C. J. Jacinto
“Agora também eu pronunciarei juízo
contra eles” (Jeremias 4:12)
Há uma passagem controversa e
misteriosa no Antigo Testamento, mais precisamente em 1 Reis, no capítulo 22,
aonde Acabe faz um acordo com Josafá. Ali lemos a partir do versículo 19 do
capítulo 22: "Então ele disse: Ouvi, pois, a palavra do Senhor: Vi ao
Senhor assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a
ele, à sua mão direita e à sua esquerda. E disse o Senhor: Quem induzirá a
Acabe, para que suba e caia em Ramote de Gileade?' E um dizia desta maneira, e
outro de outra. Então saiu um espírito e se apresentou diante do Senhor, e
disse: 'Eu o induzirei.' E o Senhor lhe disse: 'Com quê?' E disse ele: 'Eu
serei, eu sairei e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas.'
E ele disse: 'Tu o induzirás e ainda prevalecerás; sai e faze assim. Agora,
pois, eis que o Senhor pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus
profetas, e o Senhor falou o mal contra ti'." Qualquer estudante
familiarizado com o contexto dessa passagem entende perfeitamente que Acabe e
Jezabel são símbolos de apostasia dentro da antiga aliança. Assim, podemos
observar a figura de Acabe como um rebelde, pelo qual está contra a vontade de
Deus, de maneira que está completamente rebeliado e em franca apostasia — ou
seja, ele não quer obedecer à palavra de Deus, se envolveu, juntamente com a
sua esposa Jezabel, no sincretismo, levando e induzindo o povo de Deus para uma
idolatria e prostituição espiritual, de modo que estava financiando uma boa
quantidade de falsos profetas, além de promover, junto com a sua esposa, todo
culto idolátrico do paganismo das nações vizinhas. Assim, envolvendo-se em
rebelião aberta contra a palavra do Senhor e contra a vontade do Senhor, de
maneira que o seu coração vai se endurecer de tal forma que é próprio do
coração humano que seja assim. E agora temos uma situação em que Deus, ele vai
trazer um juízo para Acabe, e esse juízo é o que devemos meditar aqui nesse
pequeno artigo, pois, de certa forma, eu percebi ainda alguns dias atrás,
fazendo uma leitura da palavra de Deus e a meditando, como o juízo de Deus pode
ser duro e assustador no que diz respeito a pessoas que endurecem seu coração e
se rebelam contra a verdade. Deus condena a idolatria e a apostasia com uma
profunda cegueira espiritual, de modo que isso implica uma pessoa nessa
situação, tornar-se irremediável por causa desse trágico juízo enviado por
Deus. “Por isso Deus os abandonou às paixões infames” (Romanos 1:26) “Deus os
entregou a um sentimento perverso”
(Romanos 1:28) Não desejo com isso, e muito menos a Bíblia apresenta Deus como
autor do pecado ou do engano. Pois Ele não é, porém envia o juízo de profundo
engano contra quem insiste em rebelar-se contra a verdade é ensossa o caminho
da apostasia. Aqui nós temos uma questão
em particular, do qual podemos entender, pelo seu contexto, de que, uma vez que
um homem esteja endurecendo o seu coração contra Deus e prevaleça teimosamente
em errar os caminhos do Senhor e se envolver com algo que na Bíblia Sagrada
aponta como apostasia, principalmente com relação a idolatria, seja culto a
deuses estranhos, a avareza o culto a ideologias e personalidades, isso é algo catastrófico,
um anátema, ao ponto do apóstolo Paulo
falar acerca da idolatria como associação e culto aos demónios. (I Coríntios
10:21) Portanto, Deus está usando simplesmente da sua soberania para levar a
Acabe a um estado ainda pior, para que seja imposto um juízo e uma condenação para
alguém que não apresenta nenhuma inclinação para o arrependimento e a
restauração a sã doutrina.
Nesse estado de não amar a verdade, Deus vai,
então, alcançar o seu propósito e vai permitir que um espírito de engano seja
enviado para os 400 profetas financiados por Acabe e Jezabel, para induzi-los
definitivamente a um erro e mergulhá-los em uma escuridão ainda mais intensa,
para acelerar, então, este juízo sobre o rei rebelde e a sua esposa ímpia. Amar
a verdade é uma condição espiritual para recebermos constante iluminação e
proteção do Espirito Santo.
Não desejo aqui entrar em controvérsias, pois
devemos entender de forma bem clara que, ao convocar uma assembleia celeste com
anjos, estava presente um espírito de mentira, suponho, convocado para isso.
Ora, esse ser, essa criatura espiritual não pode ser considerada como uma
criatura espiritual santa. Então,
trata-se possivelmente de um espírito enganador. Duas coisas precisamos
entender aqui: todas as criaturas estão debaixo da autoridade do Senhor, até
mesmo os anjos caídos, agem sob a permissão de Deus. Estando essas
criaturas debaixo da autoridade, do domínio e da soberania de Deus, creio eu
que Deus convocou esses espíritos para que pudessem cumprir os Seus propósitos,
através deles, nesse caso, enviar a operação do erro para que Acabe receba o juízo
por tornar-se um apostata teimoso. Temos assim, uma convocação de Deus e uma
ordem permissiva para que o espírito enganador pudesse ir até os profetas de
Acabe e inspirá-los a profetizar falsamente. Esse é o juízo divino. O juízo
divino a um homem rebelde que endurece o seu coração e persiste em cometer atos
abomináveis, induzindo os filhos de Deus à prostituição espiritual. Portanto,
Deus está usando do seu juízo, enviando o espírito enganador para que pudesse,
então, induzir e acelerar esse juízo trágico e catastrófico que Acabe irá enfrentar.
Deus estabelece um princípio: pessoas que acabam, tendo conhecimento da
verdade, insistem em permanecer na mentira e em induzir outros à prática de
prostituição espiritual, cairão sobre o juízo de Deus. Isso deve nos assustar.
Agora vamos para o Novo Testamento. Em 2 Tessalonicenses, capítulo 2, versículo
11, está escrito algo que é muito parecido com aquilo que lemos em 1 Reis,
capítulo 22, versículo 22.
Ali, nós estamos dentro de um contexto de apostasia, o aparecimento do homem
do engano, do filho da perdição. E então, no versículo 11 de 2 Tessalonicenses,
nós lemos que Deus enviará a operação do erro para todos aqueles que não amaram
a verdade, mas tiveram prazer na iniquidade. Ora, quando o apóstolo Paulo dá
uma declaração dessa ele está dizendo que aqueles que não amaram a verdade
significa que conheciam ela, ou seja, não deram o crédito que era devido, nem o
amor e nem a paixão que deveriam dar pela verdade do Evangelho; todavia, a
ignoraram e persistiram no seu erro. Quiseram justificar a sua apostasia e as
suas heresias, e seus desvios morais, e a quebra de princípios bíblicos para
justificar os seus caprichos. Quiseram viver uma vida cristã relaxada, de modo
que abraçaram a apostasia e permaneceram nela, nesse progresso de decadência
espiritual, sem, contudo, ouvir os profetas verdadeiros, sem, contudo, ouvir as
exortações dos santos homens de Deus. Pelo contrário, combatendo a verdade,
porque amaram o erro, mesmo dissimulando que seriam fiéis ao Evangelho, estavam
lutando contra o Evangelho. E agora, o Deus Todo-Poderoso, soberano, mais uma
vez, Ele vai trazer justiça e juízo sobre esses impenitentes, esses que têm
piedade sem poder, que se dizem cristãos, mas quebram os princípios bíblicos de
modo que se associam com a ilegalidade e a impiedade, que é característica da
apostasia dos últimos tempos. Deus enviará a operação do erro sobre essas
pessoas. Se amam os falsos profetas que profetizam falsamente então estão
fazendo um pacto com os espíritos enganadores que usam eles. “Andam segundo o proposito
do próprio coração” (Jeremias 10:14) Lembremos das palavras de Paulo lá em
Gálatas: de Deus não se zomba. Tudo o que o homem semear, isso também ele vai
ceifar. Se o homem, ele está semeando impiedade, se ele está semeando
desobediência, se ele não ama a verdade tal qual deveria amar, e nós temos um
grau e um princípio pelo qual devemos amar a verdade. Amamos a verdade quando
amamos o Deus da verdade. Jesus, ele disse: "Eu sou o caminho, eu sou a
verdade e eu sou a vida". (João 14:6) Mas, no entanto, nós descobrimos
também que Jesus fala: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de
toda a tua alma e de todo o teu pensamento", e ao teu próximo como a ti
mesmo. De modo que o amor que Deus exige pela verdade é um amor intenso, que,
que seja de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de todas as nossas
forças. Se um falso cristão teima em permanecer no seu estado de
apostasia, se associando e defendendo princípios que não são cristãos, e que
estão completamente opostos às verdades do Evangelho, se ele se associa e apoia
tudo e todo movimento espiritual que possui de maneira implícita ou explicita
elementos anticristãos e todo e qualquer tipo de ideologia que vai contra a
Palavra de Deus e os valores judeus cristãos, então Deus enviará a operação do
erro sobre ele; ficará como que irremediavelmente num processo cada vez mais
acelerado de apostasia.
Temos que temer a Deus, temer a sua
palavra. Se brincarmos com o Evangelho, e se lidarmos com as coisas santas para
satisfazer apenas os nossos caprichos, e por causa disso, termos, formos, e
termos ficarmos teimando com relação a permanecer nesse progresso de apostasia
deliberada, Deus nos julgará e enviará a operação do erro, e os e essas pessoas
ficarão cegas, completamente cegas à beira do abismo. “E por isso Deus lhe
enviará a operação do erro, para que creiam na mentira, para que sejam
julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na
iniquidade” (II Tessalonicenses 2:11 e 12) Olhe para o comportamento de muitos
que se confessam cristãos nestes últimos dias. Como eles estão? Muitos deles
estão em decadência, em verdadeira decadência espiritual. Mas nós temos que
olhar por dois lados. Primeiro, nós temos que ver: muitos deles são quase que
irremediáveis. Como ocorreu com Acabe e Jezabel, não adianta você repreender,
não adianta você falar. Deus envia a operação do erro. E, a partir do momento
que a operação do erro, essa energia de engano, começa a cauterizar a
consciência e implantar uma obscuridade no coração, a compreensão dessas
pessoas estará praticamente destruída e elas não terão mais como se recuperar
da sua apostasia decadente. Que coisa terrível! O julgamento divino sobrevirá
sobre homens que caíram do estado da graça para outro Evangelho e fazem do próprio
coração uma fortaleza contra a verdade pois “Mudaram a verdade de Deus em
mentira e serviram mais a criatura do o Criador” (Romanos 1:25)
Mas, todavia, para nós, isso serve de advertência.
Vamos abraçar a sã doutrina, a fé que uma vez foi dada aos santos (Judas 3) vamos
permanecer nos caminhos do Senhor, vamos a qualquer custo nos colocar frente
aos princípios bíblicos e evangélicos e se posicionar contra todas as
tendências modernas, do pós-modernismo e do relativismo moral, e de todas essas
ideologias militantes que abordam e defendem doutrinas e ensinos anticristãos e
costumes pecaminosos, imorais, que atacam os valores judaico cristãos. Que nós
possamos nos colocar frente a eles, tomando uma oposição, porque de outra
forma, nós também poderemos sofrer com essa cegueira espiritual deliberada que
sobrevirá contra os mornos e nominais, como o juízo divino, sobre todos aqueles
que não amaram a verdade como deveriam amar. Deus prova os fieis quando envia os
falsos profetas e Deus julga os apostatas quando envia profetas falsos que irão
induzi-los mais profundamente ao erro.









