A Redenção: Uma Obra Perfeita
C. J. Jacinto
O diagnóstico apresentado por Paulo
acerca de cada ser humano não se limita a expor a natureza decaída da
humanidade. O apóstolo não apenas diagnostica a condição humana, mas também
oferece a esperança da cura, apresentando Deus como o médico que atesta uma
enfermidade fatal — a segunda morte, ou morte eterna — para a qual providenciou
o remédio da medicina divina. Ao derramar Seu próprio sangue para expiar nossos
pecados e nos conceder a justificação, Cristo revela a solução para essa
condição. Essa verdade é claramente observada na leitura de Romanos 3:23-24:
"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo
justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus."
A ênfase do apóstolo Paulo sobre a redenção em Cristo Jesus demonstra que a
eficácia desse ato é uma verdade absoluta e incontestável no Novo Testamento.
Tal garantia fundamenta-se exclusivamente na obra consumada e perfeita
realizada no Calvário, sendo o Evangelho o único meio pelo qual se alcança a
justificação. Sob uma perspectiva teológica, torna-se evidente que nenhum outro
instrumento é capaz de promover a redenção humana. Esforços pessoais, o batismo
nas águas ou a vinculação a uma instituição religiosa são insuficientes e, se
elevados a condição de mérito, conduzem a uma falsa esperança, característica
de um falso Evangelho. Paulo, contudo, é preciso ao afirmar que somos
justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há
exclusivamente em Cristo Jesus e por intermédio de Sua obra perfeita.
É importante compreendermos, de uma
vez por todas, que a salvação reside única e exclusivamente na obra de nosso
Senhor Jesus Cristo. Esta é uma verdade fundamental e inegociável. O próprio
Cristo enfatiza essa exclusividade em João 14:6, ao autodenominar-se "o
caminho". O uso do artigo definido no singular exclui a possibilidade de
atalhos ou vias alternativas; Ele é a única vereda. Ademais, em Hebreus 1:3, o autor sagrado
afirma: "Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu ser,
sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, depois de ter realizado
a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas,
feito tanto mais excelente que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do
que eles".
Notamos, com clareza, a ênfase dada à
eficácia do sacrifício de Cristo: "havendo feito por si mesmo a
purificação dos nossos pecados". Trata-se de uma obra realizada
exclusivamente por Ele, cuja eficácia pertence apenas a Ele. Portanto, somente
Cristo tem a autoridade para conceder a redenção ao pecador. Ignorar esta
centralidade nas Escrituras equivale a negar uma verdade fundamental do
Evangelho. É fundamental recordar a advertência de Paulo de que o deus deste
século cega o entendimento dos incrédulos, impedindo que a luz da glória do
Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo resplandeça em seus corações.
Compreendemos, portanto, que o propósito das investidas do adversário é
obstaculizar a compreensão e a aceitação da obra expiatória realizada por Jesus
Cristo no Calvário, a qual oferece redenção a todos os que creem. Ao lograr
êxito em deturpar a mensagem do Evangelho, Satanás obtém vantagem ao enganar e
conduzir almas à perdição eterna.
Em Efésios 1:7, o apóstolo Paulo afirma que possuímos a redenção por meio do
sangue de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É mediante o sacrifício
realizado na cruz do Calvário que recebemos a bênção do perdão dos pecados e a
justificação, concedidas gratuitamente por Ele. Contudo, chama a atenção a
passagem de Hebreus 10:11-14, que declara: "Ora, todo sacerdote se
apresenta, dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos
sacrifícios, que nunca jamais podem tirar pecados; Jesus, porém, tendo
oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra
de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por
estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre
quantos estão sendo santificados".
Nesse trecho de Hebreus, observa-se a ênfase
na obra consumada e perfeita de Cristo. Com um único sacrifício, realizado uma
vez por todas no Calvário, Ele aperfeiçoou permanentemente aqueles que são
santificados. Essa oferta, por sua natureza singular e definitiva, não admite
repetições. Portanto, é fundamental compreender que o Verbo de Deus, ao morrer
na cruz, efetuou uma redenção eterna. À luz destas verdades sublimes, somos
convidados a uma reflexão profunda sobre um tema de valor inestimável, que
inunda o coração de júbilo. As Escrituras revelam nossa condição de pecadores,
distantes da glória de Deus, evidenciando um abismo intransponível entre a
humanidade e o Pai Todo-Poderoso. Contudo, Jesus Cristo, nosso Sumo Pontífice,
estabelece a ponte restauradora para a presença divina. Conforme Sua própria
promessa — "Ninguém vem ao Pai senão por mim" —, o elo outrora
rompido foi reatado. Desta forma, o que antes nos mantinha destituídos, agora
nos concede plena comunhão e acesso direto a Deus, por intermédio de nosso
Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Que possamos nos maravilhar diante da
declaração de Hebreus, capítulo 10, versículos 20 a 22, onde está escrito:
"Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de
Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela
sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com
verdadeiro coração, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados da má
consciência e o corpo lavado com água limpa."
Quanta grandiosidade reside nestas palavras. Dispomos de um mediador, um
sacerdote, que é Cristo. É exclusivamente por meio d'Ele que alcançamos a Deus;
somente através de Sua mediação e representação somos conduzidos à Sua
presença. O próprio Senhor declarou ser este o único caminho, verdade
ratificada por todo o Novo Testamento como um princípio absoluto e inegociável.
Qualquer pessoa que pretenda anunciar o Evangelho e ensine a falsa doutrina de
que existem outros mediadores, ou que o acesso ao Pai pode ocorrer por
intermédio de outrem, está a proclamar um "outro evangelho". O
apóstolo Paulo, em Gálatas 1:8-9, adverte categoricamente: ainda que alguém, ou
mesmo um anjo do céu, pregue um evangelho diferente daquele que foi anunciado,
seja anátema. Portanto, aquele que nega a verdade absoluta de que a salvação e
o acesso ao Pai dependem unicamente da obra consumada e perfeita de Cristo, não
é um cristão bíblico, não professa a verdadeira fé e não está pregando o
Evangelho de Cristo. Diante da voz inegável, inerrante e preciosa do apóstolo,
somos confrontados com a afirmação de que em nenhum outro há salvação, pois,
sob o céu, não existe outro nome entre os homens pelo qual possamos alcançar a
Deus. A expressão "nenhum outro" confere ênfase absoluta à
exclusividade de Cristo: Ele é o único acesso e o único meio de redenção. Fomos
destituídos da glória de Deus pelo pecado, mas Cristo restaurou o
relacionamento que havia sido rompido. Conforme registrado em Efésios 2:18,
"Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito". Você
crê nisso?
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