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Escritos Espirituais de um Profeta Solitário
(Francis W. Dixon)
Davi sentiu profunda angústia, contudo, fortaleceu-se no Senhor, seu Deus. (1
Samuel 30:6). Você se sente só e desanimado? Sente que o seu trabalho é em vão?
Sente que o seu fardo é excessivamente pesado e que a vitória parece
inalcançável? É natural que se sinta assim, visto que o desânimo é uma
experiência humana bastante comum. Até mesmo Davi enfrentou esse mal; nos
capítulos iniciais da narrativa da qual extraímos este versículo, encontramos
tanto as causas quanto os remédios para o desânimo. Ainda que se sinta
fortalecido neste momento, dedique atenção a este estudo da Palavra de Deus
para estar devidamente preparado para os dias em que o desânimo se apresentar.
Quais seriam as causas de nosso desânimo? Embora diversas respostas possam ser
oferecidas, no caso de Davi, algumas razões tornam-se evidentes. O rei
enfrentou uma perda profunda e severa. O registro bíblico relata que, após
percorrer um caminho de constantes perigos, Davi retornou à sua cidade apenas
para encontrar ruínas ainda fumegantes. Somado a isso, suas esposas e filhos
haviam sido levados cativos. Diante dessa sucessão de tragédias — a perda de
sua posição e autoridade, a destruição de seus bens, o roubo de seus rebanhos
e, sobretudo, o sequestro de seus entes queridos —, compreendemos a dimensão de
seu sofrimento, conforme descrito em 1 Samuel 30:1-5. Qual é a razão do seu
desânimo? Quais são os fatores que contribuem para o seu estado atual?
Persistia o pensamento inquietante sobre o que poderia ter sido. A trajetória
de Davi, em particular, poderia ter tomado rumos inteiramente distintos. Todos
nós, inevitavelmente, refletimos sobre o passado quando nossos planos se
fragmentam e nossos ideais se dissipam. Cultivamos, em nossa maioria, a ambição
de realizar grandes feitos; contudo, ao falharmos, corremos o grave risco de
sucumbir ao desânimo. Inúmeras pessoas ao nosso redor encontram-se
desencorajadas justamente porque seus projetos foram frustrados. Ao meditarmos no
Salmo 42, versículos 5 a 11, contemplamos o imenso desgaste físico e emocional
enfrentado pelo salmista. Diante dos severos desafios que Davi precisou
superar, é possível dimensionar a exaustão que o acometera. Certamente, o
desânimo é um estado recorrente quando o corpo e a mente estão fatigados e o
equilíbrio emocional se encontra comprometido. Sob tais circunstâncias, nossa
percepção da realidade torna-se distorcida, e experimentamos reações adversas
que ameaçam precipitar-nos no abismo do desespero. Por vezes, o remédio
imediato mais eficaz é o descanso ou um período de afastamento das obrigações
cotidianas. É reconfortante saber que a promessa contida no Salmo 103,
versículos 13 e 14, permanece inabalável. Havia a convicção íntima de que a
comunhão com Deus não se encontrava plena. Embora a filiação divina seja
imutável — e, portanto, nossa afinidade com Ele permaneça inalterável —, a
nossa comunhão consciente pode ser comprometida. Davi, ao seguir as próprias
inclinações e viver de maneira negligente, distanciou-se da presença de Deus.
Esse comportamento é o caminho mais célere para o desânimo; de fato, as pessoas
mais abatidas são aquelas que, embora pertençam ao Senhor, vivem à margem de
Sua comunhão. Estaremos nós atravessando uma fase semelhante de declínio
espiritual? A mão corretora de Deus repousava sobre Davi, e momentos como este
são sempre períodos críticos. Por que assim o são? Pois amamos o fato de que
Ele nos disciplina. Leia Hebreus 12:6 e compare com Deuteronômio 8:2-3, Salmo
55:19 e 1 Coríntios 11:29-32.
Ademais, Davi encontrava-se em solidão.
Em 1 Samuel 30:6, somos informados de que uma revolta estava em curso; veja
também o Salmo 55:12-13. O seu desânimo possui alguma causa semelhante? Estas
são apenas algumas das razões para a angústia de Davi. Talvez o seu estado
atual decorra de motivos distintos; talvez você se sinta como Elias (1 Reis
19:4) ou como Jonas (Jonas 4:3). Se este for o seu caso, leia o Salmo 27:13.
Qual é o remédio para o nosso desânimo?
Busque, isoladamente, a presença de Deus. Davi seguiu esse caminho; leia 1
Samuel 30:8 e compare-o com o Salmo 18:6. Este é o passo fundamental para
superarmos o abatimento. Devemos nos colocar diante do Senhor e expor-lhe todas
as nossas aflições. Há um alívio profundo e um consolo libertador no simples
ato de compartilhar com Ele o nosso desânimo.
Busque a comunhão com o povo de Deus, a
exemplo do que fez Davi, conforme relatado em 1 Samuel 30:7. Não há necessidade
mais urgente do que a comunhão — isto é, o compartilhamento de alegrias e
aflições com aqueles que compartilham da mesma fé. Ao ler Hebreus 10:25,
observe que o termo "exortando" carrega o sentido de encorajamento.
Caso se sinta desanimado, procure encorajar outra pessoa; perceberá que seu
próprio desânimo rapidamente se dissipará. Leia, também, Jó 42:10.
Descanse e deposite sua confiança nas promessas divinas, a exemplo do que fez
Davi, conforme registrado em 1 Samuel 3:8. Reflita profundamente sobre essas
garantias, pois as centenas de promessas contidas na Palavra de Deus são, em
Cristo Jesus, "sim" e "amém" (2 Coríntios 1:20). Nenhuma
delas falhou ou falhará, conforme nos assegura o evangelho de Marcos 13:31. Ao
meditar nessas verdades, o desânimo será rapidamente dissipado. Recomendo a
leitura dos seguintes textos bíblicos: Deuteronômio 33:27; Salmo 55:22; Isaías
26:3, 41:13 e 43:2; Mateus 11:28; Filipenses 1:6; e Hebreus 13:5-6. Reflita
sobre a providência divina. Ainda que Davi atravessasse um período de
perplexidade, perda, tristeza e desalento, Deus, em Seu silêncio, preparava
manifestações de cuidado por ele. A leitura de 1 Samuel 30:11-16 nos recorda,
uma vez mais, a promessa contida em Romanos 8:28. A fidelidade demonstrada por
Deus no passado é a garantia de que Ele não permitirá que sejamos consumidos
pelas adversidades. Considere as providências divinas: ainda que Davi
enfrentasse um período de perplexidade, perdas, tristeza e desânimo, Deus
estava, silenciosamente, conduzindo seus planos por amor a ele. Ao meditar em 1
Samuel 30:11-16, somos remetidos, uma vez mais, à promessa de Romanos 8:28.
Certamente, a fidelidade demonstrada pelo Senhor no passado nos assegura de que
Ele jamais permitirá que sejamos submergidos pelas adversidades.
Publicado
anteriormente na revista "A Senda do Cristão" (Numero e ano desconhecido)
A Redenção: Uma Obra Perfeita
C. J. Jacinto
O diagnóstico apresentado por Paulo
acerca de cada ser humano não se limita a expor a natureza decaída da
humanidade. O apóstolo não apenas diagnostica a condição humana, mas também
oferece a esperança da cura, apresentando Deus como o médico que atesta uma
enfermidade fatal — a segunda morte, ou morte eterna — para a qual providenciou
o remédio da medicina divina. Ao derramar Seu próprio sangue para expiar nossos
pecados e nos conceder a justificação, Cristo revela a solução para essa
condição. Essa verdade é claramente observada na leitura de Romanos 3:23-24:
"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo
justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus."
A ênfase do apóstolo Paulo sobre a redenção em Cristo Jesus demonstra que a
eficácia desse ato é uma verdade absoluta e incontestável no Novo Testamento.
Tal garantia fundamenta-se exclusivamente na obra consumada e perfeita
realizada no Calvário, sendo o Evangelho o único meio pelo qual se alcança a
justificação. Sob uma perspectiva teológica, torna-se evidente que nenhum outro
instrumento é capaz de promover a redenção humana. Esforços pessoais, o batismo
nas águas ou a vinculação a uma instituição religiosa são insuficientes e, se
elevados a condição de mérito, conduzem a uma falsa esperança, característica
de um falso Evangelho. Paulo, contudo, é preciso ao afirmar que somos
justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há
exclusivamente em Cristo Jesus e por intermédio de Sua obra perfeita.
É importante compreendermos, de uma
vez por todas, que a salvação reside única e exclusivamente na obra de nosso
Senhor Jesus Cristo. Esta é uma verdade fundamental e inegociável. O próprio
Cristo enfatiza essa exclusividade em João 14:6, ao autodenominar-se "o
caminho". O uso do artigo definido no singular exclui a possibilidade de
atalhos ou vias alternativas; Ele é a única vereda. Ademais, em Hebreus 1:3, o autor sagrado
afirma: "Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu ser,
sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, depois de ter realizado
a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas,
feito tanto mais excelente que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do
que eles".
Notamos, com clareza, a ênfase dada à
eficácia do sacrifício de Cristo: "havendo feito por si mesmo a
purificação dos nossos pecados". Trata-se de uma obra realizada
exclusivamente por Ele, cuja eficácia pertence apenas a Ele. Portanto, somente
Cristo tem a autoridade para conceder a redenção ao pecador. Ignorar esta
centralidade nas Escrituras equivale a negar uma verdade fundamental do
Evangelho. É fundamental recordar a advertência de Paulo de que o deus deste
século cega o entendimento dos incrédulos, impedindo que a luz da glória do
Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo resplandeça em seus corações.
Compreendemos, portanto, que o propósito das investidas do adversário é
obstaculizar a compreensão e a aceitação da obra expiatória realizada por Jesus
Cristo no Calvário, a qual oferece redenção a todos os que creem. Ao lograr
êxito em deturpar a mensagem do Evangelho, Satanás obtém vantagem ao enganar e
conduzir almas à perdição eterna.
Em Efésios 1:7, o apóstolo Paulo afirma que possuímos a redenção por meio do
sangue de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É mediante o sacrifício
realizado na cruz do Calvário que recebemos a bênção do perdão dos pecados e a
justificação, concedidas gratuitamente por Ele. Contudo, chama a atenção a
passagem de Hebreus 10:11-14, que declara: "Ora, todo sacerdote se
apresenta, dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos
sacrifícios, que nunca jamais podem tirar pecados; Jesus, porém, tendo
oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra
de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por
estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre
quantos estão sendo santificados".
Nesse trecho de Hebreus, observa-se a ênfase
na obra consumada e perfeita de Cristo. Com um único sacrifício, realizado uma
vez por todas no Calvário, Ele aperfeiçoou permanentemente aqueles que são
santificados. Essa oferta, por sua natureza singular e definitiva, não admite
repetições. Portanto, é fundamental compreender que o Verbo de Deus, ao morrer
na cruz, efetuou uma redenção eterna. À luz destas verdades sublimes, somos
convidados a uma reflexão profunda sobre um tema de valor inestimável, que
inunda o coração de júbilo. As Escrituras revelam nossa condição de pecadores,
distantes da glória de Deus, evidenciando um abismo intransponível entre a
humanidade e o Pai Todo-Poderoso. Contudo, Jesus Cristo, nosso Sumo Pontífice,
estabelece a ponte restauradora para a presença divina. Conforme Sua própria
promessa — "Ninguém vem ao Pai senão por mim" —, o elo outrora
rompido foi reatado. Desta forma, o que antes nos mantinha destituídos, agora
nos concede plena comunhão e acesso direto a Deus, por intermédio de nosso
Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Que possamos nos maravilhar diante da
declaração de Hebreus, capítulo 10, versículos 20 a 22, onde está escrito:
"Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de
Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela
sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com
verdadeiro coração, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados da má
consciência e o corpo lavado com água limpa."
Quanta grandiosidade reside nestas palavras. Dispomos de um mediador, um
sacerdote, que é Cristo. É exclusivamente por meio d'Ele que alcançamos a Deus;
somente através de Sua mediação e representação somos conduzidos à Sua
presença. O próprio Senhor declarou ser este o único caminho, verdade
ratificada por todo o Novo Testamento como um princípio absoluto e inegociável.
Qualquer pessoa que pretenda anunciar o Evangelho e ensine a falsa doutrina de
que existem outros mediadores, ou que o acesso ao Pai pode ocorrer por
intermédio de outrem, está a proclamar um "outro evangelho". O
apóstolo Paulo, em Gálatas 1:8-9, adverte categoricamente: ainda que alguém, ou
mesmo um anjo do céu, pregue um evangelho diferente daquele que foi anunciado,
seja anátema. Portanto, aquele que nega a verdade absoluta de que a salvação e
o acesso ao Pai dependem unicamente da obra consumada e perfeita de Cristo, não
é um cristão bíblico, não professa a verdadeira fé e não está pregando o
Evangelho de Cristo. Diante da voz inegável, inerrante e preciosa do apóstolo,
somos confrontados com a afirmação de que em nenhum outro há salvação, pois,
sob o céu, não existe outro nome entre os homens pelo qual possamos alcançar a
Deus. A expressão "nenhum outro" confere ênfase absoluta à
exclusividade de Cristo: Ele é o único acesso e o único meio de redenção. Fomos
destituídos da glória de Deus pelo pecado, mas Cristo restaurou o
relacionamento que havia sido rompido. Conforme registrado em Efésios 2:18,
"Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito". Você
crê nisso?
C. J. Jacinto
“Tenho convicção nas Escrituras
como fonte de confiança para compreender a vontade de Deus, pois seus
ensinamentos são úteis como uma lâmpada acesa que ilumina o caminho da vida.”
“Ignorar o impacto dos tempos finais e as enganos espirituais associados
a eles representa uma vulnerabilidade às influências negativas, que atuam para
desviar os desavisados das verdades essenciais do Evangelho.”
“O materialismo, o conforto e a
conformidade com os valores relativistas predominantes na nossa era tendem a
promover um estado de apatia espiritual. Esse sistema, por sua vez, prejudica
nossa sensibilidade e nos conduz a uma aceitação gradual da impiedade e da
decadência moral, influenciados por uma visão de mundo que, muitas vezes, está
alinhada com interesses que não promovem o desenvolvimento ético e espiritual
promovidas pelas Escrituras.”
“O mundo encontra-se sob a
influência do mal, e os cristãos residem temporariamente neste cenário. Por
essa razão, a vigilância e a sobriedade são essenciais, uma vez que, na atual
dispensação, a igreja constitui uma organização que se opõe às tendências de um
mundo dominado pelo inimigo.”
“A firmeza na fé não consiste na
soma dos momentos de sonolência espiritual de um cristão, mas sim na constância
durante todo o tempo em que permaneceu comprometido com seus estudos, a
frequência aos cultos e as orações.”
“Jonas desceu ao porão de um navio
e adormeceu. Sua postura rebelde e indiferente o levou a cair na armadilha da
letargia espiritual. Diante dessa situação, foi necessária a intervenção
divina, pois, se Jonas permanecesse em seu estado de sonolência e
insensibilidade, enfrentaria as consequências de sua desobediência. A escuridão
espiritual oculta as consequências devastadoras que a desobediência pode
causar.”
“A luminosa manifestação da glória
do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo revela ao cristão que o mundo não
constitui o nosso lugar de repouso, mas sim o cenário de uma batalha
espiritual. Em um campo de batalha, não nos é permitido dormir; ao contrário,
devemos permanecer vigilantes e dedicados à oração.”
O Peso do
"Ai": Uma Exposição de Mateus 23 e a Repreensão aos Falsos Mestres
Com base na análise
apresentada por Heath Henning em seu artigo "Woe to False Teachers (Matthew
23)" no site Truth Watchers, este artigo expande seus argumentos centrais,
utilizando as mesmas fontes bíblicas e históricas para explorar a mensagem
profunda e solene do último sermão público de Cristo.
A Cadeira de
Autoridade e sua Corrupção
A análise de
Henning começa fundamentando a repreensão de Jesus em uma realidade histórica
tangível: a "cadeira de Moisés" (Mateus 23:2). Esta não era meramente
uma metáfora, mas provavelmente se referia a uma cadeira de pedra literal na
sinagoga, um lugar de honra e autoridade para os principais mestres da Lei [1].
Descobertas arqueológicas, como a cadeira de basalto encontrada na antiga
sinagoga de Corazim, confirmam que tais assentos eram uma peça física no culto
judaico do primeiro século, servindo como um "sinal de autoridade"
[1]. Os escribas e fariseus, ao se sentarem nessa cadeira, reivindicavam a
linhagem autoritativa e o poder interpretativo que remontava ao grande
legislador [6]. A Mishná reflete essa reivindicação, apresentando os rabinos
como juízes presidindo cortes civis com uma autoridade que se estende de volta
a Moisés [6].
No entanto, a
condenação de Jesus visa o abuso dessa confiança sagrada. Henning descompacta
isso meticulosamente, destacando que a autoridade deles, reconhecida por sua
posição, era completamente minada por sua hipocrisia, falta de integridade e
piedade egoísta [7]. Como Henning observa de James L. Kelso, o termo
"hipócrita" (ὑποκριτής, hypokritēs) origina-se do teatro
grego, referindo-se a um ator que finge ser algo que não é [8]. Este é o cerne
da acusação de Jesus: a religião deles era uma performance.
Os Sete Ais:
Denunciando o Coração da Hipocrisia
O ponto central do
argumento de Henning é a pronúncia de sete "ais" (Mateus 23:13-33).
Cada "ai" serve como um julgamento divino, expondo uma faceta
diferente de sua corrupção interior [8]. Embora parecessem justos por fora,
Jesus, ecoando a tradição profética, os denuncia como "sepulcros
caiados" (Mateus 23:27) e "raça de víboras" (Mateus 23:33). Ele
declara que eles "fecham o Reino dos Céus diante dos homens" (Mateus
23:13), não apenas recusando-se a entrar eles mesmos, mas ativamente impedindo
outros que estão tentando.
Além disso, seus
esforços proselitistas não são para a salvação, mas para a perversão. Henning
argumenta, citando a passagem, que seus convertidos se tornam "duas vezes
mais filhos do inferno" do que eles próprios (Mateus 23:15). Seu zelo
fervoroso leva as pessoas para longe do Deus verdadeiro, para um sistema de
aprisionamento legalista, "percorrendo mar e terra para fazer um
prosélito", apenas para conduzi-lo a uma condenação mais profunda. Esta
realidade sombria, observada em outros comentários, é o legado condenatório da
falsa liderança espiritual: eles não apenas falham em encontrar a verdade, mas
ativamente desencaminham outros no caminho da destruição.
O Peso dos Títulos
Um aspecto crítico
da análise de Henning é o exame do título "Rabino". Derivado do termo
hebraico רַב (rav), que significa "grande", o título significava um
homem de posição alta e respeitada [2]. No entanto, Henning aponta que Jesus
proibiu Seus discípulos de buscar tais títulos (Mateus 23:8-10). Esta proibição
não era contra o papel de mestre, mas contra o amor à honra, proeminência e o
desejo de autoengrandecimento que o título representava [3][5].
Este desejo de
honra era uma força motriz para os fariseus. Eles amavam "os primeiros
lugares nos banquetes, e as primeiras cadeiras nas sinagogas" (Mateus
23:6). J.C. Ryle, em suas "Expository Thoughts", observa que os
fariseus "amavam o louvor dos homens" mais do que o louvor de Deus,
uma doença espiritual que tem assolado a igreja ao longo da história. O aviso
de Jesus é claro: a busca por títulos e posições de autoridade é uma marca de
orgulho espiritual, contrastando fortemente com a humildade e o serviço que
devem caracterizar Seus verdadeiros seguidores.
Um Aviso para Todas
as Gerações
O artigo conclui
traçando um contraste nítido entre o "ai" pronunciado sobre os
mestres corruptos e a "bênção" que será declarada sobre Cristo em Sua
volta (Mateus 23:39). O julgamento para os falsos mestres é severo, mas a
promessa para aqueles que são fiéis é a glória. Henning conecta explicitamente
a hipocrisia dos fariseus à subsequente destruição de Jerusalém, deixando a
"casa" deles desolada (Mateus 23:38). O abuso de autoridade lhes
custou não apenas sua herança espiritual, mas também a própria cidade e a terra
que eles consideravam sagradas.
No entanto, a
narrativa não termina em julgamento. O artigo aponta para a esperança do
retorno de Cristo, quando Ele vindicará Jerusalém e julgará seus inimigos, uma
promessa extraída de Zacarias e Apocalipse. Isso sublinha uma verdade vital: os
falsos mestres são uma ameaça persistente e perniciosa à fé, mas seu julgamento
é tão certo quanto a vitória final de Cristo. O chamado para os crentes é
permanecer vigilantes, testar todo ensino contra a Palavra de Deus e evitar o
orgulho e a pretensão que corrompem a própria mensagem da salvação.
Referências
1.
Randall Price
with H. Wayne House, Zondervan Handbook of Biblical Archaeology,
Zondervan (Grand Rapids, MI: 2017), p. 251.
2.
Theological
Dictionary of the New Testament (ed.
Gerhard Kittel; trans. Geoffrey W. Bromiley) WM. B. Eerdmans Publishing Co. (Grand Rapids, MI:
1964-1976), Vol. 6, p. 961.
3.
Theological
Dictionary of the New Testament (ed.
Gerhard Kittel; trans. Geoffrey W. Bromiley) WM. B. Eerdmans Publishing Co. (Grand Rapids, MI:
1964-1976), Vol. 6, p. 963.
4.
A
Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (ed. Walter Bauer and trans. Wm. Arndt, F. W.
Gingrich, and F. Danker, University of Chicago Press (Chicago, IL: 1979), p.
191.
5.
Joseph Henry
Thayer, Greek-English Lexicon of the New Testament, Harper and
Brothers (Franklin Square, NY: 1896), p. 313.
6.
Mishna, Rosh
Ha-Shanah, 2.9; The Mishna (Trans. Herbert Danby), Hendrickson
Pub. (Peabody, MA: 1933, 2016), p. 191.
7.
Joachim
Jeremias, Jerusalem in the Time of Jesus (trans. F. H. and C.
H. Cave), Fortress Press (Philadelphia, PA: 1967, 1989), p. 235.
8.
James L.
Kelso, An Archaeologist Looks at the Gospels, Word Books,
Publishers (Waco, TX: 1969), p. 64.
C. J. Jacinto
A.W. Pink, em determinada ocasião,
afirmou que nenhum pecador jamais foi salvo por simplesmente entregar seu
coração a Deus. A salvação não advém de nossa entrega pessoal, mas sim do que
Deus entregou: Seu Filho unigênito. Nesse sentido, e sem dúvida, concordo
plenamente com A.W. Pink. Afinal, compreendemos que Deus entregou Seu Filho
para que este, por sua vez, pudesse entregar-se por nós. Consequentemente, sem
a obra consumada e perfeita de Jesus na cruz, sem Sua total entrega, a salvação
jamais seria possível. Consideremos, então, o Evangelho de João, capítulo 1,
versículos 11 e 12. Primeiramente, é-nos revelado que Ele veio para os Seus,
mas os Seus não o receberam, em alusão ao povo judeu. Contudo, João acrescenta:
"mas a todos os que o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de
Deus, os que crêem no seu nome".
Portanto, nesta passagem específica,
João aborda o ato do pecador de receber a Cristo. Esse recebimento de Cristo
ocorre mediante a audição da mensagem do Evangelho, conforme se pode observar
em Romanos, capítulo 10, versículos 9 e 10.
Adicionalmente, uma outra passagem relevante é João, capítulo 16,
versículo 8, que registra as palavras de Jesus. Tal versículo discorre sobre o
Consolador, o Espírito Santo, que convence o homem acerca do pecado, da justiça
e do juízo. Assim, o ato de receber a Cristo ocorre somente mediante duas
condições preliminares: primeiramente, ouvir a mensagem correta do Evangelho e,
em segundo lugar, ser convencido pelo Espírito Santo. Portanto, entendo que a obra de salvação
realiza-se através da dinâmica do próprio plano salvífico apresentado por Deus:
Deus entrega Seu Filho; o Filho Se entrega na cruz por cada pecador; e todos
aqueles que O recebem, o fazem por meio da convicção operada pelo Espírito
Santo. Sem essa convicção do Espírito Santo, não há verdadeira conversão.
Verdadeiramente, a Queda primordial impeliu a humanidade inteira para o vale
sombrio da morte. Ela nos deixou dilacerados e em desespero. Dessa condição,
Cristo nos resgata. Nesse sentido, em João 12:32, Jesus declarou: "E eu,
quando for levantado da terra, atrairei todos a mim." Essa atração por
Cristo nos eleva de um estado de profundo desamparo, onde vagamos perdidos em
um vale de sombras. Sem a luz do Evangelho, somos incapazes de discernir o
amplo aspecto da força do pecado que conduz ao abismo e o chamado daquele que
nos guia à salvação. É o resplendor da glória da graça divina, revelada no
Evangelho de Deus, que nos concede a capacidade de reconhecer nossa intrínseca
condição de miséria. A Queda primordial, ademais, desvinculou o ser humano de
sua essência, de sua comunhão e do seu relacionamento com Deus. Tornou-se,
assim, um ser desarraigado, à beira de um abismo de perdição eterna. O profeta
Isaías, no capítulo 59, versículo 2, revela que a iniquidade humana estabelece
uma separação entre o homem e Deus. Essa iniquidade, de fato, constitui a
barreira que nos afasta da presença divina. Tal realidade é corroborada pela
estrutura do Tabernáculo, primeiramente revelado a Moisés no deserto. Pois, no
Tabernáculo, existia um compartimento denominado Santo dos Santos, um espaço
representativo da presença de Deus e cujo acesso era estritamente restrito.
Nenhum homem comum tinha permissão de adentrar ali, exceto o sumo sacerdote, e
este, apenas uma vez por ano. O Santo dos Santos, com sua inacessibilidade,
simbolizava, de fato, um relacionamento rompido. Todavia, é nas próprias
palavras do Senhor Jesus que encontramos o caminho para o restabelecimento
dessa comunhão. Ao declarar: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por mim", Jesus não apenas reitera, mas
efetivamente restabelece a comunhão outrora perdida.
As boas novas do Evangelho
proclamam a redenção, a qual é obtida única e exclusivamente por meio da obra
realizada por Jesus Cristo na Cruz do Calvário. Jesus é nosso único Salvador;
não há salvação além de Cristo. A redenção nos possibilita viver livremente na
graça. Como o próprio Jesus afirmou em João, capítulo 8, versículo 32: "Se
o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." O pecado escravizou
o homem, que, em sua condição caída, vivencia a angústia inerente a ele.
Contudo, conforme registrado em 2 Pedro, capítulo 2, versículo 1, Cristo
efetuou um resgate. O preço desse resgate pode ser compreendido pela leitura de
Atos, capítulo 20, versículo 28, onde se fala de um resgate feito com sangue
divino.
No Antigo Testamento, o conceito de
salvação é expresso pela palavra Yasha, da qual deriva o nome Yeshua, traduzido
para Jesus Cristo. No hebraico, Yasha está associado à redenção, vitória e
libertação – e é tudo isso que Jesus nos oferece por meio da cruz do Calvário.
Em Mateus, capítulo 11, versículo 28, Ele convida: "Vinde a mim, todos os
que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei." Essa libertação,
esse alívio, essa redenção, que Jesus oferece, provém da obra consumada e
perfeita de Jesus na cruz, e é oferecida gratuitamente a todos que creem em
Cristo. Portanto, prezado leitor, creia em Jesus, reconheça-O como Senhor e
Salvador, confie Nele e siga-O para que a redenção seja uma realidade, uma
experiência de vida que se manifesta em nosso caminhar diário. Isso é ser
cristão.
Livreto Grátis: Pequeno Tratado Sobre Idolatria.
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Livreto: Percepção Espiritual – Como Obter?
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Milhares de estudos bíblicos para sua edificação e artigos
apologéticos para a defesa da fé
C. J. Jacinto
Em Atos 17:11 lemos a narrativa lucana do comportamento dos
judeus de Beréia que após ouvirem a pregação de Paulo, foram verificar com
diligencia e muito cuidado nas Escrituras Sagradas se o que Paulo pregou e
ensinou estava de acordo com o que estava escrito. O Espírito Santo chamou os bereianos de
nobres, pela excelência do comportamento em consultar com diligencia os
escritos inspirados do Antigo Testamento para ficarem seguros de que o apostolo
Paulo não era um falso doutor, que conduta magnífica, aqui temos um exemplo
claro acerca do livre exame das Escrituras, e a Palavra de Deus chama de
atitude nobre, pois buscar no livro sagrado, verdades absolutas é um caminho
seguro para não sermos enganados por falsos profetas e enganadores. Notemos as
coisas com mais profundidade; Os judeus, ao receberem a mensagem de Paulo,
consultaram as Escrituras do Antigo Testamento e as examinaram detidamente para
verificar se sua pregação estava em conformidade com a autoridade textual
estabelecida. É crucial notar que eles não buscaram validação na tradição oral,
nem se dirigiram à liderança judaica ou aos rabinos para tal averiguação. Pelo
contrário, tomaram as próprias Escrituras como critério único, conferindo se o
que Paulo expunha naquele momento se alinhava com o que já havia sido revelado
e estabelecido no Antigo Testamento. Essa diligência, ademais, proporciona-nos
uma compreensão mais profunda da postura que um cristão deve manifestar em
relação ao que lhe é transmitido, ao que lhe é doutrinado e ao que lhe é
ensinado. Alguns indoutos e falsos mestres empenham-se em induzir os indivíduos
a uma profunda desorientação acerca deste tema. Para tanto, referenciam
passagens descontextualizadas, como 1 Pedro, capítulo 1, versículo 20, com o
propósito de sustentar que as Escrituras Sagradas não admitem interpretação
privada, dado que há uma única e legítima autoridade está privada a um sistema
elitista de novos “escribas e doutores
da lei” que já estabeleceram e determinaram a “verdadeira” interpretação, sendo
que o povo deve permanecer passivo, uma atitude “antibereiana”
Constata-se que, no âmbito da discussão
presente, podem emergir duas compreensões equivocadas. Uma delas reside na
confusão entre a interpretação particular e o livre exame das Escrituras. Sob a
premissa de que tais abordagens são idênticas, empregam-se sofismas e
artifícios retóricos, visando persuadir os desinformados e aqueles desprovidos
de discernimento crítico sobre a matéria.
Assim sendo, é crucial salientar que a interpretação
particular é uma prática específica, a qual, conforme as Escrituras é
verdadeiramente proscrita. Refere-se, em essência, à manipulação dos textos
sagrados para fins de benefício pessoal ou para a concretização de interesses
particulares. Tal entendimento é corroborado pela advertência de Pedro,
expressa em sua segunda epístola, capítulo 1, versículo 20. É imperativo
assinalar que, no âmago do ensino ministrado pelo Espírito Santo, aquele que,
ao ouvir uma mensagem ou pregação, diligentemente recorre às Escrituras para
discernir a conformidade do conteúdo com a voz divina, é designado como nobre.
Esta é a característica distintiva de um cristão biblicamente fundamentado,
que, por tal conduta, demonstra não ser suscetível à alienação. Somente
indivíduos, notadamente líderes, que se opõem à escrutinação de suas pregações,
mensagens e exortações, o fazem por receio de que a inautenticidade de suas
declarações seja desvelada.
O livre exame das Escrituras constitui a
prerrogativa essencial de questionar e aferir ensinamentos à luz dos preceitos
bíblicos. Indivíduos aos quais essa liberdade é negada permanecem em um estado
de alienação. Quando uma entidade — seja uma instituição religiosa, um sistema
doutrinário, um sacerdote ou um pastor — obstaculiza o livre exame, à
semelhança do que fizeram os bereianos diante do apóstolo Paulo, revela-se um
sistema que não liberta, mas sim escraviza. A proibição do escrutínio pessoal
das Escrituras, que visa verificar a conformidade do que é pregado, ensinado ou
exposto com a palavra divina, quando imposta por um líder ou um sistema
religioso, demonstra ser um mecanismo manipulador, incapaz de apresentar ou
defender a verdade. Essa é uma das principais marcas do sectarismo!
Percebe-se que a
prática do exame das Escrituras é, de fato, recorrente entre os judeus. Jesus,
em João 5:39, por exemplo, refere-se aos judeus que as examinavam com o
propósito de encontrar a vida eterna. Ele então afirmou que as Escrituras
testemunhavam a seu respeito. Esse livre exame permitia aos judeus daquela
época evitar os equívocos provenientes de falsos profetas e doutrinas espúrias.
Contudo, em Mateus 22:29, observa-se que aqueles que manejavam a Palavra de
Deus com negligência, desprovidos do hábito diligente e acurado de discernir o
ensino das Sagradas Escrituras, incidiam em equívocos. Jesus, por exemplo,
advertiu que o erro dos saduceus residia no desconhecimento das Escrituras,
visto que não acreditavam na ressurreição. Uma análise minuciosa do Antigo
Testamento, de fato, atesta que a ressurreição — não apenas do Messias, mas da
humanidade em geral — é exposta com notória clareza em passagens como Daniel
12:2.
Assim, o erro deles
advinha do desconhecimento. Similarmente, muitas pessoas, na atualidade, também
incorrem em equívocos e são induzidas a equívocos por não cultivarem o hábito
do livre exame das Escrituras mas a aceitarem passivamente o que lhes é
ensinado. Resignam-se à palavra do sacerdote, do pastor ou do pregador, sem
consultar as Escrituras para verificar a conformidade entre o que é ensinado ou
pregado e o que está escrito. Porém a verificação diligente e cuidadosa dessa prática é não apenas salutar, mas igualmente
validada pelas Sagradas Escrituras. Os que se opõem a tal postura o fazem
movidos pelo intento de manipular terceiros e pelo receio de que uma verdade
seja plenamente desvelada. Atualmente, muitos líderes receiam que os cristãos,
e sobretudo seus ouvintes, exerçam o livre exame das Escrituras, à semelhança
dos bereianos. Tal apreensão advém do temor de que suas inverdades e equívocos
sejam inequivocamente expostos. Em decorrência desse receio, promovem confusão,
inclusive por meio de retóricas enganosas que sugerem a proibição bíblica do
livre exame, contrariando a verdade de que as Escrituras jamais o coíbem. Pelo
contrário, Deus exalta a nobreza de quem não se permite ser induzido por falsos
doutores e profetas. Os bereianos exemplificaram essa nobreza, mesmo ao
confrontar os ensinamentos de uma figura de grande envergadura espiritual e
teológica como Paulo, cuja sabedoria, espiritualidade, profundidade,
discernimento e entendimento, fruto de uma formação elevada, são patentes em
suas cartas do Novo Testamento. Apesar de serem ouvintes assíduos do apóstolo
Paulo, eles recorreram aos rolos sagrados para confirmar a conformidade de seus
ensinamentos com o que já estava escrito. É imperativo reiterar que não se
voltaram a tradições, ao sistema, a rabinos ou a quaisquer outros mestres;
recorreram, sim, diretamente às Escrituras. Lamentavelmente, um grande número
de pessoas é ludibriado por negligenciar o salutar hábito de consultar o Novo
Testamento, a fim de verificar a consonância do que é pregado com os
ensinamentos de Paulo, Pedro, Tiago e Jesus e outros. No contexto de Atos 17:11, onde a palavra
"nobre" é traduzida do grego "eugênes", que denota alguém
de mente elevada, conduta moral exemplar e caráter nobre, observamos a escolha
cuidadosa do Espírito Santo. Essa palavra sublime foi aplicada àqueles que,
após ouvirem uma pregação ou ensinamento, dedicavam-se a examinar as
Escrituras, verificando se o que lhes era apresentado estava em conformidade
com o que nelas se encontrava escrito. Em
2 Timóteo 3:16, a Escritura é descrita como divinamente inspirada e útil para
correção. A Palavra de Deus, portanto, corrige o ensino incorreto. Diante
disso, a consulta a toda a Escritura, que é divinamente inspirada, torna-se
essencial, pois ela é proveitosa para a correção. Somente assim podemos obter
proteção. O Salmo 91:4 declara que a verdade do Senhor, ou seja, a Palavra de
Deus, é escudo e broquel, protegendo-nos do falso ensino. Consequentemente, a
atitude de um cristão verdadeiramente bíblico é avaliar e examinar o que lhe é
pregado e ensinado, a fim de verificar sua consonância com as Escrituras.
Atualmente, observa-se um considerável
número de indivíduos que adotam uma religião, muitas vezes manifestando uma
participação religiosa passiva, baseada na crença e confiança em figuras
humanas. Contudo, a Bíblia adverte contra a confiança irrestrita nos homens. Em
contrapartida, a fé cristã, em sua essência, não promove a passividade, mas sim
o exercício discernimento e isso se alcança estudando, pesquisando e conferindo
as Escrituras. Em 1 João, capítulo 4,
versículo 1, lemos: "Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem
os espíritos para ver se eles procedem de Deus". A Bíblia não preconiza
uma aceitação passiva e acrítica. Ao contrário, incentiva a análise e a
verificação. Interpretar as Escrituras com autonomia, buscando entendimento,
não constitui pecado nem representa uma interpretação particular que invalide a
palavra de Deus. Aqueles que deturpam essa compreensão e induzem à crença cega,
sem a devida análise, agem como falsos profetas e mestres. Homens de fé
genuína, comprometidos com a verdade, apresentarão o ensinamento bíblico e
estimularão a consulta às Escrituras, pois o exame delas é um conselho divino.
Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para o ensino e a
correção. Portanto, devemos, como os nobres, adotar uma postura de
discernimento, evitando sermos enganados por aqueles que se opõem à análise
bíblica. Aquele que nos afasta da consulta e do exame das Escrituras, como
fizeram os bereanos, com certeza nos conduz ao erro. Essa atitude contraria o
ensinamento de Mateus 15:14: "Deixem-nos; são guias cegos. Se um cego
guiar outro cego, ambos cairão numa cova". Em Colossenses 2:4, Paulo
adverte: "Ninguém vos engane com palavras persuasivas." De maneira
semelhante, desejo alertá-los para que não se deixem iludir por aqueles que vos
dissuadem de examinar as Escrituras. Aqueles que assim ensinam buscam, em
última análise, obscurecer a verdade, contrariando a vontade e os ensinamentos
divinos. Eles se opõem à palavra de Deus e tentam vos afastar da nobre busca
pelo conhecimento. Contudo, a Bíblia deve ser estudada diariamente,
especialmente nestes tempos finais, pois falsos profetas se levantarão. Aquele
que vos afasta do conhecimento da palavra de Deus não permanece na verdade, mas
se move no espírito do erro.
A salvação vem
do Senhor (Jonas 2:9)
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Milhares de estudos bíblicos para sua edificação e artigos
apologéticos para a defesa da fé
C. J. Jacinto
Existe uma distinção fundamental
entre o conhecimento conceitual de uma divindade, obtido através da mera
compreensão intelectual, e o conhecimento espiritual, derivado de um
relacionamento íntimo com o Deus revelado nas Escrituras. Este último é consequência
do amor incondicional a Ele, manifestado por meio da obra redentora e perfeita
de Jesus Cristo na cruz. Nas Escrituras, Jesus Cristo é apresentado como o
único mediador pelo qual podemos conhecer e nos relacionar com Deus. Em Oseias,
capítulo 6, versículo 3, o profeta exorta: "Conheçamos e prossigamos em
conhecer ao Senhor". Em João, capítulo 17, versículo 3, a vida eterna é
definida como o conhecimento de Deus, o único Deus verdadeiro, e de Jesus
Cristo, a quem Ele enviou. Portanto, o conhecimento espiritual, em sua
essência, implica em um relacionamento com Deus, estabelecido e mantido de
acordo com os princípios revelados nas Escrituras, que nos capacitam a
compreender a natureza profunda e dinâmica dessa conexão espiritual com o Deus
revelado.
Atualmente, o conhecimento sobre a fé
religiosa é limitado, e a crença em Deus, em muitos casos, é superficial,
frequentemente motivada por interesses pessoais. A cristandade, em certa
medida, desenvolveu uma visão utilitarista da divindade. Na maioria das igrejas
contemporâneas, com raras exceções, os fiéis buscam um deus que lhes sirva. A
motivação principal não é servir um Deus soberano, mas sim obter bênçãos e
satisfazer interesses pessoais, materiais e egoístas. A adoração e o serviço a
um Deus soberano e majestoso, por si só, parecem não ser o foco principal.
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