não cercaste de proteção a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? Abençoaste a obra de suas mãos, e o seu gado se tem multiplicado na terra; mas estende a tua mão e toca em tudo quanto ele tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está nas tuas mãos, somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor."

 No capítulo 1, versículo 6, está registrado o seguinte: Em um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, Satanás também veio entre eles. A partir do versículo 7, a narrativa prossegue: Então o Senhor disse a Satanás: De onde vens? Satanás respondeu ao Senhor: De rodear a terra e passear por ela. O Senhor então disse a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Pois ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Satanás respondeu ao Senhor: Porventura Jó teme a Deus em vão? Acaso não o cercaste com uma cerca protetora, a ele, sua casa e tudo o que possui? Abençoaste a obra de suas mãos, e seus rebanhos se multiplicaram na terra. Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele tem, e verás se ele não te blasfema na tua face. O Senhor disse a Satanás: Eis que tudo o que ele tem está em teu poder, mas não toques nele. E Satanás saiu da presença do Senhor.

 É evidente que, em situações de conflito, Satanás consistentemente se opõe à verdade. Ao analisarmos o terceiro capítulo de Gênesis, observamos a elaboração de uma teologia distorcida e enganosa, com o objetivo de iludir Adão e Eva. De maneira semelhante, esse comportamento do diabo se manifesta na tentação de Jesus, conforme registrado em Lucas 4 e Mateus 4. Nesses relatos, Satanás emprega versículos bíblicos, manipulando e deturpando o texto sagrado para justificar uma interpretação particular, visando induzir Jesus ao pecado. Essa estratégia evidencia a constante tentativa de Satanás em desenvolver uma falsa teologia, buscando, em última instância, induzir a humanidade ao erro. A história de Jó ilustra essa mesma tática.

 Na introdução ao livro de Jó, o Senhor, Deus Onipotente, apresenta Jó como um homem justo. Ao ouvir esse testemunho divino, Satanás objeta, argumentando que a devoção de Jó é motivada pelas bênçãos recebidas. Ele afirma que Jó serve, adora e segue a Deus apenas por causa da prosperidade concedida. Satanás sugere que, se Deus retirar essas dádivas e permitir o sofrimento, Jó O abandonará, rejeitará e blasfemará contra Ele, pois sua fé seria condicionada à utilidade das bênçãos divinas.

 A premissa subjacente a essa perspectiva, que se qualifica como "satânica", é a tentativa de persuadir Deus de que a devoção de Jó não era sincera, mas sim que a relação era invertida, com Deus a serviço de Jó. Essa noção representa a gênese de uma teologia distorcida, frequentemente propagada em nossos púlpitos, onde líderes e pregadores contemporâneos podem apresentar um Deus utilitarista, que existe para servir, em vez de um Deus a ser servido. Embora superficialmente possa parecer uma ideia inócua, suas raízes são profundamente perniciosas.

 No século XXI, observa-se um fenômeno em que multidões são atraídas a práticas religiosas, frequentemente sob o pretexto de promessas de prosperidade material e satisfação de desejos terrenos. Essa abordagem, muitas vezes associada a certas vertentes religiosas, oferece benefícios pessoais e atrativos que apelam aos instintos humanos, como conforto, sucesso, felicidade e bens materiais.

 Essa modalidade religiosa, frequentemente apresentada sob a roupagem de ensinamentos religiosos, concentra-se na oferta de "mercadorias" em troca de fé, desviando o foco da busca por redenção e transformação espiritual. Em vez de uma busca genuína por arrependimento e reconciliação com Deus, impulsionada pela consciência da condição humana, a motivação principal parece residir na expectativa de recompensas terrenas.

 

 Essa tendência, que atrai grande número de pessoas, contrasta com os princípios fundamentais da igreja cristã primitiva. O foco na prosperidade e nos benefícios pessoais, em detrimento da busca por uma vida de acordo com os ensinamentos bíblicos, pode distorcer a verdadeira natureza da fé e da espiritualidade.

 Com sua característica de acusador, Satanás apresenta a Deus uma justificativa, semelhante à que já foi exposta. Seu argumento é que Jó servia a Deus unicamente por causa dos benefícios que recebia. Havia inúmeras vantagens em servir a Deus, como prosperidade material, bem-estar emocional e uma vida de felicidade. Satanás propõe que, caso esses benefícios fossem retirados, Jó abandonaria sua fé. Essa é a essência da acusação de Satanás, dirigida a Deus e também contra Jó.

 Podemos aprofundar a análise da questão que envolve a relação de Satanás com Deus. É possível inferir que, na perspectiva de Satanás, o que realmente importava não era Deus, o provedor, mas aquilo que se recebia de Deus. Em outras palavras, os benefícios eram considerados mais importantes do que o próprio benfeitor. Assim, Satanás acusou Jó de valorizar mais os benefícios recebidos, as bênçãos concedidas, do que a Deus, a fonte dessas bênçãos e benefícios.

 Desejo, de fato, investigar as razões pelas quais tantas pessoas professam, atualmente, seguir a um "Senhor". A qual divindade se referem? Ao Deus bíblico, considerado o Senhor Supremo? Ou estariam, porventura, sendo iludidas por uma falsa representação divina, frequentemente veiculada em algumas igrejas contemporâneas e por líderes com práticas pragmáticas? Estes últimos, motivados por ambições pessoais, almejam construir um movimento religioso que lhes permita projetar sua imagem e receber adoração, além de usufruir de recursos financeiros consideráveis, obtidos por meio da comercialização da fé em determinados contextos religiosos.

 O sistema religioso em questão, embora sofisticado em sua apresentação, tornou-se amplamente popular na atualidade. A facilidade com que se espalhou é notável, o que levou, décadas atrás, críticos da religião a observar a fragmentação acelerada do movimento neopentecostal e pentecostal. Esses críticos, ao analisar as pequenas igrejas fundadas por indivíduos sem formação teológica ou critérios rigorosos, rotularam-nas como "pequenas igrejas, grandes negócios".

 Essa tendência já havia sido prefigurada por Pedro, em sua segunda carta, no capítulo 2, a partir do versículo 1: "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de negarem o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, o caminho da verdade será difamado; também, movidos pela ganância, farão comércio com vocês, usando palavras fingidas. A condenação deles desde há muito tempo não tarda, e a sua destruição não dormita".

 A passagem ilustra uma religião comercializada, uma doutrina adaptada para atrair fiéis. Milhares de pessoas buscam um deus que as sirva, em vez de servir a Deus, refletindo a tendência humana de priorizar os interesses pessoais. Essa era a questão central: o diabo questionou Deus, sugerindo que a devoção de Jó era motivada pelos benefícios recebidos.

 Conheço pessoalmente muitos indivíduos que se decepcionaram com esse tipo de prática religiosa. Buscaram igrejas motivados pela promessa de cura mediante votos, milagres e bênçãos materiais. No entanto, a desilusão veio à tona quando as promessas não se concretizaram. A frustração resultante levou essas pessoas a se afastarem da fé, acusando o Deus da Bíblia de ser um mentiroso. Percebe-se, assim, que o próprio diabo utiliza falsos profetas para confundir as pessoas, pregando um deus ilusório, o qual, após a decepção, leva os indivíduos a acreditarem que foram enganados pelo Deus supremo.

 Ao enganar essas pessoas, levando-as a uma desilusão religiosa sem que possam discernir o engano de uma divindade falsa, fabricada em suas crenças com o único propósito de exploração, esses indivíduos acabam por imputar a Deus, conforme revelado nas Escrituras, a prática da decepção, do erro e da mentira. Em outras palavras, como Pedro adverte em 2 Pedro, capítulo 2, versículos 1 a 3, falsos mestres, movidos pela avareza, explorarão seus seguidores, e o caminho da verdade será difamado. Ao atribuir a mentira ao Deus verdadeiro, essas pessoas incorrem em blasfêmia. Conforme João, capítulo 8, versículo 44, declara que o diabo é o pai da mentira, e agora essas pessoas são levadas a associar a mentira ao Deus da verdade.

 Ao idealizar uma religião voltada para o lucro e uma divindade que interage com os homens em termos comerciais, surge um novo tipo de religião, na qual cada pregação e mensagem se adapta aos anseios do público. De fato, a figura de um deus justo e rigoroso, que pune o pecado e exige honra, adoração e serviço incondicional, contrasta com a teologia utilitarista que prevalece atualmente, notadamente em muitas denominações evangélicas. Lamentavelmente, essa tendência se estabeleceu e tende a se agravar, como parte de uma apostasia predita, conforme registrado pelos apóstolos.

 A filosofia religiosa utilitarista que prevalece atualmente, adotada como uma filosofia prática para impulsionar o pragmatismo, tem se esforçado para deturpar a verdadeira mensagem do Evangelho e a imagem de Deus apresentada nas Escrituras. É imperativo que os fiéis examinem se seus pastores, líderes e suas igrejas estão, de fato, pregando o Deus revelado nas Sagradas Escrituras. Aquele Deus que é simultaneamente misericordioso e justo, soberano e transcendente à vontade humana. Ao ensinar sobre a oração do Pai Nosso, Jesus enfatizou: "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu." Isso implica que a vontade divina deve prevalecer sobre a nossa.

 Contudo, a realidade contemporânea demonstra a proeminência de uma representação de Deus disposta a "negociar" através de uma religião comercial, na qual votos e promessas condicionam a doação financeira ou a adesão a líderes religiosos em troca de bênçãos, saúde, curas, proteção e prosperidade. Essa doutrina, embora pareça nova, é, na verdade, uma reedição de uma estratégia antiga. O livro de Jó, considerado por muitos estudiosos como o primeiro livro da Bíblia, ilustra essa realidade. A filosofia do diabo, ao acusar Jó de servir a Deus por interesse, distorceu o caráter divino e a retidão de Jó. Essa teologia satânica nunca desapareceu; apenas foi adaptada, revestida de roupagem cristã e disseminada pelo mundo. Essa "religião utilitarista" é uma abominação, e dela devemos nos afastar. À medida que o tempo passa, lamentavelmente, um número crescente de igrejas se desvia da pregação do Deus verdadeiro, cedendo a essa crença e teologia maligna.

 No capítulo 4, versículo 8 da Epístola aos Gálatas, Paulo recorda que, antes de conhecerem a Deus, os cristãos da Galácia serviam a deuses que, em sua essência, não eram divinos, ou seja, não representavam o Deus verdadeiro. Da mesma forma, a adoração a um deus utilitarista, que não possui soberania, onipotência, onipresença e onisciência, e que não ocupa o lugar da Suprema Majestade, mas sim se submete às ordens do homem, de seus sacerdotes e líderes religiosos – que se arrogam a autoridade de "ordenar", "profetizar" e "determinar" como se fossem superiores à própria divindade –, constitui uma grave blasfêmia. O homem jamais pode controlar o Deus verdadeiro, pois Ele transcende a vontade e as ordens humanas.

 Um deus que pode ser manipulado, comprado ou cuja bênção pode ser negociada não é o Deus verdadeiro. Trata-se de um erro teológico, uma divindade falsa que, infelizmente, muitos apresentam e aceitam. Uma grande quantidade de pessoas se sente atraída por essa figura, pois ela não impõe desafios, mas apenas oferece benefícios que podem ser adquiridos ou creditados aos seus seguidores.

 Esse deus utilitarista não é o Deus revelado nas Escrituras, nem é o Deus pregado pelos verdadeiros cristãos. Que estas palavras sirvam de alerta a todos nós.

 

Textos bíblicos que revelam a majestade, soberania e autoridade do Verdadeiro Deus das Escrituras:

 

Efesios 1:11, Romanos 8:28, Mateus 10:29 a 31 Colossenses 1:16 a 17, Isaias 45: 7 a 9, provérbios 16:33, Jó 42:2, Lamentações 3:37 a 39, Atos 4:27 a 28, Efésios 1:4 etc.

 

Sugestão de leitura:

 

Deus é Soberano – A. W. Pink

 

A FÉ BÍBLICA É UMA FÉ INABALÁVEL

 


 


C. J. Jacinto

 

 

Um dos trechos mais relevantes sobre a fé encontra-se em Hebreus, capítulo 11, especificamente nos versículos 1 a 3, onde lemos: "Ora, a fé é a certeza daquilo que se espera, a convicção daquilo que não se vê. Pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, percebemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o visível não foi feito do que é aparente." Este é um tema de grande importância, embora frequentemente mal interpretado. A compreensão do seu significado, tanto no contexto bíblico quanto em sua acepção original, nem sempre é clara. O propósito deste breve artigo é oferecer algumas reflexões sobre o assunto, motivado pelo desejo de edificar os cristãos e aprofundar sua compreensão da fé conforme revelada nas Escrituras. Que esta leitura possa ser uma fonte de bênçãos.

“É função da fé crer no que não vemos, e a recompensa da fé será ver o que cremos.”(Thomas Adams)

 O capítulo 11 da epístola aos Hebreus apresenta uma galeria de figuras notáveis pela sua fé, homens que enfrentaram inúmeras dificuldades e, apesar disso, permaneceram perseverantes, sem se deixarem abalar pelas provações a que foram submetidos. A consequência inerente a uma fé genuína reside na formação de um cristão inabalável, alicerçado em fundamentos sólidos e reais. As estruturas de sua crença, firmemente estabelecidas, resistem às adversidades, mantendo-se intactas e resilientes diante de crises ou provações. É fundamental compreender que a palavra "fé", em hebraico, possui uma conotação pragmática e, a meu ver, impactante, devido à sua significação no contexto do pensamento hebraico. Podemos observar claramente. A fé constitui o fundamento da justificação do cristão. No livro de Hebreus, conforme mencionado, o autor aborda a fé, afirmando que é impossível agradar a Deus sem ela. No contexto hebraico, frequentemente, o significado da fé é negligenciado, confundindo-a com crença. Como exemplo, na epístola de Tiago, a Escritura declara que os demônios creem, mas não possuem fé. A fé, no sentido bíblico, distingue-se da crença; crer em Deus é diferente de ter fé em Deus. É essencial discernir essa diferença para uma compreensão mais profunda.

A fé se mostra genuína quando é concretizada por meio de nossas ações. (Thomas Schereiner)

 No idioma hebraico, a palavra traduzida como "fé" possui um significado profundo e pessoal. Considero-o impactante, transcendendo a compreensão usual do termo. Em hebraico, essa palavra é "emunah", que se traduz como firmeza inabalável, confiança profunda ou, ainda, confiança fundamentada em uma experiência íntima com Deus. É uma confiança relacional, resultante da intimidade com o Senhor, acompanhada de um complemento prático.

 Portanto, a fé, no sentido bíblico, não deve ser confundida com crença. A crença pode prescindir de ação, enquanto a fé, segundo a Bíblia, exige ação. Há, portanto, uma diferença significativa de significado. A crença pode ser subjetiva, mas a fé é objetiva. Essa é a essência do conceito bíblico de fé, conforme podemos compreender através da perspectiva hebraica.
 Com base nos argumentos apresentados, reafirmo que a fé, conforme a perspectiva bíblica, não é uma atitude passiva. Contrariamente, a fé, tal como descrita nas Escrituras e na tradição hebraica, é inerentemente ativa.  Dessa forma, compreendemos, à luz do conceito de fé exposto em Hebreus, capítulo 11, que a fé genuína é transformadora, resultando em consequências significativas. A fé nos conduz a uma experiência profunda com Deus, fortalecendo nossas convicções e, por conseguinte, nos tornando resilientes diante das adversidades, uma vez que estas convicções derivam de realidades espirituais que satisfazem as anseios e expectativas do nosso coração.

“A fé está assentada no entendimento, assim como na vontade. Ela tem um olho para ver Cristo, assim como uma asa para voar até Cristo.” (Thomas Watson)

 Com base no ensinamento bíblico contido no Sermão da Montanha, Jesus aborda a questão do homem prudente, aquele que constrói sua casa sobre a rocha. Encontramos essa narrativa no capítulo 7 do livro de Mateus. Ao analisar o relato de Lucas, que também registra os ensinamentos de Jesus sobre o homem prudente, notamos que a construção sobre a rocha é precedida pela ação de cavar fundo. (Lucas 6:45 a 47) Nesse contexto, a fé inabalável é comparada a uma estrutura edificada sobre a rocha, mas que exige ir além da superfície.

 O princípio espiritual subjacente é claro: a fé verdadeira não se contenta com o superficial. A ação de cavar fundo, conforme descrito por Lucas, simboliza a busca por uma compreensão mais profunda, que transcende a superficialidade e estabelece um contato direto com a rocha. Portanto, todo aquele que genuinamente possui fé em Cristo estabelece uma relação íntima e profunda com Ele, tocando na rocha eterna, e assim, solidificando sua fé de forma inabalável. Consideremos agora a aplicação prática. Apresentarei exemplos das Escrituras, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, que demonstram como um indivíduo de fé genuína, caracterizado pelos princípios descritos em Hebreus 11, possui uma fé inabalável. Essa é a essência da fé cristã verdadeira. Ela difere da mera crença, que se limita ao consentimento intelectual. A fé, por outro lado, transcende a crença e se manifesta na vida espiritual, transformando o indivíduo de acordo com seus princípios. Apresentarei alguns exemplos específicos, extraídos das Escrituras, para ilustrar a natureza da fé genuína. Acredito que estes exemplos, embora concisos, serão suficientes para elucidar a compreensão da verdadeira fé conforme ensinada nas Escrituras.

Iniciaremos, portanto, uma breve análise da trajetória de José, o Egípcio (Leia Genesis 37 a 50). Consideremos sua vida, marcada por traições, rejeições e injustas acusações. Ele suportou a punição por um crime que não cometeu e enfrentou severas provações. Apesar de tudo, sua fé permaneceu inabalável, confiante na promessa divina. Sua vida, diante das adversidades, demonstra uma firmeza exemplar. Poderíamos, assim, descrever a fé de José como inabalável, pois ele logrou êxito em superar todas as provações, aflições e tribulações, mantendo-se firme mesmo diante de evidências contrárias às suas convicções. Ele transcendeu as crises e, por fim, triunfou em um sentido espiritual, mantendo-se fiel às promessas divinas, confiando em um Deus justo, soberano e verdadeiro. Essa fé o conduziu à vitória, culminando na experiência notável de ascender da condição de escravo, vendido por seus irmãos, ao trono, exercendo domínio sobre diversos povos.



Da mesma forma, podemos considerar a história de Jó. (Leia Jó 1 a 3) Jó era um homem que temia a Deus, íntegro e que se afastava do mal. Apesar disso, ele enfrentou um período de grande aflição. A profundidade de seu sofrimento é indescritível. Contudo, perante tais circunstâncias, ele não abandonou sua fé. Quando sua esposa, sua pessoa mais próxima, o incitou a amaldiçoar a Deus e morrer, ele simplesmente se ajoelhou e adorou a Deus.

 Dentre as figuras bíblicas, destaca-se Daniel, que, ameaçado de ser lançado na cova dos leões, manteve sua fé inabalável, preferindo a morte à negação de sua crença (Leia Daniel 6:1 a 28) O Senhor, contudo, interveio, livrando-o da boca dos leões. De igual modo, os três companheiros de Daniel recusaram-se a curvar-se diante da estátua erigida no campo de Dura, em adoração a Nabucodonosor.(Daniel 3:1 a 30) Apesar da ameaça de serem lançados em uma fornalha ardente, permaneceram firmes em sua fé, recusando-se a negar o Senhor. Esses exemplos ilustram a verdadeira fé, demonstrada pela disposição de enfrentar a morte. Os três amigos, lançados vivos na fornalha, escolheram a prova de sua fé, preferindo a provação à desobediência. Apesar de terem sido libertados milagrosamente, demonstraram estar preparados para o martírio.

Podemos notar também o ministério do profeta Jeremias (38:1 a 13) Ele foi desprezado e perseguido, mas, apesar das aflições e tribulações, permaneceu anunciando sua mensagem. Mesmo após ser lançado em um poço, manteve-se firme, convicto de que sua mensagem era a verdadeira, dada por Deus para advertir o povo sobre a iminente queda de Jerusalém. Embora sua mensagem fosse desagradável, Jeremias demonstrou coragem e, apesar de todo sofrimento, foi resoluto em seu ministério profético, pois possuía uma fé inabalável, independente das circunstâncias, mantendo-se fiel a Deus.

Analisemos um exemplo do Novo Testamento. Considero-o instrutivo e valioso para a meditação nas Escrituras Sagradas, especialmente no que concerne aos princípios de uma fé inabalável. Refiro-me à experiência de Paulo e Silas na prisão.  

 Após serem açoitados e lançados num cárcere interior, tiveram seus pés presos a troncos. Essa situação, de grande sofrimento e pressão psicológica, era devastadora. Contudo, em Atos, capítulo 16, lemos que, apesar das circunstâncias adversas, eles entoavam cânticos ao Senhor.

“Aqueles que mergulham no mar das aflições (Com Cristo) trazem perolas (Espirituais) raras (E preciosas) para cima” (Charles Spurgeon – As palavras entre colchetes são acréscimos feitas pelo autor deste artigo)

Evidencia-se, assim, a fé inabalável de Paulo e Silas, resultado de um profundo conhecimento do Senhor. A fé que possuíam era prática, com confiança profunda, isenta de superficialidade. Não se tratava de uma crença rasa, mas de um cristianismo profundo, assim como a fé desses heróis da fé que aqui mencionamos. Era uma fé firme e resoluta, que não dependia das circunstâncias, mas estava alicerçada em fundamentos eternos: as promessas de Deus e um relacionamento íntimo com Ele.

 Considero que os exemplos apresentados são suficientes. A epístola aos Hebreus, escrita no contexto da Igreja do Novo Testamento, que enfrentava severas perseguições tanto por judeus quanto pelo Império Romano, demonstra a importância do ensino da perseverança dos crentes, mesmo diante do martírio. Essa fé, baseada em realidades espirituais, pode nos conduzir a experiências profundas com Deus, permitindo-nos permanecer firmes e convictos, mesmo em meio a adversidades. Nossa estabilidade reside em Cristo, que é a nossa base. Acreditamos na fé que foi entregue aos santos, uma fé bíblica e verdadeira, pela qual cremos em Cristo como nosso Senhor e Salvador, cientes de que enfrentaremos perseguições e aflições neste mundo. Contudo, perseveraremos, conforme Paulo expressou em sua carta aos Filipenses: "Porque, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro."

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Enxergando Além da Linha do Horizonte

Enxergando Além do Horizonte

 


Quando o homem tenta amenizar a gravidade da natureza do pecado, para justificar seus erros, pavimenta todo o curso da sua apostasia pessoal.

 

Somos tentados a agradar os homens amenizando a seriedade da danação eterna, mas aqueles que foram iludidos por não terem ouvido as advertências necessárias, podem ser potenciais testemunhas da acusação contra a nossa omissão deliberada.

 

A verdadeira espiritualidade não se demonstra por confusão, mas por ordem e decência, é como o amanhecer cuja demonstração de glória não precisa de ruídos.

 

Todas as coisas são preenchidas pela oração que pode surgir no silencio, e no silencio alcançamos a plenitude quando oramos.

 

Tudo no universo se dissolve, o presente mundo é passageiro. Há uma realidade eterna no mundo vindouro, mas só os redimidos podem ter certeza desses fatos. (Inspirado em Provérbios 23:5)

 

Nada mais trágico do que contemplar o falso brilho do fogo estranho, nutrindo a certeza de estar contemplando a glória de Deus.

 

Autor: Clavio J. Jacinto

 

 

 

 

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