https://drive.google.com/file/d/1PZ6PMMyWzn5qRAEotQHuc2SCkWtrH1Pk/view?usp=sharing
Cristo Não Está Associado a Mitra
Por
que a comparação entre Jesus e o deus romano Mitra não resiste a uma análise
séria da história
Se você navega há algum
tempo por debates sobre religião na internet, provavelmente já esbarrou em
alguma versão desta afirmação: "Jesus é apenas uma cópia de deuses pagãos
mais antigos, como Mitra". A ideia costuma vir acompanhada de uma lista
impressionante de coincidências — nascimento virginal, doze discípulos, morte e
ressurreição, uma refeição sagrada com pão e vinho — como se o cristianismo
tivesse simplesmente copiado e colado a biografia de um deus persa e trocado o
nome para Jesus.
O argumento soa poderoso
à primeira vista, justamente porque poucas pessoas têm tempo ou acesso às
fontes primárias para verificá-lo. E é exatamente aí que mora o problema:
quando alguém efetivamente vai aos documentos históricos e à arqueologia, a tal
semelhança entre Cristo e Mitra desmorona peça por peça.
Este texto foi escrito
para isso: apresentar, de forma clara e acessível, por que a tese de que
"Cristo é uma versão remodelada de Mitra" não se sustenta
historicamente — e por que, quando existe alguma influência entre as duas
tradições, ela provavelmente correu no sentido inverso ao que os críticos do
cristianismo costumam sugerir.
Antes de entrarmos no
mitraísmo propriamente dito, vale entender o contexto maior em que essa comparação
costuma aparecer. Há um esforço antigo e persistente para desacreditar a pessoa
de Cristo e a mensagem do evangelho, que geralmente segue duas frentes.
A primeira tenta atacar
diretamente as evidências históricas de Jesus e a confiabilidade do Novo
Testamento. Quando essa linha de ataque não convence — e ela raramente
convence, dado o volume de evidências históricas, arqueológicas e documentais a
favor da existência de Jesus —, os críticos partem para teorias mais criativas,
algumas chegando a níveis bastante exóticos. Livros que exploram essas teses
vendem bem, o que só reforça o quanto esse tipo de conteúdo sensacionalista
encontra público disposto a comprar afirmações extraordinárias sem exigir
evidências à altura.
Dentro dessa segunda
frente, a tentativa mais radical não é apenas questionar detalhes da vida de
Jesus, mas negar que ele tenha existido como pessoa histórica. Segundo essa
visão, os autores do Novo Testamento teriam pegado elementos de religiões de
mistério da época e costurado uma história fictícia em torno de um
"messias mítico". E, entre todas as religiões citadas nesse tipo de
argumento, o mitraísmo romano é, de longe, a favorita dos críticos.
Aqui já começa o primeiro
grande problema para quem defende a tese da cópia: não sobrou nenhum texto
sagrado escrito pelos próprios mitraístas. Tudo o que sabemos vem de duas
fontes indiretas — relatos de autores de fora do culto (muitas vezes
tendenciosos ou mal informados) e os vestígios arqueológicos deixados pelos
templos mitraicos, espalhados por boa parte do antigo Império Romano.
Esses templos costumam
ter formato de caverna e trazem, quase sempre, a mesma cena central: o deus
Mitra matando um touro. O culto era exclusivamente masculino, e seus membros
compartilhavam refeições rituais que simbolizavam, de alguma forma, o sangue e
o corpo do animal sacrificado.
É a partir desses
vestígios arqueológicos — interpretados, às vezes, de maneira bastante livre —
que surgem as afirmações de que Mitra teria nascido de uma virgem em 25 de
dezembro dentro de uma caverna, teria tido doze discípulos e teria ressuscitado
três dias após ser sepultado. A lista de "coincidências" é longa e,
confessemos, impressionante à primeira leitura. O problema é que quase nada dela
resiste a uma checagem cuidadosa das fontes.
Todo o argumento de que o
cristianismo copiou o mitraísmo depende de uma premissa simples: a de que o
mitraísmo é mais antigo que o cristianismo. Se essa premissa cair, o argumento
inteiro cai junto — e é exatamente isso que acontece quando olhamos para a
pesquisa acadêmica mais recente sobre o tema.
Durante décadas,
praticamente tudo o que se sabia sobre o mitraísmo vinha de um único estudioso,
o belga Franz Cumont, que dominou o campo do fim do século XIX até meados do
século XX. Cumont defendia que existia um único culto a Mitra, contínuo e
praticamente inalterado, desde sua origem no Irã antigo até a versão praticada
em Roma séculos depois.
O problema é que essa
visão está ultrapassada há mais de cem anos. É verdade que existia um deus
iraniano chamado Mitra, com registros que remontam a cerca de 1400 a.C. Mas
esse Mitra persa tinha pouquíssimo em comum com o deus romano do mesmo nome,
além do nome parecido e de alguma ligação com o sol — algo, aliás, comum a
muitos deuses da Antiguidade. E há um detalhe decisivo: não existe nenhuma
evidência de que o Mitra iraniano tenha matado um touro, justamente a cena que
define e identifica o Mitra romano em toda a sua iconografia.
Quando os principais
especialistas mundiais em mitraísmo se reuniram no início da década de 1970, no
Primeiro Congresso Internacional de Estudos Mitraicos, o consenso que emergiu
foi outro: os romanos simplesmente pegaram emprestado o nome de um antigo deus
iraniano e alguns detalhes periféricos, e construíram, a partir disso, uma
religião essencialmente nova, com características próprias.
Na prática, isso
significa que existem duas religiões distintas que compartilham apenas o nome
"Mitra": uma antiga e persa, outra tardia e romana. E essa distinção
resolve boa parte do debate.
Uma vez que separamos
essas duas tradições, duas conclusões ficam evidentes. A primeira é que não
existem semelhanças relevantes entre o mitraísmo iraniano antigo e o
cristianismo — a fonte mais antiga simplesmente não tem o que se compararia à
história de Jesus.
A segunda conclusão é
ainda mais decisiva: mesmo as semelhanças que existem entre o mitraísmo romano
e o cristianismo perdem toda a força como argumento, porque essa versão romana
do culto só se consolidou bem depois do surgimento do cristianismo.
O caminho histórico do
mitraísmo ajuda a entender isso. O culto a Mitra foi se espalhando gradualmente
da Pérsia em direção ao Ocidente após as conquistas de Alexandre, o Grande,
absorvendo pelo caminho elementos de outras tradições — como práticas do culto
frígio a Átis e Cibele, na Ásia Menor, e simbolismo astrológico originado na
Grécia. A primeira representação conhecida de Mitra como "matador de
touro" surge em Pérgamo, já no século II a.C., época em que o culto pode
ter chegado aos romanos por meio dos piratas da Cilícia.
Mas a primeira referência
concreta ao culto romano de Mitra só aparece nos escritos do poeta Estácio, por
volta do ano 80 d.C. — ou seja, décadas depois do surgimento do cristianismo. E
não existe nenhum vestígio arqueológico do mitraísmo romano anterior a esse
período. Em outras palavras: a forma de mitraísmo que apresenta semelhanças com
o cristianismo é justamente a que não tem registro algum antes do próprio
cristianismo já existir. Se houve cópia de um lado para o outro, a direção mais
plausível é o contrário do que costuma ser afirmado.
Mesmo deixando de lado a
questão cronológica por um instante, vale examinar os próprios paralelos
citados com tanta frequência — porque, quando observados de perto, eles se
revelam bem menos impressionantes do que parecem em memes e vídeos rápidos da
internet.
Comece pelo nascimento.
Diz-se que Mitra "nasceu de uma virgem", muitas vezes na presença de
pastores, como se fosse um espelho da narrativa do Natal. Mas as evidências
arqueológicas — que datam de cerca de um século depois do período do Novo Testamento
— mostram algo bem diferente: Mitra teria surgido já adulto, brotando de uma
rocha sólida, e os pastores apenas o ajudaram a se libertar quando ele ficou
preso na pedra. Isso está a anos-luz do relato do nascimento de Jesus como
bebê, de uma mulher, em Belém.
Quanto à data de 25 de
dezembro, mesmo que Mitra tivesse alguma associação com esse dia, isso não
abalaria em nada a historicidade de Jesus — porque a Bíblia nunca afirma que
Jesus nasceu em 25 de dezembro. Essa data foi escolhida séculos depois pelos
cristãos, como parte de uma estratégia mais ampla de substituir festividades
pagãs por celebrações cristãs, não como uma tentativa de imitar Mitra.
E a famosa "morte e
ressurreição" de Mitra? Aqui a base é ainda mais frágil: a única fonte que
menciona algo nesse sentido é o escritor cristão Tertuliano, já no final do
século II, que comenta vagamente uma "imagem de ressurreição"
associada ao culto. Mas o próprio Mitra, segundo os registros, não é quem
ressuscita dos mortos. É difícil construir um paralelo sólido sobre uma menção
tão vaga e tardia.
Por fim, a refeição
ritual dos mitraístas, com elementos que lembram o "sangue e o corpo"
de um sacrifício, costuma ser apontada como precursora da Eucaristia cristã.
Mas refeições rituais compartilhadas são um elemento comum a inúmeras religiões
ao redor do mundo, em épocas e culturas completamente diferentes. A simples
existência de uma refeição simbólica não é evidência de que uma tradição copiou
a outra — é apenas evidência de que seres humanos, em contextos religiosos
diversos, tendem a criar rituais parecidos de forma independente.
Há ainda uma diferença
fundamental, quase sempre esquecida nesse debate: o tipo de texto que sustenta
cada tradição. A história de Mitra pertence à categoria de mito de criação —
uma narrativa simbólica, sem pretensão de registrar acontecimentos
verificáveis. Os Evangelhos, por outro lado, se encaixam no gênero da biografia
histórica antiga, com referências a lugares, datas, autoridades políticas e
testemunhas que poderiam, em tese, ser verificadas por seus contemporâneos.
Essa diferença de gênero
literário não é um detalhe técnico sem importância: ela mostra que os primeiros
cristãos não estavam compondo uma lenda simbólica ao estilo dos mitos de
criação greco-romanos, mas registrando o relato de uma vida concreta, apoiado
em testemunhas oculares que continuaram vivas — e continuaram contando o que
viram — por décadas depois dos eventos.
Mitra nunca existiu como
figura histórica; é, por definição, uma personagem mítica. Jesus, ao contrário,
teve seguidores reais que se tornaram fontes primárias da tradição registrada
no Novo Testamento. E o sentido teológico de cada narrativa também diverge por
completo: Mitra "salva" o mundo matando um touro em um mito cósmico;
Jesus, segundo o evangelho, oferece a própria vida em sacrifício para expiar o
pecado humano. São categorias de história e de significado que simplesmente não
se equivalem.
Quando se examina com
cuidado cada ponto da comparação — cronologia, fontes, conteúdo dos relatos e
gênero literário —, a tese de que o cristianismo copiou o mitraísmo perde toda
a sustentação. Os paralelos genuínos são poucos e genéricos demais para indicar
cópia; os paralelos mais chamativos, como o nascimento virgem ou a
ressurreição, simplesmente não existem nas fontes da forma como costumam ser
apresentados nas redes sociais.
No fim das contas, a
ideia de que "Cristo é uma versão remodelada de Mitra" se apoia numa
base acadêmica já superada há mais de um século — a obra de Cumont — somada a
uma leitura seletiva e, muitas vezes, distorcida da arqueologia mitraica. É uma
teoria que soa sofisticada à primeira vista, mas que não sobrevive a um
encontro honesto com as fontes históricas.
Cristo não está associado
a Mitra. E quanto mais se investiga a fundo essa comparação, mais evidente fica
que os verdadeiros paralelos, quando existem, apontam na direção oposta à que
os críticos do cristianismo gostariam.
Texto
elaborado com base em conteúdo apologético sobre mitraísmo e cristianismo
primitivo, com anotações pessoais feitas por C. J. Jacinto e com referências ao
artigo original disponível em
truthaccordingtoscripture.com.
O encontro de Jesus com a mulher
samaritana junto ao Poço de Jacó, em Sicar, possui um significado espiritual
profundo e transformador. Historicamente, este poço representava o legado de
Jacó e sua família, ancestrais das doze tribos de Israel; para eles, aquela
fonte não era apenas um símbolo de sustento e prosperidade, mas um elemento
essencial para a sobrevivência.
Conforme narrado no Evangelho de João,
capítulo 4, versículos 19 a 23, a mulher samaritana, ao reconhecer a natureza
profética de Jesus, questionou-o sobre a divergência entre os locais de
adoração: o Monte Gerizim, onde seus antepassados adoravam, e Jerusalém,
indicado pelos judeus. Jesus respondeu-lhe: "Mulher, acredita-me, a hora
vem em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que
não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em
espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem."
Ao analisarmos o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, identificamos que o
tema central é a adoração. Trata-se de uma adoração fundamentada no
conhecimento, pautada pela sobriedade e pelo discernimento, conforme nos
orienta o Novo Testamento. As Escrituras, ao narrarem a prática dos apóstolos e
a reunião da igreja primitiva desde o livro de Atos, estabelecem o Senhor Jesus
Cristo como o centro absoluto da adoração.
Não há, em todo o Novo Testamento,
qualquer registro de culto ou veneração dirigido a outros personagens, sejam
discípulos ou figuras como Maria. Tal prática é inexistente na igreja
estabelecida e liderada pelos apóstolos, os quais nem a praticaram, nem a
ensinaram.
À luz dessas evidências, compreendemos que a verdadeira adoração, em espírito e
em verdade, consiste em adorar ao Pai, por meio de Jesus Cristo e sob a ação do
Espírito Santo. Ao lermos o Novo Testamento com abertura e reconhecendo-o como
a autoridade máxima para definir nossa vida e devoção, identificamos a essência
do cristianismo: a verdade absoluta de que todo o texto neotestamentário é
profundamente cristocêntrico. Ao examinarmos o Evangelho de João, capítulo 14,
versículo 6, observamos a declaração de Jesus: “Ninguém vem ao Pai, a não ser
por mim”. Este versículo estabelece o papel de Cristo como o único Mediador — o
pontífice que restaura a conexão entre a humanidade e Deus. Portanto, não se deve
atribuir a outrem a função de ponte ou intercessor para alcançar o Criador de
forma concreta. Ao proferir tais palavras, Jesus manifesta um caráter de
exclusividade. Ele afirma, de maneira explícita e direta, a impossibilidade de
acesso ao Pai por qualquer outro meio. Sendo Cristo o único caminho capaz de
reconciliar o homem pecador à presença divina, compreendemos que a totalidade
da vida espiritual depende deste relacionamento: Jesus não apenas nos conduz ao
Pai, mas é Ele próprio o caminho que viabiliza essa comunhão.
A nossa compreensão fundamenta-se no ensinamento bíblico de que Cristo é o
nosso único mediador. Sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Ele possui a
prerrogativa de assentar-se à destra do Pai e interceder por cada um de nós,
verdade esta que é ratificada em cada página do Novo Testamento.
Consequentemente, rejeitar o testemunho do Espírito Santo a esse respeito
equivale a atribuir-Lhe falsidade. Ademais, ao negar a autoridade do Espírito
Santo, manifesta nas Sagradas Escrituras — especialmente no que tange à
exclusividade de Cristo como nosso único e divino mediador —, incorre-se em um
grave erro. Somente Ele possui tal capacidade, por ser, simultaneamente,
verdadeiro Deus e verdadeiro homem, conforme atestam diversos trechos bíblicos,
com destaque para o Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6. Aqueles que
renegam essa verdade e não pautam sua vida por ela acabam por atribuir ao
Espírito Santo a pecha de mentiroso; tal postura, portanto, configura uma
blasfêmia equiparável à obra do próprio pai da mentira. Ao erigir imagens e
santuários em veneração a Maria, os católicos adotam práticas que, sob uma
perspectiva bíblica, carecem de respaldo nas Escrituras. Não há, no Novo
Testamento, mandamentos de Cristo ou orientações apostólicas que legitimem tal
conduta. Essa prática conduz o fiel não apenas à prostração diante de imagens
de escultura, mas à reverência excessiva a uma criatura, que as Escrituras
definem estritamente como serva. Existe, portanto, uma distinção entre a Maria
bíblica, reconhecida por sua humildade, e a figura consolidada pela tradição
católica, à qual são atribuídos títulos como "Rainha dos Céus",
"Mediadora" e "Corredentora". Tais designações induzem os
fiéis a atos de invocação, súplica e prostração, gestos que se assemelham ao
culto prestado a divindades pagãs.
A própria Bíblia de Jerusalém, ao descrever a
veneração à deusa Diana pelos efésios, evidencia que, no contexto litúrgico e
ritualístico, os termos "venerar" e "adorar" convergem para
o mesmo propósito. Conclui-se, por essa análise, que a veneração a entidades ou
imagens, quando inserida em um rito de culto, configura-se como prática de
idolatria.
Ao analisar a história do paganismo e das religiões idólatras — como o
hinduísmo, as antigas práticas egípcias e as tradições que circundavam o antigo
Israel —, observamos a utilização recorrente de estatuetas. Tais objetos eram
reverenciados como divindades, protetores e patronos, servindo como
intermediários entre os vivos e os mortos, aos quais se dirigiam súplicas e
diálogos. É possível notar a reintrodução e a adaptação desses conceitos dentro
do catolicismo romano, manifestando semelhanças que não podem ser ignoradas por
um observador atento. A Bíblia, de forma abrangente, posiciona-se frontalmente
contra tais práticas, caracterizando-as como uma falsa espiritualidade; o
apóstolo Paulo, inclusive, equipara o culto aos ídolos à adoração de demônios. Um
grande pensador católico e grande escritor francês, Jean-Claude Bourreau, em um
livro cujo título é Quem é Deus, publicado pela editora Vozes, na página 15,
afirmou, o cristianismo herdeiro do judaísmo dos profetas que derrubavam os
ídolos lutou durante muito tempo contra Baal, mas recuperou em grande dose esta
fé pagã. Podemos dizer que o próprio cristianismo foi repaganizado
Observa-se, com clareza, que muitos sacerdotes, líderes e apologistas católicos
têm omitido de seus fiéis a natureza real das práticas devocionais direcionadas
a Maria. Sustenta-se que o culto, as procissões e as orações prestadas a ela
seriam meramente uma forma de veneração, classificada pelo neologismo
"hiperdulia". Contudo, tal termo parece servir apenas como um
artifício para encobrir a verdadeira natureza desses atos: a adoração. Não se
trata, portanto, apenas de uma homenagem à figura da Mãe de Deus ou de um culto
de honra.
No livro “A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas”, de Joseph Tissot (Editora
Quadrante), lemos na página 125 a seguinte declaração: "Por mais doentes
que estejamos, por mais desesperador que pareça o estado da nossa alma, se
quisermos curar-nos, Maria adotar-nos-á como seus doentes; e como não existe
doença espiritual que seja incurável nesta vida, e nenhuma pode resistir ao
tratamento da Todo-Poderosa Mãe de Deus, ela nos curará". Neste trecho, o
autor atribui a Maria o título de "Todo-Poderosa". Se tal qualidade lhe
é conferida, então também deve ser considerada uma divindade, incorre-se em uma
contradição lógica, pois ela é apenas uma criatura e serva. Ser “todo-poderosa”
incorre em ter onipotência, por definição, pressupõe também a onisciência e a
onipresença; portanto, ao conferir a Maria os atributos divinos, o catolicismo
confunde as fronteiras entre a criatura e o Criador. Se tal prática não for
caracterizada como idolatria, perde-se a própria definição de verdade.
Conclui-se, assim, que a doutrina católica propaga um equívoco, ao quais muitos
fiéis, por inocência, acabam por se submeter. A verdade é que a bíblia e os apóstolos
nunca atribuíram á Maria essas virtudes de onipotência, onipresença e onipotência,
pois sem esses atributos, ela nunca poder “Todo-poderosa” e isso nada mais é do
que uma blasfêmia. Qualquer pesquisador sério encontrará esses erros grotescos
na mariologia romanista.
Embora a figura de Maria seja digna de ser imitada por sua santidade e
plenitude, a super ênfase conferida à sua pessoa pelo romanismo carece de
fundamentação bíblica. Em nenhum momento as Escrituras — seja pelo ensino de
Jesus Cristo, da própria Maria ou dos apóstolos — determinaram a confecção de
imagens representativas, tampouco a prática de cultos, venerações ou preces
direcionadas a ela. Maria foi uma serva submissa, escolhida por Deus como
instrumento para a manifestação de Sua graça, poder e misericórdia, mas jamais
foi apresentada como o centro da devoção cristã. A centralidade deve pertencer
unicamente a Deus. Como nos recorda a passagem de Romanos 11:34-36: "Quem,
pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem deu
primeiro a ele para que lhe seja recompensado? Porque dele, por ele e para ele
são todas as coisas. A ele seja a glória eternamente. Amém." A glória
pertence exclusivamente a Deus, e não a Maria.
-- Revisado por Blip ViraTexto
[9/9 18:16] Clavio Jacinto: A Supremacia de Cristo em Filipenses
Muitos católicos desconhecem o que o apóstolo Paulo ensina em Filipenses
2:9-11 sobre a supremacia de Cristo — algo que é amplamente evidente em todo o
Novo Testamento. Nesses escritos, cada doutrina referente à devoção, à
esperança de salvação, à redenção e à via de intercessão é direcionada única e
exclusivamente a Cristo e ao seu senhorio:
"Por isso também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que é
sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão
nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus
Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai."
Nas Escrituras, esse papel é atribuído tão somente a Cristo. Não há uma única
passagem bíblica que oriente os fiéis a buscarem, implorarem, rezarem, se
prostrarem ou clamarem por Maria, tampouco a pedirem sua intercessão, a fazerem
esculturas para se prostrarem diante delas ou a realizarem cultos e procissões
em sua homenagem.
A Bíblia Sagrada é clara: todo joelho se dobrará e toda língua confessará que
Jesus Cristo é o Senhor. Ele, e somente Ele — e não a sua mãe.
Toda mensagem de cunho religioso ou
espiritual, e mesmo aquelas que não o são, possui duas dimensões distintas: ou
provém do Espírito Santo, que conduz o homem a toda a verdade, ou origina-se do
espírito do anticristo — o espírito do "eu", que atua desde a época
do apóstolo João até os nossos dias e perdurará até o fim dos tempos. Sendo a
missão desse espírito o engano universal, dispomos da luz do Espírito Santo,
manifesta pela Palavra de Deus. A Bíblia Sagrada, portanto, estabelece-se como
o baluarte de nossa segurança e como o critério absoluto para discernir entre a
verdade e a mentira, desde que as Escrituras sejam manejadas com a devida
retidão. A verdade é que todas as doutrinas, sermões, publicações e debates —
sejam conduzidos em ambientes informais, seminários, conferências bíblicas ou a
partir de púlpitos — devem ser submetidos ao crivo de todos os cristãos, a fim
de verificar se estão em conformidade com a verdade bíblica.
É imperativo que procedamos ao discernimento
dos espíritos, conforme nos orienta a Primeira Epístola de João (4:1):
"Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos procedem
de Deus, pois muitos falsos profetas têm surgido no mundo". Questiono-lhe,
portanto: tem você exercido o devido zelo diante das constantes advertências
que o Espírito Santo nos apresenta ao longo de todo o Novo Testamento? Não nos
é permitido adotar uma postura de indiferença quanto a este tema. Existe uma
proliferação de falsos profetas e o espírito do erro atua, de forma alarmante,
no próprio seio do cristianismo. Eles ocupam púlpitos, conduzem seminários e
utilizam a autoridade das Escrituras como pretexto para discursar. Sob a
pretensa égide do Espírito Santo, muitos desses homens propagam, na realidade,
a influência do espírito do erro.
Ao analisar a advertência do apóstolo Pedro em 2 Pedro 2:1-2, observamos a
declaração de que, assim como houve falsos profetas no meio do povo de Israel,
haverá igualmente falsos mestres no seio da igreja. Eles introduzirão, de
maneira sub-reptícia, heresias destruidoras, chegando a negar o próprio
Soberano que os resgatou, atraindo sobre si repentina destruição. Pedro
enfatiza que a presença desses falsos mestres entre os fiéis é análoga à
atuação dos falsos profetas na antiga aliança. A falta de discernimento
espiritual e de um conhecimento aprofundado das Escrituras pode tornar
imperceptível a presença desses indivíduos. É fundamental compreender que, ao
absorver ensinamentos de falsos profetas, o indivíduo ingere um
"veneno" espiritual; o contexto bíblico esclarece que tais doutrinas
são heresias de perdição. Como Paulo pontua ao mencionar Himeneu e Fileto,
ensinos dessa natureza corroem a fé como uma gangrena. Portanto, é imperativo
manter a máxima vigilância, pois tais heresias possuem um caráter destrutivo
que pode comprometer a integridade da sua vida espiritual. Conforme tenho
reiterado, a Bíblia serve ao cristão zeloso como um critério de discernimento
para provar a procedência dos espíritos e a veracidade de profecias. Como
realizar tal exame? Por meio da comparação das realidades espirituais com os
preceitos das Escrituras. É necessário analisar minuciosamente cada mensagem,
cotejando-a com a Palavra de Deus para aferir sua autenticidade, fundamentação
bíblica e saúde espiritual. A ausência de um exame rigoroso acerca do que
ouvimos ou lemos sobre questões religiosas facilita a infiltração de falsos
ensinamentos em nosso pensamento e em nosso coração. Infelizmente, muitas vezes
negligenciamos a responsabilidade de aplicar o conhecimento bíblico como o
filtro indispensável para a nossa fé.
Afirmo que devemos depositar nossa plena confiança na Palavra de Deus, e não em
novas revelações ou fenômenos espirituais. Não nos cabe confiar senão nas
Escrituras, visto que elas constituem a única fonte autêntica e segura de
revelação divina. Contudo, observamos hoje uma tendência generalizada de
abertura a diversas experiências espirituais, muitas vezes sem o devido
discernimento à luz dos critérios bíblicos. O exemplo dos bereianos, descritos
como nobres, é exemplar nesse sentido: eles não se limitaram a aceitar o ensino
de Paulo, mas diligenciaram em confrontar suas palavras com as Escrituras para
verificar a sua veracidade. Eles utilizaram a Bíblia como o único padrão de
validação, e creio que este deve ser, igualmente, o nosso critério fundamental
nos dias atuais.
Ao escrever aos coríntios, o apóstolo Paulo expressou profunda preocupação,
temendo que, assim como a serpente enganou Eva, a simplicidade da fé em Cristo
fosse corrompida entre eles. Se o apóstolo estivesse presente em nossos dias,
ele certamente reiteraria esse alerta. É evidente que o mundo espiritual caído
tem se utilizado de falsos profetas que, infiltrando-se na igreja, buscam
desviar os fiéis da verdade, propagando doutrinas destrutivas sob a fachada de
um evangelho distorcido. Esteja ciente, prezado leitor: você é alvo desse
ataque. Portanto, é imperativo que se apegue firmemente às Escrituras Sagradas,
mantendo-se sempre vigilante e cauteloso. Todo cristão que vive os últimos
tempos necessita de discernimento para compreender corretamente os
acontecimentos que nos cercam. A Bíblia, como Palavra de Deus, tem se cumprido
integralmente. Conforme registrado pelo apóstolo Paulo em 1 Timóteo 4:1, nos
últimos dias haveria uma grande apostasia e a infiltração de doutrinas
demoníacas. Observamos, na atualidade, uma profunda confusão espiritual:
elementos do misticismo e do ocultismo, bem como preceitos da Nova Era, têm
sido endossados por muitos líderes eclesiásticos. As Escrituras têm sido
distorcidas para fundamentar teologias espúrias, ao passo que o humanismo, o
modernismo e o liberalismo teológico se infiltraram nas instituições. Nota-se,
inclusive, a negação da historicidade do livro de Gênesis e a influência de
ideologias seculares em diversas traduções bíblicas modernas. Diante desse
cenário de apostasia, é imperativo que o cristão se firme integralmente na
Bíblia Sagrada. Somente nela encontraremos a luz necessária para identificar
erros doutrinários, discernir a atuação do espírito do erro e rejeitar, com
convicção, toda influência contrária à sã doutrina.
Em Efésios 4:14, o apóstolo Paulo adverte os cristãos de Éfeso para que não
sejam como infantes, agitados e levados de um lado para outro por qualquer
vento de doutrina, seduzidos pela astúcia de homens que, por meio de
artimanhas, disseminam heresias com o intuito de manipular aqueles que ainda
não estão firmados na fé. À luz dessa exortação, devemos compreender a
instrução registrada em 1 Pedro 2:2, que nos convoca a superar a imaturidade
espiritual. Não devemos ser como recém-nascidos, que, por sua ingenuidade,
aceitam indiscriminadamente todo tipo de ensinamento ou literatura. Pelo
contrário, somos chamados a alcançar a maturidade no entendimento, crescendo
continuamente na graça e no conhecimento de Cristo. Somente assim seremos
capazes de discernir entre o que provém do Espírito de Deus e o que procede do
espírito do erro, acolhendo o primeiro e rejeitando terminantemente o segundo.
Desde o princípio, conforme relatado no terceiro capítulo do Gênesis,
observa-se que o adversário corrompeu a humanidade ao distorcer a Palavra de
Deus. Ao negar a veracidade das Escrituras e induzir Eva ao erro, Satanás
inaugurou uma estratégia deliberada. Sua agenda consiste em corromper o mundo,
a igreja e o próprio indivíduo, centrando seus esforços na adulteração da
mensagem divina.
Para executar esse plano, ele se
vale de falsos profetas que, utilizando-se da terminologia cristã, deturpam as
Escrituras com o intuito de confundir e desviar os fiéis. Tais agentes, ao
agirem sob a alcunha de cristãos, geram escândalos que desacreditam o Evangelho
perante os incrédulos.
Diante desse cenário, torna-se
imperativo que o cristão esteja apto a manejar corretamente a palavra da
verdade. Isso requer um compromisso rigoroso com a interpretação bíblica sadia,
fundamentada em padrões doutrinários sólidos. É essencial que o fiel seja
criterioso ao selecionar fontes de edificação, utilizando traduções fiéis,
estudando literatura teológica de qualidade e atentando-se a pregadores
comprometidos com a exposição bíblica e a transmissão da sã doutrina. Conclui-se
que, em uma era marcada pela disseminação de falsidades e por uma apostasia
crescente, as verdades bíblicas fundamentais enfrentam ataques constantes.
Diante desse cenário, torna-se imperativo assumir um posicionamento inabalável
em defesa da sã doutrina e dos fundamentos da fé. Tal postura pode acarretar o
rompimento de relacionamentos, bem como suscitar sofrimento, perseguição,
críticas e desprezo por parte daqueles que corroboram o desvio doutrinário.
Todavia, como peregrinos, devemos permanecer firmes em nossa fidelidade ao
Senhor, tratando nossos absolutos como inegociáveis. É preferível caminhar na
integridade e na fidelidade a Deus do que seguir a multidão rumo à apostasia
que conduz ao abismo
A PROVIDENCIA SANTA DE DEUS SOBRE OS REDIMIDOS
C. J. Jacinto
Uma reflexão acerca de Romanos
8:28: "E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam
a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Este oráculo,
contido no oitavo capítulo da grandiosa epístola de Paulo aos Romanos,
constitui um profundo consolo. O versículo tem servido como uma fonte de
consolo do mártir em seus momentos de angústia, como cajado para sustentar as
mãos debilitadas do peregrino e como escudo para proteger o peito daqueles que,
na peleja espiritual, enfrentam o intenso calor da batalha.
O apóstolo Paulo inicia sua profunda consolação com uma nota de absoluta
certeza, a partir da qual podemos contemplar e compreender a sua declaração.
Ele não recorre a suposições, conjecturas ou ambiguidades; não há espaço para
possibilidades incertas ou meras expectativas. A gramática da fé, ao tratar do
caráter de Deus, não admite o modo subjuntivo, preferindo o indicativo: a
linguagem do conhecimento. Trata-se de uma convicção fundamentada em uma
percepção intuitiva e absoluta, uma verdade que transcende a nossa experiência
e os nossos sentimentos, alicerçada em uma fé inabalável. Paulo afirma:
"Sabemos".
Todavia, é imperativo que façamos uma pausa para um exame interior. Acaso
possuímos, de fato, tal certeza? Será esta uma verdade autoevidente à natureza
humana? Se consultarmos os registros da experiência humana, se indagarmos à
carne e ao sangue, a resposta será um inequívoco não. Quando a tempestade
investe contra o lar, quando o raio fere o cedro, quando a embarcação é naufragada
pelas ondas e o mundo parece ruir, pode o coração natural proclamar que tudo
isso contribui para o seu bem? Longe disso; o coração terreno, tal como Jacó
outrora, exclama: "Todas estas coisas são contra mim". O olhar do
sentido humano percebe apenas a perda, a dor, a tragédia, o sofrimento e a
desventura. Contudo, o cristão que deposita sua confiança no Senhor transcende
essa visão limitada.
O conhecimento de Paulo repousa sobre um fundamento inabalável: o caráter de
Deus. Como aqueles que amam ao Senhor, compreendemos a Sua natureza e as Suas
promessas. Reconhecemos que Ele é o Pai Todo-Poderoso e onipotente, cuja
sabedoria é infinita e cujo amor é imutável. Pela Sua onisciência, Deus detém o
pleno conhecimento do que é melhor para nós; Ele é o soberano regente de nossa
existência e de nosso destino. Confiantes no Seu amor incondicional e no Seu
controle absoluto sobre todas as coisas, compreendemos que a Sua onipotência
atua em nosso favor. Sendo Ele capaz de efetuar o que é mais excelente para
cada um de nós, temos a convicção de que os resultados de Sua providência
conduzem, inevitavelmente, ao supremo bem. A expressão "aqueles que são
chamados segundo o seu propósito" refere-se aos redimidos, adquiridos pelo
sangue do Redentor. A arquitetura deste versículo nos oferece a garantia de uma
perspectiva divina que transcende o tempo presente, estendendo-se à eternidade.
Trata-se de uma visão celestial, de plenitude e convergência. Deus estabeleceu
um desígnio soberano para cada um dos que chamou, propósito este que a própria
redenção ratifica. Conforme o capítulo 1, versículo 10, da Epístola aos
Efésios, caminhamos em direção à plenitude dos tempos, rumo à visão beatífica
na qual todas as promessas do Senhor serão consumadas, alcançando o ápice de
nossa existência. O coração de Deus e o exercício de Sua vontade repousam sobre
aqueles a quem Ele ama; por conseguinte, aquele que ama a Deus deve manter o
seu coração inteiramente voltado às Suas promessas. O texto em análise funciona
como uma janela que se abre, permitindo-nos contemplar a soberania de Deus e a
magnitude de Seu propósito sobre as nossas vidas.
A identificação daqueles que amam a Deus, conforme apresentada em Romanos 8:28,
refere-se aos redimidos, aos que atenderam ao chamado do Evangelho. Este
versículo estabelece uma doutrina fundamental: a responsabilidade humana. Somos
instruídos a amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma e de todo o
entendimento. Amar a Deus é uma escolha que nos cabe; é um exercício da nossa
livre vontade. Devemos, portanto, tomar uma decisão radical que esteja em
consonância com o propósito estabelecido pela soberania divina. Embora Deus
inicie, planeje e chame, cabe a nós responder. Essa resposta deve ser profunda
e deliberada, para que possamos experimentar o processo dinâmico da atuação de
Deus conforme o propósito que Ele determinou para nossas vidas desde a
eternidade. É imperativo que caminhemos continuamente nessa direção.
Todavia, um aspecto do versículo merece
atenção especial: a afirmação de que todas as coisas cooperam para o bem. Este
é um tema central e sublime, que deve ser objeto de profunda reflexão,
inclusive para o homem impiedoso. A providência divina, operando de maneira
invisível, faz com que todos os eventos concorram para o benefício daqueles que
são chamados. Trata-se de uma verdade magnífica, que requer nossa constante
meditação, visto que diz respeito à nossa própria existência. Em última
análise, a soberania de Deus assegura que todas as circunstâncias cooperem para
o nosso bem, não apenas nesta vida, mas também por toda a eternidade.
Podemos observar essa realidade na trajetória de José do Egito, que, após ser
vendido por seus irmãos e submetido à condição de escravo, enfrentou uma falsa
acusação que o levou ao cárcere. Mesmo cumprindo pena por um crime que não
cometeu, José manteve-se alicerçado nas promessas divinas. Sua fé inabalável
sustentava a convicção de que Deus permanecia no controle e de que todas as
circunstâncias cooperavam para um propósito maior. Essa confiança permitiu que
ele se mantivesse firme, mesmo diante de evidências contrárias. O mesmo se
aplica à experiência de Daniel. Ao ser retirado de sua pátria e levado à
Babilônia, ainda que a situação parecesse desoladora, o agir soberano de Deus
estava presente. Tanto a vida de José quanto a de Daniel revelam que o Senhor
utiliza as aflições como instrumentos para realizar Seus desígnios. Esses
relatos do Antigo Testamento, que transcendem o caráter histórico, evidenciam a
soberania divina sobre todas as circunstâncias. Consequentemente, a promessa
contida em Romanos 8:28 torna-se extraordinária ao analisarmos como grandes
homens de Deus superaram adversidades por meio da presença constante do
Criador. Dessa forma, todas as coisas revestem-se de um significado profundo e
absoluto, carregando um peso significativo de propósito, soberania e domínio
sobre cada fração de segundo, momento e circunstância. O apóstolo não exclui
aspecto algum, incluindo, antes, aflições, provações, adversidades,
perseguições, calamidades, enfermidades, obstáculos e tensões, entre outros
desafios. Na história dos santos, observamos como o Senhor intervém com sua
providência; embora seu processo possa parecer incompreensível em um primeiro
momento, o decorrer do tempo revela como Deus mantinha o controle, cumprindo
seu propósito e glorificando seu nome. Consideremos, agora, a trajetória de
Jonas. Teriam a tempestade e o seu subsequente lançamento ao mar ocorrido por
mero acaso? De modo algum; foi o Senhor quem enviou um forte vento sobre o
oceano, evidenciando Sua soberania. A aparição do grande peixe não foi um
evento fortuito, mas uma providência divina preparada para aquele momento. A
tempestade, o sorteio realizado pelos marinheiros, o grande peixe, a planta, o
verme e o vento oriental — todos esses elementos cooperaram para o bem de
Jonas. A tempestade serviu para despertar o profeta; o sorteio, para
identificá-lo; o peixe, para resgatá-lo; a planta, para confortá-lo; e o verme,
para humilhá-lo. Embora, sob a perspectiva de Jonas, a tempestade representasse
a destruição e o grande peixe, a morte iminente, Deus utilizou tais meios para
cumprir o Seu propósito. Esse desígnio não se restringiu à vida do profeta, mas
estendeu-se aos habitantes de Nínive, alcançando-os com a salvação e
afastando-os de sua profunda rebeldia.
Romanos 8:28 constitui, portanto, nossa
carta magna de esperança, preenchendo o vazio de nossos anseios diante da
glória futura. É imperativo compreender que não somos joguetes do destino nem
vítimas do acaso; repousamos sob a soberana e misericordiosa sabedoria de Deus.
Nesse sentido, entendemos que as aflições, perseguições, privações e as duras
lutas da vida — fatos que, por vezes, parecem contrariar nossas convicções —
nada mais são do que o justo governo divino sobre nossa existência. Devemos
aguardar com confiança, pois, no tempo oportuno, revelado será que os
propósitos de Deus sempre foram pautados pela sabedoria e justiça. Assim,
regozijar-nos-emos ao rememorar as tribulações enfrentadas durante nossa
peregrinação terrena. Tal qual a trajetória de José, desde a casa de Jacó até o
Egito, compreendemos que nenhuma dificuldade esteve fora do controle divino.
Deus tece, minuciosamente, a tapeçaria de seus desígnios, da qual somos fios
condutores; estamos inseridos neste grandioso monumento celestial que culminará
na consumação de todas as coisas.
Um Discurso
Proferido na Convenção para o Aprofundamento da Vida Espiritual, realizada em
Ontário, Canadá, na noite de quarta-feira, 26 de outubro de 1898.
A maioria das vidas cristãs
fracassa em bênçãos e poder por falta de um trato definitivo com Deus em três
pontos: (1) Consagração; (2) Purificação do pecado; (3) Fé apropriadora. Quando
a consagração é defeituosa, tentativa, irreal, então a negligência com os
pecados menores é habitual; não há mais a resposta de uma boa consciência, o
coração não é mantido limpo, a comunhão é impedida, o Espírito de Deus é
entristecido, o pulso espiritual bate fraco, a vitalidade espiritual é
diminuída. E enquanto a Palavra de Deus, e o testemunho de cristãos que vivem
na luz de Deus, trazem constantemente diante da fé as coisas mais preciosas
para serem tomadas, e enquanto há um desejo vago de ter essas coisas, não há um
ato definitivo de fé que se estenda para dizer: "Eu tomo agora", e
então dizer: "Eu Te agradeço que eu tenha." Há uma confiança real em
Deus para a salvação, mas não há adição instantânea feita pela fé apropriadora
aos tesouros de nossa riqueza espiritual. A vida cristã não é nutrida de dentro
de si mesma, mas de cima para baixo. As graças da vida espiritual nascem acima
e são enviadas para baixo. São exóticas a este mundo. Não crescem
espontaneamente neste clima. Não são indígenas nesta natureza. O crescimento
cristão, portanto, é um processo de recebimento incessante pela fé. As almas
mais receptivas são as melhor nutridas.
Quero falar-lhes sobre aquilo que é
fundamental em toda esta questão de bênção — sobre a Consagração. Isso pode
parecer um assunto batido, mas eu, pelo menos, estou fazendo a descoberta de
que é precisamente em terreno familiar que encontro o inesperado. Nossa própria
familiaridade com a letra das grandes passagens fecha nossos ouvidos para os
significados mais profundos delas.
Vamos voltar a Romanos 12:1-2:
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os
vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto
racional. E não vos conformeis com este mundo" — literalmente, não sejais
pressionados no molde deste mundo. Há um certo caminho do mundo e um certo
caminho do reino, e os sinais de mundanidade são facilmente discernidos, e os
sinais da vida do reino são facilmente discernidos. "Mas sede
transformados pela renovação da vossa mente", por aquele novo princípio de
vida dado por Deus, "para que experimenteis qual seja a boa, agradável e
perfeita vontade de Deus." Creio que o pensamento de Deus sobre a
consagração é expresso nos dois versículos, e não apenas no primeiro. Não vêem
como inevitavelmente, se devemos extrair a doutrina da consagração daquele
versículo, devemos chegar à vontade de Deus? Pois a consagração não é uma
cerimônia religiosa, não um mero ato passageiro para satisfazer alguma
inquietude de consciência. A consagração é a aceitação cordial e irrestrita da
vontade de Deus, e não podemos fazer isso até crermos que essa vontade é
"boa" e "perfeita" e, portanto, "agradável".
Agora olhem por um momento para aquele primeiro versículo. Eu o li por anos
como se fosse "Sacrifiquem os vossos corpos." Eu recuava da dor. Eu
sabia que sacrifício significava, no fundo do coração, morte. Eu queria viver,
não morrer. Ainda não tinha compreendido o princípio elementar da vida
vitoriosa, de que é necessário morrer antes de viver. Mas eu concebia a
exigência como sendo que eu sacrificasse meu corpo, e eu não sentia capacidade
para fazê-lo. Fiquei muito aliviado quando vi que a exortação não era para
sacrificar meu corpo, mas para "apresentá-lo" para o sacrifício.
A imagem é tirada da antiga
dispensação, onde todas estas coisas eram externas e cerimoniais; significando
coisas interiores, mas representando-as por sinais visíveis. O que fazia um
ofertante sob o sistema levítico? Ele trazia sua oferta ao sacerdote e o
sacerdote fazia o sacrifício. O ofertante dava a oferta ao sacerdote, como
representante de Deus. Isso coloca a questão em novo terreno. Certamente, não
pedimos nada melhor do que cair nas mãos do Cristo vivo; nada melhor do que Ele
tomar nossos corpos e fazer com eles o que Ele quiser. Sabemos que Ele fará a
vida sacrificial, mas alegremente entregamos toda a vida a Ele.
Agora, eu paro sobre isso por um
momento, pois aqui está uma distinção vital. Se eu devo sacrificar meu corpo,
certamente o farei de alguma maneira fanática e mórbida. Tornar-me-ei eremita,
ou monge, ou flagelante, ou santo do pilar, como São Simão Estilita. Encontrarei
a prova de que realmente estou sacrificando meu corpo ao contemplar sua
emaciação, ao abjurar os doces relacionamentos naturais, ao negar aos desejos
implantados por Deus seus meios de gratificação designados por Deus. Milhões de
almas sérias fizeram essas coisas. Mas se Cristo, como sacerdote, torna minha
vida sacrificial, será segundo o doce e salutar padrão dEle — isto é, será
sacrifício vicário; será por outros, não por mim mesmo.
O crescimento cristão é por uma
série de atos definitivos. Como, de fato, começa a vida cristã? Por um ato
definitivo — a apropriação de Cristo. Há mil coisas atraindo um pecador para
Cristo. Começou em casa e continuou na escola dominical e na Igreja; o pecado
entrou e a consciência despertou e começou a ferir; houve as persuasões da
prudência, e o jogo de todos os motivos que trazem os homens a Cristo. Mas
houve, finalmente, um passo a ser dado. Tivemos que receber Cristo como
Salvador nos termos oferecidos no Evangelho, e quando fizemos isso, estava
feito, e passamos para a salvação. Essa é a crise do pecador. Agora, assim como
há uma crise do pecador que o traz a Cristo para a salvação, assim há uma crise
do santo que o traz a Cristo para uma vida consagrada. Nós estragamos e
degradamos o pensamento com nossas intermináveis re-consagrações. A Bíblia não
sabe nada sobre re-consagração. A consagração não é algo que se trabalha pouco
a pouco. Pouco a pouco podemos chegar ao momento decisivo, mas então é um ato.
Nós a tornamos amplamente
cerimonial. Os queridos jovens por todo o mundo estão se
"consagrando" a cada mês. Eu frequentemente lhes pergunto se já está
feito. Você não corre atrás de um bonde depois que o pegou. Você não está sendo
regenerado novamente a cada mês. Alguém está consagrado ou não está; e todos esses
exercícios preliminares do coração e da consciência são valiosos apenas na
medida em que levam alguém ao ponto onde a apresentação definitiva do corpo é
feita. Pensem por um momento nos dois grandes tipos de consagração nas
Escrituras. A consagração do Templo para a posse de Deus e a consagração dos
sacerdotes para o serviço de Deus. Nesse aspecto, eram semelhantes, que, uma
vez feita, não era feita novamente.
Um sacerdote era sacerdote por
nascimento, mas não podia servir em suas funções sacerdotais até que o ato de
consagração fosse realizado. Assim, todos os que nascem na família de Deus são
sacerdotes por título, mas nem todos estão fazendo obra sacerdotal. A
consagração do sacerdote era um ato. Uma vez consagrado, ele podia ministrar.
Não raramente, após a consagração, ele se tornava contaminado, e suas funções
sacerdotais eram suspensas até que a contaminação fosse removida. O remédio não
era re-consagração, mas purificação.
Da mesma forma, o Templo, uma vez
dado à posse de Deus, era o Templo de Deus. Voltem comigo a 1 Reis, capítulo 8,
o relato da consagração do templo de Salomão. Marquem qual é o ato essencial.
Os sacerdotes tomam a arca. A arca é o tipo mais abrangente de Cristo no Antigo
Testamento; em seus materiais, conteúdo e usos, fala de maneira maravilhosa de
Cristo. Quando o tabernáculo foi feito, a arca foi construída primeiro, e tudo
o mais era acessório. Tipicamente, os sacerdotes tomaram Cristo. E como vão
consagrar o Templo? Levando Cristo para dentro dele. No sexto capítulo de 1
Coríntios, versículo 19, lemos que nossos corpos são templos. O que há de
significativo nisso? O Templo de Salomão era dividido em três partes: o pátio,
o lugar santo, o mais interior de todos — o Santo dos Santos. Segundo as
Escrituras, o homem é igualmente triplo: espírito, alma e corpo. O espírito do
homem é aquela parte dele que conhece; sua inteligência, "a candeia do
Senhor", é o santo dos santos. A alma — a sede da vontade, dos afetos, dos
apetites naturais, da vida do eu, é o lugar santo. O corpo, aquilo que é exterior,
é o pátio. O Templo foi modelado segundo Deus; o próprio homem é modelado
segundo Deus. O Templo era uma trindade; o homem é uma trindade; Deus é uma
trindade.
A consagração do Templo foi
realizada levando a arca para dentro dele. Os sacerdotes carregando a arca,
passaram pelo pátio; o pátio tornou-se de Deus; era o troná-Lo ali. Passaram
para o lugar santo, e significava a mesma coisa. Então para o santo dos santos,
e então o ato mais significante de todos, eles "tiraram as varas"
pelas quais a arca era carregada durante suas peregrinações. As varas nunca
deveriam ser tiradas enquanto Israel estava peregrinando. Tirar as varas,
portanto, era uma ação de finalidade. Eles não podiam fazer nada mais para
dizer que não iam movê-la mais. A arca ficaria ali. Eles não iam ter uma
reunião de "re-consagração". Salomão poderia ter dito: "Esta é
uma ocasião gloriosa; vamos repeti-la uma vez por ano, ou uma vez por
mês." Se isso tivesse sido feito, toda a glória e o significado teriam se
ido. Teria significado que o Templo ainda era deles; que eles tinham algo para
re-consagrar.
Se eu me entreguei verdadeiramente
a Deus, não tenho mais nada para dar. Não há nada mais paralisante para a vida
espiritual do que uma cerimônia da qual todo o significado se foi. Agora marquem
o que se seguiu. "E aconteceu que, quando os sacerdotes saíram do lugar
santo, a nuvem encheu a casa do Senhor; de tal maneira que os sacerdotes não
podiam permanecer ali para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do
Senhor tinha enchido a casa do Senhor." Quando eles "saíram", a
glória do Senhor entrou. Quando o corpo e a alma foram dados ao Senhor, quando
o espírito foi entregue à autoridade do Senhor, não mais para ser desregrado ou
centrado no eu; quando isso foi realmente feito, quando as varas foram tiradas,
então nós mesmos devemos sair, e quando o fazemos, o Espírito do Senhor enche a
casa. Nunca esquecerei uma palavra que ouvi aqui no Canadá uma vez de J. Hudson
Taylor. Foi esta: "Sabe, se Ele não é Senhor de tudo, Ele não é Senhor de nada."
Lembro-me de uma jovem dando um
testemunho em Portland, Maine, e ela ficava repetindo estas palavras: "É
Jesus e eu; é Jesus e eu", e seu pastor se inclinou e me disse: "Se
ela pudesse apenas conseguir 'só Jesus', ela poderia fazer tanto pelo Senhor,
mas é sempre 'Jesus e eu'."
A consagração é um ato definitivo,
e quando realmente realizada, significa isto: "Eu não tenho mais nenhum
título em mim mesmo; eu me entreguei ao Senhor, corpo, alma e espírito. Eu sou
do Senhor." Isso significa que seu corpo se move sempre em obediência ao
Senhor, que não há levantamento da vontade, que não há reafirmação da vida do
eu? Não, ainda não. Mas o Senhor está subjugando o território entregue a Si
mesmo. Eu o entreguei a Ele para que Ele o subjugue a Si mesmo. Não é de uma
vez que o corpo realiza qualquer ato bem. Meu filho [Noel Paul, 9 anos] está
aprendendo a escrever, e eu o faço copiar palavras de um título em caligrafia.
Ele está na fase da imitação. Ele tenta fazer o "a" igual ao modelo,
mas não é igual. Qual é o problema? Há alguma resistência ou relutância nele?
Não. Qual é, então, o problema? A mão ainda não aprendeu a obedecer ao que o
olho vê e a vontade manda. Quão irrazoável seria de minha parte esperar que ele
reproduzisse exatamente o modelo de uma vez! Agora o Senhor está disposto a ter
paciência inexaurível conosco, e devemos ter paciência com Ele enquanto Ele nos
está subjugando a Si mesmo. Certifiquem-se apenas de uma coisa, de que
realmente entregaram o templo a Ele, de que este é um ato sincero e final de
sua parte. Mantenham o olho no modelo, vejam o que Ele está tentando fazer e
deem-Lhe tempo. Rendam-se, essa é a coisa definitiva para nós fazermos. Vocês
estão dispostos a fazê-lo? Não é nosso "culto racional"? Paulo diz:
"Rogo-vos, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos
corpos, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional."
Vocês notaram que os capítulos 9,
10 e 11 de Romanos são um parêntese? No final do capítulo 8, Paulo suspende o
argumento para considerar um ponto, a saber, se tudo isso, até o final do
capítulo 8 é verdade, o que se deve dizer sobre Israel, e as promessas
distintivas de Deus a Israel? Ele responde a tudo isso nos capítulos 9-11.
Então, no início do capítulo 12, ele volta. Notem como o capítulo 8 termina, e
então passem para o início do 12. Por essas misericórdias maravilhosas, que
tomaram um miserável sob a sentença da lei, e o colocaram ao lado de Cristo em
uma união pessoal nunca a ser dissolvida, embora você esteja agora por pouco
tempo em um corpo mortal, eu rogo-vos, entreguem esse corpo a Cristo. Não é
razoável? Vocês o farão?
Deixem-me dar-lhes alguns testes.
Voltem a Lucas 14:25: "E iam com ele grandes multidões; e, voltando-se,
disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e
filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu
discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode
ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta
primeiro e calcula os gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não
aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos
os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a
edificar e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo à guerra contra outro
rei, não se assenta primeiro e consulta se com dez mil pode sair ao encontro do
que vem contra ele com vinte mil? E, se não puder, quando aquele ainda está
longe, lhe manda uma embaixada e pede condições de paz. Assim, pois, qualquer
de vós que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo."
Não temos aqui as condições da salvação de modo algum. A salvação é gratuita.
Custou a Cristo uma soma incalculável, mas não nos custa nada. Não custa nada
ser cristão. Mas custa tudo ser discípulo, isto é, um seguidor de Cristo em
conformidade com Sua vida e caráter. Vejam o que o discipulado envolve.
O reajuste de todos os
relacionamentos humanos com base na nova vida. Cristo não amava sua mãe? Ele
lhe deu um lar da Cruz. Mas quando sua mãe e seus irmãos estavam do lado de
fora e desejavam falar com Ele, para que o desviassem de Seu propósito de fazer
toda a vontade de Deus, Ele disse: "Quem é minha mãe, e quem são meus
irmãos?" e estendeu Suas mãos para Seus discípulos e disse: "Eis
minha mãe e meus irmãos." Cristo deve estar acima de tudo.
"Renunciar a tudo quanto
tem." Deve ele se desfazer de sua propriedade? Ele seria um mordomo infiel
se o fizesse. Como deve ele renunciar a ela? Transformá-la em um fundo de
confiança. "Eu não possuo mais esse dinheiro; eu sou um mordomo. Senhor,
quanto devo gastar com minha família e comigo mesmo? O que devo fazer com o
resto? O reajuste da propriedade, os relacionamentos com Cristo acima de tudo.
O que é tomar a cruz e segui-Lo? Há
apenas uma Cruz, a de Cristo. Levar a cruz significa que você vai pela Via
Dolorosa, até o lugar da caveira, e que estende suas mãos e deixa os cravos
atravessá-las. Significa ir à crucificação com Ele. Cristo não se crucificou a
Si mesmo, mas sofreu isso. Você Lhe dará seu corpo, sabendo que significa que
você não vive mais para si mesmo, mas para Aquele que morreu e ressurgiu? Não
passem por exercícios dolorosos. Eles são inúteis. Feliz e alegremente
"apresentem" os vossos corpos a Ele. Deixem que Ele torne a cruz real
em cada parte de sua vida.
Fonte: Scofield, C.I. The New Life
in Christ Jesus (Capítulo VIII — True Consecration), extraído do arquivo
digitalizado disponível em archive.org
e do Plymouth Brethren Archive.
Que culto é este? (Êxodo 12:26)
1- A reunião não é solene – é recreativa, não é
espiritual, é emocional, síntese psicológica de comportamentos, auto-estima, o
ambiente torna-se uma praça de lazer, teologia superficial e musica com
ambiente psicodélico. Quem sai quebrantado, teologicamente esclarecido,
edificado na fé apostólica e mais disposto a batalhar pela fé que foi dada aos
santos, nessas reuniões?
2- A reunião é antropocêntrica – Uma super ênfase
sobre personagens, a satisfação pessoal, o sentir-se bem, uma busca pela
felicidade e pela identidade de grupo. Um artista se apresenta informal, canta,
prega, não há especificamente um rebanho, mas uma platéia, a mensagem deve ser
genérica e relativa, pautada na satisfação humana e não Divina, no que o homem
deseja ouvir e não na força profética do que DEUS deseja falar. É humanismo com
roupagens cristãs. Quem sai mais piedoso, santo, reverente e temente a Deus
dessas reuniões?
3- A reunião é psíquica – A força e a carga psíquica substitui
a espiritualidade, é a emoção que se busca, por isso a superênfase na musica
melodramática muitas vezes induzindo pessoas a tratar a DEUS como um namorado.
Cenários sintéticos, por isso mesmo, a maioria não consegue discernir que as
emoções que estão sentido, não é espiritual, mas é puramente
psíquico-emocional, torcedores num estádio, jovens numa danceteria, religiosos
em santuários pagãos e idolátricos, esotéricos meditando ou cantando e usando
psicodélicos também conseguem atingir picos de êxtases de alegrias místicas,
mas não estão experimentando verdadeira espiritualidade. Não há liturgia
formal, mas o movimento do corpo, o assobio, as palmas, urros, danças, como
explicado acima, a solenidade é substituída pelo ambiente de clube. Quem sai mais
perspicaz dessas reuniões? Quem recebe mais discernimento espiritual?
4- A reunião é informal – caracterizadas por uma
atmosfera de amplitude projetada para viagens emocionais supra-reais ou causar
impactos visuais. E uma técnica antiga, só que inversa, pois a religião como
sistema universal, usa a arquitetura
desproporcional com símbolos sacros para impressionar e estremecer o
expectador, mas a religião pós-moderna se aproveitou da tecnologia para
substituir o cenário, usando luzes coloridas, bandas de rock, fumaça, danças,
glamour e todos os aparatos necessários para a diversão grupal. Lamentável!
Quem sai mais firme em Cristo e quem consegue viver na pratica do Evangelho
depois dessas reuniões?
5- Não é protestante, nem evangélica e nem
conservadora. Não há um “Sola Scriptura” com solidez, não há uma teologia da
graça com polidez, há uma deformação no conceito de pecado, pois é minimizada a
importância de arrependimento, o pecado nunca é visto sob a ótica de um DEUS
santo, justo, misericordioso mas também punitivo pois não tolera o pecado. A
mensagem do drama da cruz, a voraz violência do Calvário contra o FILHO DE DEUS
por causa de nossos pecados é transformada em algo tão ambíguo, que a cruz foi
transformada em um símbolo de amor e não de juízo e maldição. O que se observa
é um movimento de fantasias, um melodrama pós-carismatico, um modismo seguindo
a tendência do pós-modernismo, é a religião light, para muitos, uma válvula de
escape emocional para outros, um anestésico para a consciência, a fim de tentar
iludir a si mesmo, agora sou crente...
A resposta bíblica
Romanos 12:1–2
ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que
apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que
é o vosso culto racional. E não sejais conformados com este mundo, mas sede
transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual
seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus
Efésios 5:19
Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos
espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração
I João 2:15
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém
ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Levítico 10:1
E OS filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um
o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e
ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que não lhes ordenara.
João 4:23
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais
que assim o adorem
Atos 2:42
E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na
comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
Romanos 16:17
E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem
dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.
Tito 1:9
Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a
doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como
para convencer os contradizentes.
I Coríntios 1:18
Porque a palavra da cruz é loucura para os que
perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
II Timóteo 4:3
Porque virá tempo em que não suportarão a sã
doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme
as suas próprias concupiscências
C. J. Jacinto
www.heresiolandia.blogspot.com
É fundamental compreendermos a
natureza dos eventos que precedem o fim dos tempos. Comumente, discute-se a
manifestação do anticristo e a apostasia que permeará os últimos dias; contudo,
devemos atentar para o fato de que, antes do retorno de nosso Senhor Jesus para
arrebatar os santos, a sedução do espírito do erro se intensificará e dominará
o mundo. Diante dessa realidade, torna-se imprescindível que estejamos
preparados. A maneira pela qual devemos nos aparelhar para confrontar, discernir
e rejeitar o erro, mantendo nossa fidelidade ao Senhor, é cultivar o amor à
verdade. Este é um princípio basilar que devemos internalizar e aplicar em
nossa vida nestes tempos finais. Para dar início a este breve estudo bíblico,
convém fundamentar a reflexão na primeira epístola de João, capítulo 4,
versículos 1 a 6. No versículo 1, o apóstolo exorta os fiéis a não conferirem
credibilidade a todo espírito, mas a discernirem se procedem de Deus, visto que
muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Ao chegarmos ao versículo 3,
lemos: "E todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne
não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há
de vir, e eis que já está no mundo".
A partir deste texto de João, depreende-se que a ação do espírito do Anticristo
já operava desde a escrita da epístola. Conforme o relato em 2 Tessalonicenses,
essa sedução se intensificará nos últimos dias, de modo que a operação do erro
será significativamente mais acentuada no fim dos tempos do que nos primórdios
da Igreja. Compreender esse aspecto é fundamental para que tenhamos uma
percepção adequada acerca do contexto espiritual em que vivemos atualmente.
Essa realidade é evidente a todo estudioso dedicado do Novo Testamento, uma vez
que diversas passagens corroboram tal ensinamento. Em 2 Pedro 2:1, lemos:
"Assim como houve entre o povo falsos profetas, também haverá entre vós
falsos doutores, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias
destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano que os resgatou, trazendo
sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão as suas práticas
libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade". Da
mesma forma, lemos em 1ª Timóteo, capítulo 4, versículo 1: "O Espírito diz
expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por darem
ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios." Em 2 Timóteo
4:3, o apóstolo Paulo adverte que virá um tempo em que os homens não suportarão
a sã doutrina; pelo contrário, movidos por seus próprios desejos, buscarão
mestres que lhes agradem, desviando os ouvidos da verdade e voltando-se para
fábulas. Iniciamos agora a análise da segunda epístola aos Tessalonicenses,
capítulo 2, versículos 8 a 12, que nos relata: "E então será revelado o
iníquo, a quem o Senhor Jesus desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará
pelo esplendor da sua vinda. Aquele cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás,
com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo o engano da
injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se
salvarem. E, por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a
mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes
tiveram prazer na iniquidade." Observemos atentamente o versículo 10:
"E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não
receberam o amor da verdade para se salvarem". Nota-se, por essa passagem,
que uma das características centrais da superficialidade cristã é a ausência de
um amor profundo pela verdade. Tal indivíduo não se encontra fundamentado nas
verdades basilares das Escrituras, demonstra aversão a pregações bíblicas e à
sã doutrina, optando por uma religiosidade sentimental e superficial, típica do
nosso tempo.
Portanto, aquele que é superficial carece de amor à verdade. A profundidade da
nossa vida espiritual está intrinsecamente ligada à intensidade do nosso amor
pela verdade revelada: a Palavra de Deus. Observe que esse conceito se alinha
precisamente à passagem citada anteriormente em 2 Timóteo, capítulo 4. Ao
lermos a partir do primeiro versículo, o apóstolo Paulo exorta:
"Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de
julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra,
instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a
longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã
doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme
as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando
às fábulas". Portanto, desviar os ouvidos da verdade e rejeitar a sã
doutrina é uma característica inerente àqueles que não receberam o amor pela
verdade. Consequentemente, falta-lhes a paixão profunda necessária para
valorizar a exposição fiel das Escrituras e a pregação genuína da Palavra de
Deus. Estejamos, portanto, atentos ao poder da sedução que se manifesta a
partir do segundo capítulo de 2 Tessalonicenses, versículo 10, o qual descreve
a "sedução da iniquidade" sobre aqueles que perecem. Tal força
utiliza-se de múltiplos artifícios para induzir o homem ao erro, conduzindo-o à
condenação. Ela se manifesta por meio de um espírito enganoso, valendo-se de
estratégias que simulam afabilidade e graça para conquistar o favor de muitos.
Sob a máscara de uma pretensa santidade, de uma sabedoria aparente e de uma
eloquência notável, essa força se apresenta como detentora de uma
espiritualidade superior, quando, na verdade, é apenas um simulacro.
Frequentemente, a mensagem central dessa sedução consiste na promessa de
riquezas e de paz, ocultando, contudo, a sua natureza iníqua. Diante disso,
sustentamos que a solidez de um indivíduo deve estar fundamentada naquilo que
Jesus Cristo ensinou em Mateus, capítulo 7, acerca do homem prudente que
edificou sua casa sobre a rocha. Tal prudência, segundo o próprio Cristo,
caracteriza-se por ouvir e cumprir a Sua palavra, definindo, assim, o cristão
verdadeiramente alicerçado nas Escrituras.
Dessa forma, ao considerarmos a passagem que descreve o engano destinado aos
que perecem, compreendemos tratar-se de uma sedução insidiosa e persistente
para o mal. É um artifício que distorce a verdade e a sufoca, tal como Jesus
advertiu em Mateus 13:22, ao identificar a influência maligna que se interpõe
no caminho da fé. Quando o homem ouve a mensagem, mas permite que as
preocupações mundanas e a sedução das riquezas a dominem, a palavra é sufocada
e torna-se infrutífera. Jamais devemos permitir que a semente da verdade seja
asfixiada em nosso interior; ao contrário, ela deve germinar plenamente e
produzir seus frutos. Na língua grega, o termo “apate” designa o ato de
enganar, iludir, ludibriar ou seduzir. Este conceito descreve algo que, embora
apresente uma aparência convincente, nega profundamente a essência do
cristianismo ao promover uma falsa impressão da realidade. Trata-se, portanto,
de uma sedução ética, moral e espiritual. No contexto de 2 Tessalonicenses,
essa influência é manifestada por meio de "sinais e prodígios de mentira",
os quais, devido ao seu caráter espetacular e à simulação de feitos
extraordinários, suscitam grande espanto nos observadores, sendo, contudo, um
mero embuste. O termo “apate” também descreve aquilo que conduz o indivíduo a
concepções errôneas ou distorcidas sobre a verdade. Ao correlacionarmos esse
conceito com a passagem de 2 Coríntios 11:14, na qual o apóstolo Paulo afirma
que o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, compreendemos como muitos
podem ser seduzidos pelo brilho aparente do "espírito do erro". Tal
influência leva pessoas a acreditarem que estão vivenciando revelações
angélicas ou celestiais, quando, na verdade, encontram-se sob a ação de uma
força espiritual profundamente sinistra. Ao analisarmos a advertência do
apóstolo Paulo em I Timóteo 4:1, observamos que a adesão a doutrinas de
demônios e a espíritos enganadores está intrinsecamente ligada ao fenômeno da
apostasia. A apostasia pressupõe o abandono de uma fé previamente professada,
ainda que esta tenha sido superficial. Indivíduos que, embora frequentem
ambientes eclesiásticos, carecem de um amor genuíno pela verdade e pelas
Escrituras, tornam-se vulneráveis à sedução do erro. Essa vulnerabilidade é
agravada quando tais pessoas negligenciam o aprofundamento bíblico e a busca
por congregações comprometidas com a pregação fiel, seja ela temática, textual
ou expositiva. Em vez disso, optam por ambientes influenciados pelo
pós-modernismo, onde o cristianismo é diluído por conceitos psicológicos e por
uma abertura acrítica ao sobrenatural. Quando alguém, voluntariamente, se priva
de um ensino teológico sólido e de uma liderança que genuinamente batalha pela
fé que uma vez foi entregue aos santos, essa pessoa se coloca em uma posição de
grave risco espiritual. Ao rejeitar o alicerce bíblico, o indivíduo abre espaço
para ser seduzido pelo espírito do erro, afastando-se da verdade absoluta das
Escrituras. Faz-se necessário, portanto, fortalecer a tese de que devemos
cultivar um amor crescente pela verdade. É imperativo que amemos as Escrituras
com a devida reverência, conforme exorta o apóstolo Paulo em sua segunda
epístola a Timóteo, capítulo 3, versículos 14 a 17: "Tu, porém, permanece
naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens
aprendido, e que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem
fazer-te sábio para a salvação pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura
é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para
corrigir, para instruir na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito
e perfeitamente habilitado para toda boa obra." Diante de tamanha
magnitude das virtudes espirituais descritas pelo apóstolo, torna-se impossível
não devotar um amor profundo à Palavra de Deus. A forma como Paulo delineia os
atributos das Escrituras oferece motivos inegáveis para que busquemos a verdade
com ardor. Como Jesus afirmou em João 17:17: "Santifica-os na verdade; a
tua palavra é a verdade". Ao lermos e amarmos as Escrituras, amamos a
própria Verdade, que é Cristo, visto que todo o texto bíblico converge para
Ele. O próprio Senhor declarou ser o caminho, a verdade e a vida; logo, amar a
Bíblia é amar a Cristo, e amar a Cristo é, intrinsecamente, amar a Sua Palavra.
Consequentemente, aquele que ama a verdade repudia a mentira. É possível
observar essa postura em comunidades e cristãos que demonstram zelo pelas
Escrituras e compromisso com os valores divinos. Ao dirigir-se à igreja de
Éfeso, Jesus afirmou: "Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos
nicolaítas, as quais eu também odeio". Isso revela a existência de um
"ódio santo" — uma aversão necessária ao erro e à falsidade —,
característica inerente a todos aqueles que verdadeiramente amam a verdade. Gostaria
de tecer algumas considerações. Ao analisarmos a passagem de 1 Timóteo 4:1, na
qual o apóstolo Paulo discorre sobre a apostasia, percebemos que o texto é
frequentemente utilizado para questionar a doutrina da perseverança dos santos
— a ideia de que, uma vez salvo, o indivíduo está permanentemente salvo.
Contudo, é fundamental que interpretemos a Bíblia através de seus próprios
preceitos.
A apostasia, em sua essência, consiste
no abandono de uma posição de sã doutrina em direção ao erro. Em comunidades
que professam a fé, é possível encontrar indivíduos que, embora frequentem o
ambiente onde a sã doutrina é ensinada, não a endossam genuinamente, por não
terem experimentado uma conversão verdadeira. Para esclarecer essa questão,
devemos recorrer a 1 João 2:19. O apóstolo João explica que muitos anticristos,
embora tenham integrado formalmente o convívio da igreja, nunca foram, de fato,
parte do corpo de Cristo. Como João bem pontua: "Saíram de nós, mas não
eram de nós". Eles mantinham apenas uma associação externa, sem o devido
compromisso espiritual. Portanto, à luz dessa passagem, a apostasia mencionada
em 1 Timóteo 4:1 deve ser compreendida como o afastamento daqueles que, estando
entre os fiéis, nunca foram verdadeiramente regenerados. Gostaria de retomar o
tema e aprofundar a natureza do engano. A apostasia, conforme delineado em
Judas 1:4, opera ao converter a graça de Deus em pretexto para a libertinagem.
Trata-se de um movimento espiritual sutil, astuto e dissimulado, cuja eficácia
em iludir os incautos e aqueles que não amam a verdade é notável. Ao
examinarmos Apocalipse 13:11-18, observamos a característica distintiva desse
poder de sedução: a Besta realiza grandes sinais. O sistema movido pelo
espírito do erro é profundamente pragmático, fundamentado em prodígios
enganosos. Ele induz tanto materialistas quanto metafísicos à crença na
falsidade, explorando a inclinação humana por experiências extraordinárias,
sinais e sentimentos. Ao fazer descer fogo do céu ou conferir vida a uma
estátua, o sistema manifesta autoridade e poder, deixando os espectadores
atônitos e suscetíveis a acreditar que contemplam a própria divindade. Embora
tais eventos sejam, em essência, fraudulentos, a sedução resultante conduz o
mundo à adoração da Besta. Esse cenário ecoa o relato de Apocalipse 12, que
descreve como a sedução do adversário foi capaz de arrastar a terça parte dos
anjos. A magnitude do poder de sedução do espírito do erro deve, portanto,
provocar uma reflexão profunda e solene em nossas vidas. No contexto de 2 Tessalonicenses 2:10, o
apóstolo Paulo adverte que Deus enviará a operação do erro para aqueles que
perecem por não acolherem o amor da verdade.
Essa passagem me recorda um trecho do Antigo Testamento, em Deuteronômio
13:1-4, no qual Moisés orienta o povo de Israel:
“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um
sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado,
dizendo: 'Vamos após outros deuses, que não conheceste, e servamo-los', não
ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor,
vosso Deus, vos prova, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, com todo o
vosso coração e com toda a vossa alma. Após o Senhor, vosso Deus, andareis, e a
ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele
servireis, e a ele vos achegareis.” Vemos aqui que Deus pode permitir que
falsos profetas realizem sinais e prodígios. Contudo, devemos permanecer
vigilantes: ainda que um falso profeta realize milagres extraordinários, se a
sua mensagem induzir ao erro, à falsa doutrina e à apostasia, ele deve ser
sumariamente rejeitado.
Moisés enfatiza que não devemos dar ouvidos a tais manifestações porque o
próprio Senhor está nos provando. O propósito da prova é revelar se o nosso
amor por Ele é genuíno e integral; se andamos em Seus caminhos, guardamos os
Seus mandamentos e nos achegamos a Ele. Nesse sentido, a exortação mosaica
aponta para a centralidade das Escrituras. Só podemos temer ao Senhor e cumprir
a Sua vontade à medida que conhecemos a Sua Palavra. A voz de Deus soa de forma
viva e autoritativa por meio dos 66 livros da Bíblia Sagrada. Afinal, quem ama
a Deus ama a Palavra que O revela — e, ao amar a Palavra, ama o próprio Deus
que por meio dela Se dá a conhecer
[20/8 09:05] Clavio Jacinto: "O que se pode entender de tudo isso? Eu
volto, então, a repetir de forma muito solene e grave, como se estivesse
gritando ao seu próprio coração: ame a verdade. Se você não amar a verdade, se
você não tiver uma paixão radical pelas Escrituras, se você não estudar, se
você não amar a Escola Dominical, se você não for atrás de bons mestres que
saibam a respeito das Sagradas Escrituras e façam uma hermenêutica correta, de
pregadores e mestres que tenham uma boa base de teologia sólida, pela qual
possam lhe transmitir verdadeira confiança; se você não estiver atrás de homens
verdadeiramente comprometidos com a fé, com a sã doutrina e com a ortodoxia,
isso poderá ser fatal para você.
O poder da sedução será enorme e se acentuará cada vez mais nos últimos dias.
Quanto mais estivermos próximos do arrebatamento da Igreja, mais acentuado será
esse engano, de modo que ele entrou, se infiltrou na cristandade e, cada vez
mais, tem produzido uma sedução terrível — de modo que muitas pessoas estão
sendo arrastadas por essa grande onda de apostasia.
Mas, todavia, enquanto os ventos sopram, as águas turbulentas da apostasia
sopram, e enquanto, muitas vezes, no horizonte, a escuridão do erro e do engano
infernal parecem cada vez mais evidentes, todavia aqueles que ouvem...
Lembre-se bem, porque Jesus fala isso: ouvir e praticar a Palavra lá em Mateus,
no capítulo 7; mas também lá no livro de Apocalipse 1:1 “Bem-aventurados
aqueles que ouvem e bem-aventurados aqueles que lêem as palavras desta profecia”.
De modo que a Bíblia deve ganhar a sua relevância e todo o teu amor, e deve
amá-la de todo o teu coração enquanto professas a fé cristã e estás
peregrinando sobre este mundo. Uma consideração final. Recentemente, li o
testemunho de uma cristã que, nos primeiros anos de sua caminhada de fé, foi
ludibriada por espíritos sedutores. Por meio de um processo de libertação, ela
compreendeu que fora manipulada e que uma das principais brechas para esse
engano foi a interpretação equivocada das Escrituras, utilizada, sobretudo,
para a satisfação do próprio ego. Esse erro teve um alto custo, pois permitiu
que ela se envolvesse com o sobrenatural sem observar os critérios bíblicos
estabelecidos.
Embora toda verdade liberte, a mentira
aprisiona. A ignorância também é uma forma de cárcere, pois cede terreno às
forças espirituais malignas. De fato, o desconhecimento das verdades divinas é
uma condição primária para que o engano prospere. A falta de discernimento de
muitos cristãos quanto às sutilezas das trevas tem facilitado a ação de Satanás
e de seus anjos. O maligno se aproveita, especialmente, da negligência, do
desamor e da indiferença para com a Palavra de Deus. Se essas características
estiverem presentes em sua vida — se você for indiferente às Escrituras, se não
as ama ou não as reverencia, se falha na correta exegese e utiliza o texto
sagrado apenas para interesses pessoais em vez de buscar a verdade — saiba que
você está abrindo espaço para espíritos enganadores.
Na Segunda Carta a Timóteo, capítulo 2, versículo 15, o apóstolo Paulo
apresenta uma exortação fundamental: “Procura apresentar-te a Deus aprovado,
como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da
verdade”. A expressão “manejar bem” sugere o exercício de um manuseio preciso,
diligente e criterioso das Sagradas Escrituras. A "palavra da
verdade", à qual Paulo se refere, corresponde à própria revelação de Deus,
que exige interpretação fundamentada em pressupostos corretos e ferramentas
hermenêuticas adequadas, a fim de evitar desvios doutrinários. É necessário
cautela, visto que o testemunho bíblico e a experiência cristã alertam para a
ação de espíritos sedutores que, valendo-se de um conhecimento intelectual das
Escrituras, buscam enganar os fiéis. O apóstolo Tiago, em sua epístola (2:19),
recorda que o reconhecimento intelectual de verdades teológicas — como a
unicidade de Deus — não é exclusivo dos fiéis, pois até os demônios crêem e
tremem. A dinâmica do engano frequentemente envolve o uso distorcido das
Escrituras. Exemplos notáveis disso ocorrem na tentação de Cristo, narrada em
Mateus 4:1-11, onde Satanás cita os textos sagrados fora de seu contexto
original, e na queda no Éden, descrita em Gênesis 3, na qual a serpente induziu
Eva ao erro ao deturpar o mandamento proferido por Deus a Adão. Portanto, a
precisão na interpretação é a salvaguarda necessária contra a manipulação da
Palavra. É possível compreender que o termo "enganado" está
frequentemente associado à condição do incrédulo, conforme atestam as passagens
de Tito 3:3 e Efésios 2:1-3. Contudo, é perfeitamente possível frequentar uma
congregação, professar uma religião e declarar fé em Deus sem, de fato, ter experimentado
a verdadeira conversão ao Evangelho ou o novo nascimento. O apóstolo Paulo, em
Filipenses 3:6, ilustra essa condição: antes de seu encontro com Cristo, ele
era um homem profundamente religioso, irrepreensível no cumprimento da justiça
da lei e rigoroso em suas práticas. Embora possuísse as Escrituras e
reconhecesse a existência de Deus, Paulo carecia de um encontro genuíno com o
Senhor. Ele vivia sob a égide da religiosidade, mas, sem o arrependimento
sincero e o novo nascimento, permanecia, ainda que inconscientemente, em erro.
Concluímos, portanto, que, ao se referir
àqueles que não receberam o amor da verdade para a salvação, Paulo aponta para
indivíduos que não permitiram que ela encontrasse lugar em seus corações. A
compreensão exata é que eles deliberadamente recusaram a verdade tal como é
apresentada nas Escrituras. O problema fundamental residia na escolha pessoal
de rejeitar o Evangelho, mesmo tendo a oportunidade de ouvi-lo; tratava-se de
um ato consciente e voluntário de repúdio. Eles recusaram, de forma absoluta,
acolher a verdade com amor.
Conforme exorta o apóstolo Tiago, em sua
epístola (1:21), devemos receber com mansidão a palavra implantada em nós, pois
ela é poderosa para salvar. Diferente disso, os indivíduos descritos por Paulo
não abandonaram a impureza moral nem os resquícios de maldade e,
consequentemente, não desenvolveram um desejo genuíno pelo Evangelho de nosso
Senhor Jesus Cristo. O propósito deles não era seguir a Cristo, mas buscar uma
religião confortável, capaz de satisfazer seus sentimentos e o próprio ego. Frequentemente,
essa busca mostra-se em plena oposição à vontade de Deus, a qual nem sempre
atende às exigências do ego ou aos desejos da natureza humana corrompida.
Seguir a Cristo implica um custo elevado, como o próprio Jesus afirmou: aquele
que deseja segui-Lo deve, antes, negar-se a si mesmo. Contudo, observa-se hoje
muita religiosidade disfarçada de cristianismo cujo requisito principal é
oferecer aquilo que agrada ao ego, em vez de promover o verdadeiro Evangelho,
que exige a negação de nós mesmos.
Convido o amado irmão e leitor a atentar para as palavras de Provérbios,
capítulo 2, versículos de 1 a 6: "Filho meu, se aceitares as minhas
palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres o teu ouvido
atento à sabedoria e inclinares o teu coração ao entendimento; se clamares por
conhecimento e por inteligência alçares a tua voz; se, como a prata, a buscares
e, como a tesouros escondidos, a procurares, então entenderás o temor do Senhor
e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca
procedem o conhecimento e o entendimento." Que o amado leitor possa
ponderar profundamente nestes versículos, nos quais Salomão descreve o homem
que se inclina a aceitar as palavras do Senhor e a preservar os mandamentos em
seu coração. Que este zelo o conduza a um amor genuíno pelas Escrituras,
levando-o à leitura diária e diligente, tratando a Palavra com a devida
reverência. Da mesma forma, que haja um esforço constante em buscar o ensino de
mestres fiéis, capazes de expor com precisão as doutrinas fundamentais do
Evangelho. Que Deus o abençoe.