terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A Autoridade das Escrituras e a Simplicidade de Sua Estrutura

A Autoridade das Escrituras e a Simplicidade de Sua Estrutura

 

 

Viva e eficaz como espada de dois gumes

 

 

“O Espírito jamais afrouxa onde a Palavra une; o Espírito jamais justifica onde a Palavra condena; o Espírito jamais aprova onde a Palavra desaprova; o Espírito jamais abençoa onde a Palavra amaldiçoa” (Thomas Brooks”

 

Comprometa-se com a Verdade, pois ela custou o sangue de Cristo, a graça é uma dádiva para o pecador, mas teve um custo incalculável para Cristo


Por que a Bíblia é “suficientemente clara” para salvar o simples e, ao mesmo tempo, “espada de dois gumes” que desmonta a sabedoria deste século?


1. Introdução: clareza perigosa

A Escritura foi dada na linguagem dos pescadores, não na dos acadêmicos. Isso não a torna fraca; torna-a acessível. Um analfabeto pode ouvir João 3.16 e possuir em 30 segundos mais que todo o arsenal filosófico de Aristóteles.
Mas essa mesma clareza corta. Por isso todos os inimigos da fé atacam a suficiência da Escritura: se a desacreditam, libertam-se do seu corte.

“Qualquer parte do corpo humano só pode ser explicada adequadamente em referência ao corpo inteiro. E qualquer parte da Bíblia só pode ser explicada adequadamente em referência à Bíblia inteira.” (FF Bruce)


2. A suficiência que edifica (perspicácia)

Definição: “A Bíblia é tão clara quanto aos fundamentos da salvação que, sem ajuda de magistério humano, qualquer pessoa pode entender e ser salva” (cf. Dt 30.11-14; Sl 19.7-8; 2 Tm 3.15-17).

Alvo: o simples, não o super-aprendiz (1 Co 1.26-29).

Limite: clareza soteriológica, não exaustiva. Ainda há “coisas difíceis” (2 Pe 3.16), mas nada essencial está escondido.


3. O sacerdócio universal ≠ anarquia doutrinária

1 Pedro 2.9 declara todos os crentes “sacerdotes”. Isso significa:

Acesso direto – nenhum sistema clerical com autoridade superior ou especial.

Responsabilidade mútua – “ensinai-vos uns aos outros” (Cl 3.16).

Dons de ensino – alguns especializam-se (Ef 4.11-14), mas sem poder coercitivo pelo contrario virtude serviçal.

 

“Compare as Escrituras com as Escrituras. As falsas doutrinas, assim como as falsas testemunhas, não concordam entre si.” (William Gurnall)

 

Conclusão: o professor biblico aconselha, não impõe; convence, não coage. A autoridade final é a Escritura; o agente final é o Espírito (1 Jo 2.27). O homem apenas servo!

 

“Cristo é a chave que abre as portas douradas do templo da verdade divina.” (A. W. Pink)


4. Quando a espada sai da bainha

Hebreus 4.12: “Viva e eficaz, mais cortante que espada de dois gumes”.
Função 1: separar articulação e medula (auto-engano vs. sinceridade).
Função 2: expor os réprobos – não pessoas somente, mas sistemas (2 Co 10.5).

Exemplo prático:

A espada corta a “verdade alternativa” do pastor-autocrata que diz: “Aceite porque eu disse”.

A espada expõe a “humildade performática” do crente que diz: “Sou só pó”.


5. A batalha que não é nossa – mas também do Espirito da Verdade

Não lutamos para converter (Jo 6.37-39) nem para proteger a Palavra (ela se defende).
Lutamos para manter a Palavra inteira, inteiramente pregada, sem emenda de boa-maneira. Todos os conselhos de Deus, integridade espiritual, a sã doutrina que dá saúde espiritual e alimenta o redimido.

Armas inimigas: manipulação (sentimentalismo), difamação (rótulos: “fundamentalista”), intimidação (cancelamento).
Nossa única arma: a Palavra viva e eficaz – falada, vivida,proclamada e sofrida, se preciso.

A missão dos lideres da igreja é ensinar as Escrituras, de modo expositivo, temático e textual, com zelo e responsabilidade, sem pragmatismo e sem relativismo, tão somente a Palavra com o poder do Espirito Santo.


6. Passos de aplicação para hoje

Leia 1 Ts 2.13: “Recebestes não a palavra de homens, mas, como é realmente, a palavra de Deus”.

Avalie: Não há na fé  cristã bíblica lugar para influencers, coachers, psicólogos, magnatas da fé, maquiavélicos, pragmáticos, espiritualistas, dentro da fé cristã genuína, a Biblia é a espada a ser manejada, a palavra da verdade manejada com responsabilidade.

Comprometa-se:

Ensinar – ensinar alguém corretamente, somente um redimido que tem visão espiritual pode guiar uma alma, pois o oposto, quando um cego guia outro cego, os dois cairão no abismo.

Encorajar – enviar uma mensagem de edificação e aconselhamento, procurar uma congregação onde o líder esteja comprometido com a sã doutrina.


7. Conclusão: clareza que liberta – e pode doer para muitos

A mesma clareza que salva o simples desmonta o sábio.
A mesma espada que alivia o pecador arrependido condena o réprobo obstinado.

Portanto:

Nunca diminua a Palavra para agradar.

Nunca aumente sua voz acima dela.

Nunca guie ninguém além do texto.

Resultado: “Ainda que a vitória pertença ao Senhor, o privilégio da luta pertence aos Seus fieis seguidores.”

Amém

 

C. J. Jacinto

 

 

Critérios, Bases Para a Excelência Espiritual


 

Ano passado, eu preguei um sermão sobre a virtude de ser um cristão criterioso, tomei como exemplo a Igreja de Efeso. Os cristãos desta igreja puseram à prova os que afirmavam ser apóstolos, mas foram desmascarados, pois eram falsários (Apocalipse 2:2). Ser criterioso é ser nobre como os bereianos (Atos 17:11). A base para a excelência espiritual ao nível pessoal é ter um critério exigente. Tudo na vida segue essa regra, a vida cristã não é uma exceção!

A propósito, nem sempre o que ensino tem um efeito, a Palavra de Deus não é a regra para a maioria dos evangélicos que conheço. Depois de meu sermão, as coisas até pioraram, fatos que comprovam a indisposição de pagar o preço para viver a verdade e amá-la, pois se o Espírito Santo lança uma luz sobre um tema fundamental, a reação do cristão genuíno é submeter-se a essa verdade.

Hoje em dia, precisamos de critérios! É uma excelência inegociável, dois mil anos se passaram, e as coisas pioraram muito, como poderíamos então ser indiferentes quanto a isso?

Os cristãos de Efeso foram elogiados pelo Senhor, puseram à prova alguns que se auto-intitularam apóstolos, mas eram enganadores. Discernimento espiritual é uma bússola necessária para o peregrino que atravessa os dias difíceis.

Quais conselhos dou, tomando como padrão Apocalipse 2:2. A essência normativa da passagem revela que os cristãos de Efeso eram criteriosos, sabiam discernir o que era fato e o que era engano. Esse critério nos conduz para uma excelência pelos seguintes motivos:

1 - Iremos escolher que tipo de música devemos ouvir e cantar. A música gospel está carregada de heresias, egocentrismo e humanismo, músicas mais voltadas para a emoção do que para a adoração. A música cristã vem perdendo sua sacralidade, precisa satisfazer a cristãos carnais, é o sucesso que interessa, raramente alguém vai ser criterioso ao ponto de cantar para louvar a Deus e induzir os ouvintes à adoração. Outra decadência na música cristã contemporânea pode ser vista como um meio de entretenimento, o culto precisa do “show” musical, presenciei cultos em que a música ocupa cerca de 80% do culto, o efeito não é outro senão cristãos cansados de tantas músicas que já não desejam afetuosamente a Palavra de Deus. Um cristão criterioso irá cantar e ouvir hinos espirituais, ele estará atento quanto ao caráter sacro de uma música, não deseja colocar elemento estranho no culto.

2-O tipo de pregador que procura ouvir.  Aqui temos outro critério importantíssimo. Em nossos dias, há uma enxurrada de pregadores ruins, hereges, apostatas, as redes sociais abriram as portas para todo tipo de pregação, e a maioria dos pregadores segue a tendência da moda. Há um profissionalismo, técnica de persuasão, manipulação e hipnose que muitos pregadores usam para distrair, manipular, envolver, emocionar e persuadir seus ouvintes. Pregadores bíblicos, consagrados à arte da pregação temática, textual e expositiva, são poucos.  Também são poucos os que realmente querem ouvir esse tipo de pregadores. Ouvir um bom pregador é receber um bom alimento espiritual, ouvir pregadores ruins é abrir o coração para o espírito do erro.

3-A qualidade da Igreja que você freqüenta. Este é um critério essencial, pois a igreja bíblica terá pregadores bíblicos e músicas de adoração. Nunca essa escolha pode ser tão fundamental quanto a escolha do lugar que você deseja freqüentar. Mas é lógico que há uma dificuldade em encontrar uma igreja que tenha esses padrões hoje em dia. Muitas das vezes pode ser um grupo pequeno, portanto só um cristão criterioso deseja freqüentar um grupo pequeno. Se a sua escolha for sair de um lugar lotado de freqüentadores de culto, mas está imersa em fogo estranho, ele pode abrir mão da multidão para seguir um pequeno rebanho.

4-O tipo de literatura que você lê. A menos que seja um apologista que precisa pesquisar a literatura das seitas e dos hereges, devemos tomar cuidado, ser criteriosos com o tipo de livro religioso que iremos ler ou dar para alguém. Assim como um bom livro espiritual pode edificar o cristão, livros ruins podem arruiná-lo. As seitas mantêm à disposição muita literatura gratuita, tome cuidado! O mercado evangélico de livros visa mais o lucro do que a sã doutrina. Não há um compromisso sério com a verdade. Essa falta de critério com a sã doutrina e a ortodoxia cristã torna o mercado editorial deficiente e até perigoso.

5-A tradução da sua Bíblia. Sim, é importante que sejamos criteriosos quanto a isso, pois o mercado editorial repito, não está mais comprometido com a verdade, mas com o lucro, raras são as exceções. Mas veja bem, se há tantas versões tão diferentes quando comparadas, então isso significa relativismo. Aqui temos um assunto pouco discutido entre cristãos, versões diluídas, paráfrases, modernistas, influenciadas pela alta crítica e até mesmo pelo movimento nova era, estão no mercado. Talvez o leitor não tenha o mínimo senso crítico acerca dessa verdade, mas quero deixar aqui um exemplo. Recentemente li o argumento de um universalista que citou Efésios 4:6 para provar que Deus está em todos os homens. Ele usou uma versão moderna, mas quando lemos uma versão corrigida e “antiquada” como supõem alguns, como a ACF, ao lermos Efésios 4:6, entendemos claramente que Deus está com todos os cristãos de Éfeso. Ao omitir “com vós” ou “convosco”, o versículo citado serviu de apoio até para um adepto da Nova Era que deseja citar um versículo da Bíblia para apoiar a ideia de que um não cristão também tem Deus no coração.

6-O tipo de cristãos que deseja ter comunhão e amizade.  Se um cristão não for criterioso quanto a isso, será um desobediente. Paulo admoesta que um herege deve ser evitado (Efesios 3:10). Há um princípio natural que serve também para a vida espiritual: quando um doente e um saudável andam juntos, o doente não pega a saúde do saudável, é sempre o oposto, o doente contamina o saudável. Isso se aplica ao tipo de amizades e comunhão que temos, cristãos espiritualmente saudáveis são as melhores escolhas para uma amizade.

7-O tipo de roupas que devemos vestir. Sim, isso é importante, pois o mundo tende a promover o erotismo, enquanto o cristão a santidade. Não se trata de legalismo, mas de prudência, coerência e santidade. O cristão deve ser criterioso quanto a isso, deve se vestir para a glória de Deus. Na filosofia hebraica antiga, o corpo é a expressão visível da condição da alma. Creio que essa verdade é ensinada de modo implícito no Novo Testamento, um interior santo reflete no exterior, ao contrário da natureza de um hipócrita que usa uma aparência exterior falsa para esconder a verdadeira, a natureza corrupta do coração. Veja que Paulo ensinou esse critério de forma muito clara em I Timóteo 2:9, com pudor e modéstia.

 

Conclusão: um cristão criterioso é como um justo que encontrou a glória do evangelho, que caminha na luz da verdade, o caminho da excelência espiritual, em direção ao dia perfeito.

 

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Maria e o Cristão Bíblico

 

 


 

 

Faz alguns dias que apareceu em minhas redes sociais, um vídeo tendencioso (E por sinal fruto também de uma ignorância) de um apologista católico. Me chamou a atenção a acusação de que os “protestantes” erram por não considerarem Maria e nem amá-la. Ora, o apologista, que sem duvida faz a acusação intencional, sabe que há um cristão bíblico tem grande respeito e consideração por Maria, não na mesma proporção ou até maior do que de Abraão, Moisés, Enoque ou Paulo. Como ele deveria saber, não veneramos/adoramos e cultuamos nenhum deles e também não veneramos/adoramos e prestamos culto a Maria. A razão é simples, Cristo ensinou isso. Quando o diabo sugestionou que daria ao Senhor todos os reinos deste mundo, tentando induzir cristo a adorar a criatura, o Senhor responde e citarei aqui o texto da “Bíblia Fácil” publicado pelo Centro Bíblico Católico “Você adorará o Senhor seu Deus e só a Deus prestará culto” (Mateus 4:8) a resposta de Cristo é simples, a quem você cultua você adora! Ainda que tentem instigar ignorantes acerca do argumento falacioso da “veneração” o texto da tentação aponta para a verdade simples e pura de que a quem prestamos culto, também prestamos adoração!

Por esse motivo, quer gostem ou não, culto a Maria é idolatria. É por esse motivo que nunca, é absolutamente impossível fazer uma exegese séria do Novo Testamento e encontrar qualquer descrição ou prescrição acerca de cultuar Maria. A razão é simples, não fazia parte da doutrina dos apóstolos, já mencionada em Atos 2:42 e que no contexto do Livro de Atos era totalmente desconhecida essa pratica! Portanto, repito, não era parte da doutrina dos apóstolos!

Respeitar Maria, ter ela como um modelo de santidade e submissão é um dever de todo cristão, ultrapassar o que os apóstolos ensinaram acerca dela, nunca!

 Mariolatras se sentem ofendidos quando um cristão bem esclarecido não apóia suas idéias e praticas, e para manifestar o incomodo, acusam quem não segue suas blasfêmias de “não considerarem Maria”. Vou citar como prova documental como essas aberrações se sucedem em nome de uma crença totalmente desprovida de fundamento apostólico e até indo contra a ordem e mandamento dos apóstolos, no livro “A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas” escrito por Joseph Tissot e publicado pela Editora Quadrante (É uma editora Católica) encontramos esses ensinos:

“Olha para Maria, pensa em Maria” (Pagina 121) Para responder a essa declaração, de induzir pessoas a desviarem os olhos de Cristo, cito a Bíblia Fácil novamente: “Voltemos nossos olhos atentamente para Jesus, que é o autor e o aperfeiçoador da fé” (Hebreus 12:2). Em que contexto foi escrita essa declaração? num momento de crises, dificuldades, perseguições que os cristãos hebreus estavam sofrendo, e então, não! mil vezes não! O autor do livro de Hebreus não disse que eles deveriam olhar para Maria, deveriam olhar para Cristo, é isso que ensino, prego e proclamo sempre, acaso estou errado? Ou a minha voz está absolutamente submissa aos apóstolos e ao Novo Testamento?

Ah! Argumentam os apologistas católicos, “Vocês não consideram Maria” e de fato, não nos associamos em suas obras idolatras. Elevando Maria a “raina dos Céus” a declaram descaradamente de deusa, ainda que insistam que não fazem isso, por pura ignorância ou intencionalmente, pois dão a ela o atributo que pertence somente a Deus, para provar o que declaro aqui, cito novamente o livro citado:

“E, como não existe doença espiritual que seja incurável nesta vida e nenhuma pode resistir ao tratamento da Todo-poderosa mãe de Deus, ela nos curará” (Pagina 125)

É isso mesmo! Maria é chamada no livro “A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas” de Joseph Tissot de “Todo-poderosa” Um atributo que pertence somente a Deus. Se é Todo-poderoa, então e onisciente, onipotente e onipresente, pois sem essas três qualificações, não pode ser “Todo-poderosa” e se assim crêem, não deveriam argumentar que a veneram, pois sendo “Todo-poderosa” seria um erro não adorá-la.

Para Finalizar, encontrei outro dia, em minhas pesquisas, essa gravura medieval, logo abaixo, nela Maria foi colocada na mesma posição da Trindade, contradizendo a declaração do Apostolo João que por sinal, foi o responsável em cuidar da mãe de Jesus depois da crucificação, ele declarou em I João 5:7: “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um”


 

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Santidade e Consagração

Santidade e Consagração: A Vocação de um Povo Separado para Deus

 Por C. J. Jacinto

 

 

“O pecado habita no inferno, e a santidade, no céu. Lembre-se de que toda tentação vem do diabo, para torná-lo semelhante a ele. Lembre-se de que, quando você peca, está aprendendo e imitando o diabo – e, até certo ponto, é como ele. E o fim de tudo é que você sinta as suas dores. Se o fogo do inferno não é bom, então o pecado não é bom.” (Richard Baxter)

Introdução

O conceito de santidade é um dos pilares centrais da fé, permeando toda a narrativa bíblica. Longe de ser uma mera abstração teológica, a santidade é um chamado divino, prático e transformador. Ela define não apenas o caráter de Deus, mas também a identidade e a missão do Seu povo. Este artigo busca explorar o significado profundo da santidade e da consagração, traçando sua linha desde o Antigo Testamento até sua plena realização em Cristo e na vida da Igreja.

O que é santidade? A melhor definição prática que já ouvi é simplesmente "sem pecado". Essa é a declaração feita sobre a vida do Senhor Jesus na Terra (Hebreus 4:15), e esse deve ser o objetivo de toda pessoa que deseja ser piedosa. É verdade que nunca alcançaremos esse objetivo nesta vida; no entanto, ele deve ser o nosso objetivo supremo e o objeto dos nossos mais fervorosos esforços e orações. (Jerry bridges)

 

I. O Significado Original: Separação para um Propósito

Etimologicamente, a palavra hebraica para santidade carrega a ideia de "corte" ou "separação". No entanto, essa separação não é um fim em si mesma; é sempre separação para algo. É ser devotado, consagrado ao serviço e à adoração do Deus Santo (Levítico 27:28). Esta santidade é comunicada, podendo ser atribuída a:

·         Lugares: O Sinai (Êxodo 3:5), o santuário (Salmos 28:2), Jerusalém (Isaías 52:1).

·         Tempos: O sábado (Gênesis 2:3), as festas (Isaías 58:2).

·         Objetos: Ofertas (Levítico 7:1), vestes sacerdotais (Levítico 16:4).

·         Pessoas: Sacerdotes (Êxodo 29:1), nazireus (Números 6:5), profetas (Jeremias 1:5).

A essência, porém, é clara: a santidade nunca é inerente ou natural à criação; é sempre uma condição concedida por Deus. Era a Sua presença que conferia santidade a Israel, um povo que Ele escolheu para ser Seu tesouro particular (Deuteronômio 7:6; 26:19).

“Num âmbito espiritual cristão, ser santo é ser separado do pecado para a consagração, deixar de ser um instrumento para a satisfação da carne para satisfazer a Deus, deixar de ser um agente inclinado para as coisas do mundo para mover-se em uma busca constante das celestiais, é ser cortado da vida de Adão para ser enxertado em Cristo” (C. J. Jacinto)

II. A Exigência da Santidade: Pureza e Vida

Ser um povo santo, however, trazia consigo uma exigência: a pureza. O famoso mandamento "Sereis santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo" (Levítico 19:2; 1 Pedro 1:15) é o coração do chamamento divino. A santidade de Deus, Sua perfeição moral absoluta (Habacuque 1:3; Isaías 12:6), torna-O um fogo de julgamento para o impenitente (Isaías 10:16-17), mas um fogo purificador e refúgio para o remanescente fiel (Isaías 4:3-6; 6:6-7).

A santidade, portanto, não é apenas um status, mas um modo de vida. Ela exige pureza moral (2 Coríntios 7:11; 1 Timóteo 5:22), fidelidade e uma prática de vida que reflecte o caráter amoroso, fiel e misericordioso do Deus que habita no meio do Seu povo.

A verdadeira salvação traz consigo o desejo de sermos santificados. Quando Deus nos salva por meio de Cristo, Ele não apenas nos salva da penalidade do pecado, mas também do seu domínio. (Jerry bridges)

III. O Ápice da Santidade: A Obra de Cristo

O Novo Testamento não abandona este conceito; antes, culmina e transforma-o em Cristo.

·         Em Deus Pai, a santidade permanece a essência do Seu ser, a quem devemos venerar ("santificado seja o teu nome" - Mateus 6:9).

·         Em Jesus Cristo, a santidade divina é personificada. Ele é reconhecido como "o Santo de Deus" (Lucas 4:34; João 6:69). Sua santidade não é passiva; é ativa, cheia de amor, poder e autoridade para julgar e purificar. Crucificado, Jesus tornou-Se both o Sacerdote e a Vítima perfeita (1 Coríntios 5:7; Hebreus 9:25-26). Por meio do Seu sangue expiatório, Ele efetua a santificação definitiva dos crentes (Hebreus 10:10, 14; 13:12). Ele é a fonte da nossa santidade.

·         No Espírito Santo, encontramos o agente divino que aplica a obra santificadora de Cristo. É Ele quem confere santidade à Igreja (2 Tessalonicenses 2:13) e habita nela, selando-a como propriedade de Deus.

“Devemos ter a convicção de que é a vontade de Deus que busquemos a santidade — independentemente de quão árdua e dolorosa essa busca possa ser. E devemos ter confiança de que a busca pela santidade resulta na aprovação e bênção de Deus, mesmo quando as circunstâncias fazem parecer o contrário.” (Jerry bridges)

IV. O Chamado à Santidade: A Vida da Igreja

A obra de Cristo cria um novo povo santo (1 Pedro 2:9), a Igreja. Esta santidade é, primeiro, um dom, um estado concedido pela graça através da fé em Jesus. Os crentes são "santos" (Romanos 1:7; 1 Coríntios 1:2) – é a sua identidade em Cristo.

Em segundo lugar, é um processo. Ser santo é também ser chamado a viver de maneira santa (1 Tessalonicenses 4:3-4,7). É uma jornada de crescimento em pureza de coração (Mateus 5:8; 1 Timóteo 1:5), amor que edifica (Efésios 4:12-16) e apresentação de nossos corpos como "sacrifício vivo, santo e agradável a Deus" (Romanos 12:1).

A santidade da Igreja não é sua própria conquista, mas resulta da presença Santa e Santificadora de Deus nela. Coletivamente, somos um "templo santo no Senhor" (Efésios 2:21). Individualmente, somos morada do Espírito (1 Coríntios 6:19). Esta realidade divina é celebrada e fortalecida na "comunhão dos santos":

·         No Batismo e na Ceia do Senhor (1 Coríntios 10:16-17; 11:26).

·         No mútuo cuidado e suprimento (Romanos 12:13).

·         Na unidade do Espírito, selada pelo amor (2 Coríntios 13:12-14).

 

“O principal propósito da minha vida na posição em que a boa providência de Deus me colocou é que a mortificação e a santidade universal sejam promovidas em meu próprio coração e nos corações e caminhos dos outros, para a glória de Deus; para que o Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo seja adornado em todas as coisas.” (John Owen)

Conclusão

A santidade, portanto, é a vocação de todo aquele que foi redimido por Cristo. Começa com um ato soberano de Deus, que nos separa e consagra para Si mesmo através do sacrifício de Jesus. É um estado que já possuímos em Cristo e, ao mesmo tempo, uma busca contínua por viver de modo digno desse chamado. Não é por obras, mas por graça; não para isolamento, mas para serviço; não para orgulho, mas para humildade. É o próprio Deus Santo, Pai, Filho e Espírito, quem inicia, sustenta e consumará esta obra em nós, para que sejamos, de fato, "santos e irrepreensíveis" em amor (Efésios 1:4) para a glória do Seu nome.

 

“Devemos começar de baixo se quisermos construir alto. Estou convencido de que o primeiro passo para atingir um padrão mais elevado de santidade é perceber mais plenamente a espantosa pecaminosidade do pecado” (JC Ryle)

 

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Uma luz em meio a escuridão dos últimos dias

 



 

 

 

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