sexta-feira, 3 de março de 2023

O Império dos Sonambulos (Um Conto)

 



 

Autor: Clavio J. Jacinto



Uma ilha outrora velada sob névoas durante séculos, apareceu no Atlântico Norte, um lugar exótico e misterioso, não era uma grande extensão de terra, mas havia lá uma grande civilização de hábitos distintos. No sul, sobre uma enorme rocha havia uma enorme fortificação, algo parecido com um mosteiro, mas do centro erguia-se um farol de luz brilhante e azul.
A grande fortificação chamava-se Biblioteca, milhões de livros arquivados e manuscritos antigos, os habitantes daquela ilha chamava-se Sonâmbulos, pois trabalhavam de dia e a noite liam. O repouso daquela gente era a leitura de livros. Poderia falar sobre a grandeza daquele povo, mas antes devo fazer menção das características da ilha.

 
Repleta de árvores, todas frutíferas, não havia sequer uma só espécie que não desse um fruto delicioso e comestível, além de uma conífera que sobressaia entre as demais árvores e produzia folhas  fosforescente que durante a noite iluminavam a ilha.


Na ilha permanecia de modo perene a junção de duas estações; a primavera com o outono. Flores em exuberância e frutos das mais variadas doçuras aromas, perfumes e cores vivas formavam um ambiente agradável, uma réplica, um remanescente dos vales paradisíacos do mundo em suas origens.
As praias cheias de conchas e uma areia dourada pássaros das mais variadas espécies todos  coloridos,  uns cantam pela manhã, outros ao meio dia e outros a tarde, uma espécie rara canta a noite, cada sinfonia difere uma da outra e os Sonâmbulos sabem o horário através dos cantos.
Três árvores existem em abundância no império, a videira, a oliveira e a figueira, elas produzem seus respectivos frutos, e são a dieta básica dos Sonâmbulos,  além dessas árvores, há outras centenas de espécies, não há nenhuma planta estéril na ilha, todas produzem frutos deliciosos e flores extremamente perfumadas, as folhas secas que caem são recolhidas e são usadas na fabricação de chás e refrescos. Os rios são cheios de pedras preciosas, Ônix, bdélio e diamantes. Há nos rios, uma espécie de ostra que produz uma pérola azulada.
Não há na ilha qualquer tipo de serpentes, não tente confundir o lugar com a Nova Zelândia,  também não há insetos nocivos,  encontramos lá muitas abelhas e borboletas, mas jamais devemos confundir a ilha com a Atlântida de Platão. As montanhas são majestosas e as campinas encapadas de relvas e flores silvestres, o vento é sempre suave e as nuvens pulverizam todas as regiões com uma chuva fina que não dura mais do que algumas horas.


Essa descrição paradisíaca desse lugar que parece tão utópico , precisa ainda de outros pormenores, como a biblioteca que é tão rica com milhares de volumes clássicos , acessível a todos os habitantes, no céu noturno as estrelas parecem brasas ardentes a alumiar os contornos da ilha, luzes não faltam para fazer de cada noite um espetáculo.. e isso é tão necessário para um povo que ama a leitura e ocupa-se dela como um meio de descanso para a alma.


Não há casas na ilha, os Sonâmbulos se abrigam debaixo das árvores e as vezes a céu aberto nas campinas relevadas em noites de lua, não há perigo algum quanto a isso, não há animais ferozes, as temperaturas são amenas e não chove a noite e quanto aos insetos molestadores, não há por aquelas paragens.
A relação dos animais com os Sonâmbulos e admirável, os pássaros pousam nos ombros daqueles homens,  os ursos pandas brincam com eles.

 

Os campos estão sempre cheios de alfazemas, flores  exuberantes como a Dálias, Rosas e Crisântemos, tem peculiaridades da Ilha, nunca murcham. Durante a noite as flores se fecham e esperam até o aparecimento da estrela da manhã para desabrocharem novamente e liberarem seus doces perfumes. Da mesma forma, as arvores mais lindas florescem e frutificam sempre, a quaresmeira, a cerejeira, o Ipê-roxo, a sequóia, o carvalho real e o sândalo além de muitas outras incontáveis espécies de arvores. Por entre elas vimos muitos sonâmbulos colhendo frutos cantando o Soneto da fidelidade de Vinicius de Moraes ou alguns deles sentados a sombra de uma arvore ao meio dia lendo estórias como Romeu e Julieta ou Pedro e Inês. Aos domingos pela manhã o assunto mais comum são as historias do Evangelho de João.

 Os ventos passam pelas folhas que parecem uma espécie de harpa, pois o farfalhar das folhas emitem um som celestial, interessante que durante o dia a musica é mais impressionante enquanto a noite é demasiadamente suave.

  Os Sonâmbulos são uma raça despertada para o conhecimento prático, são dedicados a leitura, contemplam a natureza tão graciosa do seu reino, desfrutam de uma paz que já perdura por muitos milênios, um respeito pelas virtudes e cultivam a humildade e a serenidade. Vivem com todas as coisas sem possuir nada,  não possuindo nada usufruem de todas as coisas do Império.

O céu do império dos Sonâmbulos é magnífico! Pois é enfeitado de nuvens noctilucentes e iridescentes, além do aspecto azul profundo nos dias mais ensolarados. A grandeza da terra é sua fertilidade e no vale dos eucaliptos que curiosamente produzem um fruto que tem uma seiva doce e agradável muito consumida nos dias mais quentes por ter um sabor muito refrescante.
 A alegria da vida está na paz, os habitantes mais antigos crêem que o trabalho enobrece a vida, mas há um certo aspecto de devoção mais pura e remete a crença num monoteísmo transcendente , a prática da religião portanto está inserido no contexto prático, na vida cotidiana e todas as atividades estão conectadas nessa espiritualidade. O coração do homem é o templo, a sua vida social,  a liturgia,  e a beleza é o mistério a ser contemplado como um vínculo que leva a compreensão funcional do universo.

Por todas as extensões de todas as praias conchas e pérolas das mais variadas cores e brilhos, nas dunas pequenos arbustos com flores minúsculas azuis e roxas e pequenos frutos carnudos de casca amarela e um polpa rosa.

 Há uma abundância muito grande de borboletas endêmicas que festejam  tão grande quantidade de flores. Há também um boticário na ilha, sua missão e coletar mel, perfumes, cascas aromáticas e folhas medicinais, todos os dias ele se envolve numa alegria pura neste labor.

Há uma praça no cume do monte mais alto, é um observatório astronômico, todas as vezes que a estrela da manhã desponta, um vigia em uma torre de pedra toca uma trombeta barroca.
Os Sonâmbulos encerram a leitura com o soar da trombeta e ficam observando o raiar do dia, um momento agradável, a fragrância do amanhecer, uma mistura de petrichor e hortelã , bem diferente da fragrância da noite que apresenta um perfume suave de alfazema com almíscar.

A grandeza do império é a simplicidade da vida de seus habitantes, o imperador, um homem culto, é o bibliotecário, há também uma elite servil chamada de escritores, na sua maioria poetas, teólogos e filósofos. Alguns deles vivem em cavernas, um estilo de vida dinâmico e rudimentar. Confortável para os padrões da vida feliz.

A vida é estável lá, mulheres e homens alcançam uma maturidade avançada e então permanecem intactos, não envelhecem ao ponto de perder o vigor e a memória.
Também é interessante informar que não há um sistema monetária lá, se tivesse , a moeda corrente seriam os livros e a reputação pessoal, quando mais irrepreensível fosse um homem, por seu caráter elevado e vida justa teria direito de possuir qualquer coisa sem cometer  qualquer crime ou injustiça.
O idioma dos Sonâmbulos é o universal, entendem qualquer uma e falam todas, inclusive a dos anjos, são versados nas línguas antigas e modernas.

O império, no entanto, é inacessível, é proibido a entrada e mesmo se alguém quisesse chegar lá, não poderia, a ilha é protegida por uma abóboda de cristal invisível, a menos que alguém alcançasse o nível místico de um Sonâmbulo não pode ter acesso à ilha. 

 Protegidos como se encontram, se os Sonâmbulos perceberem o estilo de vida que as outras raças vivem em nossos dias, é provável que tomem os devidos cuidados de se ocultarem de todas as civilizações, não será novidade se tentando encontrar esse império nos mapas ou pessoalmente vasculhando o Atlântico Norte, nada se encontre senão névoas e águas o motivo, é que o Império está absolutamente invisível, para se precaver dos perigos dos  homens avarentos novamente.

 

Extraido de: Contos Ordinários e Extraordinarios de C. J. Jacinto

Contatos:

claviojj@gmail.com

 

 

 

 



 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Frases Cristãs Para Sua Reflexão

 


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10 Frases Transformadoras

 




Em meio as trevas que prevalecem sobre o mundo que jaz no maligno, só pode atravessar com pleno discernimento quem mantém a luz da gloria do evangelho de Jesus Cristo acesa dentro do coração 


Podemos perceber a inclinação do homem transformado pelo evangelho quando dentro do seu coração há fome constante de ouvir a Palavra de Deus e não de ser nutrido pelas palhas secas de meras emoções 


A vida espiritual autêntica é uma busca incessante pelo crescimento na graça de Deus e no conhecimento das Escrituras 


A maior luta que travamos é contra nossa própria inclinação hedonista , negar a si mesmo e entregar-se incondicionalmente à Cristo é um grande desafio para os homens de nossos dias 


Justiça equidade e santidade são expressões vitais no homem redimido que está vivendo Cristo através da graça de Deus


Nenhum homem pode aceitar a graça de Deus e experimentar a misericórdia divina sem antes despojar-se do próprio orgulho e do hedonismo


O orgulho é uma deformidade que não se encaixa com a realidade do universo, é algo que gravita entre o absurdo e a ilusão


De nada adianta ouvir sobre Cristo todos os dias, sem tomar a cruz e seguir após Ele, pois assim apenas deixas a prova irrefutável de que teu cristianismo é falso


 Vivi tempo suficiente para afirmar que o substantivo "cobrança" foi usado muito mais nos púlpitos do que a "graça". Essa contradição denuncia o quanto a maioria dos pregadores estão absolutamente longe da proclamação da salvação como dom gratuito de Deus.


O mundo é um lugar inospito para os santos, nele o diabo se transfigura em anjo de luz, lobos se disfarçam de ovelhas, falsos profetas proclamam mensagens atrativas ao ego, o pecado tem o sabor agradável da desobediência e o exercício da hipocrisia oferece mais amigos do que ser sincero e pregar somente a verdade.

. Autor: C. J. Jacinto 






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