Enoque e Jonas
Uma personagem bíblica que se
encaixa perfeitamente com a identidade de um remanescente é Enoque. Há um
testemunho dado por Moisés acerca dele, em Gênesis, no capítulo 5, versículo
21: "E andou Enoque com Deus." Ora, esse andar com Deus é um
andar pessoal, do qual toda aquela sociedade antidiluviana estava completamente
corrompida.
Aquele mal, aquela violência que nasceu no
coração de Caim quando se levantou e matou seu irmão, se disseminou por toda a
civilização. Quando chegamos em Gênesis, no capítulo 6, na chamada de Noé
para sair fora dessa sociedade corrompida, que já estava madura para um juízo,
vemos que o diagnóstico que Deus dá para aquela sociedade é que eles eram maus
e violentos.
Portanto, nós temos um homem cuja a medida de santidade e a identidade de um
remanescente pode ser observada na pequena biografia que nós encontramos no
capítulo 5 do livro de Gênesis. No versículo 24 deste capítulo, então
podemos novamente observar: "E andou Enoque com Deus e não apareceu mais,
porque para si Deus o tomou." Então, no Novo Testamento, no livro de
Hebreus, capítulo 11, versículo 5, está ali Enoque entre os heróis da fé. Lemos
naquela passagem: "Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte e
não foi achado, porque Deus o trasladou, visto como, antes de sua trasladação,
alcançou testemunho de que agradava a Deus."
Aqui temos, então, uma informação complementar acerca da vida de Enoque. Ele
andou com Deus e, nessa comunhão, o seu modo de andar, o seu estilo de vida era
tal que a comunhão com Deus afetou completamente o seu comportamento, de modo
que Deus se agradou tanto de Enoque nesse relacionamento, nessa comunhão, ao ponto
de Deus tomar para si aquele patriarca consagrado a vida espiritual profunda. Ou
seja, Enoque não era mais digno deste mundo. O mundo que estava em processo de
corrupção espiritual e moral, em velocidade tão grande, tinha o seu radical
oposto espiritual; estava Enoque em comunhão perfeita, intima e perene com
Deus. Essa deve ser a característica do cristão que será arrebatado, do homem
de Deus que realmente espera ser trasladado quando Jesus Cristo voltar em glória
triunfante para buscar a sua igreja. Para contrastar com a vida de
Enoque, nós temos Jonas. Em Jonas, capítulo 1 e versículo 5, lemos:
"Jonas, porém, desceu ao porão do navio e, tendo-se deitado, dormia um
profundo sono". No versículo 10 do capítulo 1 do mesmo profeta, lemos:
"Fugia da presença do Senhor". Aqui temos um oposto da vida de
Enoque: um homem que recebe um chamado de Deus, como recebeu Abraão, uma
chamada radical, Jonas foi convocado para que saísse da sua terra e fosse então
até Nínive para pregar arrependimento aos habitantes daquela metrópole. E, de
certa forma, Jonas relutou em obedecer ao Senhor e vai tomar um caminho
obscuro.
Todas as vezes que rejeitamos o caminho que o Senhor nos aponta, todas as
vezes que rejeitamos o caminho do Senhor, todas as vezes que não ouvimos o
chamamento do Senhor para nossa vida, o que vai à frente nessa escolha são decadência
e trevas — trevas espirituais intensas. Jonas desceu, e nessa descida, contra a
vontade de Deus, ele se deitou em um porão, no lugar obscuro, e ali caiu em
profundo sono. Não há despertamento, nem avivamento espiritual, e nem
discernimento espiritual para quem insiste em andar contra a vontade do Senhor.
Para recebermos luz, temos que andar em direção à luz, de modo que a presença
do Senhor vai iluminar a nossa consciência e o nosso coração. Portanto, no
Antigo Testamento, temos dois exemplos claros: um modelo, do qual o cristão
deve ser, Enoque é a figura exata daquele que será transladado na vinda do
Senhor, é o cristão que tem como perfil e modelo a vida de patriarca santo. Mas
também temos a advertência, que é Jonas. Jonas desceu. Não uma descida para a
humildade, mas para a desobediência. E, tendo-se deitado, dormia um profundo
sono, porque estava na escuridão de um porão, tentando fugir da presença de
Deus, ao invés de andar na presença de Deus, como Enoque andou. Que Enoque e
Jonas sejam lições espirituais para a nossa vida, de modo que possamos aprender
que, nesses dias de grandes dificuldades e de grande apostasia, não sejamos
como Jonas, a se esconder no porão de um navio e viver na obscuridade, mas que
nós possamos andar na presença do Senhor, como fez Enoque.
C. J. Jacinto
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