https://drive.google.com/file/d/1sBQQWA9_Pvoybrg8i5zvTjKfyRj92oZ-/view?usp=sharing
Escritos Espirituais de um Profeta Solitário
Imagine um cientista debruçado
sobre um microscópio. Ele observa uma gota d’água e descobre um universo
inteiro: partículas, movimentos, estruturas invisíveis aos olhos comuns. Agora
imagine um astrônomo apontando seu telescópio para o céu. Ele contempla estrelas,
galáxias e distâncias que nossa mente não consegue medir. Dois instrumentos,
dois mundos: o infinitamente pequeno e o infinitamente grande.
A Bíblia é assim. Ela possui
detalhes tão minuciosos que parecem escondidos, e ao mesmo tempo apresenta horizontes
tão vastos que nos deixam sem fôlego. Para conhecê-la melhor, precisamos
aprender a usar as duas lentes: o microscópio e o telescópio.
Duas janelas para o infinito
O ser humano vive entre duas
grandezas: o micro e o macro. O microscópio nos ajuda a enxergar o que está
perto, pequeno, quase imperceptível. O telescópio nos ajuda a contemplar o que
é distante, amplo, majestoso. No estudo da Bíblia, acontece algo semelhante.
Há momentos em que precisamos nos
debruçar sobre uma palavra, uma expressão, um versículo, uma repetição. Há
outros em que precisamos recuar, enxergar o conjunto, compreender o plano de um
livro inteiro ou um tema que atravessa toda a Escritura. Os dois movimentos são
necessários. Um sem o outro empobrece nossa leitura.
A lente do microscópio: quando os
detalhes falam
O estudo microscópico da Bíblia é a
arte de observar os pequenos sinais. Às vezes, uma palavra repetida, um nome
divino, uma expressão recorrente ou um simples “logo” pode abrir uma janela
para verdades profundas.
Um exemplo clássico é o Evangelho
de Marcos. Um leitor atento percebe que a palavra “logo” ou “imediatamente”
aparece muitas vezes. Só no primeiro capítulo, ela surge onze vezes. Por quê?
Porque Marcos nos apresenta Jesus como o Servo perfeito, que age sem demora, em
completa dependência do Pai. E há um detalhe comovente: o próprio Marcos,
segundo Atos 15, havia falhado em seguir o chamado de imediato. Mais tarde,
restaurado pela graça, foi escolhido pelo Espírito Santo para escrever sobre
Aquele que sempre agiu “logo”. O detalhe não é curiosidade: é revelação da
graça.
Outro exemplo são os nomes de Deus.
Em Provérbios, predomina o nome “SENHOR” (Javé), pois o livro trata de Deus em
relação com o ser humano. Em Eclesiastes, onde tudo é visto “debaixo do sol”,
aparece “Elohim”, o Deus Criador. Em Daniel, Esdras e Neemias, o nome
característico é “o Deus dos céus”, pois o povo estava longe do templo e da
terra. Em Isaías, cerca de trinta vezes encontramos “o Santo de Israel”. Por
quê? Porque Isaías teve uma visão transformadora no capítulo 6: viu a santidade
de Deus, reconheceu sua própria impureza e ouviu os serafins clamando: “Santo,
santo, santo é o Senhor dos Exércitos”. Essa visão marcou sua vida e seu
ministério.
O microscópio também nos ajuda a
notar padrões. Quantas vezes o Senhor é chamado “Filho de Davi” em Mateus?
Quantas orações de Jesus aparecem em Lucas? Quantos sinais Cristo realiza em
João? Quantas vezes a palavra “bem-aventurado” surge no Apocalipse? Quantas
pessoas são encontradas aos pés do Senhor? Quem disse “pequei” com sinceridade
e quem apenas se desesperou? São perguntas simples, mas que produzem
descobertas espirituais.
Esse tipo de estudo exige
paciência. É como o trabalho do cientista diante do microscópio: repetitivo,
silencioso, aparentemente árido. Mas o que descobrimos por nós mesmos tem um
sabor especial. Ferramentas e comentários podem ajudar, mas nunca substituem o
contato direto com o texto.
A lente do telescópio: quando o
todo toma forma
Se o microscópio revela detalhes, o
telescópio revela panorama. Há momentos em que precisamos deixar de lado as
minúcias e contemplar as grandes linhas do propósito de Deus.
O estudo macroscópico da Bíblia
busca o plano de um livro, a sequência de um argumento, o desenvolvimento de um
tema. Podemos, por exemplo, esboçar capítulo por capítulo o Evangelho de João,
os Atos dos Apóstolos ou a carta aos Romanos. Podemos acompanhar um tema que
atravessa toda a Escritura: lei e graça, Israel e Igreja, a pessoa e a obra do
Espírito Santo, as dispensações, as alianças, os títulos de Cristo, os tipos do
Antigo Testamento, as profecias, o remanescente, a vinda do Senhor, as
ressurreições, as coroas, os juízos.
O telescópio nos convida a enxergar
o conjunto. É como subir uma montanha e contemplar a paisagem inteira. De
perto, uma árvore pode esconder a floresta; de longe, percebemos o desenho dos
vales e rios. Assim também, ao olharmos o todo da Escritura, entendemos melhor
cada parte.
Mas isso não significa ignorar os
detalhes. Significa ordená-los dentro de uma grande história. O microscópio sem
o telescópio pode nos tornar especialistas em folhas e esquecer a floresta. O
telescópio sem o microscópio pode nos dar grandes ideias, mas perder a riqueza
do texto inspirado.
Como usar as duas lentes na prática
Ore antes de abrir a Bíblia. O
mesmo Espírito que inspirou a Escritura precisa iluminar nossa mente. Estudo
bíblico sem dependência de Deus vira mera informação.
Escolha uma lente por vez. Em um
dia, estude um versículo, uma palavra, uma repetição. Em outro, leia um livro
inteiro, faça um esboço, siga um tema.
Faça perguntas. Quem escreveu? Para
quem? Por quê? O que este texto revela sobre Deus, sobre Cristo, sobre o ser
humano, sobre mim?
Anote suas descobertas. O que é
registrado fixa-se melhor. Compare passagens, observe conexões, volte depois.
Use ferramentas com sabedoria.
Concordâncias, dicionários e comentários são mapas úteis. Mas o mapa não
substitui a viagem. Leia a Bíblia.
Termine em adoração. O objetivo não
é apenas entender, mas amar. Conhecimento que não aquece o coração pode inflar.
A verdadeira erudição bíblica nos humilha e nos leva aos pés de Cristo.
O alvo de todo estudo: adoração
O estudo da Bíblia não existe para
alimentar vaidade intelectual. Ele existe para nos conduzir ao Deus vivo.
Quanto mais conhecemos as Escrituras, mais percebemos nossa pequenez e a
grandeza do Senhor. Como diz o salmista: “Quando vejo os teus céus, obra dos
teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem para que te
lembres dele?” (Salmo 8.3-4).
A Palavra é infinita em seus
detalhes e em seus grandes temas. Nunca esgotaremos suas riquezas. Se
começarmos cedo, enquanto temos saúde, memória e tempo, colheremos frutos por
toda a vida. E mesmo na velhice, quando “vierem os dias difíceis”, ainda
encontraremos néctar nas páginas sagradas.
Que nunca busquemos conhecimento
por conhecimento. Que nossas afeições sejam despertadas e aquecidas. Que a
verdade nos humilhe, nos separe do mundo e nos una mais a Cristo. Afinal, como
diz Paulo, “o conhecimento incha, mas o amor edifica” (1 Coríntios 8.1).
Conclusão: nunca será tempo perdido
Se você abrir a Bíblia hoje, leve
as duas lentes. Use o microscópio da atenção: observe cada palavra, cada nome,
cada detalhe. Use o telescópio da fé: contemple o plano grandioso de Deus, do
Gênesis ao Apocalipse. Em ambas as direções, o fim é o mesmo: adoração.
Nunca nos arrependeremos do tempo
gasto aos pés do Senhor, estudando Sua Palavra com humildade, oração e perseverança.
Ela é viva, eficaz e mais doce que o mel. E quanto mais a examinamos, mais
descobrimos que seu Autor é infinitamente digno de todo louvor.
Inspirado no artigo “Mit dem
Mikroskop und dem Fernrohr”, publicado por bibelkommentare.de.
C. J. Jacinto
"Quando uma pessoa não sabe
mais o que é certo ou errado, você pode fazê-la acreditar em qualquer coisa, e
em um mundo onde o bem e o mal, a verdade e a falsidade se tornaram dependentes
da escolha pessoal de cada um (o que é cada vez mais comum), influenciar as
pessoas é mais fácil do que nunca, e isso é um desenvolvimento perigoso" Hannah
Arendt
Desde a Queda, a mentira tem sido
um pecado universal — não apenas por afetar toda a humanidade, mas também por
atravessar todos os tempos. A Bíblia afirma em João 8:44 que o diabo é o pai da
mentira; em 1 João 5:19, que o mundo jaz no maligno; e em Apocalipse 12:9, que
ele engana o mundo todo. Além disso, está escrito que ele cega o entendimento dos
incrédulos. (II Coríntios 4:4)
Assim, vemos que o mal não está enraizado
apenas na natureza humana, mas é o próprio sistema operacional do diabo e de
todas as hostes de espíritos caídos sob seu comando.
O próprio Satanás desmente o que Deus falou,
dizendo: “Certamente não morrerás”. Isso foi uma mentira. O diabo mentiu, Eva creu
na mentira e desobedeceu e Adão seguiu os passos dela; as consequências foram
catastróficas. Nunca tente olhar para a tentação no Jardim do Éden simplesmente
como a descrição de uma mulher que vai comer um fruto proibido. Por trás de
todo o processo da tentação há uma mentira — e essa é a questão principal. Tudo
começa com uma mentira: uma mentira que o diabo proferiu e em que Eva e Adão
acreditaram. Nunca olhe para a queda sob uma ótica superficial. Não foi apenas
a questão do consumo de uma fruta proibida; isso envolve muito mais do que
isso. Reitero: envolve a mentira e a negação da autoridade da palavra de Deus. Assim,
o diabo mentiu. Sob o aspecto de suas mentiras, podemos encontrar duas
principais consequências comportamentais: vemos que ninguém assumiu a
responsabilidade: Adão culpou Eva pela transgressão, e Eva culpou a serpente.
Foi assim que a mentira começou a enraizar-se no coração humano. Portanto,
mentir significa proclamar inverdades, distorcer os fatos ou suprimir a verdade.
Mentira é tudo aquilo que não corresponde à realidade.
Assim, podemos observar que a natureza da
mentira é extremamente maligna e suas consequências são catastróficas. O diabo,
o pai da mentira, a tem usado de forma muito eficaz para levar muitos à perdição
eterna. Ele aprova e está disposto a apoiar todos os mentirosos. Todos os
mentirosos são seus filhos e possuem a mesma natureza. Como foi dito, as
consequências da mentira são catastróficas. Alexander Pope disse certa vez:
'Quem conta uma mentira não percebe a pesada carga que assume, pois terá de
inventar outras 20 mentiras para poder manter a primeira.
A mentira está associada à falta de caráter e
à desonestidade. Muitas vezes, ela é explorada através da desinformação.
Vivemos numa época de desinformação extrema e de manipulação de dados. Muitas
destas mentiras são fantasiadas de modo a esconderem a sua verdadeira intenção.
Lembre-se que embora o que caracteriza o diabo são as trevas (Efesios 6:12) ele
se transfigura em anjo de luz (II Corintios 11:14)
Hoje, vivemos numa época de mentira universal,
o que me faz lembrar uma frase de George Orwell, autor do livro 1984, no qual,
já em sua época, disse: “Em uma época de mentira universal, dizer a verdade é
um ato revolucionário.” Na verdade, está cada vez mais difícil encontrarmos
pessoas que estejam aptas e tenham coragem de permanecer ao lado da verdade. Pelo
fato de a mentira ser de natureza diabólica, hoje enfrentamos o problema da
disseminação de meias-verdades, da supressão de fantasias que alteram o
resultado de uma conclusão, da ambiguidade, do relativismo e também do uso de
neologismos para tentar enganar a população. Assim, aquele que é criminoso já
não é mais chamado de criminoso, e o homem já não é chamado de homem — é
chamado de mulher, mesmo sendo homem, não importando o que a ciência diga. Pois
a ideologia baseada em mentiras simplesmente nega o fato, a verdade e a realidade.
Trata-se da mentira ganhando força no meio de uma sociedade cada vez mais
tolerante com meias-verdades e com ideias puramente ideológicas, que nada têm a
ver com os fatos, mas que os manipulam para proveito próprio e para fortalecer
a mentira.
Hoje vivemos, de fato, nesses tempos. Pessoas dizem que abortar uma criança não
é assassinato — embora achem que uma bactéria encontrada em outro planeta seja
vida, quando se trata de um ser humano se desenvolvendo no útero de uma mulher
e se comete um aborto, alegam não ser assassinato. Eles tiram a força do senso
de verdade apenas para defender suas próprias ideologias e, para isso, usam a
mentira. O uso de neologismos e de clichês também pode ser um exemplo claro de
que a mentira não tem limites para atuar — inclusive dentro do sistema
eclesiástico. Agora, não se diz mais que uma transgressão contra as leis de
Deus é considerada pecado; ao contrário, substituíram a palavra. Com isso,
temos um problema: não chamamos mais as coisas por seus nomes verdadeiros, mas
por uma mentira. A mentira pode produzir engano e autoengano. Pode ser
devastadora dentro de uma sociedade e trazer consequências terríveis para uma
pessoa, para a comunidade ou para toda uma nação. Frequentemente, as mentiras
geram delírios e formas de engano profundos. A médio e longo prazo, essas
consequências revelam-se profundamente devastadoras e impactantes para a
sociedade. Num mundo obcecado pela mentira, e dominado e controlado pelo pai da
mentira, devemos entender que verdades podem trazer perturbação. A mentira
muitas vezes oferece um conforto — é um conforto que serve como uma armadilha,
mas oferece, sim, conforto. Mentiras podem até atenuar situações; verdades
podem causar perseguições.
Todavia, o homem sincero deve estar com a verdade, porque Deus é o Deus d
verdade. Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". No
grego, a palavra "verdade" pronunciada por Jesus aqui em João,
capítulo 14, versículo 6, a tradução de verdade é a palavra grega aletheia: a
verdadeira realidade. Cristo está com a realidade; Ele é verdadeiro e a verdade
em todos os sentidos. Assim é todo aquele que pertence a Deus: é verdadeiro, e
não está ao lado da mentira. Hoje em dia, muitos consideram como amor aquilo
que a Bíblia chama de abominação. Muitos chamam de relacionamento o que a
Bíblia chama de adultério. Transformaram virtudes em vício, inverteram os
valores. Vivemos dias em que o certo parece ser errado e o errado parece ser
certo.
Em Isaías, no capítulo 5 e versículo 20, o profeta advertiu: "Ai dos que
ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem das trevas luz e da luz, trevas; e
fazem do doce amargo e do amargo, doce". O mesmo profeta, no capítulo 59,
versículos 14 e 15, fala que a justiça retrocedeu e a verdade anda tropeçando
pelas ruas.
Nada pode ser considerado tão atual quanto essas palavras quando elas são
aplicadas à nossa geração perversa e corrompida, que está a inverter os valores
e tem feito grande progresso na multiplicação da iniquidade. O relativismo contamina
a nossa sociedade, hoje em dia, tentam minimizar a gravidade de um crime,
fazendo de delinquentes “vítimas da sociedade” porquanto a verdade é que o
homem inclinado ao crime é pecador e a sua natureza adâmica o impulsiona isso,
ele deve pagar pelos seus crimes, transferir a culpa pessoal aos outros é agir
como Adão, colocou a culpa em Eva, e ela na serpente, Adão agiu consciente do
erro (I Timóteo 2:14) ele é culpado, cada transgressor e cada criminoso é culpado.
Outra mentira popular é que a sociedade corrompe o indivíduo, esse jogo de
palavras mentirosas é uma das ideias mais satânicas que existem. Uma sociedade
é feita de indivíduos, dos filhos de Adão e Eva começou a primeira sociedade de
homens caídos, foram eles que corromperam a sociedade humana, não o oposto.
Quando chegamos em Genesis 6 no contexto do diluvio, a sociedade está
corrompida porque os homens se tornaram extremamente malignos e a impunidade
era generalizada, uma sociedade que deixa de acreditar em absolutos e na
verdade, torna-se brutal, tão brutal e insensível que não enxerga o terror da
agonia de um feto sendo dilacerado no útero de uma criança no processo do
aborto, assim como na época do rei Manassés (rei de Judá) eram os homens insensíveis
quando faziam as crianças passarem pelo fogo em sacrifício a Moloque (II Reis
21:6 II Crônicas 33:6). A mentira
brutaliza o homem!
Sendo a mentira um problema universal, enraizado
no coração e no comportamento humano, devemos sempre verificar se aquilo que
chega aos nossos ouvidos ou aquilo que pronunciamos são simples repetições de
boatos e de informações não verificáveis, ou se realmente são factos. Temos que
tomar cuidado com relação a isso. Mentiras são mais fáceis de aceitar do que
verdades. Portanto, o homem de Deus sabe o custo da verdade se tiver que a
defender e pronunciar diante de pessoas que, na sua maioria, não gostam de
ouvir verdades. Que o martírio de Estevão e as perseguições de dos profetas
Elias e Jeremias, ao chamar um relacionamento conjugal de ilícito João Batista
foi decapitado, a verdade tem um preço alto a nível do caráter de Cristo e a
mentira tem um nível baixo ao abismo do inferno, em tempos de relativismo que
se sustenta por mentiras multiplicadas, devemos escolher ficar do lado da
verdade, custe o que custar.
Mas quero lembrar-lhe que a mentira é o cardápio dos golpistas; a mentira é a
manobra que os criminosos usam. É a tática de bandidos e manipuladores que
visam enganar por meios ilícitos e buscam pessoas vulneráveis e ignorantes para
atacar.
E cada vez que se você está diante de uma mentira e não tem a capacidade de
detectar que se trata de uma mentira, você pode ser colocado ao nível de um
ignorante e de uma pessoa que pode ser manipulada. Outra coisa: a avareza é uma
excelente isca num mundo extremamente materialista. Portanto, usa-se muito a
mentira para despertar o pecado da avareza no coração humano. Pois, a partir do
momento em que uma pessoa tende a ser avarenta, ela torna-se mais aberta para
todo o tipo de engano.
Então, concluímos: a mentira é a base da sustentação de todo o erro e de todo
o engano. A mentira ganhará proporções enormes nos últimos tempos. Isso é
necessário para preparar o ambiente para o Anticristo, pois ele será o mestre
por excelência de todas as mentiras. Paulo escreve em 2 Tessalonicenses 2:10
acerca dele: "com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque
não receberam o amor da verdade para se salvarem".
Sendo assim, a mentira precisa de ter uma
influência muito forte nos últimos tempos para preparar os homens para
receberem o Anticristo. Todos aqueles que não exercem o seu discernimento e a
sua sobriedade, e que não assumem a responsabilidade de verificar os fatos,
podem ser facilmente enganados pelo espírito do Anticristo. Eis algo para
o qual precisamos de estar alertas. Caso contrário, a influência do engano
demoníaco do Anticristo tomará proporções gigantescas, arrastando consigo até
mesmo aqueles que nunca deram ouvidos nem amaram a verdade da maneira como a
Bíblia ensina. Não é admirável que hoje nos meios eclesiásticos temos
tantos hipócritas? Uma das mentiras mais devastadora é a imitação, apenas um
disfarce, uma máscara mentirosa para esconder a essência, e como satanás fez,
consegue levar após si a terça parte dos anjos. A técnica funciona muito bem,
mas é demoníaca ao extremo!
A linguagem, o discurso cheio de
clichês, a retórica cheia de termos subjetivos, ambíguos e relativistas... Tudo
isso faz com que muitos mentirosos manipulem a opinião pública através de
linguagem sugestiva, técnicas de retórica, supressão e ocultamento e
manipulação de fatos, eufemismos, repetições e, em formas mais radicais, até
mesmo mediunidade por possessão.
A disseminação do erro depende da mentira; a base que o apoia mantém a sua
cumplicidade. Portanto, quando eu falo sobre uma eficiência do erro, não estou
dizendo que um erro produz algum tipo de verdade. Simplesmente falo como uma
expressão de dizer que o assentamento e a aceitação da mentira se dão por
agentes que a promovem e pessoas sem discernimento que as aceitam.
Nem todas as mentiras são egoístas. Sifrá e Puá, por exemplo, lá em Êxodo 1, e
Raabe, em Josué 2, podem ser exemplos. Mas aqui nas Escrituras são descrições,
e não prescrições. Em nenhuma outra parte da Bíblia Sagrada diz que todos devem
agir assim. Mentira continua sendo mentira, de modo que, em todas as
Escrituras, ela é condenada.
Para finalizar, desejo então
salientar aqui que o anticristo será o grande mestre do engano. Por outro lado,
também devemos entender: toda a religião que não conduz alguém a confiar
absolutamente em Cristo — pois ele é a verdade por excelência — toda a religião
que não induz as pessoas a confiarem completamente nele, na sua obra consumada
e perfeita, é uma religião falsa que está a pregar e a anunciar mentiras.
Pois certamente, quando lemos o alerta de Paulo em Gálatas, capítulo 1,
versículo 8 e versículo 9, acerca de nós ou de um anjo que anuncia outro
Evangelho, isso significa um Evangelho mentiroso, uma mensagem baseada em
mentiras e não na verdade. Tal mensagem deve ser considerada como um anátema ou
como uma maldição. Ou seja, Paulo está a dizer: um Evangelho mentiroso é uma
maldição e não uma bênção.
Pois também o Evangelho falso traz
consequências devastadoras a longo prazo, além de fraudes, enganos, danos
espirituais e, por fim, a perdição eterna. De maneira que devemos, então,
testar como os bereanos. Como disse ao princípio, as Escrituras devem ser
consideradas como um detector de mentiras. De modo que, como os bereanos em
Atos 17:11, as palavras de Paulo foram testadas na congregação de Bereia. Os
judeus estavam ali a ouvir a Paulo e foram verificar nas Escrituras para saber
se Paulo estava a pregar verdades ou mentiras, se a sua mensagem era verdadeira
ou era um engano. A quem eles foram, os bereanos? Foram à tradição ou
procuraram uma revelação mística, confiaram em seus próprios sentimentos e
sabedoria? Não, eles foram às Escrituras. Eles não foram a nenhuma outra fonte
para verificar e testar a mensagem de Paulo, a não ser nas Escrituras. Portanto,
nós temos ali a verdade. Como disse Jesus: “Santifica-os na verdade; a tua
palavra é a verdade” (João 17:17)
Precisamos entender, uma vez por
todas: quanto mais egoísta é um coração, mais ele se inclina para o engano e
para a mentira. Mentiras podem ser usadas para benefício próprio ou podem ser
mantidas por pura cegueira espiritual.
Por que a explosão cósmica e a revelação de Gênesis não se
reconciliam
Por C. J. Jacinto
Poucas
ideias científicas conquistaram tanto espaço no imaginário moderno quanto a
teoria do Big Bang. Ensinada nas escolas, repetida em documentários e aceita
sem maiores questionamentos até mesmo por muitos cristãos, ela se tornou a
explicação oficial para o começo de tudo. Neste artigo, quero examinar de onde
essa teoria veio, o que ela de fato propõe e, principalmente, por que ela não
se harmoniza com o que as Escrituras revelam sobre a criação.
A
história começa com Georges Lemaître, que sugeriu que o universo teria surgido
a partir de um único ponto denso e quente, a que chamou de “átomo primordial”
ou “ovo cósmico”. Para sustentar a proposta, ele recorreu às equações da Teoria
da Relatividade Geral, de Albert Einstein, e procurou mostrar que o universo
não é estático, mas se encontra em constante expansão.
A
confirmação prática veio em 1929, quando o astrônomo norte-americano Edwin
Hubble comprovou a expansão do universo ao observar que as galáxias estavam se
afastando umas das outras. Já o nome pelo qual a teoria ficou conhecida surgiu
em 1949, criado pelo astrônomo britânico Fred Hoyle. Curiosamente, ele o
empregou de forma irônica, durante um programa de rádio, justamente porque
defendia outra ideia sobre a origem do universo.
Confesso
que considero a proposta de Lemaître muito próxima da ideia de emanação,
defendida pela cabala mística judaica. Segundo essa doutrina, todo o universo
seria uma emanação do próprio Deus, e essa concepção recebe o nome de monismo.
Em ambos os casos, tudo procede de uma única fonte concentrada, e não de um ato
criador deliberado de um Deus pessoal que existe à parte da sua criação.
Há
ainda outro ponto relevante. Assim como Teilhard de Chardin, Lemaître tentou
reconciliar a teologia católica com o cientificismo que avançava em sua época,
causando impacto sobre a leitura literal do livro de Gênesis.
De
acordo com o Big Bang, há cerca de 13,8 bilhões de anos o universo, concentrado
em um minúsculo ponto que continha toda a matéria, explodiu e depois resfriou
enquanto se expandia. Em seguida, reações foram desencadeadas e interligadas,
criando as primeiras estrelas, as galáxias e tudo o que vemos hoje.
Mas
há uma pergunta que a teoria deixa em aberto: de onde veio esse minúsculo
ponto? Ninguém parece saber. Alguns dizem que ele sempre existiu. Outros
afirmam que ele seria o resultado do colapso de um universo anterior, o que
implicaria que a matéria é eterna. Essa saída, porém, esbarra no nosso
conhecimento da física, especificamente na segunda lei da termodinâmica.
Simplificando, o universo não é eterno no passado, nem será eterno no futuro.
Diante desse impasse, alguns, com considerável audácia, chegaram ao ponto de
declarar que a matéria surgiu do nada.
Uma
coisa é certa: é preciso abandonar o bom senso para aceitar especulações tão
incompreensíveis. Na minha avaliação, nenhuma delas tem credibilidade
científica ou bíblica. O Big Bang é ficção científica.
Enquanto
isso, o primeiro versículo da Bíblia traz uma declaração surpreendentemente
avançada sobre a origem do cosmos. Qualquer pessoa inteligente entende que o
universo é composto de espaço, matéria, energia e tempo. Pois bem: Moisés,
inspirado pelo Espírito Santo, nos revela quem deu início a esse começo. Deus é
o agente da criação.
“No princípio (tempo) criou (energia) Deus (o agente) os céus (espaço) e
a terra (matéria)”.
Lemaître
e, depois dele, os profetas do cientificismo apenas substituíram o agente da
criação. Excluíram Deus e, no lugar dele, colocaram uma espécie de potência
molecular que concentrava todas as coisas num único ponto e que, por um suposto
princípio de ignição, “explodiu”, expandindo o universo e organizando todas as
coisas.
O
cenário do Big Bang especula que um universo maravilhosamente ordenado surgiu
de forma aleatória a partir de uma explosão gigantesca, um verdadeiro
holocausto cósmico. No entanto, nunca se observou uma explosão caótica
produzindo uma ordem complexa que funcione com um propósito. Em outras
palavras, a explosão de uma impressora não produz uma enciclopédia. Um tornado
que atinge um ferro-velho não monta um Boeing 747. Nenhuma construtora reúne
materiais em um ponto e os explode esperando que o resultado seja um prédio. A
ideia é absurda, não é? Além disso, os evolucionistas não conseguem apontar
nenhum mecanismo que permita ao universo começar em um estado arbitrário e
depois evoluir para o seu atual estado altamente ordenado.
Há
também a questão do movimento. Se o Big Bang fosse real, seria de esperar que
toda a energia tivesse sido expelida radialmente para fora do centro da
explosão, de acordo com o princípio do momento angular. Não esperaríamos que o
universo fosse caracterizado pelos movimentos orbitais curvos que observamos
por toda parte, como a revolução da Terra em torno do Sol.
O
mesmo vale para a radiação de micro-ondas, que se acredita ser o calor residual
do Big Bang. Ao tentar medi-la, os cientistas encontraram uma uniformidade
surpreendente, que não condiz com os vazios e as galáxias presentes num
universo tão irregular. Deveria haver uma correlação entre a composição
material do universo, que emite calor, e a temperatura da radiação
correspondente, mas não é isso que acontece. A diferença de temperatura
detectada foi de cerca de 30 milionésimos de grau, o que levou mais de um
cientista a questionar se os instrumentos usados são sensíveis o bastante.
Se
as teorias naturalistas lutam para sobreviver e, na minha visão, não há
evidências do Big Bang, por que tantas pessoas religiosas aderiram às teorias
da evolução em vez de crer na palavra sagrada de Deus?
Existe
alguma concordância entre a revelação de Deus em Gênesis e o modelo do Big
Bang? Não, não há. E pessoas informadas de ambos os lados da questão estão
cientes desse fato. A Bíblia não apoia a teoria do Big Bang, e o modelo do Big
Bang contradiz a revelação de Deus em sua Palavra.
A
Bíblia afirma que todo o universo, incluindo a Terra com seus diversos
organismos biológicos, surgiu durante os seis dias literais da semana da
criação (cf. Gênesis 1; Êxodo 20:11). A teoria do Big Bang, em contraste,
postula eras de tempo. Além disso, a Escritura afirma repetidamente que a
humanidade existe desde o início da criação (cf. Isaías 40:21; Marcos 10:6;
Lucas 11:50; Romanos 1:20).
A
Bíblia registra uma antiguidade humana que remonta a alguns milhares de anos
antes de Cristo, como evidenciam os registros genealógicos da ancestralidade do
Senhor desde Adão, o primeiro homem (1 Coríntios 15:45).
Pense
bem nisso. São cerca de dois mil anos desde o presente até Jesus Cristo, outros
dois mil anos até Abraão e vinte gerações entre Abraão e Adão (cf. Lucas
3:23-38). Mesmo que admitamos algumas pequenas lacunas na narrativa do Antigo
Testamento (cf. Gênesis 11:12; Lucas 3:35-36), nenhum estudante reverente e
responsável da Bíblia tentaria encaixar 20 bilhões de anos nessas 20 gerações.
Em resumo, de acordo com o testemunho de Deus na Bíblia, o universo não pode
ter bilhões de anos.
Em
minha convicção, a teoria do Big Bang carece de validade científica e bíblica.
Ela não encontra respaldo na ciência genuína (cf. 1 Timóteo 6:20) nem na
exegese bíblica responsável (cf. 2 Timóteo 2:15). Não foi uma partícula de
potências concentradas num ponto ínfimo que deu origem a tudo. Foi a palavra de
ordem de Deus que criou todas as coisas: “E disse Deus: haja…”. Toda a
Escritura atesta isso (cf. Isaías 44:24; Salmos 33:6; Neemias 9:6; João 1:3;
Colossenses 1:16-17; Apocalipse 4:11, entre outros textos).
Concordamos,
pela primeira vez, com vários evolucionistas quando afirmam que o modelo do Big
Bang e a Bíblia são irreconciliáveis. Embora saibamos que “pela fé entendemos
que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê
não foi feito do que é visível” (Hebreus 11:3), também sabemos que a
evolução cósmica, tal como expressa no modelo do Big Bang, é uma fraude.
Autor: C. J. Jacinto