terça-feira, 3 de março de 2026

AS RAÍZES DEMONÍACAS DA PSICOLOGIA JUNGUIANA



 

C. J. Jacinto

 

 

 

A igreja contemporânea e os cristãos atuais freqüentemente incorporam conceitos da psicologia em sua prática, negligenciando que os principais pensadores que fundamentaram a psicologia, como disciplina, divergiam significativamente das doutrinas e da fé cristã. Sigmund Freud, por exemplo, em sua obra "O Futuro de uma Ilusão", considerou a religião como uma ilusão coletiva. Em "Totem e Tabu", Freud descreveu a religião como uma neurose obsessiva da humanidade.

 Embora Freud tenha professado o ateísmo, rejeitando a crença em Deus, em Cristo, nos Evangelhos e em qualquer divindade, sua obra é reconhecida como fundamental para a consolidação da psicologia moderna.

 Outra figura proeminente e influente da psicologia foi Carl Gustav Jung. Inicialmente, foi discípulo de Sigmund Freud, mas, posteriormente, rompeu com ele por divergências, afastando-se de Freud. Jung desenvolveu um interesse pelo ocultismo e aprofundou seus estudos no gnosticismo e em experiências ocultistas, buscando fundamentar e expandir sua teoria psicológica. O mandamento bíblico foi ignorado por Jung e muitos cristãos não dão qualquer importância aos preceitos divinos: “¹E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Efésios 5:11)


 Após a dissociação com Freud, Jung redigiu um breve tratado. Tratava-se de um pequeno livro, concebido em três noites, durante uma intensa crise de natureza emocional e visionária, que se seguiu à sua separação de Freud. Essa obra é atribuída, de maneira supostamente fictícia, a uma entidade espiritual, Basilides de Alexandria, um gnóstico do século II. Intitula-se "Os Sete Sermões aos Mortos". Os "mortos" seriam os espíritos de cristãos que retornavam de Jerusalém, desiludidos por não terem encontrado o que buscavam. Jung utiliza essa narrativa para propor uma visão gnóstica e psicológica da realidade, que posteriormente denominaria "pecado de minha juventude", mas que constitui o alicerce de toda a sua psicologia. A psicologia analítica, o inconsciente coletivo, os arquétipos, o self, a individuação, todos encontram suas raízes nessa obra. O cerne da reflexão de Jung em relação a entidade espiritual caída, disfarçada de Basilides reside na figura de Abraxás, uma divindade gnóstica. Essa divindade é proeminente no segundo sermão, na introdução, e é desenvolvida no terceiro sermão, o mais relevante sobre o tema. Abraxás é concebido como supostamente, a divindade suprema, transcendente a Deus e ao diabo, unificando todos os opostos. Toda a natureza desta obra além de ser influenciada pelo gnosticismo é envolvida por uma mediunidade um tanto ambígua, mas tenho convicção de que a experiência de Jung é demoníaca.

Considerando o envolvimento de Jung com o ocultismo e sua busca por experiências espirituais sou inclinado a acreditar que ele vivenciou fenômenos espiritualistas e ocultistas. O livreto "Sete Sermões aos Mortos", já mencionado, parece ser uma obra psicografada, resultante do contato de Jung com uma entidade espiritual que se identificou como Basílides e que ele tenta integrar como uma indentidade inerente ao seu mundo psicológico. Essa obra apresenta uma perspectiva nitidamente espiritualista e, em tom subjacente, exibe ironia, como se a verdade estivesse ausente na fé cristã. Jung, através dessa obra, parece postular que Jesus Cristo não representa a verdade almejada pelos cristãos. Essa postura representa, em certa medida, uma negação da mensagem do Evangelho, o que se revela coerente com a proposta da obra pois é de caráter anticristão.


Na obra de Jung, devo reiterar, encontramos um conceito que postula uma divindade superior, transcendente a Jesus Cristo e ao Deus Pai. Essa divindade, com raízes no pensamento gnóstico antigo, seria Abraxás. Posicionado acima do sol e do diabo, Abraxás representa uma entidade paradoxal: uma realidade que desafia a lógica e a razão. Jung a propõe como uma manifestação do Pleroma, o absoluto, e não como um mero efeito, mas como a própria força motriz da existência, responsável pela duração e transformação das coisas. Ao elevar Abraxás a essa posição, Jung parece incorrer em uma postura que contradiz a crença no Deus criador revelado nas Escrituras e em Jesus Cristo, o Filho unigênito. Jung é influenciado pelo espírito do erro e pelo mistério da iniqüidade. Ainda descobrimos no pensamento de Jung, o conceito de Abraxás que pode ser resumido da seguinte maneira: nos seus escritos, Jung descreve Abraxás como uma divindade superior ao Deus bíblico. Não se trata nem do Deus benevolente do cristianismo, nem do diabo maligno, mas sim da força vital que engloba a totalidade, incluindo o bem, o mal, a criação, a destruição, a luz e as trevas. Abraxás simboliza a união dos opostos, um conceito que Jung posteriormente associaria ao Self, ou si mesmo. Desse modo, as teorias junguianas, desenvolvidas a partir de suas experiências visionárias, revelam-se paradoxais, culminando na disseminação da ideia de uma divindade intrinsecamente ligada ao fenômeno psíquico humano, como se pode observar em suas obras posteriores.


Concluímos que a intenção de Jung foi criticar a religião institucionalizada, principalmente o cristianismo, o que o leva a confronta-la, como se pode observar em suas obras, especialmente em "Os Sete Sermões aos Mortos". Essa crítica sugere uma afinidade de Jung com o gnosticismo do primeiro século, em contraposição ao cristianismo bíblico.

 Ao aprofundar a pesquisa, observa-se que Carl Jung foi influenciado pelo pensador Stanislav Grof. Grof, o criador da psicologia transpessoal, estabeleceu conexões entre os conceitos junguianos e suas próprias experiências com LSD. Experiencias que envolvem psicodélicos promovem estados alterados de consciência e abrem o mundo mental para os demônios.

 Embora Jung não tenha recorrido a substâncias farmacológicas ou drogas para investigar a psique humana em profundidade, sua obra foi influenciada pelo gnosticismo e por outros estudiosos, como Grof, que empregaram drogas em suas pesquisas e no desenvolvimento de suas teorias psicológicas.

 Em sua obra "Resposta a Jó", Jung aborda Yahvé como uma figura psicológica, dotada de significativa influência gnóstica. Em seus estudos sobre psicologia e alquimia, Jung incorpora elementos do hermetismo em suas reflexões. Adicionalmente, o pensamento de Jung demonstra a assimilação de conceitos heterodoxos e, por vezes, heréticos no desenvolvimento de suas teorias psicológicas. Isso sugere um contato com o ocultismo e envolvimento de entidades espirituais oriundas do mundo espiritual caído (Efesios 6:10 a 18), independentemente da forma como Jung as interpretava, seja como fenômenos psicológicos internos. Sua abordagem, contudo, não evidencia uma distinção clara entre influências espirituais potencialmente enganosas. Essa interpretação contrasta, em certa medida, com as advertências presentes em passagens bíblicas sobre o envolvimento com práticas ocultistas. Jung era um homem natural, sob domínio e influencia espiritual como podemos observar em passagens como Efesios 2:1 e 2 e II Corintios 4:4. Por ser um homem natural, não tinha a capacidade de discernir a natureza maligna de suas experiências visionarias.

 Ao se relacionar com a entidade espiritual denominada Filemon, Jung questionava a natureza dessa experiência. Ele ponderava se Filemon representava uma entidade externa controlando sua consciência ou uma manifestação de seu próprio inconsciente. Jung, de fato, admitia e acreditava que o diálogo com Filemon envolvia o contato com uma personificação originada em seu inconsciente mas os demônios fazem exatamente isso, ele parecia não crer que Filemon seria uma entidade externa a ele. Contudo, em perspectivas espiritualistas, como a canalização, fenômenos como este são interpretados de forma distinta. Segundo essa visão, a canalização envolve a comunicação de espíritos no âmbito psicológico do médium, sem necessariamente implicar em possessão. O médium, nesse contexto, atua como um receptor, processando mensagens enviadas por entidades através do inconsciente e, por meio da expressão verbal, transmitindo essas informações. É fato irrefutável que Jung tinha percepção que entidades com certo grau de autonomia e personalidade distinta, estavam se comunicando no centro da sua consciência, Ele recebia instruções e revelações dessas entidades, ele estava sendo enganado e manipulado, suas teorias contaminaram o mundo com doutrinas de demônios. (II Timóteo 4:1).

 Ao analisar as epístolas universais de João, em particular a Primeira Epístola de João, percebe-se, pelo próprio contexto, que o apóstolo combate movimentos heréticos em ascensão, especialmente aqueles influenciados pelo gnosticismo. É nesse cenário que João desenvolve a noção do anticristo e do espírito do erro, conforme evidenciado no capítulo 4 de 1 João. Desse modo, João estabelece uma conexão entre o gnosticismo e o anticristo, advertindo contra erros que negam a fé cristã e induzem as vitimas ao engano. Essas informações apresentadas aqui servem como um alerta para aqueles que aceitam a psicologia junguiana como uma disciplina científica válida, dado que suas raízes estão ligadas ao ocultismo.

 Acredito que isso, de certa forma, representa uma forma de contaminação. Uma contaminação que se disseminou por toda a sociedade, pois, diferentemente da cosmovisão de Freud, que rejeitava completamente o mundo paranormal, Jung  acabou por se envolver nesse mundo. Independentemente de suas interpretações pessoais, que reduziam as entidades com as quais interagiu, dialogou e testemunhou em sua mente e psique a figuras inerentes ao seu mundo psicológico, Jung não compreendeu a dinâmica do mundo espiritual corrompido. Os espíritos demoníacos atuam no inconsciente, como exemplificado pela serpente no Jardim do Éden, que induziu Eva ao erro através da inserção de ideias no seu inconsciente, as quais ganharam força e forma, levando-a à desobediência. Após a queda, o mundo espiritual corrompido parece ter sido obscurecido, permitindo que entidades espirituais tomassem posse do corpo e da consciência humana para dominá-las. Isso pode ser observado por qualquer estudante da Bíblia que leia os evangelhos, nos quais Jesus lida com pessoas possuídas por espíritos imundos e demônios.
Em minha análise dos "Sete Sermões aos Mortos", e outras obras de Jung, observei que ele propõe a necessidade de uma nova gnose interior, baseada na experiência direta do inconsciente, e não em uma fé cega. Em suma, livros como os "Sete Sermões aos Mortos" constituem um manifesto gnóstico de Jung. Nele, Jung argumenta que a verdadeira religião reside não na crença em um Deus puramente bom, situado externamente, mas no conhecimento da gnose, dos arquétipos presentes em nosso interior, particularmente o deus ambivalente que integra luz e sombra. Essa ideia é simbolizada pela divindade gnóstica denominada de Abraxás, uma divindade que personifica plenamente essa integração com as teorias psicológicas de Jung.
 Dessa forma, é possível concluir que Jung foi influenciado por perspectivas que poderiam ser interpretadas como divergentes dos princípios tradicionais. Essa influência, por sua vez, impactou a sociedade de forma significativa. Que possamos, portanto, estar abertos a essas realidades espirituais malignas, que se manifestaram através de diversos indivíduos ao longo do tempo. A psicologia, especialmente aquela desenvolvida por Jung, reflete, em certos aspectos, uma natureza que pode ser interpretada de diferentes maneiras por céticos, mas para um cristão bíblico ela é de natureza diabólica.

 

 

 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A SABEDORIA DE DEUS E A LIBERDADE DE JONAS.

 



 

C. J. Jacinto

 

 

Em Jonas, capítulo 1, versículo 3, encontrei, ao longo de muitos anos, um ponto de reflexão. A meditação não se limitou a este versículo, mas se estendeu a todo o livro, que tem sido para mim uma fonte de profunda análise sobre a vontade divina, os decretos de Deus e a vontade humana. Neste texto, observamos um conflito, um embate de vontades.

 Na passagem mencionada, lemos que Jonas se levantou para fugir da presença do Senhor, dirigindo-se a Társis. Descendo a Jope, encontrou um navio que se destinava a Társis. Pagou a passagem e embarcou, com o intuito de ir com os demais tripulantes para Társis, distante da presença do Senhor.

 O Deus Altíssimo e Soberano convocou Jonas. A este, foi incumbida a pregação do arrependimento em Nínive, por ordem divina, em cumprimento da vontade de Deus. O Senhor, comunicando-se com Jonas, filho de Amitai, proferiu uma ordem expressa, emanada diretamente do trono celestial: "Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, pois a sua maldade subiu até mim." Contudo, após ouvir a determinação do Deus Todo-Poderoso, soberano sobre todo o universo, Jonas tomou uma decisão contrária. Levantou-se e optou por seguir em direção oposta à vontade divina. A princípio, a inclinação de Jonas pareceu conduzi-lo em sentido diverso. Diante da ordem, ele decidiu, por livre arbítrio, embarcar em um navio com destino a Társis. Observa-se, portanto, a clara oposição da vontade de Jonas à instrução recebida.
Deus permitiu, nesse contexto, a manifestação de Sua vontade permissiva, concedendo a Jonas a liberdade de escolha. Jonas, em uma atitude definida, optou por não atender à vontade divina. Assim, agindo por sua própria decisão, contrariou o desígnio de Deus. Apesar de Sua soberania e autoridade suprema, Deus permitiu essa escolha, e Jonas, por ela, arcou com as conseqüências.
 Essa postura divina, que permite ao homem tomar suas próprias decisões, é uma expressão da liberdade que Deus lhe concede. No livro de Jonas, observamos esse princípio em ação. Jonas, em vez de cumprir a ordem divina, dirigiu-se a Társis. Houve, portanto, um intervalo entre o chamado e a resposta de Jonas, durante o qual Deus permitiu que ele exercesse sua liberdade de escolha. As decisões tomadas por Jonas, que Deus permitiu, o levaram a enfrentar as consequências de seus atos.

 Diante da decisão de Jonas de ir para Társis, em desacordo com a ordem divina, Deus, embora possuísse o poder de intervir imediatamente, optou por permitir que Jonas seguisse sua própria vontade. Mesmo sendo a autoridade suprema e detentor do domínio sobre todas as coisas, inclusive sobre seus profetas, Deus permitiu que Jonas se afastasse, aparentemente, de Sua presença. Essa postura divina, que observa e permite, nos oferece profundas reflexões sobre a relação entre a vontade de Deus e a vontade humana. Compreendemos, então, que Deus, em determinado período, concedeu a Jonas a liberdade de agir, permitindo que suas escolhas direcionassem seu destino. A intervenção divina, nesse contexto, foi adiada, demonstrando o respeito de Deus pela autonomia de Jonas.


 Deus, em sua onipotência, poderia ter ordenado que Jonas se dirigisse a Nínive sem permitir qualquer objeção. Contudo, Deus permitiu que Jonas exercesse sua liberdade de escolha. Observa-se que, na experiência humana, a liberdade, ou a permissão divina para agir livremente, frequentemente leva o homem, em razão de sua natureza pecaminosa, a desviar-se do caminho correto e a opor-se à vontade de Deus. Contudo, na narrativa de Jonas, desde o momento em que ele tenta fugir de seu chamado até a iminência do naufrágio, percebemos a intervenção divina por meio da tempestade, visando conduzir Jonas de volta ao seu propósito original. Durante esse período, Deus permitiu que Jonas agisse de acordo com sua própria vontade.
A narrativa de Jonas nos oferece valiosas lições. Deus, em sua soberania e em conformidade com sua santa vontade, justiça e misericórdia, permite que o homem exerça seu livre-arbítrio. Essa concessão evidencia a incapacidade inerente ao ser humano de, por si só, discernir e escolher o caminho que agrada a Deus. A tendência natural do homem é desviar-se da vontade divina, como ilustrado na história de Jonas.

 Não é necessário que Deus determine as más ações do homem; estas emanam da própria natureza pecaminosa humana. O homem, em sua condição caída, segue esse curso desde que lhe é concedido à liberdade de agir. Mais cedo ou mais tarde, ele se afasta e age em desacordo com a vontade de Deus. Essa é uma lição que devemos continuamente internalizar. Deus concede ao homem certa autonomia, mas este, em sua fragilidade, não consegue, por seus próprios meios, trilhar o caminho da justiça e da vontade divina. Ao conceder a Jonas a liberdade de escolha, este optou por um curso de ação contrário à vontade de Deus, guiado por seus próprios desejos. Além disso, Paulo indica que Deus entrega uma sociedade para que siga livre em suas impiedades, caso o grau de rebelião seja avançado, Deus abandona totalmente a pratica de impiedade(Romanos 1:18 a 32). Não há nessas circunstancias nenhum decreto divino, anunciadas por Paulo em Romanos 1, mas conseqüências que irão resultar de uma depravação que se constitui o âmago de todas as perversões produzidas por uma sociedade que caiu na desgraça do abandono divino.

 Em seu texto notável, desejo repetir de forma didática, em Romanos, capítulo 1, versículos 18 a 32, Paulo aborda essa questão com muita clareza. No versículo 26 do primeiro capítulo de Romanos, Paulo declara que Deus os entregou a paixões infames. No versículo 28, lemos que, porquanto desprezaram o conhecimento de Deus, Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não convém. Percebe-se, portanto, que Deus, de certa forma, entrega o homem às suas próprias inclinações e consequências.

 Ora, todo homem é pecador. A Bíblia afirma que não há nenhum justo, nem um sequer. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Dessa forma, quando o homem recebe de Deus uma medida de liberdade para fazer suas escolhas, ele frequentemente optará pelas coisas erradas e, por fim, será responsável por essas escolhas.
 A parábola do filho pródigo, narrada em Lucas 15:11-32, ilustra uma verdade fundamental. O filho mais novo, ao exercer sua liberdade, toma uma decisão pessoal e voluntária que ignora a vontade de seu pai. Ele escolhe partir, trilhando um caminho adverso que o conduz a graves consequências, afastando-se progressivamente. Essa jornada culmina em uma situação trágica e de profunda escuridão espiritual.

 À medida que se distancia, sua condição se agrava. Contudo, em determinado momento, ele se conscientiza de sua situação, provavelmente sob a influência do Espírito Santo, O Espirito Santo não induz ninguém a apostasia, ele induz a o regresso a ortodoxia, não o contrario! Em sua situação de extrema miséria, o pródigo é movido pela misericórdia divina. Reconhecendo o estado lastimável em que se encontra, decide retornar. Na sua decisão de se apostatar, a luz espiritual se apaga, mas no seu retorno aos princípios, é Deus quem acende a luz espiritual na consciência.

 Essa narrativa espelha a trajetória do homem, que, ao receber a dádiva da liberdade, muitas vezes se afasta do Senhor, trilhando um caminho de trevas e alienação.

Não se pode inferir que Deus esteja impedido de determinar algo sobre indivíduos ou sociedades. Ao contrário, reconheço a capacidade divina de fazê-lo. Meu objetivo, com base nas Escrituras, é ressaltar que Deus também concede ao homem certo grau de liberdade para que ele exerça sua vontade. Observa-se, no entanto, que, em geral, o homem tende a utilizar essa liberdade de maneira contrária à vontade de Deus. Contudo, essa liberdade, outorgada por Deus, será fundamental no julgamento final, quando todos comparecerão perante o trono divino. Deus concede a liberdade, mas a liberdade humana serve como prova no julgamento. Portanto, devemos estar vigilantes e buscar sempre cumprir a vontade de Deus.

Em Colossenses 1:9 Paulo ora para que os cristãos de Colossos sejam cheios do conhecimento da vontade de Deus, o contexto ensina que essa é a via pelo qual se estabelece um relacionamento correto com Deus, unicamente através do exercício da fé cristã. A vida secular e religiosa do homem adâmico será sempre deficiente, é uma liberdade restrita cuja direção induz para “Társis”, para fora da vontade de Deus. Só a luz do Evangelho brilhando sobre este “porão escuro” é capaz de despertar o homem pecador para o resgate que Cristo pode fazer.

 Dado que Deus é total e absolutamente soberano, Ele pode, por sua própria vontade, conceder a quem desejar uma medida de liberdade e capacidade de escolha. Essa capacidade de Deus é evidente, pois Sua soberania absoluta é inegável. A Escritura atesta, de forma inequívoca, essa realidade. Além disso, compreendemos que Deus, em Sua onipotência, tem a capacidade de estabelecer decretos, exercendo domínio sobre o tempo e agindo de acordo com Sua perfeita natureza, não nego isso em hipótese alguma, porém a graça e a misericórdia de um Soberano pode exercer a dádiva da liberdade para quem quer que seja. Por conseguinte, devido à Sua onisciência, onipotência e onipresença, e em Sua benevolência, Deus concede, mesmo aos seres criados, inclusive aqueles que estão em estado de queda, uma certa medida de liberdade para que exerçam suas escolhas dentro dos limites estabelecidos por Ele. Essa verdade é amplamente demonstrada e percebida nas Sagradas Escrituras.

Compreendo plenamente que o homem natural não pode discernir as coisas do Espírito, encontrando-se, portanto, em uma condição precária. Ao referir-se ao homem natural, Paulo alude ao homem adâmico, afetado pela Queda. Em Efésios, capítulo 2, a partir do versículo 2, lemos sobre como, outrora, o homem andava segundo o curso deste mundo, sob o domínio do príncipe da potestade do ar, o espírito que agora atua nos filhos da desobediência. Portanto, o homem adâmico não desfruta de liberdade total, só os filhos de Deus podem desfrutar de uma verdadeira liberdade; todos são enganados pelo príncipe das potestades do ar. Em certo sentido, o homem não possui livre arbítrio para escolher fazer a vontade de Deus, a menos que Deus lhe conceda entendimento dessa verdade. A ação do Espírito Santo na pregação do Evangelho é, portanto, essencial para que o pecador se arrependa e se converta.

 Que o homem recebe certa medida de liberdade e com isso ele usa para responder sua visão de vida e razão, não há duvida! Que Deus pode abandonar e deixar que uma sociedade pecadora siga livremente o curso de suas paixões carnais é um fato bíblico! A maior parte dos homens responderá por seus atos, justamente porque foi lhes mostrado o caminho da vontade de Deus, mas eles resolveram seguir o caminho da própria vontade. O juízo justo de um Deus Santo, Soberano e Perfeito cairá sobre homens pecadores que tomaram escolhas erradas.


 A proclamação do Evangelho frequentemente se apresenta como a ferramenta espiritual essencial para a abertura dos olhos e do entendimento, obscurecidos pela influência do "deus deste século" e pelo condicionamento imposto aos pecadores. Essa abertura é crucial para que o indivíduo responda positivamente ao Evangelho, quando sua mente e coração se tornam receptivos a essa verdade. Assim, a pregação e a proclamação do Evangelho são instrumentos vitais, possibilitando que o homem receba a iluminação necessária para discernir sua condição espiritual. Reforço, com base em passagens bíblicas, que Deus concede ao homem uma medida de liberdade para fazer suas próprias escolhas. Dessa forma, no Juízo Final, o homem será responsabilizado por essa liberdade que lhe foi concedida. Considero essa liberdade, em maior ou menor grau, uma grande dádiva divina, um reflexo da misericórdia de Deus para com o ser humano pecador, sujeito ao engano espiritual, conforme descrito em Efésios 2. Portanto, a liberdade que Deus concede ao homem é, de fato, uma bênção extraordinária, um testemunho da misericórdia divina.

 A narrativa de Jonas nos oferece uma valiosa lição. Deus, em sua infinita sabedoria, concede a Jonas a liberdade de escolha. Reconhecendo a soberania divina, observamos que Deus permite a Jonas tomar suas próprias decisões. Essa liberdade, limitada em sua duração, é, em certo sentido, condicional, pois a intervenção divina é inevitável. Deus age na vida de Jonas, enviando uma tempestade que o leva a reconsiderar suas ações e a buscar a vontade divina. Apesar disso, essa experiência inicial representa uma liberdade concedida por Deus a Jonas. Até certo ponto, Jonas desfruta dessa liberdade, mesmo que suas escolhas e decisões o conduzam por caminhos equivocados. Essa tendência humana a cometer erros, como evidenciado na história de Jonas, é parte da condição humana. Contudo, a intervenção divina tem o propósito de redirecionar a vontade de Jonas. Através dessa experiência, Jonas é levado a compreender a importância da soberania de Deus sobre a vida de todos os seres humanos. Mais incrível ainda é ver como Deus administra essa rebelião do profeta, pois na sua suprema soberania, o texto revela que Deus tem completo controle sobre a criação, enviando a tempestade, o grande peixe e induzindo os acontecimentos num processo tal que ali naquela tragédia de experiência profunda, o profeta engolido pelo grande peixe vai representar a gloriosa ressurreição de Cristo depois de consumar a obra redentora na morte na cruz.

 A liberdade de Jonas, como desejo enfatizar, embora limitada, foi genuína. Jonas vivenciou essa liberdade. Considero a narrativa de Jonas como um relato autêntico em todos os aspectos. Ela se insere na experiência humana e é registrada no texto sagrado como um paradigma de liberdade, algo que todos nós, em diferentes medidas, experimentamos. Acredito firmemente que, em virtude disso, somos responsáveis por nossas ações e escolhas. Especialmente em nosso tempo, quando as Escrituras Sagradas, com seu cânon completo e fechado, nos oferecem todas as orientações necessárias para viver uma vida orientada pela vontade divina e não pela nossa própria. (Salmo 119:105)




Vamos relembrar os fatos hisóricos, Deus interveio, enviando uma grande tempestade, e o curso dos eventos começou a mudar. Jonas foi lançado ao mar, e então um grande peixe o engoliu. Jonas perdeu completamente sua liberdade, sua capacidade de escolha. Encontrava-se agora no ventre do peixe, e ali, pela primeira vez, vemos Jonas orando. Quando oramos em nossa escuridão provocada pela desobediência, uma luz espiritual se acende em nosso espírito. Nos primeiros versículos do livro de Jonas, ao receber o chamado divino para pregar em Nínive, talvez em seu íntimo ele pudesse expressar o desejo: "Seja feita a minha vontade e não a vontade de Deus". Deus, porém, concedeu a Jonas a liberdade de prosseguir, abraçando seu destino, sua vida, como se fosse supostamente o senhor de sua própria história. Um equivoco a ser corrigido.  Contudo, agora, confinado no ventre do grande peixe, sua oração poderia ter se transformado em uma lâmpada para a cosnciencia. Ele poderia simplesmente estar dizendo: "Seja feita a tua vontade e não a minha". Essa mudança faria toda a diferença na vida de Jonas. Agora, a vontade de Deus deveria ser cumprida, e Jonas estava decidido a isso. Ao chegar à praia, Jonas tomou o caminho de Nínive, abandonando a ideia de Társis. Não se tratava de perda de liberdade, mas sim de uma experiência da verdadeira liberdade, pois a liberdade humana está atrelada ao propósito para o qual Deus existe. Deus projetou a existência de Jonas para ser um profeta, alguém que caminhasse na vontade de Deus, e não fora dela. Nesse sentido, podemos compreender as profundas escolhas presentes neste pequeno livro, onde a vida de Jonas é retratada dentro e fora da direção divina.


Da mesma forma, Deus age em nossas vidas. Sua permissão em relação às nossas escolhas é um ato de misericórdia, embora a liberdade que nos concede nos responsabilize. Portanto, necessitamos da luz divina, da orientação constante da voz de Deus. Afirmo a cada um de vocês que a Bíblia, como um livro concebido para perpetuar a palavra de Deus, apresenta verdades atemporais e extraordinárias. É uma sabedoria singular, pois Deus consegue comunicar-se com pessoas de todas as culturas e línguas através de um livro sagrado, por meio do qual Sua voz pode ser incessantemente propagada. Desejo que, por intermédio de pregadores que se baseiam nas Escrituras e são fiéis ao chamado, como Jonas, após o processo de aprendizado decorrente de suas escolhas, possamos ouvir essa voz divina e estarmos sempre atentos a Deus, frequentemente sem questionar Sua direção. Deus nos conduzirá, com certeza, ao caminho correto, apesar dos desafios e obstáculos. Ele sempre nos concederá a graça e o auxílio necessários para trilharmos a estrada da vontade divina, na qual nossa existência encontrará significado, respostas e nos encaminhará ao propósito para o qual fomos criados.




Embora Deus permita que muitos se desviem por meio de suas ações e decisões, é imprescindível reiterar minha inabalável crença na soberania e majestade do Senhor, Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e na de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como na supremacia do Espírito Santo sobre nossas vidas.



Deus, em sua infinita sabedoria, concede a cada indivíduo a capacidade de fazer escolhas que moldam sua existência. Ele não interfere nessas escolhas, a menos que estejam alinhadas com Seus propósitos. Entretanto, como ensina a epístola aos Romanos, por vezes Deus permite que sigamos nossos próprios caminhos. Aqueles que, em sua obstinação, persistem em seus desejos e se tornam escravos de suas próprias inclinações, podem ser entregues a si mesmos.

Quando um indivíduo trilha o caminho da ilusão, guiado por uma visão distorcida da realidade, as conseqüências em longo prazo podem ser severas.

 Que possamos, humildemente, dobrar nossos joelhos e, diariamente, declarar: "Senhor, eis-me aqui, peregrino nesta Terra. Desejo caminhar sob Tua luz, ilumine meus passos e me conceda a sabedoria para escolher a Tua vontade, e não a minha. Amém."

 

 

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ANÁTEMA: QUANDO A PERVERSÃO DO EVANGELHO ENGANA MULTIDÕES.

ANÁTEMA: QUANDO A PERVERSÃO DO EVANGELHO ENGANA MULTIDÕES.

 


 

Em Gálatas, capítulo 1, versículos 8 e 9, o apóstolo Paulo adverte sobre a possibilidade da pregação e existência de um evangelho diferente daquele que ele pregou. No texto bíblico, observa-se que Paulo expressa sua advertência com vigor e veemência, utilizando um tom solene de alerta máximo. Ele declara: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregue outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema". No versículo seguinte, Paulo reitera essa declaração com igual intensidade, enfatizando a seriedade da advertência sobre a pregação de um evangelho falso.

 Considerando a crise enfrentada pelas igrejas da Galácia, notadamente um forte desvio de caráter doutrinário de grande magnitude, o apóstolo Paulo expõe a gravidade da situação, considerando a pregação de outro evangelho como algo a ser rejeitado e combatido. Qual era a natureza dessa apostasia? Indivíduos procuravam integrar a lei mosaica ao evangelho. Estes, conhecidos como judaizantes, cristãos de origem judaica, infiltraram-se nas comunidades cristas  da Galácia, disseminando a idéia de que a fé em Cristo, embora necessária, não era suficiente.

A problemática residia na negação da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, assim como da salvação unicamente pela graça, em detrimento das obras. Este desafio, a ser enfrentado pelo apóstolo Paulo ao escrever às igrejas da Galácia, não se restringiu à época da Reforma Protestante, como alguns poderiam supor. O contexto da epístola aos Gálatas demonstra que essa realidade já se manifestava, demandando a correção por meio da carta escrita às igrejas da Galácia. A negação da justificação pela fé   através da obra consumada e perfeita e perfeita de Cristo na cruz estava sendo negada.  Eles caíram da graça!

 Alguns indivíduos, adeptos de práticas judaicas, infiltraram-se nas comunidades cristãs, defendendo a necessidade de observar elementos da antiga aliança para alcançar a salvação. Eles disseminavam a idéia de que a circuncisão era obrigatória para os gentios convertidos, além de exigir a rigorosa observância da Torá e o cumprimento dos rituais cerimoniais prescritos no Antigo Testamento. Em essência, negavam a suficiência da obra redentora de Jesus Cristo na cruz.

 Estes indivíduos demonstravam uma compreensão deficiente da distinção fundamental entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a antiga e a nova aliança. Contudo, o Evangelho estabelece essa clara diferenciação. Conforme registrado em João 1:17, "A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." Essa passagem demarca uma linha divisória. Aqueles que não discernem adequadamente essa divisão, confundindo lei e graça, correm o risco de incorrer em um sincretismo religioso e de repetir os erros da Igreja da Galácia.

 Observe a precisão das palavras de Paulo. Em Gálatas, capítulo 1, versículo 7, Paulo acusa, ou seja, denuncia, a perversão desses judaizantes legalistas. Ele identifica essa mistura, esse desvio, como uma deturpação. No original, o termo significa distorcer, inverter o sentido de algo que é verdadeiro, isto é, do Evangelho genuíno. Não se trata de uma mensagem completamente diferente, mas de uma adulteração sutil, cujas consequências Paulo, no contexto da epístola, apresenta como graves, pois considera o resultado final dessa adulteração do Evangelho como uma condenação, um anátema.

  Em outras epístolas, como em Romanos e Efésios, Paulo enfatiza a salvação pela graça. Em Efésios, capítulo 2, versículo 8, ele declara que a salvação é  graça é concedida por meio da fé. O outro evangelho que Paulo ataca e denuncia em Gálatas, contudo, inclui as obras humanas como condição para a justificação e a salvação, adicionando algo ao Evangelho da Graça. Em Gálatas, Paulo combate contra a ideia  de que somos justificados pela fé e, adicionalmente, pelas obras. Paulo denuncia essa doutrina como um "outro evangelho", praticada pelos judaizantes e que contaminou os galatas. Estes ensinavam que a fé em Cristo é necessária, mas a salvação também depende das obras como complemento à obra de Jesus Cristo na cruz. Essa era a mensagem dos judaizantes, e os gálatas estavam sucumbindo a essa doutrina. Essa queda, semelhante à queda no Jardim do Éden, que foi uma queda para a desobediência, é, em Gálatas, uma queda para um evangelho diferente. Ambas as quedas acarretam consequências trágicas para os homens. Ao defender que os cristãos convertidos deveriam ser circuncidados e observar as leis e cerimônias do Antigo Testamento, esses falsos mestres ensinavam que a obra de Cristo era incompleta e que a graça de Deus não era suficiente para a justificação. Argumentavam que a redenção proporcionada pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário não era plena, tornando necessária a contribuição humana através da observância da lei. Essa postura negava o princípio da justificação pela fé, conforme revelado nas Escrituras, especialmente no livro de Romanos Assim, promoviam uma doutrina que exigia a combinação da fé em Cristo com as obras da lei, com o objetivo de anular a separação entre a antiga e a nova aliança, conforme estabelecido em João 1:17. Consequentemente, defendiam que a salvação dependia da circuncisão e da observância das leis e cerimônias do Antigo Testamento, além da fé em Jesus Cristo.
Ao analisar os capítulos 3 e 4 da Epístola aos Gálatas, percebemos que o apóstolo critica severamente os legalistas, acusando-os de retornar às ordenanças mosaicas. Essa postura representa um retrocesso, uma renúncia à liberdade espiritual proporcionada por Cristo através do Evangelho, em favor de uma nova forma de escravidão. A leitura atenta desses capítulos revela a profunda preocupação de Paulo com a gravidade de se acrescentar obras como requisitos para a salvação, como se a salvação dependesse da observância da lei. Somos salvos pelo que Cristo fez na cruz e nao pelas obras feitas por homens Essa ênfase nas obras, naquilo que o indivíduo deve fazer, implica em considerar a obra de Cristo incompleta, tornando a salvação um mérito compartilhado entre Cristo e os pecadores. Trata-se de um erro grave que devemos evitar.

 A compreensão do Evangelho revela que, em Cristo, há uma nova criação. É crucial, portanto, examinar como Paulo, em suas epístolas, aborda a questão central da regeneração. A palavra "regeneração" está intrinsecamente ligada aos ensinamentos de Cristo sobre o novo nascimento. Em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 17, Paulo declara que, se alguém está em Cristo, é nova criatura. A graça, assim, conduz à experiência da regeneração. Como resultado da justificação pela fé, aquele que crê em Cristo renasce pelo poder do Espírito Santo. Essa é a regeneração. 

 

A compreensão do Evangelho revela que, em Cristo, há uma nova criação. É crucial, portanto, examinar como Paulo, em suas epístolas, aborda a questão central da regeneração. A palavra "regeneração" está intrinsecamente ligada aos ensinamentos de Cristo sobre o novo nascimento. Em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 17, Paulo declara que, se alguém está em Cristo, é nova criatura. A graça, assim, conduz à experiência da regeneração. Como resultado da justificação pela fé, aquele que crê em Cristo renasce pelo poder do Espírito Santo. Essa é a regeneração.
 Em Efésios, capítulo 4, versículo 24, Paulo descreve as características dessa nova criatura: ela é criada em verdadeira justiça e santidade. Surge, então, a confusão gerada por certos judaizantes que argumentam que a graça sem a lei conduz à libertinagem, enquanto a lei com a graça leva à obediência. Essa perspectiva é totalmente equivocada, pois Paulo enfatiza que a nova criatura, aquela que está em Cristo e que é regenerada, é uma criação divina, moldada em verdadeira justiça e santidade debaixo da graça somente. A função da lei é revelar o quanto o homem precisa da graça, a condenação da lei revela o quanto precisamos de Cristo e do Evangelho. A natureza renovada do homem, santo e regenerado, é inerentemente inclinada a cumprir a vontade de Deus e ter comunhão com Ele. A dinâmica da salvação não reside na capacidade de cumprir a lei ou pratica de boas obras e observação de cerimônias, mas de crer em Cristo como único e suficiente Salvador (Atos 4:24). Crendo no Evangelho o homem pecador é regenerado e a inclinação do novo homem, criado em verdadeira justiça e santidade, é de realizar a vontade de Deus, guiado e orientado pelo Espírito Santo. Pois aquele que não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo.

 Romanos, capítulo 8 proclama a profundidade dessa realidade espiritual do homem regenerado, que é conduzido pelo Espírito Santo e possui o Espírito de Cristo. Assim, não são os preceitos da lei, mas a presença e o testemunho do Espírito Santo na vida do homem regenerado que o direcionam pelos caminhos da santidade. E assim chegamos numa plenitude de abundancia espiritual: o Fruto do Espírito (Gálatas 5:24).

 Portanto, a análise revela que os princípios teológicos ensinados e defendidos por Paulo estão sendo transgredidos e ignorados pelos gálatas. O apóstolo Paulo fundamenta a rejeição, com a adoção a outro evangelho, e faz a denuncia com vigor, demonstrando zelo e compromisso com a mensagem da cruz e  a centralidade da salvação pela graça e a justificação pela fé como base do verdadeiro Evangelho. A salvação não depende de obras humanas, conforme ele enfatiza em Gálatas 2:16. Igualmente crucial é a compreensão da cruz como evento escatológico decisivo, através do qual Cristo inaugurou a nova criação. Tentar mistura o suor fedorento do homem adâmico ao sangue precioso e divino de Cristo como complemento necessário para a conquista da salvação é um anátema! O retorno à lei, portanto, implica em negar esse fato. A unidade do evangelho em Cristo, conforme exposto em Gálatas 3:28, pode ser quebrada com a adição de elementos de religião que caducou adicionados ao Evangelho revelado no Novo Testamento, essas adições são perigosas, corrompem o Evangelho, pervertem a mensagem, as adições e o sincretismo fazem isso. Observações de dias, a crença na regeneração batismal, imposições legalistas, a superstição de que dar o dizimo, pregar que essas coisas são necessárias para a salvação é corromper o Evangelho. Os que pregam e defendem isso comprometem a integridade do Evangelho. Desse modo, extraímos uma aplicação espiritual que nos instrui e nos põe em estado de alerta: Qualquer sistema que promova a salvação por fé e obras, fé e rituais sacramentais obrigatórios, observações de dias e outras observâncias legalistas, supersticiosas incorre em grave erro, sendo veementemente condenado por Paulo. (Por favor leia atentamente todo o Capitulo 3 da Segunda Carta de Paulo ao Corintios, capitulo 3 para discernir espiritualmente a superioridade da Nova Aliança sobre a Antiga, sugiro também que o leitor faça uma leitura cuidadosa e profunda do livro de Hebreus) Em suma, entendo que a lei não contém em si, a provisão divina para o perdão dos pecados, nem a lei, nem ordenanças religiosas, nem cerimônias, nem sacramentos, essa é uma providencia absolutamente divina e é oferecida aos homens por intermédio de Cristo somente.  Fora de Cristo não há salvação e Cristo através de Sua Obra Redentora na cruz oferece tudo o que o homem precisa para se salvar.

É essencial, portanto, compreender que o Evangelho nos conduz à liberdade espiritual e a uma experiência singular na revelação progressiva das Escrituras. Devemos distinguir entre o jugo pesado da lei e o jugo suave de Cristo, entre o ministério da morte da lei e a vida abundante de Cristo. Mas contudo jamais devemos perder a direção que nos aponta a graça salvadora de Deus, pois ela nos ensina, e não obriga, que o cristão bíblico deve  renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas para viver no presente século com discernimento espiritual (Leia Tito 2:11 a 15)


O Evangelho autêntico, central na fé cristã bíblica, apresenta Jesus Cristo como o único e suficiente meio para a salvação. Sua obra foi perfeita e completa, totalmente suficiente e eficiente. O cristão que se guia pelas Escrituras deposita sua fé na obra consumada e perfeita de Jesus Cristo na cruz do Calvário, realizada de uma vez por todas. A salvação não depende de acréscimos, obras, cerimônias ou leis, mas exclusivamente da obra redentora de Cristo. A justificação pela fé somente é, portanto, uma doutrina fundamental e amplamente presente no pensamento teológico de Paulo e em todo o Novo Testamento.
 É imprescindível compreender essa verdade de forma clara, pois qualquer acréscimo ao Evangelho constitui um erro grave. Em Gálatas 5:1, Paulo exorta os crentes a permanecerem firmes na liberdade que Cristo lhes concedeu. Esse é o apelo pastoral que ressoa nas severas advertências de Paulo aos crentes da Igreja da Galácia que caíram na armadilha de abraçar outro evangelho. Infelizmente, muitas igrejas, pregadores, pastores e até mesmo religiões que se autodenominam cristãs incorrem no erro que Paulo condenou em Gálatas: a adição de obras, leis ou práticas cerimoniais judaicas à salvação, como condições necessárias.
 Este é um erro gravíssimo, exposto por Paulo em sua epístola aos Gálatas. Dada a sua seriedade, devemos estar atentos e evitar a propagação, defesa ou vivência de um "outro evangelho", pois tal prática conduzirá à frustração e a decepção espiritual. Firmemo-nos, portanto, no Evangelho da graça de Deus.

 

 

Pr  C. J. Jacinto

 

 

 

 

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