sexta-feira, 3 de julho de 2026

OVNIs e a Hipótese da Origem Demoníaca

 OVNIs e a Hipótese da Origem Demoníaca: Uma Análise a partir da Perspectiva Teológica e Parapsicológica

Resumo: O presente artigo examina o fenômeno dos Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) e das supostas abduções por entidades extraterrestres sob a ótica apresentada no documento Duivelse misleiding via UFO's), de Jay Howard e Piet Guijt. A partir de uma análise das narrativas de encontros de terceiro e quarto tipo, das mensagens transmitidas pelas entidades e das implicações cosmológicas e teológicas, argumenta-se que o fenômeno ufológico pode ser mais bem compreendido não como visitação interplanetária, mas como uma manifestação de entidades extra-dimensionais de natureza demoníaca, cujo objetivo seria desviar a humanidade da fé cristã.

Nota: a natureza demoníaca dos OVNIs é defendida por mim desde o fim da década de 1980 quando comecei a pesquisar sobre o assunto (C. J. Jacinto)


1. Introdução

Desde a segunda metade da década de 1940, o planeta Terra testemunhou um aumento exponencial no número de avistamentos de OVNIs. Paralelamente, cresceu vertiginosamente o número de relatos de contato físico e psíquico com seres de outros mundos, incluindo as chamadas "abduções" — os encontros de quarto tipo, nos quais indivíduos alegam terem sido submetidos a experimentos a bordo de naves espaciais (HOWARD; GUIJT, s.d.). O caso mais célebre, o suposto acidente de Roswell em 1947, alimentou teorias conspiratórias de que governos, especialmente o norte-americano, ocultariam a verdade sobre a visitação alienígena. Essa teoria é chamada de exopolitica, um artigo será elaborado posteriormente abordando este tema.

Contudo, uma análise mais profunda do fenômeno, conforme proposto por Howard e Guijt (s.d.), revela padrões que desafiam a hipótese extraterrestre convencional e apontam para uma origem muito mais antiga e espiritualmente perigosa.

2. O Perfil dos "Contactados" e a Conexão com o Ocultismo

Um dos achados mais significativos apontados por Howard e Guijt (s.d.) é a recorrência de um histórico de envolvimento com o ocultismo entre os chamados "contactados". Quase todos os relatos de encontros de terceiro e quarto tipo revelam que os indivíduos envolvidos possuíam, previamente ao evento, um profundo interesse ou participação em práticas ocultistas, espiritistas ou de bruxaria. Isso me faz lembrar da entidade demoníaca chamada de LAM que Aleister Crowley contatou no mesmo período das aparições de Arnold, LAM é muito parecido com as descrições de aliens tipo “grey”

O caso de Whitley Strieber, autor do best-seller Communion (1988), é emblemático. Strieber admitiu seu fascínio pelo oculto e experiências anteriores com bruxaria. De forma intrigante, relata que o título de seu livro — que significa "Comunhão" — lhe foi ditado por uma voz masculina profunda que falou através de sua esposa enquanto ela dormia, sugerindo, do ponto de vista bíblico, uma possível intervenção demoníaca na nomenclatura da obra (HOWARD; GUIJT, s.d.).

Outros relatos comuns incluem a prática de hipnose regressiva — método frequentemente utilizado para "recuperar" memórias de abdução, mas que, segundo diversos estudos, é uma fonte altamente suscetível a falsas memórias e sugestões —, uso de tabuleiros Ouija, escrita automática, trances mediúnicos e projeções astrais (HOWARD; GUIJT, s.d.).

3. As Características das Entidades e as Mensagens Transmitidas

As entidades mais comumente descritas nos relatos de abdução são os chamados "Cinzas" (Greys): seres de três a quatro pés de altura, com grandes cabeças, olhos amendoados e negros, corpos frágeis, sem orelhas aparentes e com uma boca mínima. Curiosamente, conforme notado por Howard e Guijt (s.d.), essas descrições são quase idênticas às de entidades reportadas em atividades ocultistas ao longo dos séculos.

As mensagens veiculadas por essas entidades seguem um padrão alarmante e anti-bíblico:

·         Negam a existência do Deus criador;

·         Negam a divindade de Jesus Cristo como único Salvador;

·         Promovem a reencarnação;

·         Afirmam que todas as religiões são iguais;

·         Endossam crenças do movimento Nova Era;

·         Advertem sobre um apocalipse iminente, oferecendo-se como salvadores da humanidade (HOWARD; GUIJT, s.d.).

O astrofísico francês Dr. Jacques Vallée, pesquisador do fenômeno há mais de três décadas, em sua obra clássica Passaporte para Magônia (1969), já havia observado que as características dos encontros com "alienígenas" são praticamente idênticas às atividades ocultistas reportadas ao longo da história humana. Vallée sugere que o fenômeno OVNI é, na verdade, uma versão do século XX de manifestações demoníacas que afligiram a humanidade em todas as eras (HOWARD; GUIJT, s.d.).

4. A Hipótese Extra-Dimensional e a Impossibilidade Científica da Vida Extraterrestre

Do ponto de vista científico, Howard e Guijt (s.d.) argumentam que a probabilidade de vida em outros planetas é estatisticamente insignificante. A chance de que as reações químicas elementares necessárias para sustentar a vida ocorram em um planeta já "hospitaleiro" é de 10 elevado à 415ª potência — um número tão astronômico que torna a hipótese praticamente impossível.

Ademais, mesmo que civilizações alienígenas existissem, as distâncias interestelares e a energia necessária para viagens interestelares tornariam a visitação inviável. A uma velocidade próxima à da luz, os ocupantes de uma nave seriam obliterados em frações de segundo devido às forças físicas envolvidas (HOWARD; GUIJT, s.d.).

Essas considerações levam os autores a propor que os OVNIs não são veículos tecnológicos de outras civilizações, mas manifestações extra-dimensionais — isto é, provenientes de uma dimensão espiritual, especificamente o "reino das trevas". A capacidade desses objetos de desaparecer instantaneamente de radares, de violar leis da física e de interagir diretamente com a mente humana seria explicável se forem entendidos como projeções demoníacas, possivelmente auxiliadas por manipulação molecular (HOWARD; GUIJT, s.d.).

5. A Natureza das "Abduções": Memórias Implantadas e Agendas Espirituais

A ausência quase total de testemunhas oculares independentes em casos de abdução (CE-IV) é um fato notável. Howard e Guijt (s.d.) sugerem que a maioria dessas experiências pode ser explicada pela inserção de memórias falsas por entidades demoníacas. Isso explicaria o caráter onírico e nightmaresco dos relatos, a impossibilidade de os abduzidos trazerem provas físicas das naves e a paralisia frequentemente descrita — não por força física, mas por controle mental.

A agenda subjacente, segundo os autores, não é científica ou de cooperação interplanetária, mas espiritual e predatória. As entidades buscam não apenas o corpo humano, mas o domínio sobre a mente e o espírito, agindo como "parasitas" espirituais que desejam habitar um "hospedeiro" humano (HOWARD; GUIJT, s.d.). O objetivo final é afastar as pessoas do Evangelho de Jesus Cristo, oferecendo uma falsa esperança de salvação através dos "irmãos do espaço" — uma engenhosa falsificação que o apóstolo Paulo já advertira quando descreveu Satanás como aquele que se disfarça de "anjo de luz" (2 Coríntios 11:14).

6. Considerações Finais: Uma Postura Cristã diante do Fenômeno

Diante dessa análise, Howard e Guijt (s.d.) propõem uma postura equilibrada para os cristãos: não se deixar abater por informações alarmistas ou teorias conspiratórias; não se envolver ou se expor ao fenômeno; e, acima de tudo, não temer, pois a proteção divina é assegurada para aqueles que vivem na vontade de Deus.

A Bíblia, conforme Romanos 8:38-39, garante que nem anjos, nem principados, nem potestades, nem qualquer outra criatura — incluindo, por extensão, "alienígenas" ou OVNIs — poderá separar o crente do amor de Deus em Cristo Jesus. A mensagem central do documento é clara: o fenômeno ufológico, por trás de sua aparência científica e tecnológica, constitui uma das mais sofisticadas estratégias de engano espiritual da era moderna, exigindo discernimento, firmeza doutrinária e confiança na unicidade de Jesus Cristo como Salvador.


Referências

HOWARD, J.; GUIJT, P. Duivelse misleiding via UFO's [Misleidão Diabólica através de OVNIs]. Tradução e adaptação de Piet Guijt. Publicado pela Stichting Promise. Disponível em: http://www.verhoevenmarc.be/PDF/duivelse-misleiding-UFOs.pdf. Acesso em: 2 jun. 2026.

VALLÉE, J. Passport to Magonia: From Folklore to Flying Saucers. Chicago: Henry Regnery Company, 1969.


Nota: Este artigo foi elaborado com base exclusiva nos argumentos e ideias apresentados no documento de Howard e Guijt, servindo como uma síntese acadêmica e teológica de sua proposta interpretativa sobre o fenômeno ufológico.

 

Mais Desejável que o Ouro: Como Ler a Bíblia com Verdadeiro Proveito

 

 

Em nosso dia a dia, sempre temos algo para fazer. O trabalho, a família, as responsabilidades da igreja... e em meio a essa voragem, é fácil perguntar: "Já sou cristão, vou à igreja, por que preciso ler e estudar a Bíblia por conta própria?"

A resposta, no entanto, é fundamental para nossa vida espiritual. A Bíblia não é um simples livro religioso, um compêndio de histórias antigas ou um manual de boas maneiras. Ela é a Palavra de Deus, viva e eficaz, e tratá-la como algo menor que isso é um erro que pode ter graves consequências.

Devemos desejar ardentemente a palavra de Deus e ter uma grande afeição por ela, pois ela é a luz que nos alumia em meio a tanta confusão que opera em nossos dias.

 

“Não que você deva ler apenas a Bíblia. Tudo o que é verdadeiro e bom merece ser lido, se você tiver tempo para isso. Tudo, se usado corretamente, o ajudará no estudo das Escrituras. Um cristão não fecha os olhos para as belas paisagens naturais que o cercam. Ele não deixa de admirar as colinas, as planícies, os rios ou as florestas da Terra porque aprendeu a amar o Deus que os criou; nem se afasta dos livros de ciência ou da verdadeira poesia porque descobriu um livro mais verdadeiro, mais precioso e mais poético do que todos os outros juntos.” (Horatius Bonar)

 

Um Tesouro e uma Defesa

 

O Salmo 19 nos diz que a Palavra de Deus é "mais desejável que o ouro, sim, mais do que muito ouro refinado". Ela é o nosso maior tesouro espiritual, o alimento que nutre a nossa fé. O próprio Jesus afirmou: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mateus 4:4).

Mas a Escritura não é apenas um benefício supremo; ela também é uma defesa suprema. Descuidar dela é perigoso. O cristão que não se alimenta da Palavra não cresce espiritualmente e se torna vulnerável ao engano. Pedro nos adverte que os "indoutos e inconstantes torcem" as Escrituras para a sua própria perdição. Por isso, devemos crescer "na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pedro 3:16-18).

Não é obra do Espírito Santo revelar o significado das Escrituras e dar-lhe o conhecimento da divindade sem o seu próprio estudo e esforço, mas sim abençoar esse estudo e, por meio dele, conceder-lhe conhecimento... Rejeitar o estudo sob a alegação de que o Espírito é suficiente é rejeitar as próprias Escrituras. (Richard Baxter)

 

A Lição de Corinto

A igreja em Corinto é um poderoso exemplo do que acontece quando se abandona a Escritura. Começou bem, fundada pelo apóstolo Paulo, mas logo se desviou. A igreja, em vez de se apegar à sã doutrina, começou a misturar a mensagem do evangelho com as filosofias mundanas e as práticas pagãs da cidade.

O resultado foi um desastre moral e espiritual: imoralidade aberta, divisões, contendas, materialismo e uma atitude pecaminosa em relação aos dons espirituais. A igreja de Corinto se desconectou da Palavra de Deus, permitindo que o vazio espiritual fosse preenchido pelas influências do mundo incrédulo.

A solução de Paulo não foi diplomática nem branda. Ele enfrentou os problemas um por um, baseando-se nas Escrituras. Utilizou a Palavra para ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça, chamando a igreja a voltar ao caminho da verdade.

“Antes e depois de ler as Escrituras, ore fervorosamente para que o Espírito que as escreveu as interprete para você, o livre da incredulidade e do erro e o conduza à verdade.” (Richard Baxter)

 

 

Um Método Prático para o Estudo Bíblico

O apóstolo Paulo nos deixou em 2 Timóteo 3:16-17 um método claro e poderoso para estudar a Bíblia com proveito: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça".

Para aplicar isso ao nosso estudo diário, podemos fazer quatro perguntas-chave enquanto lemos a Palavra, pedindo ao Espírito Santo que nos guie:

1.   Que doutrina Deus está ensinando aqui? Qual é a verdade que ela contém? Qual é o caminho da sã doutrina? Esta pergunta nos ajuda a compreender o ensino de Deus e o caminho correto para pensar e viver.

2.   Esta passagem me repreende? Deus está me dizendo que há algum aspecto do meu agir ou pensar em que me desviei? Como isso aconteceu? Esta pergunta nos confronta com nossos pecados e erros, revelando onde falhamos.

3.   Como esta passagem me indica que preciso me corrigir? O que preciso mudar em minha maneira de pensar e viver para voltar ao caminho certo? Estou disposto, pela graça de Deus, a fazer isso? Esta pergunta nos leva ao arrependimento prático e à mudança de direção.

4.   De que maneira esta parte da Palavra de Deus me instrui em justiça? Como posso permanecer no caminho da sã doutrina e não me desviar novamente? Esta pergunta nos equipa para viver uma vida justa e perseverante em obediência a Deus.

Este método transforma a leitura bíblica de um exercício passivo para um diálogo ativo com Deus, onde a Sua Palavra não apenas nos informa, mas nos transforma.

“O testemunho interior do Espírito Santo ilumina o crente para que ele saiba que as Escrituras são a Palavra de Deus. O fundamento bíblico para essa clareza deriva de duas fontes. Primeiro, as palavras das Escrituras são autoevidentes, pois afirmam ser de Deus (2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 1:20-21). Segundo, o poder dinâmico do Espírito Santo aplica a verdade das Escrituras, resultando em uma certeza confiante na própria Palavra (1 Coríntios 2:4-16)... Isso não significa que todos os que ouvem ou leem creem (Romanos 10:14-21), mas significa que aqueles que creem o fazem por causa da obra convincente e iluminadora do Espírito Santo” (John MacArthur)

 

Confie no Poder da Palavra

 

A Bíblia é o único Livro sobrenatural, escrito por Deus através de homens santos que foram "inspirados" (impulsionados) pelo Espírito Santo. Portanto, ela é infalível e inerrante. Deus não pode mentir, e a sua Palavra é a verdade suprema. Não há autoridade superior a ela.

Ao nos aproximarmos da Palavra, devemos fazê-lo com humildade, colocando-nos sob a sua autoridade, e não acima dela. Podemos confiar que a Escritura é a sua própria intérprete; o que é mais claro iluminará o que é menos claro. Recursos humanos, como comentários e guias de estudo, podem ser úteis, mas nunca devem ter mais autoridade do que a própria Palavra de Deus.

O apóstolo Paulo resumiu essa confiança dizendo: "E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no crer, para que abundeis em esperança pelo poder do Espírito Santo" (Romanos 15:13). A Palavra de Deus, mais desejável que o ouro, tem o poder de nos encher de gozo, paz e esperança, se a lermos e estudarmos com fé e dependência do Espírito Santo.

“A menos que leiamos a Palavra de Deus, não podemos ser instruídos pelo Espírito, e a menos que sejamos instruídos pelo Espírito, não podemos nos tornar servos piedosos e eficazes. Em outras palavras, amar a Palavra, aprender com a Palavra e viver de acordo com a Palavra estão interligados no plano de Deus para o nosso crescimento espiritual.” (David McKenna)

 

Organizado por C. J. Jacinto


Fonte bibliográfica: Elliott, Dr. Paul M. "Mais desejável que o ouro: Como ler e estudar a Palavra de Deus com proveito." TeachingTheWord Ministries.

 

 

www.hersiolandia.blogspot.com

 

 

 

O Anticristo será Gnóstico: A Apostasia Antiga que Retorna


Baseado no artigo de Heath Henning publicado em TruthWatchers.com

 Foi com grande alegria que encontrei um irmão que tivesse a mesma posição teológica que defendo a anos, o anticristo será antes de tudo, um gnóstico. Creio que esse artigo muito contribuirá para fortalecer essa visão.


Introdução

Ao longo dos séculos, inúmeras especulações têm cercado a figura do anticristo. Contudo, grande parte dessa confusão decorre do desconhecimento da história e da hermenêutica bíblica. O próprio Novo Testamento apresenta certa ambiguidade quanto a essa figura: em Paulo (2 Tessalonicenses 2:3-4), ele é uma pessoa definida; em Apocalipse 13-14, assume a forma do imperador romano. Já nas epístolas de João, o termo é reinterpretado de forma mais generalizada para se referir aos gnósticos que invadiam a igreja. Como, então, devemos compreender essa figura em relação ao nosso futuro?

O Anticristo como Doutrina, não Apenas como Indivíduo

J. Dwight Pentecost, em seu clássico Things To Come: A Study In Biblical Eschatology (1958), observa que o ênfase de João não está na revelação futura de um indivíduo, mas sim na manifestação presente de uma falsa doutrina. "Para João, o anticristo já estava presente." Pentecost não nega a existência futura de uma figura conhecida como anticristo, mas reconhece que o ênfase de João recai sobre a doutrina anticristã já ativa em sua época.

Herman A. Hoyt, em The End Times (2006), complementa: "O apóstolo João emprega a expressão cinco vezes em suas epístolas. O primeiro uso do termo é designar essa personagem escatológico em suas qualidades como opositor de Cristo."

O Gnosticismo como a Heresia Anticristã

Ao aplicar a hermenêutica adequada para compreender o que João significa por "espírito de anticristo" (1 João 4:3), devemos interpretá-lo dentro da intenção histórica do autor. Como observa o Eerdman's Handbook to the History of Christianity (1977), "João aplica o termo principalmente àqueles que negam que Jesus é o Cristo... Ele combate a heresia de antigos crentes que agora negam a encarnação ou a heterodoxia de Cerinto, que ensinava que Cristo desceu sobre o homem Jesus apenas por um tempo."

Cerinto era um gnóstico primitivo, o que demonstra que João aplicou a palavra "anticristo" a um herege gnóstico.

O Testemunho dos Pais da Igreja

A identificação do anticristo com o gnosticismo continuou por séculos entre diversos autores cristãos:

·         Policarpo (discípulo de João, 69-156 d.C.) confrontou o gnóstico Marcion, chamando-o de "primogênito de Satanás" (Irenaeus, Contra as Heresias, Livro III, III:4).

·         Irenaeus (130-200 d.C.), discípulo de Policarpo e autor da primeira documentação sistemática contra o gnosticismo, nomeou Marco, líder de uma seita gnóstica, "como se ele realmente fosse o precursor do Anticristo" (Contra as Heresias, Livro I, XIII:1).

·         Tertuliano (160-230 d.C.), em seus cinco livros Contra Marcion, considerou-o "Anticristo" e seus seguidores, os "marcionitas, a quem o apóstolo João designou como anticristos" (Contra Marcion, cap. XXII).

A Interpretação Gramatical-Histórica

O expoitor bíblico John Gill (1691-1771), comentando sobre "já agora há muitos anticristos" (1 João 2:18), indicou que isso se referia ao gnosticismo e listou várias seitas gnósticas: "os seguidores de Simão Mago, os Menandrianos, Saturnilianos, Basilidianos, Nicolaitas, Gnósticos, Carpocracianos, Cerintianos, Ebionitas e Nazarenos, conforme enumerados por Epifânio."

Gill afirmou com precisão: "o anticristo na cláusula anterior é explicado pelos anticristos nesta", significando que a única maneira precisa de interpretar o singular no futuro ("anticristo") está em sua relação com o plural no presente ("anticristos"). Na verdade, seguiria a falácia lógica da equivocação (aplicar definições diferentes à mesma palavra dentro do contexto imediato) se o anticristo por vir fosse qualquer coisa além de um gnóstico. Esta é a única conclusão consistente ao usar uma interpretação gramatical-histórica rigorosa.

A Apostasia do Fim dos Tempos

David Cloud, em An Unshakable Faith (2011), explica que 2 Timóteo 3:13 "ensina que esta apostasia, que começou nos dias dos apóstolos, crescerá em intensidade à medida que a era da igreja progride." As Escrituras falam dos "últimos dias" no tempo presente durante a era apostólica (1 João 2:18; Hebreus 1:2; 1 Pedro 1:20), de modo que a apostasia do fim dos tempos (2 Tessalonicenses 2:3) será a mesma apostasia contra a qual os apóstolos lutaram.

Phil Arms, em Promise Keepers: Another Trojan Horse (1997), declarou: "Portanto, o cristianismo apóstata, NÃO o ateísmo, será a última religião da Nova Ordem Mundial." A antiga apostasia anticristã será identificada como um sistema de paganismo mascarado de cristianismo, infiltrando as igrejas. Este cristianismo paganizado é o que historicamente tem sido conhecido como gnosticismo.

A Verdadeira Natureza do Gnosticismo

Contrariamente ao que se acredita comumente, os gnósticos não foram a primeira heresia cristã. Na verdade, precedendo o cristianismo, viram a oportunidade de aumentar suas fileiras simulando um tom cristão através da adoção de termos e frases sintetizados a suas doutrinas pré-existentes. Esta foi a primeira conspiração de infiltração nas igrejas, da qual Judas falou.

Como observou o Rev. F.W. Bussell, em Religious Thought and Heresy in the Middle Ages (1918): "É agora consenso que gnosis é um fenômeno anterior ao evangelho. Teorias gnósticas eram amplamente prevalentes antes do cristianismo."

O professor Edwin Yamauchi, em Pre-Christian Gnosticism: A Survey Of The Proposed Evidences (1973), relata: "Como tanto Rudolph quanto Bianchi notaram, o gnosticismo sempre aparece como um parasita. 'Em nenhum lugar encontramos uma forma pura de gnosticismo; sempre ele é construído sobre religiões anteriores, pré-existentes, ou sobre suas tradições.'"

Albert James Dager, em Vengeance Is Ours: The Church In Dominion (1990), insinuou: "Durante os primeiros anos da Igreja, os gnósticos misturaram os antigos ensinamentos pagãos dos mistérios com ensinamentos cristãos, devisando assim interpretações esotéricas das Escrituras que permanecem conosco hoje."

Charles Ryrie explicou que "seus elementos principais eram gregos e orientais; características judaicas e cristãs foram adicionadas à mistura" (The New Testament and Wycliffe Bible Commentary, 1971). Uma visão correta do gnosticismo seria a das religiões pagãs dos mistérios utilizando o cristianismo para desenvolver um sistema religioso completo.

Conclusão

A figura do anticristo, quando interpretada à luz da história e da hermenêutica gramatical-histórica, aponta consistentemente para o gnosticismo — uma síntese de paganismo disfarçado de cristianismo. Os apóstolos combateram essa apostasia, os Pais da Igreja a documentaram, e as Escrituras indicam que essa mesma apostasia crescerá em intensidade até o fim dos tempos. O anticristo não virá como um ateu declarado, mas como um sistema religioso que nega a encarnação, nega Jesus como o Cristo, e infiltra a igreja com uma "gnosis" falsa — exatamente como João descreveu há dois milênios.


Referência Bibliográfica

HENNING, Heath. Antichrist will be Gnostic. TruthWatchers, [s.d.]. Disponível em: https://truthwatchers.com/antichrist-will-be-gnostic/. Acesso em: 2 jul. 2026.

(Excertos do livro Crept In Unawares: Mysticism, de Heath Henning)

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

QUANDO O ENCANTO DO ENGANO SE QUEBRA NO INFERNO

  



Em Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, Jesus apresenta a parábola do rico e de Lázaro. Esta passagem bíblica, de grande importância, expõe de maneira clara a condição pós-morte, tanto para os justos quanto para os injustos. O texto, freqüentemente objeto de debate entre crentes e críticos, revela, nas próprias palavras de Jesus, o significado e a relevância da doutrina da vida após a morte, conforme ensinada por Ele, nos evangelhos e em todo o Novo Testamento. A narrativa oferece profundas lições a serem compreendidas. Minha reflexão se concentra no homem rico anônimo retratado por Jesus, que desfruta de uma existência opulenta e luxuosa, entregue a uma satisfação plena. Seduzido pelo encanto do materialismo, ele se entrega a uma vida de esplendor e conforto, permanecendo alheio às questões da vida após a morte. Este homem secular, iludido, encontra-se cativado pela ilusão do brilho material, pela busca incessante do conforto e pela satisfação do ego. Contudo, a vida chega ao fim abruptamente. Esta é a lei estabelecida pelo Senhor desde o princípio, após a queda: "Tu és pó, e ao pó retornarás." (Genesis 3:19) Para o homem secular, contudo, a morte parece um evento distante, algo que sempre acontece aos outros, mas nunca a ele. Chega, porém, a sua hora.

No capítulo 16, versículo 23, Jesus descreve que o homem rico, após a morte, despertou em sofrimento. Encontrava-se no Hades, atormentado. A punição era a consequência de sua incredulidade e de uma vida sem arrependimento. Anteriormente, havia se deixado iludir pela sedução do engano; contudo, o encantamento se desfez. Ali, naquele lugar de tormento, onde seria julgado pelos seus pecados, experimentava a doutrina da danação eterna, o lugar dos ímpios após a morte. Nas Escrituras Sagradas, o seu destino é o lago de fogo eterno, conforme descrito nos últimos capítulos do livro do Apocalipse. (Apocalipse 19:10, 20:10 e 15)

 Nos primeiros capítulos de Gênesis, observa-se que Eva foi seduzida pela persuasão sutil da serpente, que a induziu ao pecado da desobediência. “A mulher sendo enganada caiu em transgressão” (I Timóteo 2:14) O discurso da serpente, carregado de encanto, cativou Eva e, por conseqüência, Adão, levando-os a consumir o fruto proibido. A fala da serpente, dotada de um poder mágico, encantou-os com grande astucia (II Coríntios 11:3). Desde então, percebe-se a grande força sedutora do engano. ( Leia atentamente II Tessalonicenses 2:9 e 10 para ver a eficácia do poder sedutor e encantador de satanás)

  A falsidade e o erro têm a capacidade de iludir as pessoas, que se tornam presas dessa ilusão. (Apocalipse 13:14) Essa fascinação se desfaz, seja por meio da pregação profunda e verdadeira do Evangelho, seja pela morte, quando a pessoa percebe a realidade da sua condição se estiver miseravelmente perdida. É nesse momento que o encanto do engano se rompe, revelando a verdade real, como ocorreu com o homem rico. “Porque estou atormentado nesta chama” (Lucas 16:25 compare o uso punitivo do tormento em Apocalipse 20:10)

É notável, com certa ironia, como frequentemente nos recordamos dos encantadores de serpentes do Oriente Médio, que, ao som de uma flauta, conseguem hipnotizar e controlar esses répteis. Contudo, na Bíblia Sagrada, a situação se inverte: é a serpente que encanta os seres humanos, induzindo-os a um estado de fascínio profundo e duradouro. (Apocalipse 12:9) Reafirmo, portanto, de maneira clara, que esse encantamento somente se desfaz mediante a atuação de pregadores cheios do Espírito Santo, que utilizam a Palavra de Deus como instrumento de transformação e purificação. A pessoa, do início ao fim de seu engano, permanece cativa de uma visão distorcida da realidade, conduzindo-se a um entorpecimento contínuo. Grande parte da humanidade encontra-se sob o efeito desse terrível encantamento, o encantamento da serpente, o encantamento do engano, o encantamento da mentira.

O outrora abastado agora se vê em desespero. A verdade, antes negligenciada, revela-se em sua totalidade. Suas ilusões desvaneceram-se, e o encanto que o envolvia se dissipou. Desiludido, confronta a realidade. As palavras que outrora ridicularizara e desacreditara ressoam agora em sua mente. Após uma vida de descrença, suponho que, jamais imaginou a existência de um inferno, uma punição eterna, um lugar de tormento perpétuo. Considerava tal conceito impossível, incompatível com a bondade divina. Nutriu essa visão durante toda a sua vida, assim como muitos ateus e incrédulos ainda o fazem atualmente, sob o mesmo modo de pensar. Conforme demonstraremos ao longo deste artigo, o poder do engano exerce um fascínio sobre as pessoas, a ponto de ser difícil compreender como alguém pode se prostrar diante de uma imagem de escultura e associá-la à mãe de Jesus ou mesmo a Deus. Essa atitude, em certa medida, pode ser atribuída ao engano. O encanto da ilusão, do erro e da heresia turvou-lhe a percepção, impedindo-o de enxergar a realidade.

 Analisemos atentamente essa passagem, a ruptura da ilusão, a ilusão do homem rico. Conforme Jesus relata no versículo 23, no inferno, o rico, em meio aos tormentos, ergueu os olhos e avistou, ao longe, Abraão e Lázaro em seu seio. No versículo 24, o rico suplica, dizendo: "Pai Abraão, tem compaixão de mim e envia Lázaro para que molhe a ponta do dedo na água e me refresque a língua, pois sofro muito nestas chamas." Nessas palavras, revela-se a percepção direta e inequívoca de uma realidade que ele jamais poderia ter imaginado: a morte e o tormento eterno. Ali estava aquele homem, e naquele momento a ilusão se desfez; não há como negar a existência de Deus, a vida após a morte e a perdição eterna quando o pior dos ímpios entra no outro lado da vida. Tais realidades se apresentam agora em sua forma mais crua. Não há abstração nesse texto; é uma narrativa concreta que, ao ser lida, deveria causar profunda reflexão, pois o homem, naquela situação, encontrava-se irremediavelmente condenado.

 Analisemos, portanto, as formas de convicção que se manifestam com freqüência em nossos tempos. Inicialmente, consideremos a postura e o estado de espírito dos ateus. Atualmente, a militância neoateísta apresenta uma grande proeminência. Os ateus, muitas vezes, exibem uma postura de orgulho, procurando se apresentar como intelectuais, atribuindo à razão o papel de guia para a sua existência e para a compreensão da eternidade. Eles se colocam em uma posição de superioridade intelectual e acadêmica. A razão, desde a Revolução Francesa, continua sendo exaltada e reverenciada pelos ateus e por aqueles que depositam na ciência sua principal fonte de crença. “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim ao os caminhos da morte” (Provérbios 16:25)

Em consequência, adotam uma postura marcadamente humanista, confiando em seus próprios juízos e critérios para avaliar verdades transcendentais. Dessa forma, assumem uma postura negacionista, rejeitando a existência da alma, do inferno, da vida após a morte, de Deus, do Evangelho e da necessidade da salvação através da obra consumada e perfeita de nosso Bendito Senhor Jesus Cristo. Este é o cerne da questão. No entanto, a crença encantada de cada ateu que, ao morrer, experimenta a realidade no Hades, assim como o rico na parábola bíblica, o encantamento da incredulidade se quebra  naquele momento. Ali mesmo naquele primeiro minuto ao morte, deixam de ser ateus para acreditar na realidade do inferno, na vida após a morte e na existência de sua própria alma. Contudo, essa compreensão surge tardiamente. O encantamento se desfaz, mas a condição alcançada é irreversível.
Não podemos nos deter neste ponto, pois ainda há aspectos a serem explorados dentro da temática da ilusão encantada  do engano. Abordamos a questão dos esotéricos e espiritualistas nas suas variadas formas. A maioria deles, certamente, nutre a esperança de realizar grandes feitos em vida, visando a obtenção de uma boa reencarnação e uma existência futura, de modo que toda a sua existência é orientada por essa crença. Tudo se concentra na busca por uma nova encarnação com bons karmas, que lhes proporcionem a oportunidade de uma evolução espiritual posterior. Contudo, ao observarmos o rico no lugar de tormento, constatamos que ali não há evolução espiritual, nem sistema kármico, tampouco a roda da reencarnação. Trata-se, simplesmente, de um ciclo que se encerra. Uma porta que se abriu e se fechou. Um lugar de onde a única saída é para o Lago de Fogo. “Está posto um grande abismo entre nós e vós” (Lucas 16:26) Essa é uma realidade difícil de ser assimilada nos dias atuais, pois o homem se encontra fragilizado espiritualmente para compreender uma doutrina tão impactante quanto a do inferno eterno. Contudo, essas são as palavras de Jesus, o absoluto que se encarnou, Deus que se fez homem, trazendo para nós uma história que deve ser valorizada, refletida e proclamada como advertência a todos os homens. Nesse contexto, cada pessoa que acredita na reencarnação, na evolução espiritual, como defendem e ensinam o esoterismo, o ocultismo e o espiritualismo, está sujeita à uma grande e devastadora desilusão. O encantamento do engano será desfeito, a ilusão se romperá, pois naquele dia, ao cruzarem os portais da morte, quando seus olhos se abrirem e virem que estão em chamas, o encanto dessa falsa esperança se dissipará, restando apenas a verdade nua e crua: a punição eterna. O inferno existe. “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27)

Prosseguindo com a análise, observamos que um grande número de pessoas professa e acredita, sem base bíblica, na possibilidade de reconciliação após a morte. Muitas delas nutrem a crença no purgatório, conduzindo suas vidas sob a égide dessa ilusão. Trata-se da idéia, por vezes considerada encantadora, de que mesmo aqueles que professam a fé cristã adulterada, aos moldes de um “outro evangelho” (Gálatas 1:8) ao morrerem, passarão por um período no purgatório. Lá, em um processo de purificação por fogo, seriam expurgados os pecados considerados não capitais, com a expectativa de que, após essa purificação, adentrarão o paraíso.

 Essa crença, frequentemente, é mantida com convicção e esperança por milhões de corações encantados que esse mentira mágica. A possibilidade de reconciliação pós-morte, nesse lugar inexistente nas Escrituras – o purgatório – implicaria em sofrimento através do fogo, com o objetivo de sofrer para supostamente apagar os pecados e, assim, alcançar a vida eterna. Adicionalmente, acredita-se que missas, esmolas, orações e boas ações realizadas por outros, em memória do falecido, ou mesmo a simples luz de velas, no Dia de Finados, contribuiriam para a libertação dos infelizes enganados desse lugar.
 Contudo, ao morrer, essas pessoas encontrarão a mesma situação do rico na parábola bíblica. Diante das chamas eternas do Hades, a ilusão que as sustentava – a falsa esperança de alcançar a vida eterna após a morte, como se o sacrifício de Cristo na cruz fosse incompleto e necessitasse do fogo do purgatório para ser aperfeiçoado – será desfeita. Este é um engano colossal, que inevitavelmente se confrontará com a realidade crua e definitiva, pois não há purgatório. Existe o Hades, e após o Hades, o Lago de Fogo.  “A morte e o inferno (No grego. o Hades onde o rico estava) deram os mortos que ele havia, e forma julgados...e a morte e o inferno (Hades) foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte” (Apocalipse 20!3 e  14) Depois da morte é o juizo (Hebreus 9:27) É a condenação, não a restauração seja por reencarnação ou por purgatório

 Contemplemos, por mais um instante, aqueles que, de certa forma, advogam a crença no sono da alma. Imaginam eles que, ao findar a existência terrena, a alma adormece na sepultura, permanecendo inconsciente e alheia à vida pós-morte. Acreditam fervorosamente que essa é a condição do ser humano após a morte, e, por conseguinte, muitos daqueles que nunca professaram genuína fé em Cristo, que jamais O reconheceram como o caminho, a verdade e a vida, e que não se converteram a Ele nem O serviram segundo o Evangelho autêntico, não foram, em essência, cristãos segundo a Bíblia, sentirão o impacto do desmantelamento do encantamnto da mentira chamada de “sono da alma” e nesse sentido, para muitos  aniquilacionistas e universalistas, o choque emocional será são terrível quanto ao rico  “E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos” (Lucas 16:23), o rico viu, sentiu, percebeu, entendeu, calculou, lembrou, pediu, e se emocionou, mas era tarde demais, para o leitor, ainda há tempo! Converta-se a Cristo, Creia em Cristo, Confie em Cristo, Siga a Cristo.

Para aqueles que sustentam a crença no sono da alma, o momento da transição, quando deixarem esta vida para ingressar na outra, será de súbita surpresa e espanto. Aquilo que conceberam como sono revelar-se-á, na verdade, um pesadelo, pois as chamas da aflição se apresentarão diante de seus olhos. Estarão conscientes, cientes de toda a situação, de toda a tribulação e de todas as aflições, inclusive lembrando-se de cada aspecto de suas vidas, e recordando que muitos outros compartilham o mesmo engano, o de que a alma repousa na sepultura após a morte. Ali, a ilusão se dissipará, o erro será desfeito, pois diante deles estará a realidade crua: chamas atormentadoras diante de todos os perdidos.

 Aqueles que jamais abraçaram o Evangelho e que nunca aceitaram a Cristo como Salvador, nunca se arrependeram de seus pecados e nunca se converteram ao Evangelho crendo que, caso não fossem salvos e redimidos, estariam no Hades em tormentos, aguardando o julgamento eterno para, posteriormente, serem lançados no lago de fogo, testemunharão a terrível verdade: a punição eterna existe, o encanto do engano se quebra totalmente lá. As mais notáveis testemunhas da existência do juízo divino serão aqueles que a negaram quando viveram neste mundo!

Há, ainda, indivíduos em situação mais lastimável, pois sustentam a crença de que o ser humano é unicamente um corpo biológico, desprovido de alma. Equiparam o homem a animais, como cavalos ou bois, considerando que a morte representa a extinção completa, a dissolução no pó, sem qualquer vestígio de consciência ou vida após a morte. Essas pessoas, ao ingressarem na eternidade, confrontarão a magnitude dessa realidade, percebendo que suas convicções eram ilusórias, um engano fatal. O feitiço dessa ilusão, que moldou seus pensamentos e crenças sobre a natureza humana, será quebrado. Aqueles que negam a existência de uma alma imortal e pregam a visão do homem como um mero ser biológico, ao abrirem os olhos na eternidade, assemelhar-se-ão ao rico da parábola, compreendendo, com desespero, o erro absoluto de suas convicções. Levarão estes, um choque de realidade, pois com o quebrar do encanto do engano, perceberão com toda a intensidade após a morte, aquilo que insistiam em negar em vida.

 Desejo, ainda, reiterar a respeito daqueles que, embora nutram a crença na vida após a morte, fundamentam sua esperança na própria capacidade e conduta: as boas obras. Consideram que, por serem pessoas de bem, honestas e integras, Deus não as condenaria ao sofrimento eterno. Depositam sua confiança em suas ações e méritos, acreditando que a prática de boas obras lhes garantirá o perdão e a vida eterna. Vivem seguras e felizes confiando em suas próprias obras como moeda de troca para comprar a vida eterna, fazem isso muitos ditos cristãos, confiando no esforço próprio como meio de alcançar o céu em puro desprezo pela morte de Cristo na cruz.

Contudo, essa perspectiva não condiz com o cerne do Evangelho. Este não se fundamenta na capacidade humana de alcançar a salvação, pois tal intento é inatingível. O Evangelho proclama a salvação através do sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário. Portanto, nossa confiança não deve residir em nossas boas obras ou méritos, mas sim na obra redentora, completa e perfeita, realizada por Cristo. Nossas obras são coisas corruptíveis, não possuem poder de auto-redenção, somos comprados pelo precioso sangue de Cristo, nossas boas obras são corruptíveis (contaminadas) mas o precioso sangue de Cristo é incontaminado (I Pedro 1:18 e 19)

 Aqueles que confiam nas obras para alcançar a salvação, no momento em que a morte os alcançar e, após, no Hades, constatarão a desilusão, assim como o homem rico na parábola. A verdade se revelará, mostrando que suas ações não foram suficientes para garantir a salvação eterna. A essa altura, será tarde demais, pois terão negligenciado a fé na obra de Cristo na Cruz, preferindo a autoconfiança. Essa postura, baseada na autossuficiência, constitui um grave pecado, pois implica em desmerecer o sacrifício de Cristo.

 Há alguns dias, assisti a um documentário sobre hindus que creem no poder sagrado das águas do rio Ganges. Alguns deles se submetem a um ritual de morte, falecendo próximos ao rio. Seus corpos são então cremados, e as cinzas são lançadas no Ganges, acreditando que isso lhes garantirá o paraíso e o fim do ciclo de reencarnação. Imagino a sinceridade dessas pessoas em suas crenças, embora considero-as equivocadas. A doutrina hindu as teria conduzido a esse erro. Creio que, na eternidade, elas reconhecerão essa falha. Ali, compartilhando a experiência do homem rico da parábola, enfrentarão tormentos e decepções, pois as águas do Ganges não possuem o poder de purificar os pecados. A purificação, segundo o Evangelho de Jesus Cristo, reside no sangue de Jesus. “O Sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I João 1:7) Imagino a desilusão dessas pessoas no instante após a morte. Enquanto, neste mundo, rituais de cremação e lançamento de cinzas no Ganges são realizados em seu favor, elas enfrentarão a realidade da eternidade, percebendo a futilidade dessas ações. O sofrimento do juízo as aguarda. encantamento do engano será quebrado.

 A morte, desde sempre, representou um enigma que instigou a curiosidade humana. Essa fascinação se manifesta, por exemplo, na religião egípcia antiga, com suas múmias e faraós divinizados. Encontramos reflexos dessa busca em textos antigos como o Livro Tibetano dos Mortos, que descreve os processos de purificação e a jornada para o reino dos mortos, com suas luzes e rituais complexos que visam proporcionar uma experiência transcendente após a morte. No entanto, esses rituais e informações divergem substancialmente do Evangelho.
 Ao analisar a descrição do estado do rico, observamos a presença de uma espécie de luz. Essa luz permite que ele veja, observe, distinga formas, sinta e se lembre. A narrativa sugere uma situação reveladora, com uma luz que expõe sua condição, incluindo o desespero e a percepção de chamas. Essa clareza revela a verdade crua.

 Portanto, não é surpreendente que muitos relatem experiências de quase-morte com um túnel de luz. A experiência do rico também indica que ele não estava em trevas, mas sim em uma situação de discernimento, vivenciando sua condição de maneira vívida.
 Minha análise se concentrará na descrição de Jesus sobre o evento envolvendo o rico e Lázaro. Especificamente, examino a condição do rico após sua vida de opulência terrena. Suas crenças equivocadas, estilo de vida e perspectivas futuras estavam distorcidas. De maneira semelhante, grande parte das religiões contemporâneas apresenta um evangelho deturpado e esperanças infundadas. Jesus afirmou, em João 14:6: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, a não ser por mim." Ele proferiu essa declaração de forma exclusiva. Independentemente de discordâncias, Jesus Cristo se apresenta como o único caminho para o Pai, sem qualquer outra alternativa. Da mesma forma, Paulo declara que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens.

 Essas verdades se somam: crenças equivocadas conduzirão as pessoas a uma dolorosa percepção quando a ilusão de suas convicções for desfeita pela realidade da perdição, pois não confiaram integralmente em Cristo, mas em algo além Dele. Muitos crêem, com sinceridade, que Maria é mediadora e que, em certas circunstâncias, pode conduzir alguém ao céu por ser co-redentora. Contudo, tal ideia não encontra respaldo nas Escrituras; trata-se de uma fantasia, uma fábula sedutora.
 Caso não se creia em Cristo como o único caminho, não haja conversão, arrependimento dos pecados e seguimento de Cristo em vida, não O encontraremos na vida por vir. É fundamental compreender isso, por mais que essa mensagem possa ser politicamente incorreta ou dissonante no contexto atual, em meio a púlpitos superficiais e pregadores temerosos que relutam em proclamar a verdade, pois seus interesses se concentram em aplausos, fama, prestígio e, acima de tudo, dinheiro.

 Todavia, afirmo a verdade fundamental: todo aquele que não tiver o nome escrito no livro da vida será lançado no lago de fogo. Sem crença, arrependimento, conversão, abandono dos pecados, novo nascimento e aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, sem uma genuína experiência de regeneração, não haverá salvação. A ilusão se desfará se não houver fé em Cristo, e pode ser tarde demais ao se revelar a farsa da descrença, o diabo usa a sua indiferença as coisas espirituais como arma para destruir você. Ele encanta apostatas, seduz com idéias que parecem tão boas, mas são sementes de desobediência e engano, essa é a feitiçaria do diabo: “Não vá a igreja, não adore, não leia a bíblia, não estude os evangelhos, não participe da escola Dominical, não cultue, não ore, não se congregue, não leia bons livros escritos por homens piedosos” suas sugestões encantadoras são quase infinitas, e se nas fabulas, o canto da sereia encanta, na vida real, o encantamento vem pelas sugestões do diabo

 Com o intuito de aprofundar minha exposição, considerando a situação aflitiva daquele homem rico, atormentado pelas chamas, desejo abordar uma questão crucial: a condição espiritual de muitos frequentadores de igrejas evangélicas que, embora presentes em seus templos, jamais experimentaram o novo nascimento.

 Essas pessoas, muitas vezes, nutrem crenças que divergem da verdadeira essência do Evangelho. Podem acreditar na regeneração batismal, na salvação condicionada ao cumprimento de rituais, como o dízimo, ou na mera posse de um cartão de membro ou certificado de batismo, ou profissão de fé meramente formal. Acreditam, equivocadamente, que sua filiação a uma instituição religiosa lhes garante a salvação. Tais indivíduos, na realidade, podem ser considerados crentes nominais, distanciados da genuína experiência da fé e da transformação operada pela regeneração. Crêem nos discursos superficiais dos pregadores modernos que confirmam a salvação até do mais ímpio dos seres humanos, desde que estes sejam fieis dizimistas e façam parte da estatística da membresia. Abraçam a religião, confiando nas palavras desses  pregadores que, por vezes, não transmitem a mensagem autêntica do Evangelho. Embora possuam vínculos formais com a igreja, como o cartão de membro, e sejam incentivados a práticas como ofertas, dízimos e frequência aos cultos, essas ações, por si só, não garantem a salvação.

 A condição para a entrada no Reino de Deus é o novo nascimento, a aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, a crença em seu sacrifício pelos pecados e a vivência coerente com essa fé. (João 3:3 Hebreus 6:1 Provérbios 4:25 Colossenses 3:1 Romanos 6:4 e 12:2 etc) Essa transformação deve permear a totalidade da existência, resultando em uma vida de testemunho da morte e ressurreição de Cristo, e da mudança que a conversão ao Evangelho promove.  Se alguém está em Cristo, nova criatura é” (II Coríntios 5:17)

 São essas evidências que atestam a vivência um homem que aderiu ao verdadeiro Evangelho, distinguindo-a das falsas religiões, que, por vezes, se disfarçam sob a aparência de igrejas evangélicas. Um homem regenerado é um cristão bíblico, que defende os fundamentos da fé e tem comunhão com a Verdade.

 Tenho abordado com honestidade o poder de sedução do engano, que cega as pessoas. De fato, esta é a estratégia do diabo. Paulo menciona que o deus deste século, na perspectiva dos descrentes, obscurece a luz do Evangelho. Ele também afirma que Satanás se disfarça como um anjo de luz. Impressionante, uma transfiguração satânica que atrai as pessoas a um brilho enganoso, levando-as a acreditar em uma aparência angelical falsa. Muitos estão obscurecidos por uma cegueira intelectual, cativados e quase subjugados por esse engano sedutor, que impede o ser humano de compreender sua própria condição espiritual. É angustiante perceber essa realidade. O homem rico da passagem de Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, simboliza aqueles que hoje vivem sob o jugo do engano, aprisionados por ele.

 Como se observa no livro de Apocalipse, um sistema babilônico, a Babilônia, a religião dos mistérios, conseguiu enganar todas as nações, de modo que estas, e todos sob seu domínio, estão intoxicadas por um êxtase pernicioso, tornando-se indiferentes à sua situação. (Apocalipse 18:1 a 4) Essa constatação é profundamente perturbadora. Freqüentemente nos questionamos sobre a indiferença de muitos perante a realidade do inferno. A explicação reside, talvez, no fato de que, segundo sua própria compreensão, há uma ilusão, uma espécie de encantamento que os torna insensíveis. “Nos quais o deus deste século cegou os entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Coríntios 4:4)

 Que Deus, através de seu Santo Espírito, possa abrir os olhos de muitos através desta mensagem, proclamada neste artigo, publicado livremente para que aqueles que estão sob esse feitiço possam, o mais rápido possível, despertar desse sono profundo e perceber sua condição espiritual antes de deixarem este mundo.

C. J. Jacinto

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