quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

DISCERNIR PARA VIVER A VIDA ESPIRITUAL

 

DISCERNIR PARA VIVER A VIDA ESPIRITUAL

 

 

 

Antes e depois de ler as Escrituras, ore fervorosamente para que o Espírito que as escreveu as interprete para você, o livre da descrença e do erro e o guie à verdade. (Richard Baxter)

Falsos profetas podem ser encontrados nos círculos mais ortodoxos, e fingem ter um amor fervoroso pelas almas, mas enganam multidões fatalmente quanto ao caminho da salvação. Os vendedores ambulantes de púlpitos, plataformas e panfletos rebaixaram desenfreadamente o padrão da santidade divina e, assim, adulteraram o Evangelho para torná-lo palatável à mente carnal.(A. W. Pink)

Você corre o risco de desejar mais a bênção do que a Deus, e quando isso acontece, você pode se tornar uma presa fácil para Satanás lhe oferecer um atalho. (Ian Duguid)

A verdadeira vida de acordo com os princípios de Deus não começa no esforço humano para cumpri-los, mas na rendição à presença viva de Cristo. Os princípios são um reflexo do Seu caráter, mas é apenas na conexão íntima com Aquele que os originou que encontramos o poder para vivê-los. (C. J. Jacinto)

Percebi que a obediência baseada apenas em minha própria força é fadada ao esgotamento e à frustração. A verdadeira transformação aconteceu quando parei de apenas tentar "seguir regras" e me entreguei por completo à realidade do Jesus ressuscitado. Ele não é uma figura distante ou um simples exemplo, mas uma Presença real que faz morada em mim.(C. J. Jacinto)

Sou profundamente grato por essa graça que supera qualquer mérito: o Jesus vivo habita em meu coração. Diariamente, é dEle que fluem a misericórdia para recomeçar, a força para perseverar e o poder sobrenatural que transforma o dever em desejo. Não vivo mais por minha capacidade de obedecer, mas pela poderosa presença dEle que opera em e através de mim.

 

Livreto Grátis: Pequeno Tratado Sobre Idolatria.

 

https://drive.google.com/file/d/1tIVIZgpXfMtnLkZn3GxawEjTSO7pJqG-/view?usp=drive_link

 

Livreto: Percepção Espiritual – Como Obter?

 

https://drive.google.com/file/d/13CTSsmkHYoNQcm1B1ZlxRjl-uhOPUvIQ/view?usp=drive_link

 

Livreto: Potestades das Trevas Como é e Como Opera

 

https://drive.google.com/file/d/1y82sTIya-YQRv9cFchmuC6ijHmJn5Fj-/view?usp=sharing

 

 

 

Acesse

www.heresiolandia.blogspot.com

 

Milhares de estudos bíblicos para sua edificação e artigos apologéticos para a defesa da fé

 

 

 

 

 

 

 

O CRISTO DA FÉ E O CRISTO DA HISTORIA

 

 

 

 

O CRISTO DA FÉ E O CRISTO DA HISTORIA

 

C. J. Jacinto

 

 

O modernismo tenta dividir o Cristo da fé do Cristo da história. A fé no Cristo histórico não deve ser colocada como algo secundário. Este é um assunto extremamente essencial para a fé bíblica. A suposta controvérsia se dá por suposta falta de evidência esse e o argumento dos incrédulos, mas o que de fato são evidências? Embora muitos incrédulos suponham encontrar poucas evidências no mundo secular da antiguidade, o fazem por pura narrativa selecionada. A fé no Cristo histórico e a fé no Cristo bíblico e esse movimento se inicia sob fogo cruzado extremo, a história registra que a igreja cristã nasce sob perseguição severa e com terrível opressão social. A espada, o fogo e as feras não pouparam os cristãos. Essa é a base pelo qual repousa a evidência do Cristo histórico, a igreja primitiva foi um testemunho histórico do Cristo histórico, e maneira como disseram isso é o martírio corajoso. Ninguém nesse contexto poderia sugerir que Cristo fosse uma personagem fictícia. Isso e impossível! Vimos isso no clamor de Paulo "Eu sei em quem tenho crido

"

A voz de Paulo está dentro de um contexto histórico, Paulo é a testemunha no contexto de todo o contexto histórico, o local onde se enraíza o cristianismo, isto é irrefutável, ele sabia que existiu um Cristo histórico, por isso mesmo todas as suas epístolas são testemunhas vivas contra todos os incrédulos, e esses escritos são suficientes, a evidência do Cristo histórico na vida, conversão e testemunho de Paulo é um peso evidencial que esmaga todas as teorias contra o Cristo histórico. Só um impotente intelectual pensara diferente. Mas ainda temos os escritos cristãos próximos ao Novo Testamento, por providência divina João foi preservado a longa idade, e ha laços entre escritos como a Didaquê e Pastor de Hermas, e uma conexão com as testemunhas oculares de Cristo. Policarpo conheceu João e João conheceu e andou com Cristo. Segundo Eusébio de Cesareia Policarpo foi discípulo do apóstolo João Ora, a base pela qual a fé no Cristo histórico e uma sequência de eventos interconectados que dão continuidade ao movimento cristão emergente. É sólido esse fato, alicerçado em evidências claras e contínuas, e qualquer mente lúcida desprendida de qualquer preconceito ideológico e filosófico compreende com muita clareza essas provas históricas. Porquanto ainda temos os movimentos insurgentes na igreja primitiva, que muito cedo, já desenvolviam teorias acerca da natureza da pessoa de Cristo, não negando os fatos, muito menos um Cristo histórico, pois seria ridícula tal coisa, naquele contexto tão envolvente, a pessoa histórica do Filho de Deus, era algo bem definido como um fato no espaço, na geografia e no tempo. Ora, o que se discutia em âmbitos fora da ortodoxia era a natureza de Cristo, um mero homem? Um espírito elevado? Enfim, vimos o cristianismo heterodoxo alternativo, em movimentos gnósticos que surgiram já na época de João e Paulo, e esses movimentos marginais, nunca negaram o Cristo histórico, as teorias se desenvolviam em torno do que consistia a natureza da Pessoa de Cristo, assim vimos líderes gnósticos como Valentino e Marcião defendendo posições teóricas quanto a natureza de Cristo nunca duvidando da historicidade dele. Ainda dentro desse contexto histórico encontramos os judeus, muitos deles inimigos declarados da fé cristã, o livro de Hebreus foi escroto dentro dessa perspectiva, numa disputa acirrada contra a fé em Cristo e uma apostásia de judeus para a antiga fé, seria muito fácil a qualquer movimento antagônico ao evangelho usar com unhas e dentes toda e qualquer prova contra Cristo. Mas ao invés de negar o Cristo histórico, as acusações é que ele era filho de Pantera, ou um mágico, poderia ser um alguém que liderou um novo movimento religioso, mas nunca negar sua existência. Veja a postura de Domiciano, numa cruel perseguição aos cristãos e uma cruzada ardilosa para destruir manuscritos cristãos, e suponho eu, destruir também vestígios que serviam de provas quanto a autenticidade da pessoa e obra de Cristo. Não somente Jesus por ocasião de Seu nascimento foi alvo dessa conspiração demoníaca, quando alguns queriam ceifar a sua vida, como também posteriormente tentaram destruir a sua memória. Assim.em Atos 5 vimos como certo fariseu Chamado Gamaliel vai dar conselhos aos perseguidores de cristãos que deixassem a providência divina por si mesma agir favorável ou não ao movimento cristão, pois naquelas circunstâncias de provas extremas se a fé cristã não fosse autêntica não sobreviveria como aconteceu com outros movimentos messiânicos que se extinguiram naquela época. Entender essa questão pelo prisma do autor do livro de Atos é essencial, pois a providência divina colocou em Lucas um escritor e historiador com um rigor sério como ė apresentado em Atos 1:1 e 2. A história de Cristo do Novo Testamento está conectado a história dos primeiros anos da igreja, os documentos primitivos estão entrelaçados com o Cristo histórico, e mesmo os apócrifos, apelando para uma construção mítica de Cristo, todavia, devemos entender que essa construção é feita por cima do Cristo histórico. A ênfase dos apócrifos é norteada pela natureza fenomenal, sobrenatural, maravilhosa, espetacular, revolucionária de uma pessoa que viveu entre os judeus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Ressurreição de Jesus: Uma Cadeia de Evidências Médicas e Históricas 

 

 Sobre o autor 

Joseph W. Bergeron, M.D. é especialista em Medicina Física e Reabilitação. Anos de tratamento de traumas musculoesqueléticos o levaram a comparar os relatos dos evangelhos com a biomecânica real da crucificação romana. Seu livro “The Crucifixion of Jesus: A Medical Doctor Examines the Death and Resurrection of Christ” (2023) sustenta o artigo de 2025 que analisamos a seguir.

A lógica que Bergeron quer que todo leitor domine 

Premissa 1 – Jesus estava irrefutavelmente morto às 15 h da sexta-feira. 

Premissa 2 – O cadáver foi colocado em um túmulo conhecido, guardado e selado. 

Premissa 3 – Quarenta horas depois o túmulo estava vazio e os guardas contavam história de anjo. 

Premissa 4 – Cada alternativa naturalista (desmaio, túmulo errado, roubo de corpo, alucinação coletiva) desaba diante de dados médicos, legais ou sociológicos. 

Conclusão – A ressurreição é a única inferência que explica os cinco fatos mínimos: morte, sepultamento, túmulo vazio, aparições pós-morte e nascimento da Igreja sob perseguição.

 

Abaixo reforçamos cada elo com explicações extras e exemplos que você pode usar em sala de aula ou conversas.

 

--------------------------------------------------

1. MORTE CERTIFICADA NA CRUZ 

Evidências de Bergeron 

- A disciplina romana era capital: soldado que deixava um condenado escapar era executado (At 16.27 ilustra a regra). 

- A lançada no lado de Jesus produziu fluxo separado de sangue e soro – patognomônico de ruptura pericárdica ou pleural (Jo 19.34). 

- O único sobrevivente conhecido de crucificação, registrado por Flávio Josefo (Vida 75), morreu mesmo com cuidados médicos romanos.

Reforço didático 

Metanálise de 2021 sobre 44 restos humanos de vítimas romanas (Universidade Masaryk) mostra perfurações bilaterais no calcâneo, mas zero sinais de cicatrização – todos morreram na cruz. A “teoria do desmaio” exige que Jesus sobreviva a 100 % dos casos, role uma pedra de 1 tonelada e derrote uma guarda armada.

 

--------------------------------------------------

2. TÚMULO IMPOSSÍVEL DE SER ESQUECIDO 

Evidências de Bergeron 

- Sepulcro novo de José de Arimatéia, membro do Sinédrio; local público (Mc 15.43-47). 

- Pelo menos cinco mulheres assistiram ao sepultamento; Maria Madalena voltou domingo – sabia exatamente onde era. 

- Uma companhia da guarda do Templo (κουστωδία) foi estacionada lá.

 

Reforço didático 

Em 2020 arqueólogos acharam túmulo judeu do século I a 600 m da Cidade Velha, com sulco de rolamento intacto. Fica de frente para estrada movimentada – exatamente o cenário de alta visibilidade que Mateus descreve. Teoristas do “túmulo errado” precisam acreditar que seguidores, guardas, Sinédrio e censadores romanos esqueceram o endereço de uma das sepulturas mais visíveis de Jerusalém.

 

--------------------------------------------------

3. O CORPO NUNCA FOI EXIBIDO 

Evidências de Bergeron 

- Líderes judaicos tinham um jeito infalível de matar o cristianismo: expor o cadáver no Pentecoste. Não o fizeram. 

- Governadores romanos negavam sepultamento a insurgentes; os fariseus poderiam ter pedido esse corpo. Não pediram.

 

Reforço didático 

Tácito (Anais 6.29) registra que Tibério recusou sepultura a um traidor “para que nem seu nome nem sua memória sobrevivessem”. O silêncio dos inimigos é um brado: eles não tinham o corpo.

 

--------------------------------------------------

4. O TESTEMUNHO DOS GUARDAS CONTRA-ATACOU 

Evidências de Bergeron 

- Mt 28.11-15: guardas admitiram o angelophany, aceitaram suborno para dizer que dormiam enquanto discípulos roubavam o corpo. 

- Dormir de guarda era crime capital; o suborno deve ter sido enorme e incluído promessa de anistia.

 

Reforço didático 

A mais antiga polêmica cristã que possuímos – Justino Mártir, Diálogo com Trifão 108 (c. 160 d.C.) – ainda repete a história do “roubo”. Em termos jurídicos é “atestado de testemunha hostil”: inimigos concedem tanto o túmulo vazio quanto o fenômeno angélico.

 

--------------------------------------------------

5. HIPÓTESE DA ALUCINAÇÃO = MILAGRE MATEMÁTICO 

Evidências de Bergeron 

- Alucinações são eventos privados, patológicos (psicose, drogas, metabólico). 

- Prevalência de esquizofrenia (que pode gerar visuais) é 1/222. 

- Probabilidade de 12 homens adultos alucinarem o mesmo complexo visual-auditivo-tátil é 1,88 × 10⁻¹² – 2 em um trilhão.

 

Reforço didático 

O DSM-5 cita “transtorno psicótico compartilhado” (folie à deux), mas limite é “dois” indivíduos. Aparições grupais a mais de 500 (1 Co 15.6) têm “zero” precedente clínico. O cético precisa aceitar um milagre maior que a própria ressurreição: alucinação coletiva nunca observada.

 

--------------------------------------------------

6. OS DISCÍPULOS PAGARAM COM A VIDA POR UMA Afirmação TESTÁVEL 

Evidências de Bergeron 

- At 4.1-3: primeiro arresto (Pedro e João) semanas depois de Pentecostes. 

- Martírio de Estevão seguiu em menos de um ano (At 7). 

- História posterior (Eusébio, Hegesipo, Tertuliano) lista apóstolos executados pela mesma alegação: “Comemos com o Jesus ressuscitado”.

 

Reforço didático 

Morremos por “crenças”, não por “mentiras sabidamente falsas” que inventamos. Se tivessem escondido o corpo, ao menos um conspirador recantaria sob tortura – procedimento romano padrão. Em vez disso, temos Policarpos e Policrates que recusam retractar mesmo com chance de salvar a pele.

 

--------------------------------------------------

7. O “MISTÉRIO” QUE NENHUM PODER PREVIU 

Bergeron fecha com 1 Co 2.8-10: nem governantes humanos nem homens supostamente sabios compreenderam que crucificar o Senhor da Glória desencadearia vida ressurreta para todo crente. A ressurreição não é apenas dado apologético; é “mudança de paradigma cósmica” – o ponto onde história e escatologia se cruzam.

 

“Take-away” de opositores

Quando incredulos pedirem “evidências”, entregue a rede de sete ganchos de Bergeron: 

1. Morte certa 

2. Túmulo conhecido 

3. Corpo ausente 

4. Concessão de testemunha hostil 

5. Impossibilidade matemática de alucinação 

6. Martírio de testemunhas oculares 

7. Movimento global lançado da noite para o dia 

 

Quaisquer conjunto de três dessas evidencias já formariam um caso histórico forte; os sete juntos tornam a ressurreição o evento mais bem atestado da antiguidade.

 

--------------------------------------------------

Fonte (artigo integral em inglês do Dr. Joseph W. Bergeron, M.D.) 

 

https://rtbapac.in/resurrectionofchrist-2025_blog.php

 

 

Pensamentos Para a Vida Espiritual

 






quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Satanás e a Invenção de uma divindade utilitarista



 

 

 

O livro de Jó é uma obra notável, que aborda a reflexão perene sobre a condição humana, a natureza do homem decaído e a atuação de Satanás. Nele, podemos encontrar valiosas perspectivas e discernimentos sobre o mundo e sobre a situação atual da cristandade.

No primeiro capítulo, versículo primeiro, é apresentada a figura de Jó. Habitava na terra de Uz um homem chamado Jó, íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Essa descrição inicial ressalta a integridade de Jó. Ele era um homem de fé, que acreditava na justiça e na pessoa de Deus. Sua vida e caráter refletiam essa crença, manifestando-se em uma conduta íntegra e piedosa, que permeava sua experiência cotidiana.

No capítulo um, versículo 6, está escrito: "Em um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles."  A seguir, no versículo 7: "Então o Senhor disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela. E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Então respondeu Satanás ao Senhor e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde? Porventura tu não cercaste de proteção a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? Abençoaste a obra de suas mãos, e o seu gado se tem multiplicado na terra; mas estende a tua mão e toca em tudo quanto ele tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está nas tuas mãos, somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor."

 No capítulo 1, versículo 6, está registrado o seguinte: Em um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, Satanás também veio entre eles. A partir do versículo 7, a narrativa prossegue: Então o Senhor disse a Satanás: De onde vens? Satanás respondeu ao Senhor: De rodear a terra e passear por ela. O Senhor então disse a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Pois ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Satanás respondeu ao Senhor: Porventura Jó teme a Deus em vão? Acaso não o cercaste com uma cerca protetora, a ele, sua casa e tudo o que possui? Abençoaste a obra de suas mãos, e seus rebanhos se multiplicaram na terra. Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele tem, e verás se ele não te blasfema na tua face. O Senhor disse a Satanás: Eis que tudo o que ele tem está em teu poder, mas não toques nele. E Satanás saiu da presença do Senhor.

 É evidente que, em situações de conflito, Satanás consistentemente se opõe à verdade. Ao analisarmos o terceiro capítulo de Gênesis, observamos a elaboração de uma teologia distorcida e enganosa, com o objetivo de iludir Adão e Eva. De maneira semelhante, esse comportamento do diabo se manifesta na tentação de Jesus, conforme registrado em Lucas 4 e Mateus 4. Nesses relatos, Satanás emprega versículos bíblicos, manipulando e deturpando o texto sagrado para justificar uma interpretação particular, visando induzir Jesus ao pecado. Essa estratégia evidencia a constante tentativa de Satanás em desenvolver uma falsa teologia, buscando, em última instância, induzir a humanidade ao erro. A história de Jó ilustra essa mesma tática.

 Na introdução ao livro de Jó, o Senhor, Deus Onipotente, apresenta Jó como um homem justo. Ao ouvir esse testemunho divino, Satanás objeta, argumentando que a devoção de Jó é motivada pelas bênçãos recebidas. Ele afirma que Jó serve, adora e segue a Deus apenas por causa da prosperidade concedida. Satanás sugere que, se Deus retirar essas dádivas e permitir o sofrimento, Jó O abandonará, rejeitará e blasfemará contra Ele, pois sua fé seria condicionada à utilidade das bênçãos divinas.

 A premissa subjacente a essa perspectiva, que se qualifica como "satânica", é a tentativa de persuadir Deus de que a devoção de Jó não era sincera, mas sim que a relação era invertida, com Deus a serviço de Jó. Essa noção representa a gênese de uma teologia distorcida, frequentemente propagada em nossos púlpitos, onde líderes e pregadores contemporâneos podem apresentar um Deus utilitarista, que existe para servir, em vez de um Deus a ser servido. Embora superficialmente possa parecer uma ideia inócua, suas raízes são profundamente perniciosas.

 No século XXI, observa-se um fenômeno em que multidões são atraídas a práticas religiosas, frequentemente sob o pretexto de promessas de prosperidade material e satisfação de desejos terrenos. Essa abordagem, muitas vezes associada a certas vertentes religiosas, oferece benefícios pessoais e atrativos que apelam aos instintos humanos, como conforto, sucesso, felicidade e bens materiais.

 Essa modalidade religiosa, frequentemente apresentada sob a roupagem de ensinamentos religiosos, concentra-se na oferta de "mercadorias" em troca de fé, desviando o foco da busca por redenção e transformação espiritual. Em vez de uma busca genuína por arrependimento e reconciliação com Deus, impulsionada pela consciência da condição humana, a motivação principal parece residir na expectativa de recompensas terrenas.

 

 Essa tendência, que atrai grande número de pessoas, contrasta com os princípios fundamentais da igreja cristã primitiva. O foco na prosperidade e nos benefícios pessoais, em detrimento da busca por uma vida de acordo com os ensinamentos bíblicos, pode distorcer a verdadeira natureza da fé e da espiritualidade.

 Com sua característica de acusador, Satanás apresenta a Deus uma justificativa, semelhante à que já foi exposta. Seu argumento é que Jó servia a Deus unicamente por causa dos benefícios que recebia. Havia inúmeras vantagens em servir a Deus, como prosperidade material, bem-estar emocional e uma vida de felicidade. Satanás propõe que, caso esses benefícios fossem retirados, Jó abandonaria sua fé. Essa é a essência da acusação de Satanás, dirigida a Deus e também contra Jó.

 Podemos aprofundar a análise da questão que envolve a relação de Satanás com Deus. É possível inferir que, na perspectiva de Satanás, o que realmente importava não era Deus, o provedor, mas aquilo que se recebia de Deus. Em outras palavras, os benefícios eram considerados mais importantes do que o próprio benfeitor. Assim, Satanás acusou Jó de valorizar mais os benefícios recebidos, as bênçãos concedidas, do que a Deus, a fonte dessas bênçãos e benefícios.

 Desejo, de fato, investigar as razões pelas quais tantas pessoas professam, atualmente, seguir a um "Senhor". A qual divindade se referem? Ao Deus bíblico, considerado o Senhor Supremo? Ou estariam, porventura, sendo iludidas por uma falsa representação divina, frequentemente veiculada em algumas igrejas contemporâneas e por líderes com práticas pragmáticas? Estes últimos, motivados por ambições pessoais, almejam construir um movimento religioso que lhes permita projetar sua imagem e receber adoração, além de usufruir de recursos financeiros consideráveis, obtidos por meio da comercialização da fé em determinados contextos religiosos.

 O sistema religioso em questão, embora sofisticado em sua apresentação, tornou-se amplamente popular na atualidade. A facilidade com que se espalhou é notável, o que levou, décadas atrás, críticos da religião a observar a fragmentação acelerada do movimento neopentecostal e pentecostal. Esses críticos, ao analisar as pequenas igrejas fundadas por indivíduos sem formação teológica ou critérios rigorosos, rotularam-nas como "pequenas igrejas, grandes negócios".

 Essa tendência já havia sido prefigurada por Pedro, em sua segunda carta, no capítulo 2, a partir do versículo 1: "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de negarem o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, o caminho da verdade será difamado; também, movidos pela ganância, farão comércio com vocês, usando palavras fingidas. A condenação deles desde há muito tempo não tarda, e a sua destruição não dormita".

 A passagem ilustra uma religião comercializada, uma doutrina adaptada para atrair fiéis. Milhares de pessoas buscam um deus que as sirva, em vez de servir a Deus, refletindo a tendência humana de priorizar os interesses pessoais. Essa era a questão central: o diabo questionou Deus, sugerindo que a devoção de Jó era motivada pelos benefícios recebidos.

 Conheço pessoalmente muitos indivíduos que se decepcionaram com esse tipo de prática religiosa. Buscaram igrejas motivados pela promessa de cura mediante votos, milagres e bênçãos materiais. No entanto, a desilusão veio à tona quando as promessas não se concretizaram. A frustração resultante levou essas pessoas a se afastarem da fé, acusando o Deus da Bíblia de ser um mentiroso. Percebe-se, assim, que o próprio diabo utiliza falsos profetas para confundir as pessoas, pregando um deus ilusório, o qual, após a decepção, leva os indivíduos a acreditarem que foram enganados pelo Deus supremo.

 Ao enganar essas pessoas, levando-as a uma desilusão religiosa sem que possam discernir o engano de uma divindade falsa, fabricada em suas crenças com o único propósito de exploração, esses indivíduos acabam por imputar a Deus, conforme revelado nas Escrituras, a prática da decepção, do erro e da mentira. Em outras palavras, como Pedro adverte em 2 Pedro, capítulo 2, versículos 1 a 3, falsos mestres, movidos pela avareza, explorarão seus seguidores, e o caminho da verdade será difamado. Ao atribuir a mentira ao Deus verdadeiro, essas pessoas incorrem em blasfêmia. Conforme João, capítulo 8, versículo 44, declara que o diabo é o pai da mentira, e agora essas pessoas são levadas a associar a mentira ao Deus da verdade.

 Ao idealizar uma religião voltada para o lucro e uma divindade que interage com os homens em termos comerciais, surge um novo tipo de religião, na qual cada pregação e mensagem se adapta aos anseios do público. De fato, a figura de um deus justo e rigoroso, que pune o pecado e exige honra, adoração e serviço incondicional, contrasta com a teologia utilitarista que prevalece atualmente, notadamente em muitas denominações evangélicas. Lamentavelmente, essa tendência se estabeleceu e tende a se agravar, como parte de uma apostasia predita, conforme registrado pelos apóstolos.

 A filosofia religiosa utilitarista que prevalece atualmente, adotada como uma filosofia prática para impulsionar o pragmatismo, tem se esforçado para deturpar a verdadeira mensagem do Evangelho e a imagem de Deus apresentada nas Escrituras. É imperativo que os fiéis examinem se seus pastores, líderes e suas igrejas estão, de fato, pregando o Deus revelado nas Sagradas Escrituras. Aquele Deus que é simultaneamente misericordioso e justo, soberano e transcendente à vontade humana. Ao ensinar sobre a oração do Pai Nosso, Jesus enfatizou: "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu." Isso implica que a vontade divina deve prevalecer sobre a nossa.

 Contudo, a realidade contemporânea demonstra a proeminência de uma representação de Deus disposta a "negociar" através de uma religião comercial, na qual votos e promessas condicionam a doação financeira ou a adesão a líderes religiosos em troca de bênçãos, saúde, curas, proteção e prosperidade. Essa doutrina, embora pareça nova, é, na verdade, uma reedição de uma estratégia antiga. O livro de Jó, considerado por muitos estudiosos como o primeiro livro da Bíblia, ilustra essa realidade. A filosofia do diabo, ao acusar Jó de servir a Deus por interesse, distorceu o caráter divino e a retidão de Jó. Essa teologia satânica nunca desapareceu; apenas foi adaptada, revestida de roupagem cristã e disseminada pelo mundo. Essa "religião utilitarista" é uma abominação, e dela devemos nos afastar. À medida que o tempo passa, lamentavelmente, um número crescente de igrejas se desvia da pregação do Deus verdadeiro, cedendo a essa crença e teologia maligna.

 No capítulo 4, versículo 8 da Epístola aos Gálatas, Paulo recorda que, antes de conhecerem a Deus, os cristãos da Galácia serviam a deuses que, em sua essência, não eram divinos, ou seja, não representavam o Deus verdadeiro. Da mesma forma, a adoração a um deus utilitarista, que não possui soberania, onipotência, onipresença e onisciência, e que não ocupa o lugar da Suprema Majestade, mas sim se submete às ordens do homem, de seus sacerdotes e líderes religiosos – que se arrogam a autoridade de "ordenar", "profetizar" e "determinar" como se fossem superiores à própria divindade –, constitui uma grave blasfêmia. O homem jamais pode controlar o Deus verdadeiro, pois Ele transcende a vontade e as ordens humanas.

 Um deus que pode ser manipulado, comprado ou cuja bênção pode ser negociada não é o Deus verdadeiro. Trata-se de um erro teológico, uma divindade falsa que, infelizmente, muitos apresentam e aceitam. Uma grande quantidade de pessoas se sente atraída por essa figura, pois ela não impõe desafios, mas apenas oferece benefícios que podem ser adquiridos ou creditados aos seus seguidores.

 Esse deus utilitarista não é o Deus revelado nas Escrituras, nem é o Deus pregado pelos verdadeiros cristãos. Que estas palavras sirvam de alerta a todos nós.

 

Textos bíblicos que revelam a majestade, soberania e autoridade do Verdadeiro Deus das Escrituras:

 

Efesios 1:11, Romanos 8:28, Mateus 10:29 a 31 Colossenses 1:16 a 17, Isaias 45: 7 a 9, provérbios 16:33, Jó 42:2, Lamentações 3:37 a 39, Atos 4:27 a 28, Efésios 1:4 etc.

 

Sugestão de leitura:

 

Deus é Soberano – A. W. Pink

 

Footer Left Content