C. J. Jacinto
A igreja contemporânea e os cristãos atuais freqüentemente incorporam conceitos da psicologia em sua prática, negligenciando que os principais pensadores que fundamentaram a psicologia, como disciplina, divergiam significativamente das doutrinas e da fé cristã. Sigmund Freud, por exemplo, em sua obra "O Futuro de uma Ilusão", considerou a religião como uma ilusão coletiva. Em "Totem e Tabu", Freud descreveu a religião como uma neurose obsessiva da humanidade.
Embora Freud tenha professado o ateísmo, rejeitando a crença em Deus, em Cristo, nos Evangelhos e em qualquer divindade, sua obra é reconhecida como fundamental para a consolidação da psicologia moderna.
Outra figura proeminente e influente da psicologia foi Carl Gustav Jung. Inicialmente, foi discípulo de Sigmund Freud, mas, posteriormente, rompeu com ele por divergências, afastando-se de Freud. Jung desenvolveu um interesse pelo ocultismo e aprofundou seus estudos no gnosticismo e em experiências ocultistas, buscando fundamentar e expandir sua teoria psicológica. O mandamento bíblico foi ignorado por Jung e muitos cristãos não dão qualquer importância aos preceitos divinos: “¹E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Efésios 5:11)
Após a dissociação com Freud, Jung
redigiu um breve tratado. Tratava-se de um pequeno livro, concebido em três
noites, durante uma intensa crise de natureza emocional e visionária, que se
seguiu à sua separação de Freud. Essa obra é atribuída, de maneira supostamente
fictícia, a uma entidade espiritual, Basilides de Alexandria, um gnóstico do
século II. Intitula-se "Os Sete Sermões aos Mortos". Os
"mortos" seriam os espíritos de cristãos que retornavam de Jerusalém,
desiludidos por não terem encontrado o que buscavam. Jung utiliza essa
narrativa para propor uma visão gnóstica e psicológica da realidade, que
posteriormente denominaria "pecado de minha juventude", mas que
constitui o alicerce de toda a sua psicologia. A psicologia analítica, o
inconsciente coletivo, os arquétipos, o self, a individuação, todos encontram
suas raízes nessa obra. O cerne da reflexão de Jung em relação a entidade
espiritual caída, disfarçada de Basilides reside na figura de Abraxás, uma
divindade gnóstica. Essa divindade é proeminente no segundo sermão, na
introdução, e é desenvolvida no terceiro sermão, o mais relevante sobre o tema.
Abraxás é concebido como supostamente, a divindade suprema, transcendente a
Deus e ao diabo, unificando todos os opostos. Toda a natureza desta obra além
de ser influenciada pelo gnosticismo é envolvida por uma mediunidade um tanto ambígua,
mas tenho convicção de que a experiência de Jung é demoníaca.
Considerando o envolvimento de Jung com o ocultismo e sua busca por
experiências espirituais sou inclinado a acreditar que ele vivenciou fenômenos
espiritualistas e ocultistas. O livreto "Sete Sermões aos Mortos", já
mencionado, parece ser uma obra psicografada, resultante do contato de Jung com
uma entidade espiritual que se identificou como Basílides e que ele tenta
integrar como uma indentidade inerente ao seu mundo psicológico. Essa obra
apresenta uma perspectiva nitidamente espiritualista e, em tom subjacente,
exibe ironia, como se a verdade estivesse ausente na fé cristã. Jung, através
dessa obra, parece postular que Jesus Cristo não representa a verdade almejada
pelos cristãos. Essa postura representa, em certa medida, uma negação da
mensagem do Evangelho, o que se revela coerente com a proposta da obra pois é
de caráter anticristão.
Na obra de Jung, devo reiterar, encontramos um conceito que postula uma
divindade superior, transcendente a Jesus Cristo e ao Deus Pai. Essa divindade,
com raízes no pensamento gnóstico antigo, seria Abraxás. Posicionado acima do
sol e do diabo, Abraxás representa uma entidade paradoxal: uma realidade que
desafia a lógica e a razão. Jung a propõe como uma manifestação do Pleroma, o
absoluto, e não como um mero efeito, mas como a própria força motriz da
existência, responsável pela duração e transformação das coisas. Ao elevar
Abraxás a essa posição, Jung parece incorrer em uma postura que contradiz a
crença no Deus criador revelado nas Escrituras e em Jesus Cristo, o Filho
unigênito. Jung é influenciado pelo espírito do erro e pelo mistério da iniqüidade.
Ainda descobrimos no pensamento de Jung, o conceito de Abraxás que pode ser
resumido da seguinte maneira: nos seus escritos, Jung descreve Abraxás como uma
divindade superior ao Deus bíblico. Não se trata nem do Deus benevolente do
cristianismo, nem do diabo maligno, mas sim da força vital que engloba a
totalidade, incluindo o bem, o mal, a criação, a destruição, a luz e as trevas.
Abraxás simboliza a união dos opostos, um conceito que Jung posteriormente
associaria ao Self, ou si mesmo. Desse modo, as teorias junguianas,
desenvolvidas a partir de suas experiências visionárias, revelam-se paradoxais,
culminando na disseminação da ideia de uma divindade intrinsecamente ligada ao
fenômeno psíquico humano, como se pode observar em suas obras posteriores.
Concluímos que a intenção de Jung foi criticar a religião institucionalizada,
principalmente o cristianismo, o que o leva a confronta-la, como se pode
observar em suas obras, especialmente em "Os Sete Sermões aos
Mortos". Essa crítica sugere uma afinidade de Jung com o gnosticismo do
primeiro século, em contraposição ao cristianismo bíblico.
Ao aprofundar a pesquisa, observa-se que Carl Jung foi influenciado pelo pensador Stanislav Grof. Grof, o criador da psicologia transpessoal, estabeleceu conexões entre os conceitos junguianos e suas próprias experiências com LSD. Experiencias que envolvem psicodélicos promovem estados alterados de consciência e abrem o mundo mental para os demônios.
Embora Jung não tenha recorrido a substâncias farmacológicas ou drogas para investigar a psique humana em profundidade, sua obra foi influenciada pelo gnosticismo e por outros estudiosos, como Grof, que empregaram drogas em suas pesquisas e no desenvolvimento de suas teorias psicológicas.
Em sua obra "Resposta a Jó", Jung aborda Yahvé como uma figura psicológica, dotada de significativa influência gnóstica. Em seus estudos sobre psicologia e alquimia, Jung incorpora elementos do hermetismo em suas reflexões. Adicionalmente, o pensamento de Jung demonstra a assimilação de conceitos heterodoxos e, por vezes, heréticos no desenvolvimento de suas teorias psicológicas. Isso sugere um contato com o ocultismo e envolvimento de entidades espirituais oriundas do mundo espiritual caído (Efesios 6:10 a 18), independentemente da forma como Jung as interpretava, seja como fenômenos psicológicos internos. Sua abordagem, contudo, não evidencia uma distinção clara entre influências espirituais potencialmente enganosas. Essa interpretação contrasta, em certa medida, com as advertências presentes em passagens bíblicas sobre o envolvimento com práticas ocultistas. Jung era um homem natural, sob domínio e influencia espiritual como podemos observar em passagens como Efesios 2:1 e 2 e II Corintios 4:4. Por ser um homem natural, não tinha a capacidade de discernir a natureza maligna de suas experiências visionarias.
Ao se relacionar com a entidade espiritual denominada Filemon, Jung questionava a natureza dessa experiência. Ele ponderava se Filemon representava uma entidade externa controlando sua consciência ou uma manifestação de seu próprio inconsciente. Jung, de fato, admitia e acreditava que o diálogo com Filemon envolvia o contato com uma personificação originada em seu inconsciente mas os demônios fazem exatamente isso, ele parecia não crer que Filemon seria uma entidade externa a ele. Contudo, em perspectivas espiritualistas, como a canalização, fenômenos como este são interpretados de forma distinta. Segundo essa visão, a canalização envolve a comunicação de espíritos no âmbito psicológico do médium, sem necessariamente implicar em possessão. O médium, nesse contexto, atua como um receptor, processando mensagens enviadas por entidades através do inconsciente e, por meio da expressão verbal, transmitindo essas informações. É fato irrefutável que Jung tinha percepção que entidades com certo grau de autonomia e personalidade distinta, estavam se comunicando no centro da sua consciência, Ele recebia instruções e revelações dessas entidades, ele estava sendo enganado e manipulado, suas teorias contaminaram o mundo com doutrinas de demônios. (II Timóteo 4:1).
Ao analisar as epístolas universais de João, em particular a Primeira Epístola de João, percebe-se, pelo próprio contexto, que o apóstolo combate movimentos heréticos em ascensão, especialmente aqueles influenciados pelo gnosticismo. É nesse cenário que João desenvolve a noção do anticristo e do espírito do erro, conforme evidenciado no capítulo 4 de 1 João. Desse modo, João estabelece uma conexão entre o gnosticismo e o anticristo, advertindo contra erros que negam a fé cristã e induzem as vitimas ao engano. Essas informações apresentadas aqui servem como um alerta para aqueles que aceitam a psicologia junguiana como uma disciplina científica válida, dado que suas raízes estão ligadas ao ocultismo.
Acredito que
isso, de certa forma, representa uma forma de contaminação. Uma contaminação
que se disseminou por toda a sociedade, pois, diferentemente da cosmovisão de
Freud, que rejeitava completamente o mundo paranormal, Jung acabou por se envolver nesse mundo.
Independentemente de suas interpretações pessoais, que reduziam as entidades
com as quais interagiu, dialogou e testemunhou em sua mente e psique a figuras
inerentes ao seu mundo psicológico, Jung não compreendeu a dinâmica do mundo
espiritual corrompido. Os espíritos demoníacos atuam no inconsciente, como
exemplificado pela serpente no Jardim do Éden, que induziu Eva ao erro através
da inserção de ideias no seu inconsciente, as quais ganharam força e forma,
levando-a à desobediência. Após a queda, o mundo espiritual corrompido parece
ter sido obscurecido, permitindo que entidades espirituais tomassem posse do
corpo e da consciência humana para dominá-las. Isso pode ser observado por
qualquer estudante da Bíblia que leia os evangelhos, nos quais Jesus lida com
pessoas possuídas por espíritos imundos e demônios.
Em minha análise dos "Sete Sermões aos Mortos", e outras obras de
Jung, observei que ele propõe a necessidade de uma nova gnose interior, baseada
na experiência direta do inconsciente, e não em uma fé cega. Em suma, livros
como os "Sete Sermões aos Mortos" constituem um manifesto gnóstico de
Jung. Nele, Jung argumenta que a verdadeira religião reside não na crença em um
Deus puramente bom, situado externamente, mas no conhecimento da gnose, dos
arquétipos presentes em nosso interior, particularmente o deus ambivalente que
integra luz e sombra. Essa ideia é simbolizada pela divindade gnóstica denominada
de Abraxás, uma divindade que personifica plenamente essa integração com as
teorias psicológicas de Jung.
Dessa forma, é possível concluir que
Jung foi influenciado por perspectivas que poderiam ser interpretadas como
divergentes dos princípios tradicionais. Essa influência, por sua vez, impactou
a sociedade de forma significativa. Que possamos, portanto, estar abertos a
essas realidades espirituais malignas, que se manifestaram através de diversos
indivíduos ao longo do tempo. A psicologia, especialmente aquela desenvolvida
por Jung, reflete, em certos aspectos, uma natureza que pode ser interpretada
de diferentes maneiras por céticos, mas para um cristão bíblico ela é de
natureza diabólica.

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