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quarta-feira, 15 de abril de 2026

O FIM DA LEI É CRISTO

  

O FIM DA LEI É CRISTO

Uma Análise Exegética, Histórico-Gramatical e Teológica de Romanos 10:4

C. J. Jacinto

 

 

Poucas declarações das Escrituras Sagradas têm sido tão contestadas, tão mal interpretadas e tão deliberadamente esvaziadas de seu conteúdo semântico quanto a assertiva apostólica de Romanos 10:4. Que o apóstolo Paulo afirme categoricamente que "o fim da lei é Cristo" constitui, para o cristão que compreende o arco redentor da Revelação, não uma novidade escandalosa, mas a conclusão lógica e inevitável de toda a trajetória do Antigo Testamento. Nosso propósito neste artigo é demonstrar, com rigor exegético, filológico e sistemático, a plena validade desta afirmação — tornando-a não apenas inteligível ao leigo, mas também irrefutável ao interlocutor erudito.

Organizamos a argumentação em seis eixos: (I) a análise do vocábulo grego telos e sua única tradução lexicalmente possível no contexto de Romanos 10:4; (II) a incapacidade ontológica da Lei para prover redenção; (III) o cumprimento da lei por Cristo e sua morte vicária; (IV) a nova justiça revelada sem a lei; (V) a linha divisória teológica de João 1:17 e o erro galaciano; (VI) as implicações práticas e pastorais desta doutrina para a vida cristã contemporânea.

 

I. A Batalha Começa no Vocabulário: O que é "Telos"?

1.1 — Análise Lexical do Substantivo Neutro τέλος

O debate em torno de Romanos 10:4 frequentemente decai em imprecisão metodológica quando os interlocutores ignoram o ponto de partida obrigatório de qualquer exegese séria: a análise lexical rigorosa do texto original. O substantivo neutro grego τέλος (telos), empregado por Paulo nesta passagem, carrega um campo semântico preciso e bem documentado na literatura grega clássica, na Septuaginta (LXX) e no próprio corpus paulino.

O Léxico Grego-Inglês de Liddell-Scott-Jones (LSJ), a mais abrangente obra lexicográfica da língua grega, registra para telos os seguintes significados primários: (a) término, fim, conclusão, encerramento; (b) resultado final ou desfecho de um processo; (c) cumprimento consumado de uma missão. O Greek-English Lexicon of the New Testament (BDAG), obra de referência normativa no âmbito dos estudos neotestamentários, confirma este campo semântico e aplica ao contexto de Romanos 10:4 precisamente a acepção de "encerramento" ou "término".

τέλος em Romanos 10:4 não é ambíguo: trata-se do encerramento terminal de um regime — não de sua simples finalidade ou propósito — para que algo qualitativamente novo e superior seja estabelecido em seu lugar.

A tentativa eisegética de traduzir telos como "propósito" ou "alvo" neste versículo — como se a lei fosse apenas uma flecha apontando para Cristo, mas permanecendo operante — exige uma violência hermenêutica considerável. Para que tal tradução se sustente, seria necessário ignorar: (1) o uso que Paulo faz do mesmo vocábulo em outros contextos, como em 1 Coríntios 15:24, onde telos denota claramente o "fim" escatológico de todas as coisas; (2) o argumento retórico global de Romanos 9–11, que trata exatamente da transição entre dois regimes de justificação; (3) a coerência interna com a toda a teologia paulina da lei expressa em Gálatas, Efésios e Colossenses.

1.2 — O Contexto Argumentativo em Romanos 9–11

A exegese responsável jamais opera sobre versículos isolados. Romanos 10:4 está inserido em uma unidade argumentativa maior — os capítulos 9 a 11 — na qual Paulo trata da questão do Israel nacional e da ruptura histórico-salvífica introduzida pela obra de Cristo. No capítulo 10, Paulo contrasta dois modos de buscar a justiça diante de Deus: a justiça que vem da lei (v. 5, citando Levítico 18:5) e a justiça que vem da fé (v. 6-10, citando Deuteronômio 30:12-14).

A afirmação do versículo 4 funciona, portanto, como a tese central que explica por que Israel, embora zeloso de Deus (v. 2), não alcançou a justiça: porque perseverou em busca de uma justiça pela lei, sem reconhecer que o regime legal havia chegado ao seu término em Cristo. O telos não é aqui uma declaração sobre o propósito da lei no passado, mas sobre o seu status no presente: ela foi encerrada, consumada, satisfeita e superada pela obra de Cristo.

 

II. A Incapacidade Ontológica da Lei para Prover Redenção

Estabelecida a correta tradução de telos, devemos agora compreender por que este encerramento era não apenas possível, mas necessário. A resposta reside na natureza da própria lei. A lei mosaica, em sua função diagnóstica e penal, foi projetada para revelar o pecado, não para removê-lo. Ela define, classifica e sanciona a transgressão — mas é constitutivamente incapaz de perdoar.

"Portanto, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei; pois pelo meio da lei vem o conhecimento do pecado."  — Romanos 3:20

Esta declaração apostólica não é uma crítica acidental à lei, mas uma exposição de sua função estrutural. A lei foi construída como um sistema de diagnóstico moral e aplicação de penalidades — não como um mecanismo de graça. O Pentateuco é absolutamente claro neste ponto: a transgressão da lei resultava em sentenças específicas de morte. O violador do sábado era apedrejado (Números 15:32-36). O adúltero era executado (Levítico 20:10). O filho rebelde era morto (Deuteronômio 21:18-21).

Este regime punitivo não era uma exageração cultural: era a expressão lógica e necessária de um sistema em que a lei possuía autoridade legislativa plena. Se a lei permanece vigente como norma de justificação, então toda a sua estrutura penal também permanece — inclusive as sentenças de morte. Esta consequência inescapável é, como veremos, exatamente o ponto que Paulo explora na segunda carta aos Coríntios.

A lei não contém em si mesma a provisão para o perdão dos pecados. Esta provisão é exclusiva de Cristo, mediante a obra consumada da cruz.

Afirmar que o crente está sujeito à lei como sistema de justificação é, portanto, uma posição que não pode ser mantida a meio caminho: ou se abraça toda a sua estrutura jurídica, incluindo a execução dos infratores, ou se reconhece que o regime foi superado. Não há terceira opção intelectualmente honesta.

 

III. Cristo como Cumpridor e Encerrador: A Lógica da Morte Vicária

A afirmação do Senhor Jesus em Mateus 5:17 — "Não vim abolir a lei, mas cumprir" — é frequentemente citada como argumento contra a posição que ora defendemos. Este é, porém, um caso clássico de leitura superficial que ignora a lógica interna da declaração.

"Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, mas para cumprir."  — Mateus 5:17

O verbo grego πληρόω (plēroō), traduzido como "cumprir", denota o preenchimento completo, a satisfação integral de uma exigência. Quando uma obrigação contratual é cumprida integralmente, ela é encerrada — não perpetuada. Quem paga integralmente uma dívida não continua devedor; a obrigação é satisfeita e, portanto, extinta.

A morte de Cristo na cruz é precisamente a satisfação integral das exigências penais da lei sobre os pecadores. As sentenças de morte que a lei requeria dos transgressores foram concentradas e executadas sobre Cristo. Ele carregou sobre Si, no madeiro, a condenação que a lei impunha à humanidade transgressora. Esta é a lógica da substituição penal — o coração do evangelho.

"Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição em nosso lugar; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro."  — Gálatas 3:13

O argumento é cristalino: Cristo não apenas nos livrou das penalidades da lei por decreto arbitrário, mas o fez absorvendo em Si mesmo toda a maldição que a lei pronunciava sobre os transgressores. A sentença foi executada — mas sobre o Substituto. Consequentemente, aqueles que se identificam com Cristo por meio da fé e do novo nascimento participam de sua morte para a lei.

"Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos para a lei mediante o corpo de Cristo, a fim de pertencerdes a outro, ao que ressuscitou dentre os mortos."  — Romanos 7:4

Quando nascemos de novo, há uma morte da qual nos apropriamos por identificação com Cristo. Morremos para a lei — não no sentido de indiferença moral, mas no sentido jurídico e federativo: as sentenças de morte que a lei exigia de nós foram cumpridas em Cristo. Este é o fundamento do enunciado de Romanos 10:4. Cristo é o telos da lei porque nEle toda a sua exigência penal foi exaustivamente satisfeita.

 

IV. A Nova Justiça Revelada Sem a Lei: Romanos 3:21-26

Se a lei foi encerrada em Cristo como sistema de justificação, qual é o novo fundamento da relação do pecador com Deus? A resposta de Paulo em Romanos 3:21-26 é uma das declarações mais densas e decisivas de toda a Escritura.

"Mas agora, sem intermédio da lei, a justiça de Deus tem sido manifestada, sendo testificada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que crêem."  — Romanos 3:21-22

A expressão "sem intermédio da lei" (χωρὶς νόμου, chōris nomou) é deliberadamente incisiva. Paulo não diz "por cima da lei" ou "além da lei", mas literalmente "sem" ela — separado dela, independentemente dela. A nova justiça de Deus, manifestada na obra de Cristo, opera em uma esfera inteiramente distinta do regime mosaico.

Esta afirmação não deprecia a lei enquanto testemunha histórica da necessidade de redenção — o próprio Paulo acrescenta que esta justiça "é testificada pela lei e pelos profetas". A lei foi testemunha fiel do problema (o pecado) e apontou profeticamente para a solução (o Messias). Mas testemunha não é a mesma coisa que agente da solução.

"Para demonstração de sua justiça no tempo presente, a fim de ser ele justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus."  — Romanos 3:26

Deus é simultaneamente justo (porque as penalidades foram executadas) e justificador (porque as executou sobre o Substituto, não sobre o pecador crente). Este é o evangelho: a cruz é onde a justiça e a misericórdia se encontram sem se contradizer.

O crente agora vive não sob o regime da lei como norma de justificação, mas sob o regime da graça — a saber, do favor imerecido de Deus fundamentado na obra perfeita e consumada de Cristo. Este é o "sim" de Deus em Cristo (2 Coríntios 1:20), a nova aliança selada com Seu sangue.

 

V. A Linha Divisória de João 1:17 e o Erro Galaciano

5.1 — A Fronteira Teológica que Não Pode Ser Apagada

O evangelho de João, na abertura de seu prólogo, apresenta uma das declarações mais lapidares da Escritura:

"Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo."  — João 1:17

Esta frase não é ornamental. Ela traça uma linha divisória ontológica entre dois modos de Deus relacionar-se com a humanidade: um mediado por Moisés (a lei), outro mediado por Jesus Cristo (a graça e a verdade). O paralelismo é antitético por design: lei/graça, Moisés/Cristo. O cristão bíblico deve permanecer do lado da graça e da verdade — não por menosprezo da lei, mas por compreensão de que a lei cumpriu sua função histórica e foi superada pela nova aliança.

A graça aqui referida não é mera benevolência sentimental: é o regime salvífico completo que Cristo estabeleceu, incluindo perdão, justificação, santificação e herdeiros da glória eterna. A verdade é a revelação plena e definitiva de Deus no Filho, que ultrapassa em clareza e eficácia tudo o que a lei sombriamente prefigurava.

5.2 — O Erro Galaciano: A Judaização da Fé

A mistura das duas colunas de João 1:17 — lei e graça — não é uma novidade contemporânea. Foi exatamente este o problema que Paulo combateu com veemência na epístola aos Gálatas. Os judaizantes, cristãos de origem judaica, insistiam que a fé em Cristo era necessária, mas insuficiente: era preciso também guardar a lei mosaica (especialmente a circuncisão e os preceitos cerimoniais) para se ser verdadeiramente salvo.

"Maravilho-me de que estejais tão depressa abandonando aquele que vos chamou pela graça de Cristo, passando a um evangelho diferente; o qual não é outro evangelho, mas há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo."  — Gálatas 1:6-7

A dureza da linguagem paulina aqui é notável. O apóstolo — geralmente equilibrado em seu tom — chama a mistura de lei e graça não de "ênfase diferente" ou de "perspectiva complementar", mas de perversão do evangelho. Esta é a avaliação apostólica, inspirada pelo Espírito Santo, da judaização da fé cristã.

O erro galaciano é, em sua essência, uma negação da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz. Se a lei ainda precisa ser cumprida pelo crente como condição de justificação ou de permanência na graça, então a declaração "consumado está" (João 19:30) é falsa, ou insuficiente. Não há como escapar desta conclusão lógica.

Misturar lei e graça como sistemas coigualitários de justificação é, segundo Paulo, uma negação da suficiência da obra de Cristo — uma heresia, não uma variante legítima do evangelho.

 

VI. O Ministério da Morte e a Liberdade em Colossenses 2:16

6.1 — O Ministério Gravado em Pedras (2 Coríntios 3:7)

Em sua segunda carta à Igreja de Corinto, Paulo utiliza uma linguagem que por si só encerra o debate para qualquer exegeta honesto:

"Ora, se o ministério da morte, gravado em letras em pedras, foi revestido de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar o rosto de Moisés por causa da glória do seu rosto, glória essa que estava sendo abolida..."  — 2 Coríntios 3:7

Paulo denomina o ministério da lei — incluindo o Decálogo gravado nas tábuas de pedra no Sinai — de "ministério da morte". Esta não é uma depreciação periférica, mas uma classificação teológica central: a função da lei mosaica era pronunciar morte sobre os transgressores. Isto é o que ela faz com precisão, fidelidade e inflexibilidade.

E Paulo vai além: aquela glória que acompanhou a entrega da lei "estava sendo abolida". O tempo progressivo é significativo — indica um processo de esvanecimento que culminou completamente em Cristo. O ministério da morte foi suplantado pelo ministério do Espírito (v. 6-8), que é incomparavelmente mais glorioso.

Portanto, afirmar que o crente ainda está "sob a lei" — incluindo o Decálogo, pois Paulo cita especificamente as letras gravadas em pedras — é contradizer explicitamente o ensinamento paulino inspirado.

6.2 — Ninguém Vos Julgue pelo Sábado (Colossenses 2:16)

A passagem de Colossenses 2:16-17 constitui talvez a declaração mais abrangente e conclusiva sobre a liberdade do crente em relação às ordenanças da lei:

"Portanto, ninguém vos julgue pelo que comerdes ou beberdes, ou com respeito a dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombra das coisas que hão de vir; mas o corpo é de Cristo."  — Colossenses 2:16-17

A formulação é exaustiva e intencional. Paulo não deixa nenhuma categoria de observância legal fora do escopo da liberdade cristã: alimentação, bebida, festas anuais (como as festas do calendário levítico), festas mensais (lua nova) e sábados semanais — todos estão incluídos na categoria de "sombras" que foram suplantadas pela realidade: o corpo (soma) de Cristo.

A lógica da sombra é decisiva aqui. Uma sombra existe porque um corpo sólido intercepta a luz. A sombra tem a silhueta do corpo, mas não tem substância, espessura ou vida. Quando o corpo aparece, a sombra não desaparece por oposição — ela simplesmente perde sua função referencial. Ninguém que encontrou a pessoa real continua a confabular com sua sombra.

Os sábados mencionados em Colossenses 2:16 incluem, sem restrição, o sábado do Decálogo — pois o texto diz simplesmente σαββάτων (sabaton), no plural, sem exceção. Introduzir uma exceção exige evidência textual, não preferência teológica.

Há quem argumente que o sábado semanal é de ordem criacional (Gênesis 2:2-3) e, portanto, transcende a lei mosaica. Este argumento, porém, enfrenta a dificuldade de que a santificação do sábado no relato da criação não é apresentada como mandamento dirigido ao ser humano, mas como descrição da atividade divina. O sábado como mandamento para Israel é parte integrante do Decálogo sinaítico — o mesmo "ministério da morte gravado em pedras" de 2 Coríntios 3:7.

 

VII. A Consequência Lógica Inescapável

Há um argumento pragmático que merece ser apresentado com clareza cirúrgica: se a lei permanece plenamente operante como norma de justificação e conduta obrigatória, então toda a sua estrutura penal também permanece. A lei não é um bufê onde se escolhem os preceitos atraentes e se descartam os inconvenientes.

Se o sábado ainda é obrigatório com força legal plena, então quem o viola deve ser apedrejado — pois é isso que a lei prescrevia (Números 15:32-36), e a lei não admite execução parcial (Gálatas 3:10: "Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para fazê-las"). Se quem legisla não pode punir a transgressão, então este legislador se torna, pela lógica da lei, um transgressor de si mesmo.

Ou se abraça a lei em sua totalidade — inclusive as penas de morte — ou se reconhece que o regime foi encerrado em Cristo. Tertium non datur: não há terceira opção logicamente coerente.

O cristão não vive na indiferença moral. Ele vive sob a lei de Cristo (1 Coríntios 9:21; Gálatas 6:2), que se resume no amor (Romanos 13:10; João 13:34-35), e é guiado interiormente pelo Espírito Santo (Romanos 8:14; Gálatas 5:18). Mas não está sujeito ao regime mosaico como sistema de justificação ou como código penal vigente. Esta distinção não é antinomismo — é ortodoxia apostólica.

 

VIII. Conclusão: Cristo é a Resposta Definitiva da Lei a Si Mesma

Chegamos ao término de nossa análise com a mesma convicção com que a iniciamos — mas agora fundamentada sobre sete pilares argumentativos solidamente assentados: lexical, semântico, contextual, teológico-sistemático, histórico-redentor, lógico e pastoral.

Romanos 10:4 não é uma declaração isolada de um apóstolo em dia excêntrico. É a síntese de uma revelação que percorre toda a Escritura: a lei foi dada para que o pecado fosse conhecido, a transgressão fosse classificada, a condenação fosse pronunciada — e então, no tempo certo, toda essa condenação fosse absorvida pelo Filho de Deus na cruz do Calvário. Cristo não veio antagonizar a lei; veio satisfazê-la completamente, honrando cada exigência, carregando cada sentença, cumprindo cada sombra.

E quando tudo está cumprido — quando a dívida está inteiramente paga, quando a sentença foi inteiramente executada — o regime encerra-se. Não por abandono, mas por conclusão. Este é o telos: o encerramento que possibilita o novo começo. A graça não é a negação da lei; é a sua resposta definitiva, aquela que a lei sempre anunciou, mas nunca pôde ela mesma prover.

"Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enfraquecida pela carne, isso mesmo fez Deus: enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne pecaminosa, e por causa do pecado, condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito."  — Romanos 8:3-4

O transgressores agora não precisam ser apedrejados, queimados ou executados. Precisam se arrepender e crer — apropriar-se, pela fé, da provisão divina de salvação, libertação e redenção que é Cristo Jesus. Este é o evangelho. Esta é a glória do encerramento da lei em Cristo. Este é o fim da lei.

 

 

 

 

O presente artigo foi reescrito e organizado, corrigido por IA  mediante esboços arquivados na minha biblioteca do acervo de escritos do responsável por este blog.

O artigo portanto mantém as idéias originais do autor.

 

 

 

C. J. Jacinto

Teologia Sistemática e Apologética Bíblica



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sexta-feira, 31 de julho de 2020

O Ministério da Reconciliação Nos Relacionamentos.

O Ministério da Reconciliação Nos Relacionamentos.

 

A reconciliação é o manifestar grandioso da graça de Deus. A relação vertical homem/Deus foi quebrada na desobediência de Adão.  Cristo pela Sua morte e ressurreição nos reconciliou com Deus (Cl 1:21). A graça é a grandeza da misericórdia em ação. O termo aplicado a vida, na irmandade, no matrimônio e na vida familiar. A reconciliação é o vínculo da harmonização dos relacionamentos. (Rm 5:10) A paz no coração e o exercício pleno do amor só é possível com pessoas reconciliadas que vivem em paz uma com as outras. Segue as regras da reconciliação:

1-    A parte culpada precisa ser com medida de urgência, perdoada, de outra maneira, o sangue da Nova Aliança é profanada por quem professa a fé cristã e não sabe perdoar.

2-    Quando dizemos “A culpa é do outro” e não procuramos a reconciliação, mostramos apenas que somos fracos e covardes por causa do nosso orgulho.

3-    Pessoas reconciliadas cuidam uma das outras, pessoas não reconciliadas atacam uma á outra, e revelam pela conduta que andam nos caminhos  de Caim.

4-    A paz é um fruto do perdão, porque na reconciliação as feridas abertas pelo insulto são curadas. A angústia e o rancor são sinais de feridas abertas por ofensas que gangrenam a sensibilidade do coração.

5-    Vidas não reconciliadas causam transtornos em vidas inocentes, a conseqüência em longo prazo é devastadora, a profundidade da impiedade começa por quem deixa o egoísmo prevalecer sobre o quebrantamento do coração.

Na condição humana, ambas as partes precisam reagir diante das relações quebradas, o forte é quem ergue a ponte pelo perdão, para ligar coração ferido com coração ferido, até que pelo perdão, ambos fiquem sarados.

 

 

Clavio J. Jacinto

Comunhão Biblica Bereiana – Paulo Lopes-SC

(48) 996441907    Entre em contato se precisar de ajuda

 


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Esclarecendo Os Fundamentos ( I )


A que a fé é: É um assentimento intelectual ativo seguido de um entendimento claro e de uma confiança absoluta sobre tudo que envolvem esses fatos. A fé verdadeira  leva o cristão a submeter-se completamente a vontade de Deus e confiar completamente em toda a providencia e bondade divina. A fé uma certeza que estabelece a esperança e uma prova das coisas atemporais e invisíveis. (Hebreus 11:1) A fé é objetiva e não está centrada nos interesses pessoais, a fé verdadeira envolve ações objetivas que evidenciam nossa confiança completa em Deus e isso será sempre demonstrável por nossas ações e atitudes (Tiago 2:26)A fé em Deus tem como porta de entrada a criação (Romanos 1:18 a 20) mas deve nos levar até a providencia divina para a salvação de todo o homem: Jesus Cristo, pois Cristo é a revelação final (Hebreus 1:1) e o princípio da restauração de todas as coisas. A fé nos dá capacidade de ver outra realidade (II Coríntios 4:18 e 5:7) e esse é o caminho espiritual do homem abençoado (João 20:27 a 29)   
O que a fé não é: Não é um conjunto de crenças, os demônios creem, mas isso não faz deles seres melhores. (Tiago 2:19) Mas a fé conduz o cristão para um caminho mais excelente: adorar, amar e servir a Deus. A fé não é pensamento positivo,não é uma força mental capaz de mover as mãos de Deus ou manipular as forças da natureza ou ainda de convencer Deus a inclinar-se a nossas ordens e determinações.  A fé não é um poder mental, não é otimismo. Hoje em dia, muitas pessoas pensam que tem fé, mas na verdade não possuem uma fé bíblica. A fé não é confissão positiva, essa crença é comum nos meios evangélicos, trata-se  de uma crença metafísica que ensina que nós podemos criar a nossa realidade, que podemos dar ordens as circunstancias e elas podem ser criadas a partir de nossos decretos, dá uma ênfase ao suposto poder mágico das palavras. 
 O que a graça de Deus é:  A graça é o favor imerecido que Deus concede ao pobre homem pecador que não merece nada de Deus por causa se seu estado caído de constante rebeldia. A graça de Deus se manifestou trazendo salvação a toso os homens (Tito 2:11) e pela graça nós somos salvos, e osso é um dom de Deus (Efésios 2:8 e 9) entende-se que a graça abre o caminho para a fé, quando o Senhor deu seu único Filho para morrer por nós, isso significa que concedeu a fé para a salvação. Assim a justificação (o ato de tornar-se justo perante Deus) é gratuito para nós, mas custou o sacrifício de Cristo na Cruz, portanto a graça teve um custo infinito para Deus  para tornar-se realidade para os pecadores (Romanos 3:24).  A bíblia ensina que é pela graça e não pelas obras, devemos entender que não é pelas nossas obras, mas pela obra perfeita e consumada de Cristo na cruz, assim a obra perfeita de Deus em Cristo concede a graça, para que não custasse a nós qualquer mérito.(Romanos  11:6 com Efésios 2:8 e 9) Assim vamos para o passo seguinte, que a graça nos capacita a viver na pratica de boas obras, não para a salvação, mas por gratidão e como uma consequência lógica da transformação espiritual que Cristo nos concede pela regeneração através da graça quando somos perdoados através da obra da cruz. (II Corintios  9:8 com Efésios 2:8 a 10)
O que a graçade Deus  não é:  A graça não é antinomianismo. E jamais pode ser.  O antinomianismo é a crença de que estamos livres de qualquer tipo de ordenanças, mandamentos e  princípios.  A graça não isenta os salvos de responsabilidades, nos capacita a sermos responsáveis, isso porque é impossível ser fiel ao Senhor sem ser obediente a sua vontade, isso é muito claro e lógico e todo o Novo Testamento atesta isso (Tito 2:11 a 14) A graça não nos dá a liberdade de sermos carnais pelo contrario. Nos dá a libertação da carnalidade. Há certos  falsos doutores que acham que a graça nos dá a liberdade de viver sem regras mas isso é um engano, na igreja primitiva surgiu certos homens impios que converterem a graça de Deus em dissolução, esses achavam que podiam viver no mundo fictício do “pode tudo” vivendo desordenadamente, mas a graça não é um caminho para a dissolução pois isso significa ser escravo do pecado, masa graça é uma libertação do poder do pecado, pois Cristo associou a verdade do evangelho com a perfeita libertação do poder e da condenação do pecado. (João 8:32)
O que a cruz é: A morte no madeiro da cruz era uma desonra, uma vergonha e biblicamente era uma maldição, era objeto de insultos indignos, era um insulto contra  dignidade humana, era um ato vergonhoso morrer na cruz (Hebreus 12:2) era cercado por zombarias e insultos (Mateus 27:39-40) a cruz era um instrumento de tortura horrível, era uma maldição, como descreve Paulo em Galatas 3:13. Foi uma imolação (I Corintios 5:7)Foi vicaria e única , ou seja em favor dos outros e feita uma única vez somente (I Pedro 3:18) foi expiatória o que significa que trouxe satisfação á justiça divina ((Isaias 53:4 a 6) e foi substitutiva (I Pedro 2:24) cruento (Hebreus 9:22). A entrega voluntaria de Cristo é um ato de amor, a punição que Ele teve que sofrer em nosso lugar não.
O que a cruz não é: ela não simboliza o de amor de Deus, a cruz não foi um caso de amor, foi uma vergonha, uma maldição. O amor está no ato de Deus ter dado seu Filho (João 3:16) não na morte e no sofrimento vergonhoso da cruz. A cruz não é um caso de amor, mas de vergonha, punição, expiação, maldição e justiça. A encarnação humilde do Verbo sim, a morte vergonhosa do verbo não.  Precisamos entender isso, porque muitos romantizam o drama da cruz, ao invés de perceber a gravidade e a severidade da expiação, olham, para ela como se fosse um romance amoroso entre Deus e homens. A obra redentora de Cristo não é repetitiva, mas  remete-nos para o fato de que o sacrifício redentor é único e não pode ser repetido, como querem alguns (Hebreus 10:12) A cruz não é um lugar de martírio, portanto Cristo não foi um mártir, ele foi o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. (João 1:29)
O que o amor de Deus é: A base do amor de Deus é a sua justiça santa, portanto Ele pune e castiga suas criaturas, o amor de Deus se revela através de sua graça e sua misericórdia, e ganha plenitude completa na redenção, quando envia seu Filho para morrer por nós pobres pecadores. O amor de Deus também se revela na providencia e no cuidado com a criação e com as criaturas (Mateus 5:45) Deus é amor, disse João, e como o amor é rainha das virtudes do evangelho, Deus revela seu amor para conosco quando nos concede dádivas e proteção, supre nossas necessidades e deseja nos resgatar da maldição do pecado, Deus portanto é a essência do amor.
O que o amor de Deus não é: Quando a bíblia afirma que Deus é amor (I João 4:8)isso não significa que Ele tolera o pecado, não significa que Ele não se ira e que não tem repulsa contra blasfêmias e abominações. Somos chamados a considerar a bondade e a severidade de Deus (Romanos 11:22) Vimos nas Escrituras  que Cristo odeia falsas doutrinas (Apocalipse 2:6 e 15) Deus odeia o formalismo religioso (Amós 5:21) A bíblia fala sobre a ira do Cordeiro (Apocalipse 6:16) a ira de Deus faz parte de seu juízo santo (I Tessalonicenses 2:16) haverá um tempo em que a ira de Deus será consumada sobre esse mundo (Apocalipse 16:1 e 19:15) portanto o fato da bíblia declarar que Deus é amor, não significa que Ele é universalista e tolerante para com o pecado e com desobedientes e para com aqueles que rejeitam a Salvação pela graça em Jesus Cristo. Sendo sendo amor, os que rejeitam a salvação ouviram o brado de Cristo: “apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno...”(Mateus 25:41)

Clavio J. Jacinto

sábado, 17 de novembro de 2018

Desfrute da Salvação

A alma que recebe a regeneração por meio da obra consumada e perfeita de Cristo, descansa nas promessas do evangelho e pode desfrutar dia após dia, da misericórdia e da graça de Deus (Clavio J. Jacinto)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Rebeldia


Eu insensato corria da fé
A sós em dó de amargura
Na noite terrível escura e fria
Era o pecado, eu quem
O mal sempre perseguia

Eu egoísta sempre abstrato
Da verdade, incauto sempre fugia
E com rancor e ira, tão teimoso
Voraz pobre fome, o erro que perseguia

Nessa fuga louca, tão desmedida
A voz branda, ouvir, eu surdo, não queria
Nas delicias da asquerosa lama eu prazeroso
O fétido odor tão sujo e eu não sentia

Mas de amor tão insistente, fui tocado
Na alma de meu coração fosco e falido
Por Cristo que insistente, de mim nunca desistiu
Me alcançou quando por ELE fui perseguido

Ah doce e esplêndida misericórdia divina
Que fez florescer minha noite em lindo dia
Por teu grande amor insistente, me alcançaste
Injusto, logo eu, que de Ti, nada merecia...


Clavio J. Jacinto.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Misericórdia e Esperança

Quanto mais nos é revelado do custo do sacrifício de Cristo na cruz, mais ainda será nossa percepção de quem a misericórdia divina a nossa religião é vã.

Clavio J. Jacinto

domingo, 18 de junho de 2017

A Graça e a Fé

Toda a confiança na vida cristã precisa ser sustentada pela graça de Deus. Fora desse foco, tudo declina ou para o fanatismo cego ou para a mornidão da indiferença.

Clavio J. Jacinto

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Finalidade da Graça

A graça de Deus tem uma dupla finalidade, ela revela que o homem é um pecador morto em seus pecados, depois demostra que recebemos perdão pela obra perfeita de Cristo na cruz (Clavio J. Jacinto)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Pilares da Misericórdia

Os pilares do verdadeiro amor
São sustentados pela justiça divina
O amor divino, torna-se mais real
Pelo sacrifício de Cristo, nossa justiça
Nisso consiste a misericórdia de Deus
Dar seu único Filho
Para redimir as pobres criaturas Caídas.


Clavio J. Jacinto

terça-feira, 11 de abril de 2017

A Graça e a Justiça de Deus



Quando DEUS ama os justos, ele demostra a sua justiça, quando DEUS ama os piores pecadores ele revela a sua preciosa graça e a sua bendita misericórdia

Clavio J. Jacinto

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Sobre a Bondade de DEUS


A bondade é a matéria prima que DEUS usou para efetuar nossa eterna redenção. Não pode haver um ato de bondade maior do que este. Deus soberano e supremos, agiu com um ato de bondade suprema. Ao conceder parte de si mesmo, dando seu Filho para descer as calamidades do homem, rebaixando a si mesmo ao pó da terra, para morrer no juízo maligno da cruz, DEUS nos concedeu a graça de nos elevarmos aos lugares mais altos da sua misericórdia

Clavio J. Jacinto



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Graça Para Ser Obediente




A Vida cristã tem a função de fazer com que a graça de Deus seja um caminho eficaz em direção a uma vida mais santa e obediente ao evangelho

Clavio J. Jacinto

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Graça e Lei

A lei nos lançava na vida de obediência pela obrigação e temor, a graça nos remete para a vida de obediência pela gratidão e amor a DEUS. Clavio J. Jacinto


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Condenação e Misericórdia


É na insuficiência da possibilidade de nos salvar-nos, na impossibilidade de livrar-nos de nossa própria condenação eterna, que nasce a real esperança da misericórdia de DEUS

Clavio J. Jacinto

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A GRAÇA E A OBEDIENCIA


O pecado nos atrai, porém deve ser resistido, e somente quando tomamos conhecimento dos mandamentos de Deus, o pecado pode ser confrontado com a obediência.

Se a graça que você defende, é aquela que te isenta de obedecer aos mandamentos, essa não é a graça de Deus. Porque a graça de Deus não nos conduz a iniquidade. O que é iniquidade? no grego, a palavra grega é anomalos, que significa "sem lei"

Pr Clavio J. Jacinto

sexta-feira, 17 de julho de 2015

A Graça de Cristo e a Cruz de Cristo


A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós (Apocalipse 22:21) essas são as ultimas palavras da Biblia, encerram o Canon das escrituras. E elas terminam mencionando o nome de Cristo, o tão precioso nome que encerra a pessoa mais sublime dos céus (Hebreus 7:26). Aqui as escrituras falam sobre a graça de Cristo, em outras passagens é mencionada a graça de Deus (Tito 2:11) mas aqui nos é revelada a graça de Cristo. Ela precisa estar em nós, dentro do nosso coração, deve estar na nossa fé e na nossa esperança. A carta de Deus aos homens termina com graça, não importa quantos juizos foram exercidos no livro de Apocalipse, mas a graça encerra e sela esse livro. A graça de Cristo é trazer a natureza dele para dentro da nossa vida, remover as ruinas de um homem caido, os escombros de nosso egoismo, e deixar que a presença graciosa de Cristo molde completamente o nosso coração de radical. Quando no inicio da fé, Cristo tornou-se o nosso caminho e durante toda a jornada, Cristo tornou-se a nossa riqueza, e depois então na consumação de todas as coisas Cristo torna-se o nosso destino. A precioscidade da vida de piedade é ter mais de Cristo, enquanto que ter muitos bens materiais traz muitas preocupações, ter mais de Cristo é ter mais felicidade. Nossa Riqueza é Cristo, neles estão escondidos todos os tesouros da ciencia. Para onde estão voltado os corações de tanta gente que professa Cristo? Estão voltados para um mundo que enfeitiça o ego e com o materialismo. Há tantas pessoas que se professam serem cristãs, mas que amam o entretenimento, e querem se enriquecer as custas do marketing religioso produzido por uma teologia deteriorada, porque não ve mais a cruz de Cristo com a gravidade que precisa ser vista. O preço foi alto demais, impossivel seria a redenção sem o derramamento do sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Talvez o leitor pense que tenho enfatizado tanto o sofrimento na cruz, e seriedade da redenção, mas jamais poderiamos perder o foco da extrema dor de Cristo, quando ali sofreu por causa de nossos pecados. Sei que a força da redenção está na graça, mas a graça teve um custo para Deus e teve um custo para seu Filho, e disso jamais poderemos nos esquecer, o céu no coração do piedoso cristão será um lar de infinita gratidão, antes de ser um lugar de descanso e jubilo.  Que a graça de cristo esteja dentro do nosso coração, para que a gratidão possa fluir por toda a nossa vida.

Pr Clavio J. Jacinto

sexta-feira, 12 de junho de 2015

A Graça Ensinadora de Deus



A GRAÇA ENSINADORA DE DEUS
Clavio Juvenal Jacinto

“A lei tem sido dada para que se implore a graça, e  graça tem sido dada para que se observe a lei” (Agostinho de Hipona)


A graça de Deus é um ensino central das escrituras, em especial nas epistolas do apostolo Paulo, a definição teológica comum para a palavra graça (do grego charis) é favor imerecido, ou providencia gratuita de Deus. Está intimamente relacionada a salvação. Somos salvos pela graça de Deus, e ela é a força que impulsiona todo o plano da nossa salvação. Porém há aplicações e conceitos errados relacionados à graça de deus. Precisamos entendê-la de modo correto, para não recorrermos em erros crassos, e apostatarmos da fé cristã.
1-A graça não se inicia com a Nova aliança, ela se manifesta desde os tempos eternos, porque a graça é um atributo de Deus, ela pode ser percebida, por exemplo, quando Abel oferece o sacrifício ao Senhor, e ele atenta para o sacrifício de Abel. Ora, Abel era parte de um a humanidade caída, o que aconteceu no culto de Abel, é que ele respeitou certos princípios espirituais, e isso fez com que  a graça de Deus se manifestasse e Deus aceitasse o seu sacrifício e rejeitasse o sacrifício de Caim.
2-No entanto ela vem em plenitude com Cristo, pois as escrituras afirmam que a lei vem através de Moisés e a graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo (João 1:17), vimos a plenitude da graça de Deus sendo derramada aos pobres homens pecadores, através de Cristo, a vinda de Cristo a este mundo é a vinda da plenitude da graça. A graça move a misericórdia de Deus, e então em Cristo, através da obra  redentora da cruz, recebemos a salvação, o perdão de nossos pecados. Portanto para Deus, a sua graça tem o custo de dar seu Filho unigênito para morrer por nós.
3-A graça não é uma oposição lei, a lei era aplicada na dispensação antiga, o velho pacto, veio através de Moisés, e era relativa ao povo judeu, como um modo de relacionamento entre o homem e Deus.  Portanto esse relacionamento era controlado pela lei. Na antiga aliança, a vida espiritual vinha por intermédio da pratica da lei, a proteção e as promessas divinas vinham pela observância da lei, era assim que funcionava. A lei regia a vida religiosa, o intercambio entre o Céu e a terra funcionava pelos princípios da lei.
4-A lei era o centro da vida espiritual no antigo pacto, ela era constituída de ordenanças, cerimônias e princípios que tinham valor atemporal e universal. Muitas dessas ordenanças e cerimônias tiveram seu cumprimento cabal em Cristo e a obra realizada na Cruz, mas alguns princípios morais nunca perderam seu valor espiritual, por causa da sua atemporalidade, pelo contrario, ganharam força, profundidade e perenidade na nova aliança, como iremos ver mais adiante.
5- Alei também revela a seriedade do pecado e a incompetência humana em observa-las por forças naturais. Por isso torna-se impossível ao homem alcançar a salvação pela observância da lei. Pelo contrario, ela revela que o homem não pode fazer isso, pela força de vontade própria e pelo impulso religioso.
6- Portanto, concordo com a máxima teologia que explica que a lei ordena ”faça isso e viverás, enquanto a graça ordena viver a farás”
7- A chave que abre o nosso entendimento é Mateus 5:17, Jesus não veio destruir a lei, mas cumpri-la, e então conselho das escrituras é que devemos seguir os seus passos. A graça nãos isenta de responsabilidades, ela nos coloca em um nível mais elevado, e, portanto pela força espiritual que Deus nos concede através da presença do Espírito Santo, podemos cumprir a ordem de sermos santos em toda a nossa maneira de viver como nos ordena Pedro em uma de suas epistolas universais.
8- Há em corrente doutrinaria herética que ensina que estamos livres da lei moral, essa corrente teológica de anarquia espiritual, ensina que a graça nos isenta da obediência aos valores judaico-cristãos, porque a salvação é pela graça, e não vem de obras. Chama-se antinomianismo.
9- desde a década de 1950, o antinimanismo tem crescido muito e se alastrado pelas denominações em declínio espiritual, na verdade, o pensamento antinomianista, era contrario a visão dos grandes pensadores da igreja, Jonathan Edwards, A. W. Tozer, John Wesley, Calvino, Spurgeon, Finney,  e praticamente todos os pais da igreja primitiva.
10- Embora seja verdade que a graça de Deus é o motivo da nossa salvação, e isso não  é o resultado das nossas obras, mas da graça de Deus, para que nenhum homem se glorie, e fato que a prudência nos manda respeitar o contexto do texto clássico sobre a salvação pela graça, Efésios 2;8 e 9, porque o versículo 10, que é parte do assunto dos versículos anteriores afirma: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais deus preparou para que andássemos nelas”
11- é verdade, que somos salvos unicamente pela graça e justificados pela fé, porém nunca que a salvação concedida por Deus nos leva a omissão, a prevaricação e a uma vida de permissividades e mundanismo. “Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome” (Romanos 1:5) o texto é claro, a graça nos leva para o caminho da obediência. Mas como pode existir obediência, se não existirem, regras, leis, normas e princípios? O antinomianismo é uma fraude espiritual!
12- O erro crasso dos inimigos da santidade e da vida de castidade, é acreditarem que doutrinas, normas e leis, servem para oprimir o cristão, quando na verdade, servem para preservar a nossa identidade e nos proteger.
13- Foi Jeremias quem profetizou sobre a Nova aliança, no capitulo 31:31 a 33, e Jeremias revela que o Senhor colocaria a lei no interior e escreveria no coração do homem, aqui está uma verdade relacionada a Nova Aliança inaugurada pelo sangue de Cristo, O Messias Salvador que vem trazer a graça e a VERDADE. A verdade de que a lei de DEUS fica escrita no nosso coração, quando se convertemos ao SENHOR. Essa é uma verdade clara nas escrituras!
14-Sendo o apostolo Paulo, o escritor do Novo Testamento, que mais ensinou sobre a doutrina da graça de Deus, convém também entender que foi exatamente Paulo, o apostolo que mais escreveu sobre regras e preceitos para a vida cristã.
15- Embora seja verdade que a graça de Deus seja um dom gratuito imerecido, Strong no seu léxico grego define que a graça (Charis) é "A influencia divina sobre o coração, e seu reflexo na vida". Pois agora temos uma noção diferente e mais ampla do significado da graça de Deus, portanto é trágico que tantos têm interpretado de maneira incoerente a graça de Deus.
16- Bradam os liberais, que a religião proclama ordenanças mas Cristo proclama liberdade, que estamos livres da lei, porque agora Cristo nos libertou. A religião é mandamentos, o cristianismo é relacionamento, que poético! Mas como Deus pode ser Senhor, se não existir obediência? É muito patético, mas querem transformar em dissolução a graça de Deus!
17-Aliás é Judas que denuncia o antinomianismo “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios que convertem em dissolução a graça de Deus...”(Judas 4) sem a lei moral, o cristianismo não é uma benção e exemplo de santidade, mas uma anomalia. (anômalos=iniquidade)
18-Assim, sendo concordo que a graça não promove dissolução, nem nos chama para uma vida de desobediência, não convida para uma vida frouxa e descuidada, não convoca o cristão a viver regaladamente e despreocupadamente, a graça nos chama a luta, a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos (Judas 3) você já ouviu falar de um militância sem ordem, sem lei, sem regras e sem organização? Não existe!
18-Então posso fazer coro com Thomas Brooks “Quanto mais a graça floresce na alma, mais pecados morrem” Glória a Deus!
19-Quero vos lembrar de que com Jesus vieram a graça e a verdade (João 1:17) e mesmo apostolo João que afirmou isso também disse: “Aquele que diz: eu conheço-o e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade”  (I João 2:4)
20- Assim como existem outros evangelhos, existem outras “graças’ inventadas pelos homens, que não é a graça de Deus, aquela apresentada nas escrituras, é a graça que nos convida a uma vida de santidade, de obediência, Jesus afirmou que aquele que ama Ele, guarda os mandamentos dEle, o Cristo que vem com a graça majestosa do seu Pai, convoca o cristão a obediência aos mandamentos (João 14:23)
21- Ora é correto acreditar que a graça nos dá a liberdade, sim! Jesus mesmo afirmou, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, porém que liberdade é essa? Outrora  éramos escravos do pecado. Assim como Cristo é a nossa páscoa (I Coríntios 5:7) nós também tivemos uma libertação, como descreve Paulo em Colossenses 1:13 saímos da potestade das trevas. Então que liberdade é essa, é a liberdade para pecar? Não! Mil vezes não! Mas a liberdade de não pecar. Agora somos livres para sermos santos.  Cristo nos resgatou da maldição da lei, e não da lei, a gora e a lei é de Cristo. (Gálatas 6:2)
22-Alguém tenta burlar a verdade, esconde-la dentro de doutrina de homens, assim argumentam que a graça não trás qualquer risco aos crentes da Nova Aliança, porém o autor aos Hebreus adverte: “De quanto maior castigos cuidam vos será julgado merecedor, aquele que pisar o filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça” (Hebreus 10:29) creia irmão e estremeça diante dessas palavras!
23- Assim como os liberais também papagaiam que Deus é amor, e acham que por Deus ser amor, e de fato é, porque a bíblia diz que é, mas pensar que amor de Deus tolera o mundanismo, é pura ignorância, Deus é amor e também é justiça e santidade, Deus não tolera o pecado e as abominações, o equilíbrio na vida espiritual nos leva a pensar num Deus como a bíblia nos descreve: “Considera, pois a bondade e a severidade de Deus, para com os que caíram severidade, mas para contigo benignidade, de outra maneira tu também serás cortado” (Romanos 11:22) O Deus de amor nunca amou o pecado
24- Os antinomianistas não gostam de leis, são partidários da graça anarquista, mas pense bem, o universo tem leis, a natureza tem leis, os estados têm leis, os reinos, a sociedade, as organizações.  Porque a igreja não?
25- Muitos odeiam a palavra “não” ela soa muito negativa, trava a concupiscência humana, prende a natureza caída do homem fere a liberdade de pecar, então apelam que a lei é negativa, própria da religião legalista, que apregoa normas, regras, doutrinas, estatutos. Acontece caro amigo, que o novo testamento está cheio de proibições.
26-Não vos embriagueis com vinho (Efésios 5:18) Não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas (Efésios 5:11) Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe (Efésios 4:29) não deis creditos a todo espírito (I João 4;1) Abstende-vos de toda aparência do mal (I Tessalonicenses 4:22) Não prendais a um jugo desigual com os infiéis (II Coríntios 6:14) etc. 
“A graça é o amor infinito que se expressa por meio da bondade infinita” (Lewis Sperry Chafer)



A GRAÇA DE DEUS É ENSINADORA


Querido amigo, não se deixe enganar, joguinhos de palavras não podem convencer uma mente esclarecida, encontramos em Tito 2:11 a 15, a perfeita descrição da graça de Deus, ela é ensinadora, além de ser salvadora.
“Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, ensinando-nos que renunciando a impiedade e as concupiscências mundanas, vivamos nesse presente século sóbria, e justa e piamente, aguardando a bem aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo, O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade (Anomalia- da vida sem lei) e purificar para si, um povo seu especial, zeloso e de boas obras.”
A graça de Deus nos ensina a renunciar o pecado, sim é isso que você leu mesmo, confira na sua bíblia! A graça salvadora de Deus nos ensina a renunciar a iniquidade em todo tipo e forma, como descrita nas escrituras, roupas sensuais, vícios, mentiras, hipocrisia, procrastinação, sensualidade, erotismo, adultério, vaidade, heresias, mundanismo, orgulho, materialismo, frouxidão espiritual, apostasia, prostituição, fornicação, liberalismo, etc.
Que o SENHOR abra teus olhos para não seres enganado, pois quem prega que Jesus só quer o coração, não está interessado com o destino da tua alma.

Soli Deo Glória






Pastor Clavio J. Jacinto
Igreja Evangelica Caminho da Paz
Caixa Postal 1
CEP 88490-000
Paulo Lopes SC
48-9622-8870






"Sem um coração transformado pela graça de Cristo, nós vamos apenas continuar a gerar escuridão externa e interna."  Matt Chandler




A graça de Deus não nos impulsiona a tolerar o pecado, mas a combater o pecado  com tenacidade, porque  graça de Deus nos revela a gravidade e a malignidade do pecado (Clavio J. Jacinto)

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